Posts escritos por: Débora Costa

Resenhas 24jul • 2014

Marcados – Livro 01, por Caragh M. O’Brien

Marcados é o primeiro livro da série de mesmo nome, escrito pela autora Caragh M. O’drien e publicado no Brasil pela Editora Gutenberg. O livro se passa em um universo distópico onde, após sofrer com sérios problemas climáticos, no ano de 2.400, um muro separa a humanidade. Os que vivem do lado de dentro, o Enclave, estão livres da pobreza e levam uma vida confortável, enquanto aqueles que estão do lado de fora, estão sujeitos as leis do Enclave e servem o mesmo em troca de recursos minímos.

Acompanhamos Gaia, uma jovem de 16 anos, que vive do lado de fora do muro. Por servir ao Enclave no ofício de parteira, assim como sua mãe, Gaia precisa entregar os primeiros três bebês saudáveis nascidos em cada mês. Os bebês levados para dentro do muro, são adotados por famílias ricas e recebem uma educação diferenciada, além de conforto e todos os recursos necessários para que tenham uma boa vida. Para todos, essa ação é considerada como um favor que o Enclave faz em relação as pessoas que vivem do lado de fora dos muros, porém suas intenções são muito mais complexas.

Na volta para casa, após seu primeiro parto, Gaia descobre que seus pais foram levados pelo Enclave para um enterrogatório, porém, ninguém consegue lhe dizer o motivo. Após receber um pacote e uma fita da ajudante de sua mãe, a jovem descobre que os pais costumavam manter uma lista com os bebês que traziam ao mundo. Sem saída, Gaia precisa descifrar os códigos da fita, mas isso revelará muito mais do que ela imagina.

“Eu estava bem, de verdade. Estava indo bem até aquela noite, quando me mandaram para fora das muralhas para interrogar uma parteira jovem e difícil.”

O livro é narrado em terceira pessoa, com foco na personagem principal – Gaia. A escrita de Caragh M. O’drien chega a ser envolvente, porém encontrei alguns pontos na narrativa que me incomodaram bastante. Apesar de ser em terceira pessoa, a autora se prende muito ao ponto de vista de Gaia, o que me impediu de ter uma visão mais ampla do que estava acontecendo na trama. Além disso, o desenrolar do enredo é um pouco lento, e alguns pontos repetem informações que já foram descritas no capítulo anterior.

Gaia é uma personagem que, apesar de não ter me agradado muito nos primeiros capítulos, foi me conquistanto conforme a história foi se desenvolvendo. A personalidade forte que ela apresenta me conquistou, porém, em alguns momentos eu não soube dizer se ela estava realmente evoluindo ou regredindo na história, por conta das decisões que ela precisava tomar.

Um ponto que me agradou muito em Marcados foi o fato de Gaia ter uma cicatriz de queimadura no rosto, e por isso sofre descriminação pela pessoas a sua volta.  Acredito que este fato seja um dos principais motivos para que a personagem evolua ao longo da história, ou pelo menos, deu base para sua personalidade ser mostrada. Além disso, o fato de não termos um personagem principal perfeito – o que acontece em muitas distopias – torna Marcados um livro diferente, interessante e curioso.

“Talvez Gaia, na pressa de assumir que as pessoas estavam rindo dela, não conseguisse interpretar como as pessoas de fato olhavam para ela.”

O romance se desenvolve de uma forma bem discreta no enredo e não chega a ser um fator extretamente importante da história, já que o livro está muito mais focado nos motivos do Enclave para manter a cota de bebês. Este foi outro ponto positivo na história. Apesar de eu ser uma grande fã de romances, o fato da autora ter focado do muito mais no universo criado e no que estava acontecendo nele, fez com que o livro se tornasse uma leitura muito mais interessante ao meu ver.

Por fim, Marcados nos dá uma distopia completamente diferente do que temos encontrado no mercado literário. É o livro perfeito para quem gosta do gênero e está interessado em uma experiência de leitura diferenciada, envolvente e com personagens que te conquistam a sua maneira.

Informações: A série possui quatro livros, sendo um deles um volume extra, lançado entre o primeiro e o segundo livro – ainda não lançando no Brasil.

Resenhas 15jul • 2014

Belo Desastre, por Jamie McGuire

Belo Desastre é o primeiro livro da autora Jamie McGuire lançado no Brasil pela Editora Verus. A história gira em torno de Abby, uma jovem que faz de tudo para deixar o seu passado para trás. Porém, tudo vem à tona quando ela conhece Travis, um cara que Abby gostaria muito de poder evitar.

Abby Abernathy não gosta de beber, não fala palavrão e é uma boa garota. Quando se muda para uma nova cidade com sua amiga Ameria, Abby acredita ter conseguido deixar seu passado para trás para começar uma nova vida na faculdade e construir seu futuro bem longe daquilo que a assombra. Porém, tudo muda quando Travis Maddox entra em sua vida. Um bad boy, tatuado e com um abdômen definido que, ganha a vida em clubes de luta e seduzindo as garotas da faculdade em seu tempo livre.

Ao contrário do que está acostumado, Travis não consegue persuadir Abby com o seu charme, que se mostra completamente indiferente ao garoto por mais que ele se esforce para chamar sua atenção. Sem saber como conquistar a garota, Travis acaba propondo Abby uma aposta: se ele conseguisse vencer uma luta sem levar um sono, Abby teria que passar um mês morando com ele, e caso ele perdesse, ficaria um mês sem nenhuma garota. Para a surpresa de Abby, ela perde a aposta e é obrigada a se mudar para o apartamento de Travis, mesmo sabendo que aquilo mudaria tudo entre eles.

“Eu sei que a gente tem problemas, tá? Sou impulsivo, esquentado, e você me faz perder a cabeça como ninguém. Num minuto você age como se me odiasse, e no seguinte como se precisasse de mim. Eu nunca faço nada direito, eu não te mereço… mas, porra, Abby, eu te amo. Eu te amo mais do que jamais amei alguém ou alguma coisa em toda a minha vida. (…) Eu só quero você.”

