Posts escritos por: Vinicius Fagundes

Resenhas 23abr • 2018

Chronos, por Rysa Walker

Eu já devo ter mencionado isso em alguma resenha, mas histórias sobre viagem no tempo me dão dor de cabeça. Eu realmente tenho dificuldade em acompanhar as linhas do tempo que se misturam nesse tipo de história, então para me agarrar, um livro sobre viagem no tempo precisa ter outros fatores que me agradem. Personagens bem construídos, uma base emocional interessante para o plot, esse tipo de coisa. Felizmente, Chronos me entregou basicamente isso. Mas apesar de ter gostado bastante dessa leitura, eu não consigo largar a sensação de que tem alguma coisa faltando em Chronos.

No livro, a adolescente Kate conhece sua avó, que está a muitos anos afastada de sua mãe. A avó de Kate explica para ela que é uma viajante do tempo, nascida muitos anos no futuro e que ficou presa no passado e que precisa da ajuda de Kate para consertar as linhas do tempo. Kate precisa então aprender a utilizar a Chave Chronos, que permite a aqueles que têm o gene necessário. Mas as coisas não são tão simples como parecem, e existem forças que querem impedir que Kate corrija as mudanças que foram feitas no passado. Leia mais

Séries & TV 07abr • 2018

Carbono Alterado: o que mudou na adaptação da Netflix

Algum tempo atrás, quando eu fiz a resenha de Carbono Alterado, eu mencionei que as minhas expectativas para o livro estavam altas demais porque eu passei um tempão ouvindo muita gente falar bem demais do livro, então quando fiz a leitura, acabei um pouco decepcionado. Então quando chegou a hora de assistir a adaptação da Netflix, Altered Carbon, fiquei pensando “Será que agora que eu sei mais o menos o que esperar da história, eu vou acabar me surpreendendo e gostando mais?” E a resposta é tanto sim quanto não. A primeira temporada de Altered Carbon tem seus acertos, mas tem algumas na série que realmente não me agradaram.

E antes de eu me aprofundar nessas coisas, vamos deixar claro que obviamente nós todos sabemos que em uma adaptação, detalhes e plots são modificados para se encaixarem melhor em uma mídia visual. E sim, alguns dos problemas que eu tive com a série são relacionados a pontos em que ela vai em uma direção diferente do livro. Mas nem todas as mudanças feitas são negativas. Inclusive, o meu personagem favorito da série é bem diferente de como ele é no livro. E antes que eu me esqueça, esse post vai conter spoilers, então estejam avisados. Leia mais

Resenhas 06abr • 2018

Matem o Presidente, por Sam Bourne

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As imagens desta resenha pertencem ao blog Amiga da Leitora.

Matem o Presidente foi uma leitura que eu quis fazer puramente pela curiosidade sobre o enredo. Eu nunca fui muito fã de livros sobre política, afinal a nossa sociedade atual é constantemente bombardeada com notícias sobre política, então eu realmente tenho pouco interesse nesse tipo de assunto. Mas o plot sinceramente absurdo, e as alegorias a situação atual do mundo me levaram a querer saber exatamente o que acontece nessa história. E apesar de não ter entregado exatamente o que eu queria, Matem o Presidente me entregou uma história com reviravoltas envolventes e que passa muito bem a intenção do autor.

O Chefe de Equipe da Casa Branca, Robert Kassiam é acordado do meio da noite com a notícia de que o presidente, um homem instável, machista e misógino, está ordenando um ataque nuclear contra a Coréia do Norte, após uma guerra de insultos feitos pelo Twitter. Kassiam e o Secretário de Defesa, Bruton, chegam a conclusão de que só existe uma forma de garantir a segurança do resto do mundo: eles precisam matar o presidente. Leia mais

Resenhas 02mar • 2018

O Monstro, por Guss de Lucca

De uns tempos pra cá, eu comecei a perceber que os gêneros literários que eu costumava adorar estavam me cansando um pouco, principalmente distopias e fantasias. Então quando eu li a descrição de O Monstro, que usa a frase “Se você acha que uma história de fantasia não precisa ser parte de uma saga ou trilogia e que o gênero está saturado de aventuras  protagonizadas por guerreiros e magos, esse livro foi escrito para você”, eu fiquei bastante curioso. E para matar dois coelhos com uma cajadada, o livro ainda entra na minha meta de ler mais livros de autores nacionais.

