Posts escritos por: Beatriz Kollenz

Mangás & Animes Resenhas 10abr • 2017

Aoharaido, por Io Sakisaka

Depois de muita luta e campanha pelo #MaisShoujosNoBrasil, em 2015 Aoharaido começou a ser publicado no Brasil. Eu que acompanhava a série online, pausei a minha leitura faltando poucos capítulos para o final, segurei minha ansiedade e aguardei até a conclusão no nosso país.

Esse mês, eu finalmente pude ler o último volume do mangá que roubou meu coração nos meados de 2012. Sempre fui fã da revista Margaret, já conhecia a Io Sakisaka pelo lindo Strobe Edge, então era inevitável eu começar a leitura de Aoharaido. Foram alguns anos acompanhando a história e sonhando com a publicação dela por aqui. Agora que eu já reli tudo, vim falar um pouquinho desse shoujo para vocês.

Aoharaido, também conhecido como Ao Haru Ride, conta a história de Futaba e Kou. O casal se conhece durante o ginasial e se apaixona, mas infelizmente, antes que alguma coisa acontecesse, Kou desaparece e Futaba nunca mais tem nenhuma notícia do seu primeiro amor. No final de primeiro ano do colegial, Futaba esbarra em Kou e descobre que ele não é mais o garoto que ela conhecia. Além de ter mudado de nome, Kou parece ter outra personalidade. Isso não impede a protagonista de se apaixonar mais uma vez. Ou será que ela nunca esqueceu o seu primeiro amor?

Uma das coisas que cabe dizer, é que em Aoharaido temos um pacing mais rápido. Ao contrário de muitos shoujos de romance escolar, aqui beijos e declarações acontecem sem tanta cerimônia, um fator que ajudou muito na popularidade da série. As personagens são bem cativantes também. Futaba erra muito e vê-la cometendo suas trapalhadas é muito divertido.

Ela é muito humana, assim como boa parte das personagens do mangá. Aqui também vale ressaltar que não temos muitos problemas com relacionamentos abusivos e idealizações masculinas, problemas em muitos shoujos por aí. Kou é meio babaca às vezes, mas nunca é idealizado ou perdoado pela autora. Ele tem seus motivos e rala muito pra merecer a menina de quem ele gosta. Outra personagem que eu gosto muito é a Makita, na primeira vista parece ser só mais uma garotinha fofa, não se engane, ela é mais forte e tem mais personalidade do que todo mundo na história.

Aoharaido flerta com muitos assuntos além do primeiro amor. Fala sobre amizade, sobre perdas, sobre bullying e sobre ser quem você é. É bastante coisa, mas é tudo bem encaixado no roteiro, então não temos a sensação de atropelamento pelo caminho.

Os volumes brasileiros possuem dois marcadores como mimo, e o volume 11 vêm com o crossover Oreraido!! de brinde. Também temos presentes algumas One-Shots da autora, destaque para a de Strobe Edge que é uma fofura. Por falar nisso podemos ver a Ninako e o Ren passeando no fundo em um dos capítulos.

Aoharaido ganhou excelentes adaptações para anime e live action, indico as duas. A abertura do anime é uma delícia de se ouvir e vive no meu celular. A série já se encerrou no Brasil com 13 volumes, mas o sucesso foi tanto que a Panini acabou de anunciar a republicação do mangá. Além de contarem com os marcadores do primeiro lançamento, os volumes vão ir para bancas e lojas especializadas.

Um marco na publicação de shoujos no nosso país, uma demografia tão desvalorizada que está conseguindo crescer garças a campanha e mobilização dos fãs. Levanta da cadeira e corre para comprar o seu, sinta-se a vontade também para entrar no movimento do #MaisShoujosNoBrasil e trazer mais obras lindas como Aoharaido para o nosso país.

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Mangás & Animes Resenhas 18mar • 2017

Arakawa Under the Bridge, por Hikaru Nakamura

Resolvi fazer uma coisa diferente e dessa vez vou falar de um mangá que está em lançamento aqui no Brasil. Arakawa Under the Bridge está completo no Japão com 15 volumes, aqui no Brasil a série está no seu quinto volume e tem publicação bimestral.

