Posts escritos por: Amanda Roberto

Resenhas 08abr • 2017

O Canto dos Segredos, por Tana French

O Canto dos Segredos é um romance policial, com uma narrativa incrível, ambientado na Inglaterra. Imaginem uma história policial, onde temos um morto e um assassino, e nem de longe isso é o mais importante… Temos mistério, morte e magia (juro, magia), tudo compilado em 600 páginas de pura emoção (e uns WTF também).

Ambicioso e sem perspectiva de ascensão na carreira, Stephen Moran vê a sua sorte mudar ao receber uma pisa que pode solucionar um homicídio midiático. Um ano antes, Cris Haper, um aluno do Colégio Interno São Columba, aparece morto no terreno do colégio vizinho, Santa Kilda. Thomas Costello e Antoinette Conway, responsáveis pelo caso na época, não conseguiram reunir muitas provas ou relatos, já que as testemunhas não confiavam neles.

Agora que Costello se aposentou e Conway precisa de um novo parceiro, Stephen enxerga nessa pista a chance de trabalhar na divisão de homicídios. Porém, ele sabe que Conway não vai aceitá-lo assim tão fácil. Acostumada com uma equipe machista e um ambiente de trabalho hostil, Conway é uma mulher durona e de poucos amigos. Para garantir a promoção, Stephen precisa agradar ao máximo a possível futura parceira e, ao mesmo tempo, resolver o caso.

O Canto dos Segredos possui dois cenários: Antes da morte e um ano Depois da morte de Cris. Os acontecimentos antes da morte de Cris são narrados em 3ª pessoa, e se passam na visão de Holly, Selena, Júlia e Rebeca. As quatro são amigas e possuem algum tipo de vínculo com o assassinato (foi Holly quem levou a nova pista para Stephen). Já no cenário pós morte, o narrador é Stephen.  

O Interessante de O Canto dos Segredos é acompanhar a evolução da narrativa. As características físicas dos cenários e das personagens são tão bem descritas, que parece uma leitura 3D. O ponto alto da narração é a construção do psicológico de cada personagem. As atitudes, a personalidade, os trejeitos, os olhares, todos esse detalhes vão completando o quebra-cabeça e mostrando o caminho para a solução do caso. O legal de tudo isso é que vamos descobrindo junto com os detetives, já que a trama não segue os traços comuns de um romance policial.

O Canto dos segredos também não tem o suspense típico dos livros policiais. Eu não quis ler o próximo capítulo para descobrir o assassino, nem tive a curiosidade de ir até o final e acabar com o suspense (eu faço isso), eu queria saber o próximo passo dos detetives. O lance é esse: descobrir qual vai ser o próximo passo. E a história vai te consumindo, enredando, e no final eu quase esqueci que havia um assassino. Louco né?

E aí o real começa a se misturar ao sobrenatural… Essa parte não achei muito convincente pois faltaram alguns detalhes. Terminei o livro na dúvida se realmente tudo aquilo existiu, se era histeria das alunas do internato ou se era um tipo de surto esquizofrênico coletivo. O outro momento de O Canto dos Segredos que me incomodou, foi a maneira que o detetive Moran descrevia mentalmente as características físicas das meninas entrevistadas. Stephen chegou a usar termos desrespeitosos ao analisar as estudantes, com pensamentos bem machistas sobre elas. Porém, fiquei com a leve impressão que nessa parte a tradução pode não ter contribuído.

Escrito pela atriz e romancista Tana French, O Canto dos Segredos é o 5º livro da série Dublin Murder Squad. Holly e Stephen já apareceram em outro livro, inclusive, essa passagem é citada. A série já ganhou o Prêmio Edgar Allan Poe, um dos mais importante da categoria. Super indico a leitura, principalmente para os aficionados em contos policiais, como eu.

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Resenhas 03abr • 2017

Vermelho como Sangue, por Salla Simukka

Vermelho como Sangue é um romance policial nórdico, escrito pela premiada Salla Simukka e faz parte da série Branca de Neve. Apesar de ser direcionado para o público mais jovem, Vermelho como Sangue pode também ser uma boa leitura para os adultos.

Narrado em terceira pessoa, Vermelho como Sangue tem como personagem principal a misteriosa Lumikki Andersson. Lumikki é uma adolescente de dezessete anos que estuda numa escola de arte de grande prestígio na Finlândia. Com uma história de vida misteriosa, Lumikki segue uma rotina discreta, sem amigos, festas ou outras coisas comuns para sua idade. No entanto tudo isso muda quando ela encontra, na sala de fotografia, várias notas de quinhentos euros sujas de sangue.

Apesar de se direcionado ao público jovem, Vermelho como Sangue não esconde o lado sombrio nem mascara as personalidades das personagens. Sua história envolvente e intrigante é “baseada” no famoso Branca de Neve, sem necessariamente utilizar a estrutura de um conto de fadas.