Belo Desastre é o primeiro volume da série de mesmo nome, e é narrado do ponto de vista da Abby. Acompanhamos a personagem principal e seu relacionamento com Travis se desenvolver de uma maneira intensa, e ao contrário de muitos livros “Young Adult”, Belo Desastre tem uma narrativa diferente, envolvente e uma abordagem bem mais sutil em relação a como os personagens principais se envolvem ao longo do enredo. Não é um livro clichê, que conseguimos definir o final da história logo nos primeiros capítulos, mas além disso, é um livro em que existe uma linha tênue entre o amor e o ódio que você sente pelos personagens ao longo das páginas.

A narrativa foi um ponto que me dividiu muito durante a história. Por ser em primeira pessoa, às vezes eu ficava um pouco cansada de saber tudo o que a Abby estava pensando. Não porque a narrativa era ruim, mas porque em certos momentos do livro eu tinha tanta raiva da personagem, que a minha vontade era de esganá-la a cada pensamento “errado” ou atitude contraria que ela tinha. O final também não me agradou tanto quanto eu esperava, apesar do livro ter me surpreendido a cada capítulo. Achei que a Jamie McGuire poderia ter trabalhado mais os personagens, ou dado um final mais aberto para que a história pudesse ter uma continuidade, porém, não foi o que aconteceu.

“Eu não sabia que estava perdido até que você me encontrou. Não sabia que estava sozinho, até a primeira noite em que passei na minha cama sem você. Você é a única coisa certa na minha vida. Você é o que eu sempre esperei.”

Jamie McGuire me conquistou com sua escrita e me deu um livro completamente diferente do que eu estava esperando desde a primeira vez que ouvi falar sobre Belo Desastre. Me envolvi com o livro de uma forma tão intensa, que por mais que eu precisasse fazer uma pausa na leitura, eu não queria. Belo Desastre consumiu boa parte do meu tempo livre, e foi uma das melhores experiências literárias que eu já tive. Mesmo quando algumas coisas no livro me incomodaram, eu não conseguia conter as reações e aquele desejo de ler só mais um capítulo. Abby e Travis são personagens que marcaram a minha vida de leitora com a intensidade do relacionamento, com a maneira como eles lidaram com cada situação que lhes foram impostas ao longo do enredo.

É o livro perfeito para quem ainda não conhece esse estilo de “Young Adult” e tem vontade de conhecer. Diferente do que muitas pessoas dizem, não é um livro pesado, com cenas que deixam o leitor constrangido – de certa forma, pelo contrário, Jamie McGuire fez uma abordagem de forma sutil e bonita, que não faz com que a história se torne algo pesado.

Belo Casamento tem uma continuação chamada Desastre Eminente, que conta a história do ponto de vista do Travis, e que vale muito a pena ser lida também.

Resenhas 10jul • 2014

Cinder, por Marissa Meyer

Cinder

Cinder é o primeiro livro da série Crônicas Lunares, da autora Marissa Meyer e publicado no Brasil pela Editora Rocco. O livro se passa em uma sociedade futurística, onde humanos e ciborgues convivem em sociedade de uma forma não muito pacífica, já que os ciborgues são considerados aberrações. Acompanhamos Cinder, uma mecânica talentosa, que tenta ao máximo esconder das pessoas a sua identidade ciborgue. Porém, tudo muda quando ela conhece Kai, príncipe de Nova Pequin e descobre que seu passado é mais profundo do que ela mesma imaginava.

Cinder esconde um segredo: ela é um ciborgue. Devido a um acidente sofrido ainda quando criança, partes do seu corpo foram substituídas por partes robóticas e com isso ela já não era mais considerada humana. Trabalhando como mecânica em um stand na cidade e vivendo com as irmãs e a madrasta, ela é obrigada a conviver com as constantes humilhações e com o fato de que sua madrasta a culpa pela morte do marido.

Cinder

As coisas começam a mudar no instante em que o Príncipe Kai a procura em seu stand em busca de reparos para seu androide, e então, o que Cinder julgava impossível acontecer com ela – principalmente por ser uma ciborgue – acontece: ela começa a sentir coisas. Porém, esse é apenas o início dos problemas. Ciborgues não são bem vistos na sociedade, e Kai não fazia ideia de que ela era um deles, e se descobrisse, Cinder tinha certeza de que ele sentiria repulsa por ela assim como todas as outras pessoas.

No primeiro livro da série As Crônicas Lunares, conhecemos um mundo após quatro guerras mundiais, onde a divisão do planeta é completamente diferente. Em Nova Pequin, cenário onde vive a personagem principal, percebemos um governo monárquico, abalado por uma doença aparentemente incurável. A sociedade se divide entre humanos e ciborgues, embora os ciborgues sejam vistos apenas como uma aberração e o preconceito/descaso que sofrem é evidente.

Cinder

A narrativa do livro é feita em terceira pessoa, o que foi um ponto muito positivo para podermos ter uma visão mais ampla da distopia. Acompanhamos Cinder e seu relacionamento com Kai evoluir de forma conturbada, envolto de problemas políticos e familiares que deixam a história ainda mais interessante. Para uma adaptação de um dos contos de fadas mais conhecidos, Cinder nos dá uma visão diferente de Cinderella, porém mantendo na personagem principal, uma característica que não nos deixa esquecer de que Cinder e Cinderella são vertentes da mesma personagem: a bondade.

Marissa Meyer nos dá um primeiro livro envolvente e emocionante. Ao contrário do que muitos pensam, Cinder não se trata apenas de um romance entre uma garota que “não se encaixa” e o príncipe encantado. Pelo contrário, durante toda a narrativa vemos Cinder lutar contra as verdades sobre si mesma, o preconceito de sua própria família e o medo de perder aqueles que amam. Somos apresentados a uma novo universo, onde a lua é habitada pelos lunares e os humanos estão no ápice da sua existência. Nada é como conhecemos, e muitas coisas são reveladas ao longo da narrativa.