A série de autoria da incrível Hikaru Nakamura, já conhecida pelo mangá Saint Onii-san,  saiu na revista seinen Young GanGan. Aqui temos a história de Ichinomiya Kou, herdeiro de uma mega corporação que cresceu a vida toda com apenas um objetivo: nunca dever nada para ninguém. Conhecido por ser perfeito em tudo que faz, Kou acaba em uma situação bem inusitada ao cruzar a ponte sobre o rio Arakawa.

Depois de ter suas calças roubadas ele cai no rio e é ajudado por Nino, uma jovem que diz ser uma alienígena venusiana. Para não ficar devendo nada ele aceita se relacionar com ela e passa a viver debaixo da ponte. Kou recebe o nome de Ric e conhece toda a trupe que mora debaixo da ponte, uma coleção de pessoas estranhas e nenhum um pouco previsíveis.

Depois de toda essa sinopse já dá pra perceber que Arakawa não é um mangá normal. Focado na comédia nonsense, vemos várias rapsódias absurdas repletas de um humor fino e inusitado. Aqui temos um homem que afirma ser um Kappa, mas na verdade não passa de uma pessoa fantasiada, temos um estrangeiro vestido de freira que afirma ser um ex-soldado, temos um ex-executivo que está condenado a andar para sempre sob uma linha branca.

Posso continuar até amanhã descrevendo o absurdo que cerca os moradores dessa “cidade” maluca debaixo da ponte.

O que mais me atraiu em Arakawa não foi o humor, mas sim o subtexto escondido por de trás de toda a comédia. Não demora muito tempo para descobrirmos que todas aquelas pessoas sem teto estão profundamente quebradas, viver naquele mundo a parte da sociedade foi à forma que eles encontraram para continuar em frente.

Ric também muda com o andar da história, ele aprende a confiar nas pessoas, a ser mais humilde e aprende sobre o amor (algo que nem ele e Nino conheceram durante a vida). Por detrás da trama vemos várias críticas sociais, reversão de conceitos intricados na nossa sociedade e isso é que faz o mangá ser tão interessante.

Você tem aqui uma comédia muito divertida, mas nenhum pouco boba. Arakawa conta com duas adaptações: uma em anime e outra em live action. Indico você a correr atrás dos volumes e acompanhar o lançamento, a edição da Panini está linda e conta com as páginas coloridas do original. Cabe aqui comentar que as capas da série são um show a parte!

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Mangás & Animes Resenhas 21fev • 2017

Helter Skelter, por Kyoko Okazaki

“Uma palavra antes de começarmos: risos e gritos soam muito parecidos”

A frase de abertura já mostra o clima e o tom do mangá Helter Skelter, talvez um dos quadrinhos mais controversos dos últimos tempos. Com uma arte crua e uma história pesada, pode acabar incomodando muita gente durante a leitura. Vencedor de vários prêmios, entre eles o Tezuka de 2004, Helter Skelter é bem recebido e aclamado pela crítica. A arte de Kyoko Okazaki é proposital. Ao desenhar um quadrinho sobre a cultura da beleza com uma arte ‘feia’ ela já deixa bastante reflexão.

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Helter Skelter teve a sua publicação na revista josei  Feel Young em 2003. A narrativa parte em dois pontos: um narrado por Lilico, uma Idol que chegou ao topo da carreira e agora tem que lidar com a sua decadência conforme envelhece; o outro narrado por um detetive que investiga estranhas mortes ligadas a uma clínica de estética. Lilico não suporta ver que depois de várias intervenções cirúrgicas e sacrifícios, sua carreira está acabando. Enquanto as ovações do público cessam, Lilico é obrigada a escutar os gritos no seu interior, tudo num clima bem perturbador.

Durante todo o quadrinho a autora coloca em xeque o culto às celebridades, ao padrão de beleza e os sacrifícios para alcançar um ideal irreal, que leva muita gente ao túmulo.

