Posts escritos por: Vinicius Fagundes

Literaría 15ago • 2015

Autores que PRECISAM ser publicados no Brasil

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A maioria dos livros que fizeram sucesso no Brasil nos últimos anos foram obras importadas do estrangeiro. Sem desmerecer os autores nacionais (e existem vários autores incríveis aqui no nosso país), a literatura voltada para o público jovem (dos 13 aos 21) parece ainda ser dominada pelos gringos.

Com a Bienal chegando daqui a alguns meses, nós ainda vamos ver vários lançamentos anunciados nesse ano. E apesar de estar super animado com alguns livro já anunciados, existem alguns autores que eu gosto bastante que ainda não tiveram a atenção que merecem das editoras brasileiras.

Aqui vão apenas alguns deles:

Morgan Matson

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Morgan Matson é uma autora de livros de romance adolescente (conhecidos lá fora como contemporary), que faz muito sucesso com o público jovem. Além dos sucessos Amy and Roger’s Epic Detour e Since You’ve Been Gone, ela também escreveu as séries Top 8 e  Broken Hearts and Revenge sob o pseudônimo Katie Finn.

Eu li dois livros da Morgan esse ano, e adorei os dois. Ambos são histórias de romance divertidas e leves, mas que também conseguem despertar emoções fortes nos leitores. E também vale mencionar que a autora é super acessível nas redes sociais, principalmente no Instagram.

Amy and Roger’s Epic Detour conta a história de Amy, uma jovem cuja vida familiar se torna muito mais complicada após a morte de seu pai. A mãe de Amy se muda para o outro lado do país, e programa para que Amy também faça a mudança após o término do ano letivo. O problema é que desde o acidente de carro que matou o pai dela, Amy não consegue dirigir. É então que a mãe dela recruta a ajuda de Roger, filho de uma amiga.

Since You’ve Been Gone é a história de Emily, uma jovem que passa a maior parte do seu tempo na companhia de sua excêntrica melhor amiga, Sloane. Sloane tem o hábito de, sempre que uma delas precisa viajar, deixar para Emily uma lista de tarefas malucas que ela precisa cumprir. Um dia, Sloane simplesmente some, sem deixar rastros. Logo depois, Emily acha entre as coisas dela uma das listas, e decide cumpri-las, na esperança de que isso a leve até Sloane

Kendare Blake

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Kendare Blake é uma autora que me chamou muito a atenção quando eu ouvi falar dela pela primeira vez, um dois anos atrás. O livro de estréia dela Anna Dressed in Blood foi um dos meus livros favoritos no ano em que eu o li, e a continuação Girl of Nightmares foi ainda melhor.

A autora também é responsável pela série Goddess War, que eu ainda não tive a chance de ler, mais pelo que eu li na internet, é cheia de ação e é baseada na mitologia grega. Já fiquei muito afim de ler!

Anna Dressed in Blood é um livro de terror, protagonizado por Cas Lowood, um jovem de 17 anos que têm uma carreira bastante inusitada: ele caça fantasmas. Após alguns anos caçando fantasmas, Cas chega a pequena cidade de Thunder Bay, no Canáda, onde ele pretende enfrentar o maior e mais poderoso fantasma que já viu, a temida Anna Dressed in Blood (Anna vestida de sangue)

Nina Lacour

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Nina Lacour é outra autora de romances adolescentes que faz bastante sucesso lá fora. Eu só tive a oportunidade de ler um dos livros dela, The Disenchantments, mas ouvi falar muito bem dos outros títulos que ela escreveu, principalmente de Everything Leads to You.

The Disenchantments conta a história de Colby, um jovem artista que decide não ir para a faculdade, e invés disso, viajar com a banda de sua melhor amiga Beth em uma turnê pelos Estados Unidos, e depois disso, passar um ano inteiro na Europa com Beth. Mas os planos dele vão pro buraco quando Beth anuncia que entrou pra sua faculdade dos sonhos, e pretender ir logo depois da turnê.

Everything Leads to You conta a história de Emi, uma aspirante a designer de sets, que sonha em trabalhar nas maiores produções de Hollywood. Enquanto busca por uma peça cenográfica, Emi acha uma carta escrita por antigo astro de cinema, Emi encontra uma carta endereçada a uma misteriosa mulher chamada Ava. Emi e sua melhor amiga, Charlotte decidem então tentar encontrar a misteriosa mulher.