Lumikki, que é Branca de Neve em Finlandês, passa longe da mocinha da fábula. Decidida, corajosa e antissocial, ela carrega junto as dores de uma infância sofrida e traumática. A vida passada da personagem é mostrada em flashes durante a trama, como se fosse um filme.

Ao começar a ler Vermelho como Sangue, eu sentia que a história passava bem perto da realidade. A máfia, as mortes e o drama do primeiro capítulo, faz com que o enredo pareça um “filme biográfico”. No entanto, no decorrer da trama comecei a notar algumas características clichês nas personagens. Lumikki é muito desenvolvida para uma adolescente (só falta ter uns poderes mutantes) e seus colegas de escola são tão clichês (descolado, patricinha, arruaceiro, lerdo,…), que você já começa a descobrir como será o final.

Apesar das críticas negativas, Vermelho como Sangue me pegou um pouco de surpresa pois eu não esperava uma narrativa tão boa. A organização dos capítulos por datas possibilita que a cronologia seja acompanhada pelo leitor, sem aquela confusão tão comum nos romances policiais. Além disso, ele captou a minha atenção e despertou sempre uma curiosidade para o próximo capítulo.

Apesar de não ser fã de excesso de detalhes, a falta de explicação em momentos importantes me deixou um pouco irritada. No entanto, alguns pontos não foram expostos propositalmente, o que despertou uma vontade de correr para o próximo livro e matar logo a curiosidade. Apesar do instinto louco de devorar o livro, indico que você se atenha às particularidades de Vermelho como Sangue. Vale super a pena a leitura, mas já separe um espaço no seu cronograma para mais dois exemplares da série.

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Resenhas 15mar • 2017

Só por uma Noite, por Monique e Mônica Sperandio

Só por uma Noite é um livro nacional, escrito por 4 mãos, que foi lançado no ano passado. O livro traz a história da adolescente Samanta Caliari e de suas 4 amigas Natália, Daphne, Marina e Vicky. Tudo começa quando Vicky morre (não é spoiler) e deixa uma lista de desafios para as amigas cumprirem em uma noite.

Narrada do ponto de vista de Sam, Só por uma Noite é um romance adolescente bem leve, com uma boa estrutura de escrita. Sam, Daph, Nat e Marina, viveram momentos decisivos em suas vidas e os compartilharam apenas com Vicky, que era o elo entre as 4 amigas. Ao saber que ia morrer, Vicky entrega uma lista com os segredos para Nat, que fica com a missão de fazer com que cada uma das amigas revele o seu.

“Estou feliz. Estou confiante. Estou com elas. E sei que qualquer coisa que aconteça essa noite, nos unirá ainda mais.”

A intenção da lista é desafiar as amigas e fazer com que elas tomem coragem e se abram, não só umas para as outras, mas também para o mundo. O prólogo já mostra o desafio de Sam sendo cumprido. Ela deve se declarar para o melhor amigo, Gustavo, por quem é apaixonada há 3 anos.

Com uma narrativa envolvente e objetiva, Só por uma Noite consegue prender o leitor do início ao fim. Durante toda a noite as meninas mudam o visual, bebem (um ponto a ser revisto), invadem cemitério, choram loucamente, etc. Apesar de não ser parte do público alvo do livro, Só por uma Noite me fez relembrar minha adolescência. O jeito que a personagem principal pensa, os sonhos e o mundo onde tudo é ruim mas sempre tudo termina bem, traz um pouco da esperança e fé dessa fase.

No entanto, apesar de todos os pontos positivos, Só por uma Noite comete alguns deslizes grosseiros, que precisavam ser evitados. Durante a trama, vemos pensamentos bem primitivos em relação a sexualidade de algumas personagens. Em uma passagem bem marcante, logo no início da narrativa, uma foto nua de uma ex namorada do Gustavo é exibida no telão do aniversário de 15 anos da Vicky. A culpa acaba sendo jogada para cima da garota. A partir dali a menina é xingada, desrespeitada, acusada de roubar o namorado das outras, etc. Foi um choque ver isso em momento onde estamos tentando caminhar contra esses pensamentos.

“— Essa garota, que se chama Yasmin, estudava com a gente na outra escola e ela era uma total promíscua, sabe.”

Em outras passagens as personagens também ofendem outras meninas, e ninguém as corrige. No meu ver, acaba tornando coisas que já sabemos ser fatais, em coisas banais do “dia a dia”. Escrito pelas gêmeas curitibanas Monique e Mônica Sperandio, Só por uma Noite tinha tudo para ser um ótimo livro adolescente, se passasse por uma revisão e edição mais rigorosa.

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Lista 11mar • 2017

Livros Contemporâneos Escritos e Protagonizados por Mulheres que Você Deve Ler

Olá pessoas! Nessa Semana da Minas, eu separei alguns livros escritos e protagonizados por mulheres. Todos os livros são contemporâneos, ou seja, surgiram basicamente no mesmo período. Apenas um deles foi escrito no século passado, mas como já existia o advento da Internet, a realidade é bem similar à atual.