Cinder

Os personagens são completos. Mesmo com todo o enredo girando em torno de Cinder, a autora não deixou escapar detalhes importantes sobre os personagens secundários da história, nos dando uma visão além da realidade de Cinder, e nos permitindo nos apaixonar por personagens como Kai, Peony e Iko – que acabou sendo minha personagem favorita no final das contas.

É possível que alguns aspectos da história incomodem o leitor – embora não tenham me incomodado tanto – como por exemplo o fato de que Cinder sofre muito nesse primeiro livro, principalmente com relação a seu passado e a sua relação com Kai. É claro que a personagem evolui bastante com todos os acontecimentos ao longo da narrativa, e é bem possível que essa evolução seja ainda maior nos próximos livros – o que me faz gostar ainda mais da escrita de Meyer, porque diferente de muitas adaptações de clássicos, ela conseguiu externar muito bem as caracteristicas positivas da personagem, de forma que ela conseguisse evoluir sem deixar a história chata.

Cinder

Por fim, Cinder é uma das melhores adaptações de clássicos da literatura que eu já li. É uma distopia completa, onde conseguimos ter uma visão bem ampla do cenário em que estamos, além de termos personagens encantadores inseridos em um enredo completamente diferente e incrível. Recomento este livro para aqueles que são apaixonados por distopias, mas assim como eu, também gostam de novas versões de clássicos como Cinderella.

Resenhas 08jul • 2014

Fiquei com o seu número, por Sophie Kinsella

Fiquei com seu número é uma comédia romântica, escrita pela autora Sophie Kinsella e publicado no Brasil pela Editora Record. O livro conta a história de Poppy Wyatt, uma fisoterapeuta prestes a se casar com o cara perfeito que, acaba perdendo seu – valioso – anel de noivado e se envolvendo em uma grande confusão para conseguir recuperá-lo antes que a família de seu noivo descubra.

Poppy Wyatt perdeu seu anel de noivado na sua despedida de solteiro. Desesperada, ela tenta mobilizar os funcionários do hotel para encontrá-lo, porém não tem sucesso nenhum em sua busca. Para piorar a situação, seu celular é roubado, e junto com ele se vão todos os contatos que poderiam lhe dar alguma pista de onde estaria seu anel.

Para sua sorte, Poppy acaba encontrando um celular em perfeito estado jogado dentro de uma lata de lixo, e sem pensar duas vezes, ela se apropria do mesmo, afinal, o que está no lixo é público, certo?! O problema é que o celular pertence à ex-assistente de um executivo, Sam, que precisa desesperadamente do aparelho de volta, já que ele contém muitas informações sobre a empresa e e-mails coorporativos que ele não pode deixar de ler.

“- O que está fazendo acordada até tarde?
– Não consigo dormir. O que VOCÊ está fazendo acordado?
– Esperando para falar com um cara em LA. Por que não consegue dormir?
– Minha vida acaba amanhã.”

Sem poder devolver o celular, já que havia enviado o número do mesmo para todas as pessoas que poderiam lhe dizer o paradeiro do seu anel, Poppy oferece para encaminhar todos os e-mails e mensagens enviados para o celular em troca de ficar com o aparelho até que seu anel de noivado seja encontrado. Sem alternativa, Sam acaba concordando com a ideia, porém, é óbvio que isso geraria uma grande confusão.

O livro é narrado do ponto de vista de Poppy Wyatt, uma fisoterapeuta que está prestes a se casar com o cara dos sonhos de qualquer garota: Magnus, um professor universitário, filho de uma família de pesquisadores acadêmicos. A relação dos dois parece sólida, porém percebemos que Poppy tem um certo receio em relação a família do noivo, e um incomodo com a maneira que ele se posiciona com o fato de que os pais dele não são a favor do casamento. Então ela conhece Sam. Um executivo de uma grande empresa, focado no trabalho e com sérios problemas de comunicação via e-mail. A amizade dos dois começa de uma maneira bem incomum, mas é possível ver a afinidade entre os dois nascer da troca de mensagens e das opiniões trocadas entre os e-mails encaminhados.

“Independentemente do que já aconteceu, a vida é curta demais para não se perdoar. A vida é curta demais para se guardar ressentimentos.”

Poppy é uma personagem muito fácil de se identificar. Ela tem a maioria das inseguranças que as mulheres possuem em relação aos homens, principalmente quando se trata da aceitação da família. Porém, ela é uma personagem de bom coração e está sempre querendo fazer o melhor para as outras pessoas, embora nem sempre a sua ideia de “melhor” tenha bons resultados. Ela evolui devagar durante a história, o que é um ponto muito positivo para a narrativa, pois mesmo estando em conflito constante, você acaba não enjoando do enredo. E então temos Sam, um dos personagens mais apaixonantes – a sua maneira. Focado no trabalho e sem tempo para se divertir, Sam tem um jeito muito frio e distante de lidar com as coisas a sua volta, o que se destaca ainda mais quando ele começa a se envolver com Poppy, tentando ajudá-la a resolver – o mais rápido possível – o sumiço do seu anel de noivado.

“Não somos a história principal. Acho que somos… – Eu contorço meu rosto, tentando pensar numa maneira de dizer. – Acho que somos as notas de rodapé um do outro.”

Fiquei com seu número foi um livro que me surpreendeu. Enquanto eu estava esperando mais uma comédia romântica clichê, me deparei com um enredo completamente diferente, divertido, envolvente e inspirador. Sophie Kinsella acertou em tudo, desde a escolha da narrativa até os personagens e a maneira como eles se desenvolveram durante a leitura. É um livro que, apesar de ser um romance, fala muito sobre a maneira como lidamos com as pessoas a nossa volta e mostra que às vezes temos que impor nossa personalidade e deixar que as pessoas nos aceitem como somos – ou não.

Esta foi a minha primeira experiência de leitura com a Sophie Kinsella, e até agora eu estou me perguntando porque não tinha lido este livro antes. É um livro divertido, engraçado e perfeito pra quem gosta de uma leitura leve e descontraída. Sophie Kinsella – definitivamente – entrou para a lista dos meus autores favoritos e eu mal posso esperar para ler outros livros dela.