Paolo Bacigalupi

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Paolo Bacigalupi é o autor de uma das minhas duologias favoritas, alem de diversos outros livros. Os livros de Paolo costumam ser focados em um tom distópico, com bastante foco ao problemas ambientais. Ship Breaker e sua continuação Drowned Cities, por exemplo, se passa em um futuro em que as calotas polares derreteram e o nível do mar elevou-se.

Ship Breaker conta a história de Nailer, um dos diversos jovens que passa seus dias removendo partes de navios naufragados, esperando uma oportunidade de melhorar sua condição de vida. Até que um dia, após uma tempestade, Nailer encontra Nita, a filha de um rico empresário entre os restos de um transatlântico de luxo.

Esses são alguns dos autores que, eu acho, merecem terem suas obras trazidas para o público brasileiro. E vocês, conhecem algum autor que você gostaria de ver fazendo sucesso por aqui?

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Resenhas 11ago • 2015

Supernova – O Encantador de Flechas, por Renan Carvalho

Escrito por Renan Carvalho, e publicado pela Editora Novas Páginas, Supernova – O Encantador de Flechas é um livro de fantasia nacional, que combina elementos fantásticos a uma história de revolução empolgante. O livro conta a história de Leran, um jovem arqueiro que, através dos ensinamentos de seu avô, aprende a aperfeiçoar suas habilidades mágicas.

A vida de Leran se torna muito mais complicada, quando ele se vê no meio de uma revolução. Acigam, a cidade onde Leran vive, é controlada por um governo que abomina os magos – os praticantes das ciências mágicas. Por considerarem os magos uma ameaça, o governo emprega o serviço de uma força policial especializada, os chamados Silenciadores. A situação fica ainda mais perigosa quando os magos decidem revidar.

Logo atrás, guardas armados tentam acertá-las com tiros. Enxergo as rajadas passando e fico paralisado. Um dos fugitivos para de correr em meio ao tiroteio, vira-se para os soldados e levanta uma das mãos. Meus olhos permanecem arregalados enquanto um fluxo de energia se forma ao redor de seu braço.

O livro é divido em três partes. A primeira, narrada por Leran, serve como introdução para o mundo em que a o livro é centrado e também como uma forma de introduzir um pouco da história da cidade de Acigam. Leran é um narrador interessante, que oferece muitos detalhes sobre o mundo e a história a sua volta, por mais que as vezes, eu tenha achado a narrativa um pouco dispersa.

Eu não posso falar muito sobre a segunda e a terceira partes do livro, porque não quero dar spoiler pra ninguém. Mas basta falar que a narrativa melhora muito ao longo do livro. A segunda parte, que é narrada por outro personagem, foi a minha favorita.

Tenho que dar destaque para as cenas de ação do livro. Com certeza, foram algumas das melhores cenas de ação que eu já vi em um livro nacional. Empolgantes, cheias de adrenalina, parecia que eu tava lutando junto com os personagens. Sem dúvida, um dos fatores mais legais do livro.

O enredo é bastante envolvente, e é muito legal ver a história se desenrolar ,tanto a evolução pessoal dos personagens quanto a da guerra que ocorre entres os magos e o governo. Eu não consegui largar o livro, de tanto que eu queria saber o que acontecia depois.

o encantador de flechas
Leran é o personagem principal da história, mas o livro também conta com vários outros personagens legais. Luana, a irmã mais nova de Leran, Judra, uma garota com quem Leran se envolve, e Galek e Boom, jovens magos e membros do grupo que se opõe ao governo, são todos ótimos personagens coadjuvantes.

No ínico do livro, Leran é um pouco entediante. Afinal, até este ponto, ele ainda é só um adolescente normal. Mas ao longo do livro, ele se torna um personagem muito mais marcante, e se transforma no tipo de protagonista que dá vontade de continuar acompanhando.

A minha personagem favorita no livro, sem dúvida, é a Judra. Eu não posso entrar muito em detalhes, porque como eu já disse, sem spoilers, mas ela foi a maior surpresa que eu tive com esse livro. Pela forma que ela é introduzida na história, eu esperava que ela fosse ser apenas o par romântico de Leran, mas ela superou bastante as minhas expectativas.