Vale ressaltar que os livros que indicarei aqui podem parecer não ter nenhum cunho político/social, mas leiam com atenção e encontrarão. São livros escritos por mulheres, que foram aclamados pela crítica, alguns até viraram filmes de sucesso. Os livros abaixo mostram mulheres reais, com sentimentos e atos reais, mesmo quando só existiram na ficção. Vamos começar?

O Diabo Veste Prada

A jornalista recém formada Andrea Sachs (Andy) consegue o emprego (que “toda garota deseja”) como assistente de Miranda Priestly na revista Runway, que é um dos selos da grande editora Elias Clark. No entanto, Andy não tem bem o perfil da vaga e, ao aceitar o emprego, precisa se adaptar à nova realidade regada de glamour, belas roupas e uma rotina de trabalho pesada.

Entre Giorgios e Valentinos, O Diabo Veste Prada descreve as várias faces do mundo da moda. A história pode parecer um pouco superficial, mas é uma crítica clara aos padrões ditados pela indústria fashion. A autora tenta mostrar que, apesar de lindo e deslumbrante, o mundo da moda consome o tempo e a vida das pessoas.

Andy vira a Garota Runway exemplar, mas internamente ela se rebela contra os padrões. Ao mesmo tempo, Andy se sente enebriada pelo glamour a sua volta e ao mesmo tempo luta contra o sistema.

O Diabo Veste Prada também mostra como as mulheres são importantes dentro desse setor. Miranda Priestly, a chefe de Andy, é uma mulher que dita os parâmetros da indústria. Pensar numa mulher assim parece até mentira né? Pois não é. Especula-se que o livro tenha um fundo de verdade já que a autora, Lauren Weisberger, foi assistente de Anna Wintour na Vogue. Anna é considerada a mulher mais influente do mundo da moda contemporânea. Ela dita tendências, aprova ou desaprova estilistas, roupas, modelos, etc. Anna é tida como rude e grosseira pelos seus colegas de trabalho e amigos, mas sempre exaltada por sua visão e disposição para o trabalho.

Obs.: Relembro que o livro é uma crítica ao mundo da moda, então leiam com essa ótica.

Obs².: O livro tem uma continuação mas é bem “meh”

O Diário de Bridget Jones

O Diário de Bridget Jones é um livro polêmico. Mostrando uma mulher na casa dos 30, com pouquíssima autoconfiança e na busca infinita pelo romance perfeito, O Diário de Bridget Jones é quase uma autobiografia, totalmente fictícia (pegaram?). Bridget é exatamente o exemplo que nenhuma de nós deve seguir, porém ela é totalmente real.

O Diário de Bridget Jones se passa em 1995 na Inglaterra. Bridget é uma mulher solteira, na casa dos 30, que está acima do peso (imposto pelo padrão da sociedade), viciada em livros de auto ajuda e como uma vida bem engraçada. Em seu diário, Bridget descreve suas frustrações com o corpo, a família, o amor, etc.

Bridget faz dieta maluca que dura 2 dias, come desenfreadamente quando ansiosa, emagrece sem fazer esforço, engorda quando faz dieta, tem que ouvir dos parentes “cadê os namoradinhos?”, acredita em horóscopo, auto ajuda ou em qualquer coisa que indicarem. Bridget é engraçada, determinada e um pouco atrapalhada (mas quem não é?). Apesar de parecer bem permissiva, Bridget se mostra forte em vários momentos do livro. Dividida entre Mark Darcy e Daniel Cleaver, Bridget vive as mais inusitadas experiências durante um ano.

Escrito por Helen Fielding, O Diário de Bridget Jones ganhou uma continuação em 1999. Os dois livros viraram filme. No ano passado, o filme O Bebê de Bridget Jones estreou nos cinemas e também ganhou uma adaptação para livro. Leve e hilário, O Diário de Bridget Jones é um ótimo remédio para o estresse e mau humor.

Obs.: Em 2014 foi lançado o terceiro livro da série intitulado “Louca pelo Garoto”. 

 A Garota no Trem

O suspense A Garota no Trem é um Thriller psicológico com as nuances de suspense mais loucas da vida. Primeiro você tem uma protagonista que perdeu casa, marido, emprego e a sanidade. Rachel é a protagonista menos confiável para se encaixar num thriller.

E aí Rachel começa a inventar uma história de vida perfeita para o casal que ela vê através da janela do trem. Sem saber nada da rotina deles, ela cria um ambiente familiar amável e até põe nomes nos dois: Jason e Jess. Um dia, ao passar de trem, Rachel vê uma cena chocante no lar perfeito que ela criou. Logo após, ela fica sabendo que Jess, que na verdade se chama Megan, sumiu.

A Garota no Trem é um suspense, tão suspense que você fica perdido sem saber o que vai acontecer no final. Não dá pra saber o que realmente está acontecendo e o que está sendo inventado pela protagonista. Como a história nos é apresentada pela perspectiva das personagens, Rachel, Ana e Megan, nós vemos cada pedaço se desdobrar como se estivéssemos atrás dos olhos delas.  As histórias, muitas vezes contadas em diferentes linhas do tempo, sempre se encontram. Nesse encontro os detalhes vão sendo revelados.