Séries & TV 05jul • 2014

The New Adventures of Peter and Wendy

Aqueles que acompanham o blog sabem que eu sou apaixonada por adaptações modernas de clássicos, principalmente se eles forem produzidos em formato transmidiático¹. Desde de The Lizzie Bennet Diaries, eu deixei um poucos as Séries de Tv e saí em busca de produções modernas onde o espectador participava de forma ativa na produção da história. Aqui no blog já foram citadas algumas dessas adaptações, como Kissing In The Rain do canal Shipwrecked.
Recentemente, fui apresentada a adaptação do clássico Peter + Wendy, de JM Barrie, The New Adventures of Peter & Wendy. A adaptão foi criada por Kyle Walters e Shawn deLoache, e produzida em parceria com Jenni Powell, ganhadora do Emmy Award em 2013 pela produção de  The Lizzie Bennet Diaries. A narrativa da série é em formato de Vlog, e basicamente acompanha Peter, um artista de quadrinhos que aos 20 anos ainda mora em sua cidade natal, Neverland, em Ohio. Além disso, a série conta com um cast incrível, como Kyle Walters  no papel de Peter Pan, Paula Rhodes como Wendy Darling,Brennan Murray como Michael Darling e Graham Kurtz como John Darling.

Peter Pan tem três objetivos: O primeiro deles é nunca crescer. O segundo é se divertir o máximo possível. E o terceiro é conquistar o coração de sua melhor amiga e conselheira no Vlog (Dear Darling) do Kensington Chronicle, Wendy Darling. Para isso ele conta com a ajuda se seus amigos Michael, John, Lily e sua fiel companheira, a fada Tinkerbell (sininho).

A série tem dois cenários: o ponto de vista da Tinker, que normalmente se passa na casa do Peter, e o Vlog da Wendy, Dear Darling, que é gravado no quarto dela, bem similar a Lizzie Bennet do The Lizzie Bennet Diaries. Os personagens moram em Neverland, Ohaio e assim como na história original, Peter Pan não tem o desejo de deixar Neverland, ao contrário de Wendy que, na série, tem o sonho de deixar a cidade e conhecer lugares como Paris e Nova Iorque. 

As características dos personagens são bem acentuadas de forma que a adaptação se torne mais verdadeira. Wendy é uma mulher madura, trabalha no Kensington Chronicle com o irmão John e tem vontade de evoluir profissionalmente, conhecer novas pessoas, casar e ter filhos. John Darling é o irmão responsável, com manias de limpeza e dedicado ao trabalho, ao contrário do irmão Michael, bagunceiro, preguiçoso e extremamente engraçado.  Peter – na minha opinião – é o bom e velho Peter que conhecemos das histórias e adaptações cinematográficas, mas com o carisma e humor de Kyle Walters que me conquistou no primeiro episódio.

Para manter a linha da adaptação moderna, o nosso Capitão Gancho ganha uma versão feminina chamada Lily Bagha, que nesta versão é uma empresária milionária e bem sucedida, apaixonada por Peter e não muito fã de Wendy. E não podemos esquecer da Tinkerbell, que foi mantida pelos produtores da série como uma fada – o que pra mim acabou sendo o diferencial da série em relação a outras adaptações que eu já acompanhei na internet.

The New Adventures of Peter and Wendy em si, é uma ótima adaptação transmídiatica da obra de JM Barrie. Paula Rhodes conseguiu dar vida a Wendy de uma forma que eu sempre quis ver, e a química com Kyle Walter em cena deixa cada vídeo com um gostinho de quero mais. Manter a Tinker como fada foi simplesmente genial do meu ponto de vista, principalmente porque quebra um pouco da ideia dos personagens estarem sempre diante de uma câmera, além de mostrar a narrativa de outro ponto de vista.

A série foi muito bem planejada, desde os cenários até a escolha do cast e a escrita do roteiro. A narrativa transmídia se encontra presente na história, principalmente através do Twitter, onde podemos entrar em contato com os personagens e interagir e participar da série de alguma maneira.

É uma série perfeita para quem está procurando uma comédia romântica diferente, com personagens que você consegue se identificar e se apaixonar facilmente, além de ter uma experiência completamente diferente no quesito “contar uma história”, principalmente pela interação e imersão no universo da série.

Abaixo deixo o trailer da série para quem quiser conferir um pouco mais de The New Adventures of Peter and Wendy, lembrando que para aqueles que preferem assistir vídeos em inglês com legenda, é preciso ativar a mesma no YouTube, certo?!

Resenhas 02jul • 2014

Outras palavras para o amor, por Lorraine Zago Rosenthal

Outras palavras para o amor, é o romance de estréia da autora Lorraine Zago Rosenthal e foi publicado no Brasil pela Editora Galera Record. O livro se passa em 1980, quando as pessoas dividiam sua preocupação entre a possibilidade de um ataque nuclear e as doenças sexualmente transmissíveis. No meio de todas as possibilidades de risco, Ari era uma jovem que carregava todas as expectativas de sua família, principalmente de sua mãe, que sonhava para ela um futuro brilhante.
Tudo começou quando a irmã mais velha de Ari engravidou ainda adolescente. Sem ter terminado o ensino médio, ela acaba se casando com o marido classe média e indo morar no subúrbio com a nova família. Com isso, as expectativas da mãe se voltam para Ari, esperando que ela consiga realizar seus desejos de ter uma filha independente e bem sucedida.

“E daí que eu tinha mentido? Ser boazinha não tinha me levado a lugar algum. Tinha passado a vida inteira sendo boa, estudando, servindo de babá e tentando não magoar ninguém. Estava cheia de ser boazinha.”

Ari carrega nas costas a pressão de ser a filha perfeita. Estudante de uma escola pública, ela procura se esforçar ao máximo para corresponder às expectativas da família, principalmente quando se trata de compreender a situação da irmã mais velha, que passou por complicações após o nascimento do filho. Porém, tudo muda quando a família recebe uma herança de um tio rico, e os pais de Ari decidem investir no futuro da filha, matriculando-a no mesmo colégio que sua melhor amiga, Summer.
Com tantas mudanças, Ari começa a ter que lidar com o fato de que sua amizade com Summer não é mais a mesma, que sua irmã está grávida de novo e com mudanças de humor incontroláveis, além de sua paixão platônica que, já não a mantém mais tão sóbria agora que surgiu um novo amor.