Na região de Palma Oeste, os animais começar a desaparecer. Aos poucos, os habitantes começar a perceber que alguma criatura espreita nas florestas e logo aparecem as primeiras mortes. A partir do medo causado por esse suposto monstro, os jovens Augustus, Fabia e Milenna vêem uma oportunidade única de realizar seus maiores desejos, mas nem tudo é tão simples quanto parece. Leia mais

Resenhas 16fev • 2018

Todas as Garotas Desaparecidas, por Megan Miranda

Um dos gêneros que mais vem me ganhando de uns tempos pra cá é o de mistério. Livros como Filme Noturno e O Casal que Mora ao Lado realmente ascenderam a minha vontade de conhecer mais história cheias de suspense, e foi isso que me levou a leitura de Todas as Garotas Desaparecidas. A sinopse me agarrou logo de cara, afinal de contas, eu adoro uma história de mistério centrada numa cidade pequena onde todos sabem os segredos uns dos outros. E a leitura desse livro foi legal, mas tiveram alguns pontos que impediram o livro de chegar aonde eu gostaria que ele tivesse chegado

Nicolette Farrell deixou a pequena cidade de Cooley Ridge há muito anos, depois que sua melhor amiga desaparece sem deixar rastros. Agora, já adulta e com uma vida bem ajustada com um emprego estável e um noivado com um advogado bem sucedido, ela se vê forçada a voltar a cidade natal para cuidar de seu pai, que sofre de demência. Mas o desaparecimento de uma jovem força Nicolette a se perguntar se os segredos de seu passado são bem mais sombrios do que ela imaginava. Leia mais

Resenhas 11fev • 2018

Robopocalipse, por Daniel H. Wilson

Essas são as expectativas que eu tinha para a leitura de Robopocalipse, baseadas unicamente na sinopse e na capa: Vai ser uma história de ficção científica interessante, sobre uma inteligência artificial que decide exterminar a raça humana, e vai ser bem estranha, afinal tem uma recomendação do Stephen King na capa. E pra ser sincero, foi exatamente isso que a leitura me entregou, mas eu não explicar porque eu tenho a sensação de que falta alguma coisa nesse livro.

Em Robopocalipse, uma inteligência artificial chamada Archos que através de uma rápida análise de dados, decide que a raça humana representa uma ameaça grande demais para o planeta e decide exterminá-la. O livro segue, através de vários pontos de vistas diferentes, a ascensão de uma força de resistência determinada a impedir que os planos de Archos se concretizem. Pela primeira vez na sua história, a humanidade consegue fazer o inimaginável: se unir por um objetivo comum. Leia mais

Resenhas 05fev • 2018

Senhor das Sombras, por Cassandra Clare

É praticamente impossível falar dos livros mais novos da Cassandra Clare sem entregar nenhum spoiler dos outros livros dela. Afinal de contas, Senhor das Sombras é o décimo primeiro livro dentro do universo dos Caçadores de Sombras (sem contar com os 2 livros de contos e o Códex dos Caçadores de Sombras, é muito livro, gente), então se você não quer saber detalhes dos outros livros da série, talvez seja melhor parar de ler essa resenha por aqui. Mas se você já é veterano no universo dos livros da Cassandra Clare, ou se não liga para spoilers, fico muito feliz em te contar exatamente porque Senhor das Sombras manteve o nível que Dama da Meia Noite estabeleceu.

Senhor das Sombras continua a história de Emma Carstairs, Julian Blackthorn e os outros moradores do Instituto de Los Angeles. Emma e Julian precisam lidar com o fato de que os sentimentos que tem um pelo outro não são apenas proibidos, mas também podem levar a destruição dos dois. A única solução para este problema é o Volume Negro dos Mortos, um livro de magia negra de terrível poder cujo paradeiro é desconhecido. Além disso, a relação entre Nefilins e membro do submundo se torna cada vez mais tensa, surge um grupo de Caçadores de Sombras movidos pelo ódio contra qualquer um que viole os Acordos.

Eu sou fã assumido dos livros da Cassandra Clare, e essa trilogia só está confirmando as opiniões que eu já tinha sobre as histórias dela. A vantagem que esses livros tem é que se você já leu todos os outros livros da série (e eu li), você já conhece muita coisa sobre o universo e os elementos dele. Então a autora não precisa gastar muito tempo explicando como o mundo funciona e pode se concentrar bem mais no desenvolvimento dos personagens e na exploração dos relacionamentos entre eles, além de se aprofundar mais em aspectos políticos e sociais do mundo dos Nefilim. Leia mais

Resenhas 17jan • 2018

As Perguntas, por Antônio Xerxenesky

As minhas maiores metas de leitura para 2018 são: ler mais livros de autores brasileiros e procurar livros que estão fora das minhas zonas de conforto. E As Perguntas de Antônio Xerxenesky preenche essas duas categorias perfeitamente. A sinopse do livro chamou a minha atenção logo de cara, principalmente por se tratar de um livro de suspense centrado na cidade de São Paulo, então eu cai de cara nessa leitura mesmo sem ter muitas expectativas.  E no geral, As Perguntas foi uma leitura que me deixou um pouco confuso. Não que esse seja um livro ruim, mas acho que ele não chega exatamente aonde eu gostaria que chegasse.