A Garota no Trem é um Thriller viciante, com personagens totalmente reais. Escrito por Paula Hawkins, o livro foi fenômeno editorial em 2015 e virou filme em 2016. Leiam, sério, vocês não se arrependerão.

Orange is The New Black

Esse livro é bem interessante e totalmente baseado em fatos reais. Orange Is The New Black conta a história de Piper Kerman, uma jovem de 23 anos, recém formada, que se apaixona por uma narcotraficante internacional. Vivendo uma vida cercada de luxos e mordomia, Piper soube aproveitar tudo o que o seu relacionamento com Nora proporcionava. No entanto, Nora pede que Piper participe do esquema de contrabando, voltando para os Estados Unidos com uma mala de drogas.

As drogas nunca chegaram e Piper, tecnicamente, não era uma traficante. Após essa experiência, ela resolve cortar laços com Nora e seguir a vida.  Em 1998, 5 anos após o episódio da mala, Piper, agora com uma vida totalmente estável e feliz, foi indiciada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.  Após o indiciamento, o caso ainda levaria mais 6 anos para ser julgado. Em fevereiro de 2004 ela segue para a Instituição Correcional de Danbury para cumprir sua pena de 15 meses de prisão.

Quando Piper, uma mulher bonita, bem instruída e de classe média chega na prisão, ela se surpreende com a vida que as detentas levam. Lá na prisão todas são iguais, sem distinção de crime cometido ou pena a cumprir. Piper faz amigas e participa da sociedade prisional como um membro ativo. Isso não quer dizer que as coisas tenham sido fáceis. Piper precisava  lidar com a saudade da família e dos amigos, com o sistema carcerário e com a humilhação por parte dos funcionários.

Piper Kerman é o nome da autora do livro, e sim, isso é uma biografia. A cadeia humanizou a visão de Piper sobre as pessoas. O livro mostra como é estar do outro lado, como é ser culpado. Orange Is The New Black virou série em 2013 da Netflix. Piper hoje  faz parte de uma associação penitenciária feminina, e frequentemente ministra palestras para alunos de direito, criminologia, sociologia e criação literária.  

Obs.: Para os que assistem a série e não leram o livro, fiquem tranquilos pois, aparentemente, não tem spoiler, já que a série é bem fictícia.

Precisamos falar sobre Kevin

Precisamos Falar Sobre Kevin é um romance sobre um massacre escolar fictício ocorrido em uma escola do subúrbio de New York. Eva Katchadourian é mãe de Kevin, um assassino de 16 anos que matou sete colegas, uma professora e um servente. O que vemos no livro, são cartas de Eva, endereçadas a Franklin, seu marido.

Eva era uma mulher independente e bem sucedida, que acaba largando a carreira após o nascimento de Kevin. Após se descobrir grávida, Eva começa a recuar da decisão, pois sabia o quanto podia atrapalhar seus planos. Porém, acaba aceitando a função de “mãe” quando se vê presa a Kevin, desde o início, de uma maneira doentia.

Apesar de ser intitulado como romance, Precisamos Falar Sobre o Kevin tem estrutura de um Thriller. Eva usa suas cartas como um desabafo. Nelas ela relembra a infância do filho, e tenta encontrar sua parcela de culpa em cada momento difícil. Kevin, que sempre foi uma criança problemática, nunca mostrou por Eva o mesmo amor que entregava ao pai. Para Eva, Kevin sempre foi um desconhecido. Para Franklin, sua família era perfeita.

 Escrito pela jornalista Lionel Shriver, Precisamos Falar Sobre o Kevin mostra a frustração de Eva como Mãe, como mulher e como esposa. Suas cartas funcionam como um diário da vida da família. É um livro excepcional, que faz uma clara crítica aos moldes de família e criação dos filhos na sociedade americana.

Precisamos falar sobre o Kevin foi lançado em 2003 e adaptado para o cinema em 2011. Recomendo a todos que tenham tempo e disposição mental, pois o livro entra um pouco na cabeça e faz a gente repensar muito sobre a nossa sociedade e a família tradicional.

Essa é a minha contribuição para a nossa semana das Minas! Espero que vocês tenham gostado das indicações. Boa leitura!

Resenhas 25fev • 2017

Ruído Branco, por Ana Carolina

Ruído Branco me chegou como um presente e uma sugestão. Presente, pois se trata do primeiro livro de uma das cantoras que mais admiro, Ana Carolina. Sugestão, porque foi uma chamada para voltar a ler poesias, poemas, prosas e afins, hábito que tive no início da adolescência mas se perdeu com o tempo.

“O homem que há em mim, se apaixonou perdidamente pela mulher que eu sou”

Composto por pensamentos poéticos passados para o papel, Ruído Branco é um livro totalmente autobiográfico. Nele você encontra histórias da vida da autora, às vezes em forma de poesia, às vezes em forma de prosa e muitas vezes em forma de desabafo. Ana Carolina desfia sua vida de tal maneira, que em muitos momentos é possível viver exatamente o sentimento que está sendo apresentado.