“Tempos antes, eu teria dito que não estava interessada, em uma época em que ser uma artista parecia grande e assustador, como algo que me dissolveria no ar. Mas naquele momento não falei que não estava interessada, porque muitas coisas grandes e assustadoras tinham me acontecido nos últimos tempos e eu estava ali.”

Se eu fosse usar uma palavra para descrever Ari seria: inocente. E acho que essa palavra foi o que me levou a achar esse livro uma das leituras mais gostosas e marcantes dos últimos tempos. Lorraine Rosenthal nos dá uma personagem inexperiente, que sofre as pressões da família para se tornar aquilo que eles desejam, e ainda tem que lidar com seus próprios conflitos, como se transferir para uma nova escola, as verdades sobre a sua amizade com Summer e um novo e inevitável amor.
Quando digo inocente, quero dizer que é assim que a Ari me foi apresentada no inicio do livro. Ela vive no mundo delimitado pelos pais, onde todos estão preocupados com a situação atual da irmã mais velha, e ela simplesmente tem que encontrar uma maneira de se adequar a aquilo sem reclamar. E então vemos a Ari evoluir. Sim, diferente da maioria dos livros, Ari é uma personagem que evolui com as próprias pernas, absorvendo aquilo que é inserido em seu mundo e tentando compreender as coisas da melhor maneira possível. Assim como toda a adolescente, ela comete erros, sofre e se decepciona, mas ela deixa de ser inocente ao longo de livro e foram essas mudanças que me conquistaram durante a leitura.

— Não sei quem pensa que é — disse ela. — Está achando que é especial só porque achou um cara que é areia demais pro seu caminhãozinho.Mas não vai ficar com ele pra sempre, Ari. Ele vai perceber.
— Perceber o quê? — perguntei enquanto uma aura se esgueirava pelo meu olho.
— Que você é entediante. Que você é sem graça, entediante e medíocre em todos os sentidos.

Não se trata de uma história emocionante, onde a cada página teremos um acontecimento de arrancar os cabelos, mas não deixa de ser um livro envolvente. Lorraine Rosenthal retrata de uma forma maravilhosa as questões da adolescência que muitas pessoas passam ou já passaram. As expectativas da família sobre o futuro, o primeiro amor, a primeira decepção, entre outras coisas que fazem com que o leitor se identifique de alguma forma com a personagem.
A narrativa é em primeira pessoa – do ponto de vista da Ari, e pode ser que isso não agrade algumas pessoas, principalmente por termos muitos conflitos internos da personagem. Vale dizer que eu não achei que a escolha de narrativa da autora tenha deixando a história maçante, pelo contrario, apesar de não ser fã de narrativas em primeira pessoa, para esse livro, eu achei que combinou bem com a maneira que a autora queria passar o enredo.
Outras palavras para o amor é um livro que vale a pena ser lido, não só pela escrita incrível da autora e seus personagens, mas por se um livro envolvente e diferente do que o leitor espera de um romance. É uma leitura que te surpreende, te encanta e emociona a sua maneira, com personagens que te convidam a imergir em suas histórias e fazer parte de tudo aquilo. É o livro perfeito pra quem está procurando uma leitura diferente.
Promoções 01jul • 2014

Sorteio: Concorra ao livro Belo Casamento

Faz pouco tempo que eu anunciei algumas mudanças aqui no blog, e a maior dela foi a troca do nome e endereço do mesmo. Hoje eu venho dizer que essas mudanças tiveram um efeito muito positivo em mim, e graças a compreensão e carinho dos leitores e parceiros do blog, estamos voltando a ativa. 

Para comemorar essas mudanças, me uni a um parceiro muito querido que também passou por algumas reformas no blog recentemente: o Meninas Quase Invisíveis. A autora do blog, Alexia, se tornou uma amiga muito querida aqui na blogosfera e topou fazer essa parceria comigo para sortearmos 01 exemplar no livro Belo Casamento da  autora Jamie McGuire. 

COMO FUNCIONA O SORTEIO

Participar do sorteio é bem fácil. Ele será realizado através do aplicativo Sortei-me, disponível no Facebook, e por isso é preciso que os participantes sejam cadastrados na rede social. Vamos as instruções:
1. Curta as páginas do La Oliphant e do Meninas Quase Invisíveis no Facebook.
2. Compartilhe o Banner do sorteio na sua linha do tempo (modo de visualização pública).
Clique Aqui para ser redirecionado para a página de compartilhamento.
3. Clique em “Quero Participar” na aba Promoções.

O RESULTADO

O sorteio é válido até dia 20/07, e o participante ganhador terá 03 dias para entrar em contato com a gente através do e-mail deborapov@gmail.com, ou na fanpage dos blogs parceiros, apresentando os seguintes itens:
1. Comprovante de que curtiu as páginas;
2. Comprovante de compartilhamento do banner;
3.Dados para o envio do prêmio;
Espero que gostem do sorteio, e não deixem de conferir o Meninas Quase Invisíveis, vocês vão adorar!
Séries & TV 29jun • 2014

The Perils of Growing Up Flat-Chested

The Perils of Growing Up Flat-Chested é um curta metragem escrito e dirigido por Yulin Kuang (Shipwrecked) e narra a história de Katya Liu (Irene Choi), uma garota de 16 anos, determinada a aumentar o tamanho dos seios antes de um encontro com seu parceiro no trabalho de ciências da escola.
Katya é uma estudante comum. Apesar de ter um fisico magro e até um pouco esportivo, ela ainda não desenvolveu o busto, algo que a deixa extremamente preocupada. Quando ela se vê atraída pelo seu parceiro de ciências, ela percebe que existe uma grande possibilidade de que algo aconteça entre os dois, porém ela se sente desconfortável com o tamanho de seu busto e resolve buscar conselhos com a sua melhor amiga, Leigh.