Os outros personagens, como a família de Leran e os outros magos, são muito legais. Luana e Bretor, avô de Leran, são ótimos personagens de apoio. E Galek, Mael, e Boom, jovens magos e membros do grupo de oposição, são divertidos de acompanhar, e protagonizam algumas das melhores cenas de luta do livro.

Tenho a impressão de que minha mãe sabe sobre a rebelião também. Pior.. quando ela diz “eles”, refere-se aos silenciadores. Como ela sabe disso?

O livro é muito envolvente, e a narrativa, apesar de um pouco confusa em certos pontos, ajuda a transportar ainda mais o leitor para esse mundo fantástico e empolgante. Eu já falei algumas vezes em outras resenhas, mas vale repetir que é sempre muito animador ver que existem livros nacionais com uma proposta mais fantástica.

o encantador de flechas

Supernova: O Encantador de Flechas é uma ótima adição pra essa lista de livros de fantasia nacionais. Espero que o segundo livro não demore muito pra sair, pois já estou me mordendo de ansiedade.

Se você gosta de histórias repletas de magia e de ação, centrados em um ambiente com uma história intrigante e envolvente. não deixe de conferir esse livro. Garanto que não vão se decepcionar.

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Cinema 24jul • 2015

Cidades de Papel

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Após o sucesso esmagador de A Culpa é das Estrelas, os estúdios de Hollywood acordaram e perceberam que: livros de John Green + adaptação pro cinema = montanhas de dinheiro. Na mesma época do lançamento de ACEDE,o autor anunciou que o próximo livro dele a fazer a transição pro cinema seria Cidades de Papel, e milhões de fãs ao redor do mundo comemoraram.

Os direitos de adaptação do livro haviam sido comprados em 2008, e desde então o autor já havia expressado dúvidas se o filme iria ou não ser feito. Ele chegou, inclusive, a dizer que os produtores estavam insatisfeitos com o roteiro, que o próprio John Green tinha escrito. Enfim, 7 anos depois, para o alivio de todos os nerfighters, Cidades de Papel chegou aos cinemas, em Julho de 2015. Mas será que o filme fez jus ao livro?

Na minha opinião, sim. O filme conseguiu passar perfeitamente a mensagem e a história geral do livro. Os livros do John Green dão boas adaptações porque as histórias deles não são tão complicadas, o que permite que o dialogo e as interações entre os personagens brilhem. Cidades de Papel fez isso muito bem.

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Pra quem ainda não conhece, Cidades de Papel conta a história de Quentin, ou Q (Nat Wolf), um adolescente que é, desde criança, apaixonado por sua vizinha, Margo Roth Spiegelman (Cara Delevigne). Depois de anos sem se falarem, Margo aparece na janela de Q no meio da noite, pedindo a ajuda dele para realizar um plano de vingança. Após passarem a noite pregando peças, Q e Margo se despedem e ele vai dormir, acreditando que no dia seguinte, o relacionamento dos dois vai avançar pra algo mais romântico. Em vez disso, no dia seguinte, Margo desaparece.

Tanto Q quanto Margo são muito bem retratados no filme. Nat e Cara são bons atores e o roteiro favorece muito bem a atuação dos dois. Nat já tinha mostrado que era bom ator em ACEDE, e a estreia de Cara como atriz me satisfez muito, e aumentou as minhas expectativas pra Esquadrão Suicida.

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Os outros personagens são ótimos, também. Ben e Radar, amigos de Q, interpretados pelos relativamente desconhecidos Austin Abrams e Justice Smith, são muito divertidos, e as cenas com os três juntos são as partes mais engraçadas do filme. E as meninas Lacey (Halston Sage) e Angela (Jaz Sinclair) são muito legais, e eu fiquei muito feliz de os papeis das duas serem maiores no filme em comparação com o livro.

A história em geral é fiel ao livro, apesar de algumas mudanças. Além da já mencionada ampliação dos papeis das meninas, a mudança mais notável é o fato de que um dos locais principais em que a história se passa no livro não está no filme: o parque aquático Seaworld. Um dos produtores do filme explicou que essa exclusão se dá graças ao documentário Blackfish. Lançado em 2013, o documentário (que é ótimo) expôs as condições desumanas as quais os animais do parque são sujeitados, e temendo um boicote, os produtores do filme acharam melhor não incluirem o parque no filme. Compreensível, né?