Dor, amor, raiva, angústia, prazer são tão presentes nos textos e imagens de Ruído Branco, que quase podemos assistir os acontecimentos descritos. Apesar de envolvente, alguns versos podem parecer superficiais. Precisei ler novamente para encaixá-los no contexto do livro.

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No livro encontramos também algumas obras gráficas criadas por Ana Carolina e uns versinhos escritos na infância da cantora. Achei até alguns versinhos melhores que os escritos na fase adulta (Sorry!!). O interessante é ver como se deu o amadurecimento da autora e como eram seus pensamentos durante a infância/adolescência.

Ruído branco é uma experiência de música, literatura e artes visuais, que inspirou a nova turnê de Ana Carolina, que leva o mesmo nome. Super recomendo para quem curte poesias e poemas (prosas, crônicas,…) modernos (com cara de “textão”). Além disso, ele é lindo fisicamente falando! Curtam bastante!

Resenhas 16fev • 2017

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, Por Mo Daviau

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, o título foi o motivo de ter escolhido o livro. Já imaginava uma versão masculina de O Diário de Bridget Jones, com uma máquina do tempo no meio. Só que não foi exatamente assim…

O livro conta a história de Karl Bender, um ex guitarrista famoso (ou ex famoso guitarrista?), dono de um bar na cidade de Chicago. Solitário e decadente, Karl passa a maior parte dos seus dias cuidando do bar até a chegada de Wayne DeMint. Wayne, um homem bem sucedido que também é infeliz com a vida que leva, encontra no bar, e em Karl, um motivo para ser feliz (ou pelo menos tentar).

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Tudo muda na rotina de Karl e Wayne quando, misteriosamente, Karl é sugado para passado. Ao contar para Wayne o que aconteceu, eles descobrem que dentro do armário de Karl existia um buraco de minhoca capaz de dobrar o tempo. Logo surge uma ideia de negócio: vender shows de Rock que aconteceram no passado.

“Se você pudesse voltar no tempo e ver qualquer banda tocar, qual escolheria?”

Apesar da diversão e dos altos ganhos, Wayne ainda não está satisfeito. Burlando a principal regra do uso do buraco, ele resolve voltar ao ano de 1980 e salvar John Lennon (quem nunca?). O único problema é que Karl programa o ano errado, e Wayne fica perdido no passado. Aí sim a história começa…

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo exigiu da minha pessoa muita atenção. Por se passar em três realidades diferentes (passado, presente e futuro), o livro pode parecer um pouco confuso, mas não é (juro!). O início da história é muito vaga e fica difícil de entender a linha dos fatos. A partir do segundo capítulo, tudo fica mais leve, clean e super divertido.

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30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo me lembrou Guia do Mochileiro das Galáxias, pois mistura comédia, romance e coisas improváveis em um mesmo pacote. O livro também fala de assuntos sérios como feminismo, bullying e depressão. Aborda também filosofia, nos levando a refletir o tempo todo sobre nosso estilo de vida.

Escrito pela norte americana Mo Daviau,  30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo dispensa qualquer explicação técnica dos fatos. As coisa acontecem e ponto. Ótima leitura para quem gosta de rock e fantasia uma viagem no tempo (eu super!). Recomendo também para o pessoal do romance e para quem está procurando uma leitura mais leve e divertida. Eu adorei o livro e só não ganhou nota máxima devido à confusão do primeiro capítulo. Divirtam-se e comentem!

Resenhas 09fev • 2017

Fallen, por Lauren Kate

Quando me foi oferecido Fallen para ler e resenhar, confesso que torci um pouco o nariz. Sim, sou fã de romance, mas os clássicos e tradicionais, de preferência escritos no século passado (retrasado, re-retrasado,…).

Tendo como cenário a Inglaterra de 1854, o início do livro já remete a um romance de época (gostei). O primeiro capítulo nos mostra um casal, apaixonado, que, por algum motivo desconhecido, vive um amor impossível. Ele a conhece em seus mínimos detalhes. Ela o ama de uma forma intensa e ingênua. Ele quer fugir dela. Ela quer ficar ele. Um beijo e tchanram… chegamos nos dias de hoje.

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Fallen apresenta todo o peso do drama de Lucinda Price (Luce) que, com apenas 17 anos, foi acusada da morte do ex namorado Trevor. Por falta de provas, Luce é encaminhada ao escola/reformatório Sword Cross. Lá ela precisa conviver com a culpa da morte de Trevor e com a rotina da nova escola. A história de Luce ainda tem mais um agravante: as sombras. Desde criança, Luce tem visões estranhas de nuvens escuras (sombras), que aparecem apenas para ela. As sombras parecem ganhar força na nova escola acompanhando Lucinda o tempo todo. Na verdade um bom romance precisa ser clichê, sejamos justos. E imagine só um bom romance adolescente que não é clichê? É chato só de pensar.