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Outra crítica já mais tangente ao público japonês (e quem sabe até a nós no ocidente) é o culto as Idols. Garotas são treinadas desde jovens para saber cantar, dançar e atuar, obrigadas a manter uma imagem inocente e pura, tudo para o prazer da audiência. Alguns anos atrás todo mundo de chocou com a notícia de uma integrante do AKB48 que teve de raspar a cabeça como castigo. Ela cometeu o incrível crime de ter um namorado, algo impensável para seus fãs.

A adaptação para live action de Helter Skelter (excelente por sinal) segue por caminhos bem curiosos. A escolha da atriz para viver Lilico foi ninguém menos que Erika Sawajiri, uma atriz bem odiada pelos japoneses, envolvida em diversos escândalos e problemas com droga.

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Helter Skelter é uma excelente indicação para quem gosta de discutir padrões de beleza e a cultura do corpo. Completo em um volume ele traz diversos momentos bem interessantes. Em determinado ponto Lilico comenta que “os cosméticos são como drogas”, em outro ponto ela reflete “Celebridades são freqüentemente julgadas como sendo extremamente fascinantes… Porque celebridade é como um câncer; um tipo de deformidade”.

O mangá abre nossos olhos para a estranheza que é adorar uma pessoa apenas por ela ser bela e famosa, e desejar mudar a forma física para entrar em uma estética impossível. Lilico mesmo é um Frankenstein, as únicas partes do corpo que realmente são suas são os cabelos, os lábios e a vagina. Nada é real nesse mundo da beleza e, envelhecer, pode ser o seu maior crime.

Aliás, por que temos tento medo da idade? Tudo isso é muito bem discutido e retratado nas páginas desse maravilhoso mangá e eu deixo aqui a minha humilde indicação. Antes de ler só aviso que o quadrinho é forte, temos várias cenas de nudez, abuso, drogas e drama psicológico, leia preparado.

Você pode ler mais resenhas de mangás clicando aqui.

Mangás & Animes Resenhas 31jan • 2017

Solanin, por Inio Asano

“E assim, enquanto a gente dá voltas na vida, vai se perdendo de si mesmo, pouco a pouco.”

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Solanin é um mangá de dois volumes originalmente publicado na Weekly Young Sunday e lançado no Brasil pela L&PM. Escrito pelo mangaká Inio Asano, Solanin narra as dores de crescer. A história é focada no casal Meiko e Taneda, dois jovens de vinte e poucos anos que acabaram de sair da faculdade e iniciar uma nova etapa de suas vidas. Meiko não está satisfeita com seu emprego de secretária.

Taneda vive no dilema de abandonar os bicos e se tornar um assalariado responsável, ou se dedicar ao sonho de se tornar um músico profissional. Taneda possui uma banda com os amigos da faculdade, entre os ensaios mensais ele se questiona sobre até que ponto é permitido seguir seus sonhos e quando é chegada a hora de desistir.

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O principal mérito de Solanin é conversar perfeitamente com os jovens. Se você já se sentiu perdido sem a menor ideia do que fazer esse mangá é para você. A primeira vez que li Solanin foi uma experiência libertadora. Eu estava no penúltimo ano da faculdade sem entender o porquê de ter decidido aquele curso, detestando o meu emprego e a minha perspectiva de futuro. O mundo me parecia uma prisão e envelhecer uma bela maldição.

Ler o mangá não fez meus problemas sumirem, mas me ajudou a enxerga-los de outra forma. Eu percebi que todo mundo se sente perdido aos vinte e poucos anos, que o futuro podia ser recriado quantas vezes eu quisesse, que eu não era definida pela minha carreira, por dinheiro, status e sim pelo que eu era. Como uma personagem mesmo diz ao longo da história; “Quando somos jovens achamos que só existe uma maneira de sermos felizes, e que essa maneira é a mais complicada possível, mas eu garanto é muito mais simples do que você imagina”.