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No geral, mais uma ótima adaptação pra um ótimo livro. A adaptação de Quem é Você, Alaska? já foi anunciada, e eu estou muuuuito ansioso, afinal é o meu livro favorito do John Green. Resta aguardar…

Resenhas 20jul • 2015

A Profecia de Samsara, por Leticia Vilela

Escrito por Leticia Vilela e publicado pela editora Gutenberg, A Profecia de Samsara é uma história de fantasia, que combina uma mitologia complexa com um plot de vingança épico. O livro conta a história de Arjuna, o jovem príncipe do clã dos Devas, seres mágicos que se mantem vivos a partir da energia mágica emanada pelos humanos.

Após o assassinato de seu irmão, Arjuna começa uma busca incessante por vingança, e persegue a principal suspeita do crime, que por acaso é Drapaudi, a mestra e mentora de seu irmão. Draupadi, sem ter como se defender das acusações, foge acompanhada de Asti, uma humana que considera como filha, que esconde um segredo que pode abalar completamente o mundo mágico que habitam.

Viu-a depositar com cuidado o envoltório em uma cama, e descobrir os panos que envolviam seu conteúdo. Quando ele foi exposto, Arjuna sentiu um arrepio na espinha. Eram pedaços de uma estátua humana, feita de vidro negro. E ele sabia que era isso que acontecia quando os Devas morriam: eles se transformavam em vidro. Se esse vidro quebrasse, a morte era irreversível.

A narração do livro é compartilhada por três personagens diferentes. Arjuna e Asti passam a maior parte do livro revesando capítulos, e ocasionalmente, um capítulo é narrado por Naguendra, Reguente dos Nagas, raça de criaturas místicas que são metade cobra, e um dos antagonistas da história.

Essa mistura de narração ajuda bastante o enredo do livro. Arjuna, Adris e Naguendra tem vozes bastante distintas, e todos contribuem bastante para o andamento da história. Os capítulos de Adris foram os meus favoritos, pois são neles onde acontece a maior parte da exposição do mundo dos Devas, já que ela é a que menos conhece o mundo. Foi uma experiência legal conhecer esse mundo com ela.

A Profecia de Samsara

A caracterização dos personagens também é muito bem feita. Arjuna é um protagonista envolvente, determinado e orgulhoso, beirando na prepotência as vezes. Sem querer dar spoilers, o personagem dele cresce bastante ao longo do livro, e foi muito interessante acompanhar essa evolução.

Adris também tem uma evolução muito interessante. No início da história, ela é uma menina indefesa e assustada, sempre protegida pela mãe. Ao logo do livro, ela se torna uma moça confiante e poderosa. Gostei bastante da personagem dela, sem dúvida minha favorita no livro.

Refeita, pensou se não deveria ir atrás de Draupadi, mas não tinha a menor ideia de onde ela poderia estar ou mesmo qual era sua aparência agora, sob o disfarce de alguma de suas inúmeras escultura de luz.

A história no geral é bastante elaborada. Eu nunca tinha lido um livro centrado no Oriente Médio antes, e foi super legal conhecer uma história passada nesse ambiente. A mitologia do livro é bastante complexa, as vezes um pouco demais. As primeiras dez páginas do livro são dedicadas a explicar a mitologia e o mundo do livro, com mapas, glossário e linha do tempo da história do pais do Devas.

Outro detalhe super legal do livro é que cada capítulo vem acompanhado de uma ilustração linda e detalhada. A própria autora é uma das artistas creditada pelas ilustrações e ela está de parabéns, ficaram realmente incríveis. As ilustrações ajudam a criar a atmosfera geral do livro.

A Profecia de Samsara
A Profecia de Samsara é um dos livros nacionais mais maneiros que eu já li. É o tipo de livro que eu quero ver mais na literatura nacional, cheio de mitologia e de elementos fantásticos, e centrado em uma terra exótica e intrigante. Com certeza, recomendo pra vocês.

Resenhas 16jul • 2015

Vango – Entre o Céu e a Terra, de Timothée De Fombelle

Vango Entre o Céu e a Terra é uma ficção histórica escrita pelo autor francês Timothée de Fombelle, publicada no Brasil pela Editora Melhoramentos. Primeiro volume de uma duologia, o livro conta a história de Vango, um jovem com um passado misterioso que é acusado de assassinato e forçado a se tornar um fugitivo, no mesmo dia em que se tornaria padre.