Fallen preenche todos os requisitos do legítimo romance adolescente. Luce se apaixona a primeira vista por Daniel, um bonitão misterioso. De quebra, como se a fórmula já não fechasse aí, temos ainda Cam, o aluno descolado que, óbvio, se apaixona por Luce, criando o triângulo amoroso.

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Ainda temos durante a história as alegrias e desventuras do típico colégio Americano. Luce sofre bullying logo nos primeiros dias e amparada por Penn, com quem já cria um laço fraterno. Penn, que está na escola por opção, ajuda Lucinda a descobrir mais sobre Daniel. Além de Penn, Luce também se aproxima de Ariane, uma adolescente problemática mas de bom coração.

Publicado em 2009, Fallen é o primeiro livro da série de ficção sobre anjos de Lauren Kate. Em 2016 o livro ganhou uma versão para cinema que dividiu a opinião dos críticos. O maior problema de Fallen, é que percebemos uma falha grande no fim da história: Ela não acaba quando tem que acabar.

É nítido que rolou um “embromation”, deixando a leitura dos últimos capítulos bem exaustiva. No geral vale a pena. Não conheço ainda os outros livros da série e confesso que, devido ao problema do final, não senti muita vontade de ler os próximos. Tirem suas próprias conclusões.

Resenhas 21jan • 2017

Fellside, por M.R.Carey

Imaginem alguém que gosta muito de histórias de terror? Esse alguém sou eu! Porém, devido ao meu ceticismo com coisas místicas, não é qualquer fantasminha que me convence. Daí, escolhi Fellside exatamente por passar uma ideia de um terror “realista”.

Fellside inicia sua narração contando a história de Jessica Moulson. Jess acorda em um hospital, sem saber ao certo como foi parar lá e com lembranças bem confusas de tudo que aconteceu. A partir desse ponto, vamos acompanhando a história de Jess, antes e depois de dar entrada no hospital. Jess morava com John Street, e os dois abusavam do uso de entorpecentes. No prédio em que morava, no subúrbio de Londres, Jess só conheceu um vizinho, Alex Beech, um menino de 10 anos. Tudo que sabemos sobre Alex, é que ele era maltratado pelos pais e passava boa parte do seu tempo sentado na escada do hall.

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A história começa a tomar forma logo nas primeiras página quando Jess Moulson descobre que colocou fogo no apartamento, matando Alex Beech. Jess é condenada por homicídio doloso, quando se tem intenção de matar, já que, segundo o depoimento de John, Jess o queria morto. Essa parte da condenação foi um pouco difícil para mim, assumo. No livro o primeiro julgamento passa muito corrido, e eu ficava me perguntando: como uma pessoa que havia acabado de usar heroína, não respondia bem pelos seus atos e não sabia ao menos o que havia acontecido, podia ser considerada culpada por homicídio doloso?

A trama segue bem confusa e detalhista (contraditório, né?). Quase todos os personagens que interagem com Jess são meticulosamente detalhados. O físico e psicológico de cada um vai sendo apresentado durante os capítulos, chegando a ser um capítulo para cada personagem. No final, todos os capítulos voltam para Jess. Com isso, estamos no meio do livro, Jess está presa no complexo de Fellside, já temos um fantasma transeunte, criamos várias dúvidas sobre várias questões, mas a história não anda. Muitos personagens, muita história e nenhum desenvolvimento.

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Com toda a cara de roteiro de filme, Fellside entrega um terror bem fraco (nhé), sem emoções, sem tensão e, mais importante, sem terror. Os personagens são tão caricatos que renderiam uma série mainstream sobre a vida de uma presidiária (já existe essa, né?). O fantasma, que não nos assusta nem com “bu”, pode ser encarado claramente como um surto esquizofrênico de Jess. E tudo é tão confuso e tão sem fim que quando achamos que acabou, ainda faltam mais uns dois capítulos.

Escrito por M.R.Carey, colaborador em quadrinhos famosos como X-men e Quarteto Fantástico e roteirista em Hollywood, Fellside é um livro bem maçante e pouco estimulante. Sua escrita e estrutura não cria o suspense esperado em um livro de terror e não nos leva a querer virar a página. Não recomendo, a não ser que você realmente goste de livros com carinha de roteiro hollywoodiano.

Resenhas 27dez • 2016

O Menino Feito de Blocos, por Keith Stuart

Vocês já choraram lendo um livro? Eu já, mas esse foi especial. Nos primeiros três parágrafos de O Menino Feito de Blocos eu já estava chorando de soluçar (no metrô, fazendo a louca, não sabia se lia ou enxugava as lágrimas). A história começa no meio da separação do personagem principal e, durante a narrativa, ele vai relembrando uma série de acontecimentos felizes do seu casamento, e você pensa “Como pôde acabar? ”.