O curta metragem não é focado no romance entre Katya e seu parceiro de ciências, na verdade, ele o foco da história é o corpo da menina, e como ela lida com o fato de estar se desenvolvendo fisicamente de uma maneira diferente das pessoas a sua volta. Isso me chamou muita atenção, afinal, muitas meninas se sentem desconfortáveis com o próprio corpo de diversas maneiras, e muitas vezes não tem com quem conversar sobre isso e buscam maneiras de acelerar esse processo de desenvolvimento.

Yulin Kuang criou um curta metragem encantador. O assunto é tratado com cuidado e leveza, mantendo um ritmo para que tenhamos tempo de nos identificar com a personagem e entender como ela se sente naquele universo. O enredo é bastante simples, porém é feito com verdadeiro charme e um toque de luz que faz com que o material de trabalho seja bem aproveitado. Não é algo hilário, mas é calorosamente bem-humorado em seu tom. É um vídeo fácil de se gostar, e parte disso se dá ao desempenho de Irene Choi em criar uma personagem de caráter natural, o que deixou o vídeo ainda mais cativante. 

O curta ganhou o  San Diego Asian Film Festival em 2013, na categoria de “Melhor Narrativa Curta” (Best Narrative Short), além de ter sido muito bem recebida pelo público nas redes sociais. Para aqueles que quiserem conferir o curta metragem, deixo abaixo o vídeo do mesmo, mas vale lembrar que o vídeo está em inglês e infelizmente, sem legenda. 

Literaría 23jun • 2014

Livros versus E-books

Existe um grande debate entre os leitores sobre qual a melhor opção de leitura: livros ou e-books. Muitas pessoas já chegaram a me perguntar se eu tenho preferência entre um ou outro, e é claro que sim. Porém, ao contrário do que muita gente pensa, livros e e-book podem conviver em harmonia, afinal, ambos nos trazem experiências de leitura completamente diferentes. 

Sou apaixonada pelo livro físico, e confesso que até um ano atrás eu tinha um certo preconceito com os livros digitais, porque me julgava privada de algumas coisas que apenas o livro físico poderia me dar. Então eu ganhei o meu Kindle e por incrível que pareça a minha opinião sobre os livros digitais mudou muito desde então. 
Nada é mais satisfatório do que sentir aquele cheirinho de livro novo, e poder folhear uma obra incansavelmente. Porém, livros às vezes são pesados e em algum momento vamos ser obrigados a deixar a leitura da vez em capa por conta da grande quantidade de páginas (tipo Game of Thrones, sabe?). E então entra a praticidade do e-book, que foi uma das coisas que me fez mudar de ideia sobre o assunto. Poder carregar todos os livros que eu estava lendo, ou pretendia começar a ler, para qualquer lugar era ótimo. Eu tinha acesso a uma quantidade absurda de obras e podia ler em qualquer lugar. 

Porém, e-books não são livros físicos. Por mais que eu esteja satisfeita com o meu Kindle, eu continuo sentindo falta daquela interação que o livro físico me dá. Pode parecer bobagem, mas o virar de páginas, o cheiro e a textura da página realmente me faz falta, e esse foi um dos maiores motivos de eu nunca ter conseguido deixar meus livros físicos de lado. 

Além disso, temos pequenas diferenças óbvias entre os dois, como por exemplo, os e-reads podem ficar sem bateria, enquanto os livros podem ter ácaros. Os livros são bem mais discretos, enquanto os e-reads te dão uma biblioteca de obras muito maior. 

No meu caso, encontrei um meio de fazer com que os dois convivam no meu universo sem que exista essa “competição” de qual é o melhor. Eu não tenho acesso ao livro físico de todas as histórias que eu quero ler, porque nem todos os livros que me interessam foram publicados no Brasil (o que é uma pena), ou se vão ser publicados, ainda não tem uma data definida. E é nesse ponto que o meu Kindle entra. 
Não vejo problema nenhum em baixar livros em inglês e lê-los na versão digital. Isso ajuda bastante a saciar a minha curiosidade sobre a continuação de uma saga que já foi publicada lá fora, mas aqui no Brasil só temos até o segundo volume. Sem falar que é uma economia boa, porque eu não posso comprar todos os livros que eu tenho vontade de ler, e ter um Kindle ajuda bastante naquele aperto no peito de não poder comprar livro “X” por causa do preço. 
Por fim, livros e e-books são interativos a sua maneira. Sempre vamos ter uma preferência mas isso não quer dizer que precisamos descartar o outro. É verdade que livros podem cair no chão e e-reders não?! Sim. Mas e-readers são mais leves que livros, e também mais práticos. Sempre vai haver essa lista de vantagens e desvantagens, mas na minha opinião o foco tem que ser a leitura, seja ela um e-book ou um livro. 
Abaixo deixo um vídeo produzido pela editora Intrínseca que aborda o assunto de uma maneira bem legal.

Resenhas 16jun • 2014

A Maldição do Tigre, por Colleen Houck

A Maldição do Tigre é o primeiro livro da Saga do Tigre, da autora Collen Houck, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro. O livro gira em torno de Kelsey Hayes, uma adolescente que se descobre em meio a uma aventura para quebrar a maldição de Ren, um príncipe indiano que foi amaldiçado na forma de um tigre branco por mais de 300 anos.

Kelsey Hayes é uma garota comum, com objetivos comuns. Depois da morte dos pais, e a mudança para a casa de seus tutores, Kelsey quer começar sua faculdade e seguir em frente com sua vida. Tudo muda quando ela começa a trabalhar num circo por algumas semanas. O trabalho era simples, cuidar dos animais, ajudar no que fosse necessário e alimentar Dihren – o tigre branco do circo. No inicio Kelsey fica um pouco apreensiva, principalmente por nunca ter chegado tão perto de um animal assim, mas conforme ela vai se acostumando com o trabalho no circo, ela se vê apega a Ren – como chama o tigre – mas tudo muda quando é revelado à ela que Ren na verdade é um principe indiano amaldiçoado na forma de um tigre brando. E assim começa a aventura.