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Inio Asano é o meu mangaká favorito, a temática do amadurecimento, as dificuldades da vida adulta e a depressão são alguns dos temas abordados em seus mangás. Solanin é uma obra prima, amplamente premiada e reconhecida pelo mundo, deve ser lida sem sombras de dúvida. A história possui uma adaptação em live action que é muito boa e a música que dá título ao quadrinho tem sua versão tocada pelo Asian Kung-Fu Generation. Mais duas obras do autor estão sendo lançadas no Brasil, temos Nijigahara Holograph pela JBC e Hikari no Machi pela Panini. Se você se sentir confuso sobre que caminho seguir já sabe: corra e leia Solanin.

Mangás & Animes Resenhas 17jan • 2017

Orange, por Takano Ichigo

O que você faria se recebesse uma carta do futuro?

A vida de Naho seguia sempre igual, até ela receber uma carta escrita por si mesma no futuro. A carta diz exatamente o que vai acontecer nos próximos dias e pede que ela evite o maior arrependimento de sua vida. Curiosamente, as maiorias das coisas escritas na carta se referem ao estudante Kakeru, o aluno transferido que acabou de entrar na turma.

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Orange foi um estouro desde o início da sua publicação. Na internet todo mundo só falava dele, no Japão as vendas iam de vento em poupa. Infelizmente em 2012, logo após o lançamento do capítulo 9, o mangá entrou em hiatos. A autora alegou não agüentar mais a pressão de ser mangaká e decidiu sair da revista e se aposentar. Esse final prematuro deixou todo mundo chateado. Em 2014 quando todo mundo já desistido de Orange, veio à notícia: o mangá mudaria de revista e voltaria de onde a história parou. Novas edições dos dois primeiros volumes foram feitas sobre o selo da nova revista e, em abril de 2014, o capítulo 10 saiu.

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Quando a JBC anunciou o lançamento de Orange no Brasil foi uma grande alegria, eu era uma das pessoas que sempre dizia que o mangá nunca seria publicado por aqui, ainda bem que estava errada. O que mais me encanta na história é a alternância entre o passado e o futuro. As coisas caminham bem rápidas e logo no primeiro volume sabemos qual é o tal arrependimento que todos carregam. O grupo de amigos é muito bem construído, nós acreditamos na amizade deles e no quanto eles se preocupam uns com os outros.

Gosto muito de todos os personagens principais e secundários, mas o meu amor mesmo é o Suwa. A forma como ele se sacrifica pelos amigos é muito bonita, foi por causa dele que eu chorei durante a minha leitura. A Naho também é um amor, a forma como ela lida com as cartas e com medo de que as coisas dêem errado é bem humana. Quando a Naho se questiona sobre diversos assuntos, tanto no presente quanto no futuro, ela nos coloca para refletir sobre nossas vidas e sobre nossa atitude no presente. O que devemos fazer para evitar arrependimentos no futuro? O que faríamos se pudéssemos mudar o passado? Depois de cada capítulo eu ficava divagando sobre essas coisas.

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A forma como o mangá lida com a depressão e o suicídio é muito sensível. É impossível não se emocionar com a dor e o sofrimento de alguns personagens. Super indico Orange para quem ainda não conhece nenhum mangá e quer iniciar a leitura por alguma obra. É uma série completa com cinco volumes. Possui um live action, um anime e recentemente saiu no Japão uma animação que conta a história pelo ponto de vista do meu amado Suwa. Também será lançado na Manga Action um gaiden narrando à história do último filme. Ainda não sabemos se o gaiden vai ser lançado no Brasil, por enquanto ficamos na torcida.

Mangás & Animes 30dez • 2016

Top mangás de 2016

Olá! Hoje eu vim aqui para contar quais foram os melhores mangás que li em 2016. Esse ano foi MUITO bom nessa área, conheci várias obras de grande qualidade. Decidi colocar na lista apenas os mangás que comecei nesse ano, alguns são bem antigos, mas só resolvi ler em 2016. Sem demais delongas vamos ao meu top (que não está em ordem, não sei fazer essas coisas).