Quando criança, Alina era atormentada por visões de sombras e vultos estranhos. Agora, adulta e trabalhando como editora de vídeo em uma produtora em São Paulo, Alina vive uma vida de rotina. Mas a monotonia do seu dia a dia muda quando Alina recebe o telefonema de uma policial que está investigando uma série de surtos psicóticos, possivelmente ligados a uma seita. E o conhecimento acadêmico de Alina sobre ocultismo e religiões pagãs pode ser a chave para desvendar esse mistério.

A primeira coisa que me agradou muito em As Perguntas é a narração da protagonista, Alina. Eu não sei o que foi sobre ela, mas a Alina me lembrou demais algumas pessoas que eu conheço na vida real. O jeito que ela relata os acontecimentos da história, os pensamentos dela, tudo isso me passou muito a sensação de que ela é uma pessoa que realmente existe. Talvez seja uma questão de gosto pessoal, mas Alina foi pra mim o tipo de protagonista que consegue carregar um enredo facilmente.

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Resenhas 10jan • 2018

Lock & Mori, por Heather W. Petty

Às vezes você encontra um livro que chama a sua atenção pelo título. Você olha pra ele, lê a sinopse, mas não consegue largar a sensação estranha que aquele título te dá. Lock e Mori foi assim pra mim. A ideia de uma versão adolescente de Sherlock Holmes não é exatamente original, e a sinopse parece com várias fanfics que existem por aí na internet. Mesmo assim, eu encarei essa leitura com a esperança de que ele me surpreendesse. E de uma certa forma, ele surpreendeu, mas não sei se foi da maneira que eu queria.

Sherlock Holmes, um adolescente brilhante desafia sua colega de escola, a igualmente inteligente James Moriarty a um jogo muito interessante: vence o primeiro a desvendar a série de assassinatos que assombra a cidade de Londres. O jogo só tem uma regra, os dois devem compartilhar um com o outro todas as informações que conseguirem sobre o caso. Mas o que começa como um jogo se transforma em algo muito mais assustador quando Mori descobre que o assassino pode estar ligado ao seu passado

Começando pela escrita, Lock e Mori não é nem um pouco ruim. A narração, feita em primeira pessoa pela Mori, é muito eficaz em entregar os detalhes da história, e ao mesmo tempo passar as emoções e conflitos da história. Outra coisa que a narração consegue fazer muito bem é passar a personalidade da Mori e até mesmo do Lock nas cenas em que eles interagem. Esse livro conseguiu fazer uma coisa que muitos outros livros não conseguem: apresentar dois personagens inteligentes, arrogantes, que ainda assim conseguem ser simpáticos o suficiente para o leitores se afeiçoar a eles. Leia mais

Resenhas 20dez • 2017

A Torre do Terror, por Jennifer McMahon

Poucas experiências na vida de um leitor são mais frustrantes do que quando ele encontra um livro que acerta em quase todos os detalhes, exceto por um. Aquela leitura que atinge quase todas as expectativas, menos uma, e essa uma acaba estragando o resto da leitura. Acabou que A Torre do Terror foi exatamente esse tipo de livro. A leitura de A Torre do Terror me agradou bastante mas poderia ter agradado ainda mais, se não fosse por um ou dois pontos que deixaram um gosto ruim na minha boca.

As irmãs Piper e Margot cresceram junto com a melhor amiga Amy, brincando nos corredores do hotel da família de Amy. Anos depois, já adultas, Piper e Margot não falam com Amy a anos. Mas numa noite sombria, Amy supostamente assassina seu marido e seu filho, deixando apenas sua filha Lou viva. Piper e Margot são então trazidas de volta para dentro das paredes do Hotel da Torre, e precisam lidar com o fato de que talvez algo que habita o hotel ainda assombra suas vidas.

O primeiro ponto positivo do livro é a escrita da Jennifer McMahon, que transporta a gente direto pra dentro da história. Nas mãos de um escritor menos capaz, o enredo que pula entre três momentos diferentes da história dos personagens poderia ter sido confuso, mas a autora soube balancear muito bem os três pontos da história. Principalmente a história de Rose e Syvie, que foi realmente a minha favorita, em grande parte por causa da narração da Rose.