“Ondas de ternura batiam nas bordas do muro e se introduziam furtivamente nas rachaduras. Os sentimentos transbordaram e caíram sobre mim. Era assustador me abrir para amar alguém novamente. Meu coração batia com força. Eu tinha certeza de que ele podia ouvi-lo.”

A Maldição do Tigre estava na minha lista de leitura à muito tempo, mas como se trata de uma série, acabei empurrando a leitura com a barriga durante muito tempo. E vocês não sabem como eu me arrependo disso. Não sei dizer se foram os personagens ou se a escrita de Colleen Houck é tão encantadora a ponto de fazer com que eu me apaixonasse pela história logo nas primeiras páginas, mas este livro foi tudo e um pouco mais do que eu estava esperando.

Confesso que eu não sou muito fã de histórias narradas em primeira pessoa, principalmente em sagas e séries, onde o autor tem a possibilidade de explorar todo o universo que envolve os personagens da história. Porém, Colleen Houck soube colocar na história, elementos que acabam suprindo toda a necessidade que temos de entender o que se passa além dos olhos de Kelsey, e isso me agradou muito. Já li muitas histórias em que o autor acaba deixando algumas pontas soltas durante a narrativa, coisas que não foram explicadas ou que simplesmente não fazem sentindo, e o fato de isso não acontecer em A Maldição do Tigre, e a autora ter tomado todo um cuidado pra não deixar coisas não explicadas durante a história deixa o universo dos personagens muito mais completo e interessante.

Os personagens são maravilhosos, principalmente Kelsey, que acabou se revelando completamente diferente do que eu esperava de uma adolescente recém saida do Ensino Médio. A verdade é que eu esperava uma personagem principal extremamente parecida com a Bella Swan da Stephenie Meyer, mas Kelsey acabou se mostrando muito mais madura, independente e principalmente realista em relação a sua situação com Ren.

“Acho que me apaixonar por ele seria como mergulhar em um precipício, seria ou a melhor coisa que me aconteceria ou o erro mais idiota que eu cometeria. Faria com que minha vida valesse a pena ou com que eu me chocasse contra as pedras e me arrebentasse completamente. Talvez a coisa mais sábia a fazer fosse desacelerar as coisas. Ser amigos parecia tão mais simples.”

Dihren é um principe indiano encantador, porém, apesar de ter uma maldição sobre si – o personagem acabou deixando muito a desejar quando volta a sua atenção apenas para seu interesse em Kelsey. Não sei dizer – exatamente – porque isso me incomodou tanto, porém eu acredito que na situação em que eles se encontravam ao longo da história, o relacionamento deles poderia ter se desenvolvido de uma maneira mais sutil e discreta, principalmente porque o foco era descobrir como quebrar a maldição e não discutir a relação.

A Maldição do Tigre supriu a minha necessidade de encontrar uma história diferente. Colleen Houck conseguiu me dar os elementos de uma história que eu sempre quis ler e acabou me ganhando na sua escolha por envolver a história na cultura indiana e ir muito além de um simples romance. Foi uma experiencia muito boa poder ver seus personagens principais evoluírem do começo ao fim do livro, e não sentir buracos durante a narrativa.

É um livro que pode ser amado ou odiado por aqueles que leem, mas é certo de que a história não é nem um pouco parecida com os romances que estamos acostumados a ler (vide Crepúsculo) e é um livro que realmente vale a pena ser lido.

Resenhas 05jun • 2014

O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks, por E. Lockhart

O Histórico Infame de Frankie Landau Banks, publicado no Brasil pela Editora Seguinte, narra a história de como Frankie Landau-Banks, uma adolescente de 15 anos, deixou de ser apenas a princesinha da familia para se tornar uma lenda entre os alunos da escola preparatória Alabaster.

Frankie Landau-Banks era uma menina comum, pelo menos foi assim no seu primeiro ano na Alabaster. Ninguém a notava por conta do seu corpo sem muitos atrativos físicos, e ela era apenas a irmã mais nova de Zada, nada mais. Então, durante o verão, as coisas simplesmente mudam. Frankie acaba ganhando um corpo volumoso, e junto com essas mudanças fisicas, ela também acaba ganhando a atenção dos garotos – incluindo a de um dos veteranos mais populares de Alabaster.

Eles começam a namorar, porém, apesar de feliz, Frankie começa a se preocupar com outras coisas quando descobre que o namorado faz parte da Leal Ordem dos Bassês, uma sociedade secreta de Alabaster que ninguém acreditava que realmente existia – nem mesmo Frankie.

– Segredos são mais poderosos quando as pessoas sabem que você os tem (…). Conte a eles um pedacinho do seu segredo, mas mantenha o resto bem guardado.

O livro é narrado em terceira pessoa, e a narrativa gira apenas em torno de Frankie, uma garota comum que foi traída pelo ex-namorado no seu primeiro ano e que agora começara a ser considerada atraente aos olhos dos garotos. Ao longo do livro você percebe que Frankie se sente rejeitada pelo grupo de garotos com quem seu namorado anda. Apesar de sentar na mesma mesa que eles na hora do almoço, e dividir uma certa intimidade, no fundo ela sabia que era deixada de fora de muitas coisas e aquilo a incomodava.

Então ela descobre a Leal Ordem dos Bassês, uma sociedade secreta apenas para meninos, da qual ela nunca conseguiria fazer parte, e vê uma oportunidade para provar que ela tem tanto valor quanto qualquer um daqueles garotos.

Não sei dizer se considero as atitudes de Frankie realmente psicóticas, como são descritas no livro, ou se ela realmente estava obcecada com a Leal Ordem, mas posso dizer que – seja lá qual for a conclusão correta para essa história – Frankie Landau-Banks ganhou minha admiração como heroína da história de E. Lockhart. Diferente do que eu esperada da história, Frankie não é do tipo de personagem que vê um problema e simplesmente fica reclamando sobre ele. Não, ela é a personagem que busca mudanças com as próprias mãos, e acho que foi exatamente isso que me fez mergulhar no universo de E. Lockhart e nunca mais querer sair.