Akatsuki No Yona

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Acho que esse foi o meu mais novo xodó. Eu amo muito a Yona, o mangá e todos os personagens, entrou para a minha lista de obras favoritas em andamento. A história deste mangá gira em torno da princesa Yona. Yona é uma menina mimada que passa a vida no palácio e só sabe suspirar pelo seu primo So Yoon. As coisas começam a complicar quando So Yoon assassina o Rei, Yona então foge com a ajuda do seu guarda-costas Hak e So Yoon assume o poder. O que mais me chamou a atenção nesse quadrinho foi a princesa. Yona é badass. O crescimento dela ao longo dos capítulos é excelente. Outra coisa extremamente boa são os coadjuvantes. Todos têm um background bem explorado e são muito simpáticos. O mangá conta com 21 volumes em andamento e uma séria animada (que eu indico pra caramba caso fique com preguiça de ler).

Watashi Ga Motete Dousunda

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Esse foi o ano em que mais dei risadas em um mangá, culpa disso é Motete. O foco aqui é comédia e tudo gira em torno da Kae e seu estranho harém. A série brinca com o fato de Kae ser uma fujoshi (nome dado a otakus apaixonadas por um Yaoi), Kae é exagerada em vários aspectos e a história começa quando Kae emagrece após a morte do seu personagem favorito de uma série de anime. Há algumas críticas sobre o mangá ser gordofóbico, não foi algo que me incomodou já que mais pra frente os personagens aceitam a protagonista do jeito que ela é. Várias críticas ainda são ditas sobre o quadrinho e acho legal deixar isso como disclaimer, da minha parte acho uma série muito boa e engraçada. Atualmente a série possui 10 volumes em andamento e a série animada também está sendo transmitida pelo Crunchyroll.

Annarasumanara

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Ok, talvez a presença desse quadrinho aqui seja meio roubada já que se trata de um Manhwa (nome dado aos quadrinhos coreanos). Roubado ou não foi uma das melhores leituras do ano. Repleto de experimentações e simbolismos, Annarasumanara conta a história de Yoon Ah-Ee uma menina pobre que se mata de trabalhar para cuidar da família. O pai de Yoona Ah-Ee desaparece deixando a menina cheia de dívidas, além disso ela sofre bullying na escola e tem que lidar com o assédio do seu patrão. A vida da nossa protagonista começa a mudar quando, ao visitar um velho circo da cidade, ela encontra um homem que se diz ser um mágico de verdade. A pergunta “Você acredita em mágica?” segue por toda a história. Com uma premissa bem simples e um desenvolvimento excepcional, é mais do que indicada a leitura. A série foi originalmente publicada como Webtoon, então você pode ler ela online aqui.

The Music of Marie

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Se você nunca leu um mangá começar por aqui pode ser uma coisa boa. The Music of Marie é uma série de apenas dois volumes que prova que tamanho não é documento. Muito bem planejada e executada do início ao fim, ela conta a história de um mundo onde não existe tecnologia e as pessoas vivem em completa paz. Tudo isso só é possível pela entidade Marie que protege e mantém a vida de todos neste mundo. A história é narrada por Kai e Pipi e começa durante um episódio marcante na infância dos dois. O autor é um artista plástico então você já pode esperar quadros impecáveis, daqueles que você quer pendurar na parede e ficar admirando o dia todo. É difícil falar dessa obra sem dar muitos spoilers, mas confie em mim nessa indicação. Quando você terminar os dois volumes vai querer reler imediatamente.

Kokou No Hito

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Minha última leitura do ano (mentira, acabei de reler Sunadokei) e meu primeiro mangá de esportes. Nunca fui uma pessoa que gosta do gênero de esportes, mas 2016 me surpreendeu duas vezes nesse quesito:  a primeira foi com o anime Yuri!!! On Ice, a segunda com a história de Mori Buntarou narrada ao longo dos 17 volumes de Kokou No Hito. O esporte retratado aqui é o montanhismo, este é mostrado de uma forma bem crua e realista, algo que eu nunca vi quando se tratava de mangás do gênero. Demorei um pouco para engatar a leitura, mas depois do terceiro volume ela flui perfeitamente. Aqui temos mais um mangá cheio de simbolismos e quadros bonitos, e ele faz isso como ninguém. Ao longo da história vemos toda a vida de Mori, desde quando conheceu o esporte na nova escola até a sua escalada ao K2.