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Resenhas 17dez • 2017

O Gabinete Paralelo, por Maureen Johnson

Atenção: Esta resenha contém spoilers da série Sombra de Londres! Leiam por sua própria conta, tá?!

É sempre difícil falar sobre um livro que não atinge as suas expectativas, mas que também não é tão ruim assim. Principalmente quando esse livro faz parte de uma série que até então vinha te agradando. Eu  não sei dizer exatamente o que eu esperava de O Gabinete Paralelo, mas depois de dois livros que me impressionaram, o terceiro volume da série Sombras de Londres não conseguiu manter o nível que eu me acostumei a receber da série. E eu realmente ainda não consegui definir exatamente porque.

O Gabinete Paralelo continua a história de Rory Deveaux, uma jovem americana que se muda de sua pequena cidade nos Estados Unidos para ir estudar em um colégio interno em Londres. Lá, Rory acaba se envolvendo com uma organização dedicada a investigar atividades paranormais e descobre a habilidade de enxergar fantastas. Agora, após passar por algumas tragédias traumáticas, Rory está diante de uma ameaça ainda maior que todas que já enfrentou. Rory e seus amigos vão precisar mergulhar ainda mais fundo nas sombras de Londres.

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Vamos começar pelos pontos positivos. A escrita da Maureen Johnson continua tão boa quanto esteve nos dois primeiros livros da série. Ela consegue passar muito bem o conteúdo emocional da história e sabe manter um equilibro legal entre as partes mais sérias e as mais divertidas, apesar de eu sentir falta da atmosfera de mistério primeiro livro. E os diálogos são sempre muito bem escritos, principalmente porque fica muito claro que cada personagem tem uma voz característica. Você realmente acaba a história tendo a sensação que conhece cada um dos personagens bem, e isso acrescenta bastante para a história.

“Ouvi um tinir de trincado, e quando me virei, vi a janela  se congelar. Quer dizer, ao menos era o que parecia, como se o gelo tomasse conta do vidro a partir de baixo, mas na verdade, como percebemos um segundo depois, era uma rachadura se expandindo em formato de teia de aranha.”

Rory continua sendo uma boa protagonista e os outros personagens continuam sendo um ótimo elenco de apoio. A única personagem que me incomodou foi Freddie, a nova personagem. Apesar de gostar dela, ela meio que aparece do nada com todas as respostas que os personagens estavam procurando, como se tivesse caído do céu. Mas Bu, Callum e Stephen continuam sendo todos ótimos, e Thorpe acabou sendo bastante agradável como personagem de apoio também.

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Mas infelizmente o livro tem seus pontos negativos. O maior deles, e eu não sei se vou conseguir explicar isso direito, é que ele não parece ser o suficiente. Eu realmente acho que esse livro poderia ter sido uma novella ou uma metade de um ultimo volume mais extenso. O plot vai do ponto A ou ponto B, introduz um ou dois detalhes, emas ada do que ele faz realmente parece importante o bastante para justificar o seu status como terceiro livro da série. Eu vou ter que entrar no território dos spoilers para explicar o porque, então se você não quer spoilers, pule para o fim da resenha.

“Deixei o telefone no balcão de granito e peguei um guardanapo para secar as lágrimas. Tomei um longo gole da garrafinha d’água e a amassei na mão. O silêncio que se instalou sobre nós três depois desse ruído foi um dos mais profundamente perturbadores que já vivenciei.”</div

O que esse livro fez de importante para o enredo da série? Ressuscitou o Steven, ou nem isso já que ele não estava exatamente morto, e introduziu os vilões Sid e Sadie. Só isso. De resto, os personagens estão exatamente no mesmo lugar; Inclusive, estão um pouco pior já que Rory aprende informações importantes durante o livro mas que são basicamente esquecidas no final. Se o livro fosse lançado como uma novella mosrando apenas a história de Sid e Sadie, eu realmente não sentiria tanta diferença. O que mais ele fez? Explicou que Rory é especial porque ela é basicamente um terminal? NÓS JÁ SABÍAMOS DISSO!!!

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O maior problema do livro é o fato de que fica muito claro que ele está apenas fazendo uma ponte até a conclusão da série. Teria sido muito simples concluir a história nesse terceiro livro, mas a autora preferiu introduzir plots novos e esticar essa saga um pouco mais. O resultado é uma tentativa frustrante e cansativa, com um final vago que me deixou com aquela pergunta de “É sério que o livro acaba assim?” na cabeça. E isso nunca é o tipo de reação que você quer ter como final de um livro.