Então eu fui um monstro, ela pensou. Mas pelo menos não fui a irmãzinha de alguém, a namorada de alguém, uma aluna qualquer do segundo ano, uma garota qualquer – alguém cuja as opiniões não importavam.

Apesar de eu ter achado a passagem de tempo do livro extremamente confusa, a mensagem que o livro passa sobre igualdade entre homens e mulheres é realmente interessante. Vejam bem, enquanto todos pensavam que os acontecimentos do livro envolviam apenas a Leal Ordem dos Bassês, todos pensam que eram incriveis. Porém, quando descobriram que havia uma garota envolvida, as coisas deixaram de ser tão incriveis assim.

Frankie é subestimada por todos os garotos durante o livro, e isso fica bem claro durante a narrativa do livro, porém, apesar de não saber ao certo se ela lidou com a situação da maneira que deveria – embora do meu ponto de vista eu pense que faria o mesmo – Frankie provou que uma mesma coisa é vista de pontos diferentes quando se está relacionada a um ato bem feito de uma mulher ao invés de um homem.

– Você tem mesmo uma mentezinha perversa, sabia? (…) Estou falando sério. Aposto que você é pura encrenca dentro dessa embalagem bonita.

Por fim, O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks é um dos livros mais divertidos que já li este ano. E. Lockhart conseguiu criar um universo onde você se diverte o tempo inteiro e se pega envolvido nas confusões em que a personagem principal se mete ao longo da narrativa.  Recomento muito essa leitura, principalmente para aqueles que gostam de sociedades secretas, aventuras e muita confusão.

Cinema 02jun • 2014

Divergente

*O texto abaixo contém spoilers do filme!

Divergente foi um filme que eu esperei ansiosa para ver nos cinemas, e ao mesmo tempo tive um pouco de medo da maneira que eles retratariam a série. Dirigido por Neil Burger (o mesmo diretor de O Ilusionista), o filme é narrado em um Chicago futuristica, onde Beatrice (Shailene Woodley) acaba de completar 16 anos e irá fazer um teste que a ajudará a escolher uma das cinco facções em que a cidade está dividida. Essas cinco facções são: Abnegação, Amizade, Franqueza, Erudição e Audácia. Cada uma dessas facções tem suas próprias características e ficam responsáveis por uma parte do sistema, como por exemplo, a Abnegação é responsável pelo Governo, já que são altruístas.

Os minutos iniciais do filme nos dão uma breve introdução de como se encontra a sociedade. Breatrice narra como são divididas as facções, e explica de forma superficial a situação da sociedade pós-guerra. E então temos o começo do filme, com a nossa personagem principal se preparando para o tão esperado teste junto com o seu irmão, que no filme é interpretado pelo Ansel Elgort.Divergente-12

O começo do filme é bem promissor, digamos assim. As ilusões do teste passaram exatamente a ideia descrita no livro, o que me deixou bastante satisfeita. Porém, alegria de leitor dura bem pouco, e as pequenas alterações no roteiro começam a deixar pequenos buracos na história. Vejam bem, Marcus é um personagem importante do livro, embora ele quase não apareça, ele é mencionado diversas vezes e você consegue perceber sua importância na sociedade de Verônica Roth, porém no filme, a importância do personagem foi deixada de lado, e ele foi mal introduzido na história, deixando os holofotes de “vilão” apenas para a personagem de Kate Winslet, Jeanine Matthews.

Então somos introduzidos ao universo da Audácia, facção escolhida por Beatrice, agora conhecida como Tris. Embora eles tenham retratado a facção da maneira como eu imaginei quando li o livro, as pontas soltas continuaram ao longo do filme. A amizade de Tris e Christina foi retratada de uma maneira completamente superficial, onde você conseguia ver que as personagens eram “unidas” por conta da situação em que se encontravam, mas amizade em si, não era percebida.  Além disso, Christina acabou não sendo o que eu esperava da “melhor amiga” da personagem principal, pelo contrario, Zoë Kravitz acabou sendo o completo oposto do que eu esperava.

A superficialidade dos personagens se extende por todo o roteiro. A relação entre Tris e Quatro simplesmente é jogada na cara do espectador, sem nenhuma boa explicação. O único momento em que você consegue perceber alguma demonstração de interesse por parte de ambos, é na cena em que Quatro deixa que ela conheça sua paisagem do medo, e ainda assim, a cena não é o suficiente para convencer de que os dois estão tendo um envolvimento romântico.

Senti falta de vários momentos do livro que eu julgava fundamental para que a história se conectasse com aqueles que não tiveram a chance de ler o livro. Mesmo Jeanine, uma personagem que eu julguei forte desde o começo do livro, teve poucas chances de mostrar suas reais intenções ao longo da história, e ao invés das mudanças cronológicas de roteiro favorecer a história, fizeram a personagem de Shailene Woodley parecer fraca e incapaz em boa parte da história.

Por fim, Divergente se desenvolve como esperado, apesar das pontas soltas ao longo do roteiro. É possível que muitas pessoas – aquelas que não leram o livro – sintam um pouco de dificuldade para entender como a sociedade da história é organizada, e principalmente, o porque da Erudição se voltar contra a Abnegação. É preciso lembrar que, apesar de ser difícil de acreditar, o filme vai muito além dos músculos definidos de Quatro (Theo James), e que apesar dele passar a sensação de ser apenas um cara bonito com um pouco de inteligência em combate, Quatro é um personagem de suma importância na história, e eu tenho esperança de que ele seja muito melhor explorado no próximo filme.

Senti falta da relação entre Christina e Tris, senti falta da relação de Quatro e Tris, senti falta de muitas coisas que no livro fazem você realmente imergir no universo de Divergente e sentir todos aqueles arrepios na pele quando as coisas começam a dar errado e você não pode simplesmente gritar com o personagem. Porém, na minha experiência de leitora, eu aprendi que não tem como contar 500 páginas de história em 2 horas de adaptação, e que – infelizmente – temos que as aceitar que algumas mudanças são necessárias.

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