Monster

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Assim que terminei a leitura de Monster comecei a espalhar a palavra chamando todo mundo que conhecia para ler. Um mangá muito famoso e um Thriller sem igual, a história começa mostrando a vida Kenzou Tenma, um neurocirurgião japonês que vive na Alemanha. A coisa começa a complicar quando ele descumpre as ordens do hospital para operar uma criança que levou uma bala na cabeça em circunstâncias estranhas. Todo o mangá se passa na Alemanha depois da queda do Muro de Berlin, um cenário bem original e explorado ao longo dos 17 volumes. A obra foi publicada no Brasil pela Panini e você consegue encontrar ela em lojas especializadas.  Também possui uma série animada totalizando 74 episódios.

Ore Monogatari

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Eu tinha muita vontade de ler Ore Monogatari, quando a Panini anunciou a publicação do mangá aqui nas nossas terras eu prometi para mim mesma que iria colecionar. Logo que veio o primeiro volume eu percebi que Ore não era um mangá shoujo comum. A história é narrada pelo Takeo, um cara nenhum um pouco perto do ideal de beleza japonês. Takeo tem um coração de ouro que conquista todo mundo que resolve dar uma chance a ele, pena que sua aparência nada convencional afaste algumas pessoas. As coisas mudam quando ele conhece a Yamato, a dúvida fica no ar: será que ela vai gostar dele ou se apaixonar pelo amigo bonitão Makoto? Ore Monogatari está sendo lançado no Brasil pela Panini bimestralmente e já tem 3 volumes publicados, corre para banca adquirir o seu. A série também conta com um anime e um filme.

Inside Mari

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‘Boku Wa Mari No Naka’ ou  ‘Inside Mari’ é um seinen psicológico sem comparação. Deliciei-me com a leitura dos 9 volumes do início ao fim. A premissa da história é bem peculiar, aqui temos Komori, um típico perdedor. Ele não estuda, mata as aulas da faculdade, não tem dinheiro e passa o tempo todo em seu apartamento. Komori costuma ir às lojas de conveniência para observar uma colegial, a Mari. Em uma dessas idas a loja Mari percebe que está sendo perseguida e Komori desmaia. No dia seguinte ele acorda dentro do corpo de Mari. Foi uma grata surpresa todo o desenvolvimento do mangá, principalmente a questão do gender-bender (estilo de história onde temos homens e mulheres com os gêneros trocados). Foi uma super leitura.

Kamisama Hajimemashita  

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Ta aí uma história amada por muitos e que não me atraia nem um pouco. No ano em que o anime foi lançado, assisti o primeiro episódio e fiquei com a impressão de que seria mais um daqueles shoujos cheios de relacionamento abusivo e estupro.  Fico feliz ao ver que me enganei. Resolvi ler Kamisama quando vi a indicação em um site feminista que eu sigo, a sinopse me deixou curiosa e resolvi deixar o medo de lado e ler. Kamisama narra a história de Nanami, uma garota pobre que acabou de ser despejada de casa e abandonada pelo pai. Nanami está em um parque desesperada por não ter para onde ir, até que um cara muito estranho resolve o seu problema. Nanami então recebe o poder de um Deus e passa a ser responsável por um templo abandonado. Tudo seria maravilhoso se Nanami não tivesse problemas com Tomoe, o guardião do templo. Temos aqui um mangá fofo, cheio de amor do início ao fim. Kamisama Hajimemashita tem 25 volumes já completos e possui duas temporadas de anime e uma série OAD.