Toda a trama é narrada pela perspectiva de Alex, pai do Sam e, aparentemente, ex-marido da Jody. Até o capítulo 14, vivi um misto de compaixão e ódio por Alex. Sua personalidade egoísta e irresponsável o fez se afastar de casa, já que ele não podia lidar com os “problemas” de Sam. No entanto, a partir do capítulo 15, percebi que Alex é bem mais (mas bem mais!!) complexo do que parece, mais complexo que o próprio Sam. Desmembrando sua própria história e personalidade, Alex segue narrando sua vida e nós somos convidados a acompanhar tudo, como um psicólogo acompanha um paciente.

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O Menino Feito de Blocos é o Sam, um menino autista que vive em um lar turbulento, com um pai distante e uma mãe impaciente, e vê sua vida melhorar com o jogo Minecraft. Lá, no mundo Minecraft, Sam consegue ser quem ele quer, sem normas convencionais impostas por uma sociedade nem um pouco organizada. Lá também Sam aprende a controlar seus impulsos e medos.

“Para Sam, o mundo é uma máquina gigante que precisa funcionar de determinada maneira, com ações previsíveis, para garantir sua segurança. ”

A empolgação de Sam com o jogo faz com que Alex também se interesse pelo mundo de blocos, e lá os dois criam um vínculo que antes não existia. Em Minecraft, Sam consegue mostrar sua personalidade sem a capa do autismo e Alex consegue ser o pai que Sam sempre procurou.

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O que me impressionou em O Menino Feito de Blocos é a loucura emocional que ele causa. Se em um capítulo eu ria de uma tirada espontânea de Sam, no outro eu chorava com mais um problema de Alex. Eu temia pelas possíveis reações de Sam ao ser contrariado, pela aparente depressão que tomava conta de Alex e pelas ações impulsivas de Jody. Era como pisar em um chão cheio de ovos, o próximo passo podia ser angustiante ou engraçado.

Escrito por Keith Stuart, O Menino Feito de Blocos tem um pouco da experiência de Keith com o seu filho Zac, diagnosticado com autismo em 2012. Assim como Sam, Zac se encantou pelo mundo Minecraft, onde ele tinha o controle de todas as ações e podia se sentir mais próximo dos irmãos. De acordo com Stuart, foi o Minecraft que o ajudou a conhecer Zac.

O Menino Feito de Blocos em um dos poucos livros que li da primeira página até a apresentação do autor me emocionando com cada detalhe. Os personagens são totalmente humanos, sem excesso de estereótipos ou com personalidades surreais. Leiam, apreciem, se emocionem e vivam esse novo mundo junto com Alex e Sam.

Resenhas 12dez • 2016

Não É Só Uma História de Amor, por Mariana Sampaio

É oficial, sou uma colaboradora do La Oliphant (aeeeee!!), e para fazer jus ao meu cargo, aí vai mais uma resenha.  O livro da vez é um romance brasileiro contemporâneo, proveniente dessa nova onda de bloggers-escritores. Não é Só uma História de Amor é ambientado em dois tempos distintos e com duas personagens de destaque.

A primeira personagem com a qual temos contato é Laura. Loira, bonita, inteligente e de família classe média, Laura mora na cidade de São Paulo e trabalha como jornalista substituta em uma rede de TV. Apesar ser a típica garota da metrópole, Laura nasceu e cresceu na cidade de Santa Rita do Pinhal, onde seus pais, Cláudia e Pedro, ainda vivem.  A segunda personagem principal é Cláudia. Uma adolescente do interior, cheia das dúvidas e certezas da idade, que sonha em viver grandes aventuras pelo mundo. Sua paixão platônica por Renato a leva ao mundo do punk rock e metal rock, gêneros em ascensão nos anos 80.

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O enredo de Não é Só uma História de Amor é clichê e as demais personagens não ganham muito destaque no decorrer da trama, o que é um desperdício. O melhor amigo de Laura, Beto, simplesmente gira em torno da amiga, como uma espécie de satélite natural irritante e sem vontade própria. Laura, apesar de seus 25 anos, parece viver em um mundo de fantasia, repleto de frases prontas, onde tudo é possível. Júnior, o par da Laura, é uma personagem que só aparece em três momentos do livro e tem um psicológico bem contraditório (sério, não rola).

Por ser um livro tão atual, com expressões e cenários tão cotidianos, algumas situações passam muito longe da realidade. No entanto, não são só críticas. Apesar dos diálogos fracos na história de Laura, a história de Cláudia é bem desenvolvida, com alguns pontos realmente emocionantes (juro que chorei!). A estrutura da escrita, o jeito como é narrada e a formatação de Não é Só uma História de Amor, desperta a vontade de ler, mesmo quando a trama passa por seus momentos mais enfadonhos.

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Escrito por Mariana Sampaio, uma estreante no cenário literário (rimou?), Não é Só uma História de Amor é um romance construído em cima de histórias que você já viu. Super indico para quem curte histórias leves ou para quem está começando a desenvolver o hábito da leitura diária. O meu exemplar contém um erro nas primeira linhas da página 166, que pode confundir um pouco a história, logo, tenham atenção.

Por hoje é só pessoal (sempre quis usar essa frase,rs). Até a próxima!