Enfim, é muito estranho chegar ao terceiro livro da série e ter a impressão de que o enredo está enchendo linguiça. O livro inteiro se passa em torno de alguns dias e é realmente essa a sensação que a leitura passa. Apesar de gostar da escrita da Maureen Johnson e dos personagens, O Gabinete Paralelo é o tipo de livro que eu realmente não vou me lembrar daqui a alguns dias. É aquele livro que você precisa ler porque quer chegar ao final da série, mas não te dá aquele suspense de querer muito saber aonde a história vai chegar. Realmente decepcionante.

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Resenhas 05dez • 2017

O Coletor de Espíritos, por Raphael Draccon

No começo desse ano, quando eu estava detalhando as minhas metas de leitura, um dos objetivos que eu coloquei para mim mesmo era de ler mais livros nacionais. E como sempre, eu não consegui ler todos os livros que gostaria, mas eu fiquei realmente feliz de ter a oportunidade de finalmente conhecer o trabalho do Raphael Draccon. Apesar de ter ouvido falar muito das séries Dragões do Éter e Legado Ranger, O Coletor de Espíritos foi a minha introdução aos livros do Raphael Draccon. E olha, foi uma introdução bem positiva.

O livro se passa em Véu-Vale, um pequeno vilarejocercado de lendas sombrias que assombra os moradores em dias de chuva. Gualter Handman, um famoso psiquiatra achou que tinha conseguido escapar das histórias de Véu-Vale quando deixou a cidade na sua juventude, mas ainda ouve os gritos da cidade. Quando recebe a notícia de que sua mãe sofreu um infarto, Gualter precisa retornar a Véu-Vale e encarar de frente todas as figuras sombrias que habitam os cantos do vilarejo, assim como as sombras de seu passado.

Vamos direto ao ponto, O Coleto de Espíritos foi uma leitura muito boa. Eu não tenho como comparar com os outros livros dele, mas se a escrita do Raphael Draccon for tão boa neles como foi nesse livro, eu vou agora mesmo para a livraria. Em cada momento do livro, a narrativa entrega um impacto emocional que fica com o leitor depois de um bom tempo. E consegue fazer isso sem se tornar uma leitura difícil.O livro mantem o equilibro entre os dois extremos muito bem.

Frio. Sussurros. Silêncio. Em Véu-Vale sempre foi assim.

Sem dúvida o maior acerto do livro é a atmosfera. A escrita passa muito a sensação de que alguma coisa está sempre se esgueirando nas sombras de Véu-Vale, e você passa a leitura inteira esperando alguma coisa acontecer, e quando acontece, você sente o impacto. Me lembrou muito os livros do Stephen King, aquela sensação de que você não pode relaxar nem por um segundo, porque alguma coisa vai aparecer para te assurtar. O livro não tem um momento chato, ou lento, todas as partes desempenham muito bem as suas funções.

Os personagens são bem construídos, apesar de a maioria servir mais como apoio para Gualter, que é um ótimo protagonista. O fato de ele ser um terapeuta, e se recusar a largar do lado mais cético da sua mente funciona muito bem, porque nós temos a chance de observar os acontecimentos de Véu-Vale através dos olhos de alguém que está sempre procurando a resposta mais lógica. Então quando ele encontra algo que não consegue explicar, nós sentimos o quanto isso o assusta.

— E o que os monstros fazem nos dias de chuva? Aparecem e perseguem os andarilhos?
— Também, mas essa não é a parte mais assustadora.
— E qual é a parte mais assustadora?
— Quando eles gritam.

A única coisa que eu apontaria como negativa no livro são os diálogos. Apesar de nenhum ser exatamente ruim, alguns deles não me pareceram naturais, e acabaram me tirando um pouco da história. Os melhores momentos do livro são realmente as partes em que a narração carrega o leitor pela história, o livro quase não precisa de diálogos para passar o quanto a cidade de Veu-Vale é aterrorizante. Mas isso pode ser uma questão de gosto mesmo, e não foi o bastante para me desanimar dessa leitura.

No geral, O Coletor de Espíritos foi uma ótima introdução a bibliografia do Raphael Draccon. Essa leitura só reforçou ainda mais o meu desejo por consumir mais literatura nacional, principalmente os outros livros do Draccon, e eu recomendo fortemente esse livro para todos que estão procurando por uma leitura impactante. Não deixem de conferir esse livro porque ele realmente é muito, muito bom.

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