Uzumaki

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Creio que a maioria das pessoas conhece ou já leu Uzumaki. Um dos mais famosos mangás de terror do Japão, Uzumaki trata da história de uma cidade assombrada pelas espirais. Tinha muito medo de ler mangás de terror, sou a pessoa mais medrosa do planeta. Se eu assistir um trailer de filme de suspense eu fico com medo durante uma semana. Mas aqui a coisa foi diferente, grande parte disso se deve a influência de Lovecraft na mangagrafia do autor. Junji Ito virou um dos meus mangakás favoritos. A arte e a história de Uzumaki são excelentes e você pode conferir ao longo dos seus 3 volumes. A série foi lançada no Brasil pela Conrad, mas acredito que os mangás já estejam esgotados. Também temos um filme de 2000 (que eu não assisti por motivos de MEDO).

Mangás & Animes 06dez • 2016

Conhecendo o mundo dos mangás

Orange da autora Takano Ichigo, publicado no Brasil pela JBC

Orange da autora Takano Ichigo, publicado no Brasil pela JBC

Olá, sou a Bia e estarei agora participando da equipe do blog. Vou trazer resenhas de livros e quadrinhos, principalmente de mangás que são a minha paixão. Para começar eu resolvi falar um pouquinho sobre o que são mangás e como funciona a publicação deles lá no Japão. O mangá que nós conhecemos hoje surgiu durante a ocupação americana, após a segunda guerra mundial. Durante esse tempo o Japão sofreu grandes influencias dos Estados Unidos e, como não seria diferente, os quadrinhos americanos também influenciaram os japoneses. O formato do mangá moderno deve muito a  Osamu Tezuka, foi o ele quem inseriu muitas das características que nós vemos hoje nos mangás.

Os mangás são publicados primeiramente nas antologias, após um número de mais ou menos cinco capítulos, são compilados em volumes. As revistas japonesas são classificadas por demografia, o que acaba confundindo muita gente. São as principais demografias: o Shounen, voltado para um público masculino e mais jovem; o Shoujo, voltado para o público feminino mais jovem; O Seinen e o Josei, voltados para os públicos adultos de ambos os sexos. É comum encontrar histórias de diversas temáticas e de diversos gêneros em todas as demografias.

O que mais confunde os leitores na hora da classificação são os gêneros de romance e a ação. É comum encontrar mangás com romance erroneamente classificados como Shoujo, já que no inconsciente de muita gente isso “só pode ser coisa de mulher”. Histórias de aventura e ação também estão presentes nos mangás para o público feminino, e muitas vezes as pessoas pensam que por conta do teor de ação e violência são de demografia voltada para o público masculino. Existe uma infinidade de histórias, temáticos e cenários no mundo dos quadrinhos japoneses.  Você encontra mangá sobre praticamente tudo. Se você quer ler algo sobre comida, vai encontrar. Se seu foco é esporte, vai existir uma história sobre o assunto. Fantasia, piratas, romance escolar? Existe tudo.

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Após o grande sucesso de animes como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon e Sakura Card Captor, os mangás ganharam espaço no mercado brasileiro. As editoras procuram licenciar principalmente obras com adaptações de sucesso ou já conhecidas do grande público.  Aqui no Brasil, os quadrinhos japoneses são lançados pela JBC, Panini, NewPop, Nova Sampa, L&PM, Abril, Alto Astral e Conrad. Não tenha medo de se jogar nesse mundo, agora no Brasil temos a publicação de títulos excelentes, obras de todos os tamanhos e em vários formatos só te esperando.

Você pode assinar direto com as editoras, comprar em lojas online como a Saraiva e a Amazon, lojas especializadas como a Comix, JWorld, Amora Bookstore e isso são só alguns exemplos. Você também encontra nas bancas de jornal de sua cidade. Vários títulos da JBC e Panini agora possuem distribuição nacional, então você não fica mais atrás das capitais. Nas próximas postagens irei resenhar alguns mangás e te dar o pontapé que estava faltando para você se aventurar no mundo dos quadrinhos Japoneses, até lá.

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