Resenhas 01dez • 2016

Em Um Bosque Muito Escuro, por Ruth Ware

Em um Bosque Muito Escuro me chegou meio que por acaso e por um auto convite descarado. Um belo dia, a  Débora Costa recebe uma caixa da Rocco e eu logo exclamo: é Harry Potter! Não, não era. O que havia dentro da caixa, pasmem, parecia ser até mais interessante do que a saga de J.K.Rowling. Do interior daquela arca de papelão, saíram 3 objetos bem diferentes: Um véu, marcado de vermelho, uma taça de champanhe e um convite para uma despedida de solteira. A união dos 3 artigos, mais a capa do livro, contavam um pouco da história que estava por vir. Como não ficar curiosa quando sua coleguinha recebe a encomenda mais macabra de uma segunda-feira? Como quem não quer nada, perguntei: Dé, quer que eu leia, e quem sabe, resenhe esse livro? E ela topou! Então, após devorar a história em 3 dias, chegou o momento de pagar pelo empréstimo.

O livro Em um Bosque Muito Escuro chama a atenção já na primeira página. Narrado em primeira pessoa, a história se inicia com frases curtas e muita ação. A primeira página apresenta a personagem principal em meio a uma perseguição angustiante, repetindo um nome ainda desconhecido para nós. Um prefácio, se assim posso chamar, que prende a atenção e te convida a virar a página e devorar tudo que vem depois.

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Quem nos conta a história é Leonora (Lee ou Nora), uma escritora de romances policiais que mora na cidade de Londres. Nora vive uma rotina pacata e prática, sem muitas aventuras e com poucos amigos. Sua vida ganha movimento após um convite para a despedida de solteira de Clare Cavendish, uma velha amiga do colegial com quem cortou relações há 10 anos. Clare é dona de uma personalidade forte e imperativa e Lee, fraca e sensível, cresceu em volta da aura carismática que a amiga emanava.

Após um acontecimento traumático, Lee resolve trocar de escola e, posteriormente, abandonar Northumberland, sua cidade natal. Nora, fez questão de esquecer (ou tentar esquecer) seu passado e todos que estavam nele. Manteve contato apenas com uma pessoa do seu antigo círculo de amizades, Nina. Médica, calejada dos tempos que trabalhou com os “Médicos sem fronteiras” e apaixonada por sua namorada Jess, Nina é dona de um humor extremamente sarcástico e negro. Junto com Nora, Nina viaja de volta a sua cidade natal, para um fim de semana na casa da tia de Flo, na isolada Kielder Forest.

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Flo é a atual melhor amiga de Clare, e ficou encarregada de organizar a despedida de solteira e todos os seus pormenores. Irritadiça, Flo, na minha opinião, é a personagem com melhor construção (ou desconstrução) psicológica na trama. Estudou com Clare na faculdade e fez da amiga seu espelho de pessoa, literalmente. Como convidados ainda temos Melanie e Tom. Melanie morou com Flo e Clare, mas seguiu caminho diferente das amigas. Formada em direito, Melanie é casada, tem um filho de 6 meses e resolveu tirar o fim de semana só para ela. Já Tom é um dramaturgo boêmio, casado com um famoso diretor de teatro e que está ali para curtir. Conheceu Clare no trabalho e, para Nora, entre todos os convidados, sua personalidade luxuosa e extravagante era o única que realmente combinava com a noiva.

Escrito por Ruth Ware, Em um Bosque Muito Escuro é um livro de suspense com boas tramas. Dividido em dois cenários principais, o conto me trouxe a sensação de brincar de “vítima, assassino e detetive”. Como se mantém sempre na perspectiva de Leonora, a história alterna entre os acontecimentos na casa da escura Kielder Forest e os acontecimentos no hospital, onde Nora está internada após o fim de semana. Logo no início já percebemos que há uma morte. A casa, muito bem retratada pela autora, já é um bom local para um assassinato ou acontecimento paranormal. Claro que pode parecer clichê, mas o jeito como é descrita, de forma detalhista porém curta e objetiva, fez com que eu me sentisse naquele ambiente e óbvio, alguém ia morrer ali.

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Apesar de ser um bom livro, Em um Bosque Muito Escuro deixa algumas partes fantasiosas demais, o que compromete a leitura dos mais céticos. Além disso, a personagem principal por vezes se mostra extremamente sensível, como uma donzela de romances de época, o que me fez sentir raiva dela. Ainda rolaram umas pontas soltas que podiam ter um desfecho diferente, no entanto simplesmente morreram no meio do livro.

Para que os que gostaram de Garota no Trem e Garota Exemplar, as comparações serão inevitáveis. Em um Bosque Muito Escuro é o primeiro livro de Ware, que foi comparada a Gillian Flynn e Paula Hawkin e, apesar de ser lançado no ano passado,  já foi vendido para o cinema. Recomendo a todos que gostam de suspenses, sem romances e sem finais felizes (meu caso!!). Prestem atenção em todos os detalhes, eles serão importantes para descobrir o assassino. Curtam bastante e leiam sem medo!

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