Vango havia subido os poucos degraus do palanque. Um bando de crianças do coro se dispersou aos gritos à sua passagem. Os policiais tinham a sensação de atravessar o pátio de uma escola. A  cada passo, tropeçavam numa criança ou recebiam uma cabeçada no estômago.

Centrado nos anos entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundiais, o livro conta de forma não cronológica, através de flashbacks e narrações, a história de Vango, um garoto de 19 anos, que após ser encontrado nos restos de um barco naufragado quando ainda era um bebê, passa a viver como um nômade, atravessando diversos países do continente europeu. No dia de sua ordenação, Vango se vê acusado de matar seu protetor, o padre Jean.

Vango

O enredo é contado em terceira pessoa, de forma não cronológica, passando por várias décadas das vidas dos personagens, que dividem a narração do livro. Apesar de ser o personagem principal, Vango é um dos que menos aparece na história. Ele serve mais como um ponto de ligação entre os diversos personagens. O livro também conta com a presença de Ethel, uma jovem que teve sua adolescência marcada pela presença de Vango; o Delegado Boulard, policial responsável pela captura de Vango; o Padre Zéfiro, homem que tem uma grande influencia na vida de Vango; entre outros.

Ele notou um pouco de tristeza disfarçada na voz dela. E Boulard, que não conseguia deixar de analisar tudo, viu que ela não mentia. Ela não conhecia aquele seminarista escalador de catedrais – não reconhecia o Vango que se revelara naquele dia – porém Boulard percebeu que certamente ela o conheceu em outros tempos.

A narração do livro é muito interessante, bastante rica em detalhes e cheia de informações históricas sobre o período das grandes guerras mundiais. Eu acho que nunca li um livro de ficção tão rico em fatos históricos. Fica bem óbvio o nível de pesquisa que o autor deve ter feito.

Os personagens são todos incríveis e muito bem escritos. Eu realmente não consegui escolher um favorito, todos são incrivelmente bem caracterizados e realistas. Parecia que cada um poderia ter um livro só pra eles, de tão interessantes que eles são.

O enredo é bastante complexo, e tem muitas reviravoltas surpreendentes. O mistério do passado de Vango, que eu imagino vai ser mais explicado na continuação do livro, é uma ótima forma de agarrar a atenção de leitores mais jovens, enquanto também os informa sobre fatos e acontecimentos históricos. Eu nem quero contar muito sobre a história nessa resenha pra não estragar o suspense pra quem for ler o livro.

O aspecto mais legal do livro é como ele consegue misturar a ficção com a realidade. O enredo do personagem fictício Vango acaba se enrolando com os acontecimentos reais da época em que o livro se passa, inclusive contando com aparições de figuras históricas como Hugo Eckener (capitão do dirigível Graf Zeppelin), Joseph Stalin e até mesmo Adolf Hitler.

Vango

Outro destaque do livro vai para a diagramação, que é muito linda. A ilustração da capa, a cor da fonte e dos detalhes das páginas, o livro todo é visualmente incrível e isso torna a leitura muito mais agradável. A Editora Melhoramentos está de parabéns pela atenção aos detalhes.

O livro é um dos melhores que eu li esse ano, talvez até em toda a minha vida. Como eu já tinha dito, o conteúdo histórico, a escrita formidável e o enredo intrigante colocaram esse livro no topo da minha lista de recomendações. Se você gosta de história e de livros cheios de suspense, não deixe de conferir! Espero ansiosamente a continuação e aproveito pra deixar registrado a minha súplica pelo outros livros do Timothée De Fombelle, que já entrou pra minha lista de novos autores favoritos.

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Resenhas 08jul • 2015

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo, de Rachel Cohn e David Levithan

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo é uma ficção norte-americana co-escrita pelos autores Rachel Cohn e David Levithan e publicada no Brasil pela Editora Galera Record. O livro conta a história de Naomi e Ely, dois adolescentes nova-yorkinos que melhores amigos desde a infância. Naomi é apaixonada por Ely e sonha em ter sua primeira vez com ele. Mas, infelizmente pra ela, Ely é gay.

Para evitar possíveis situações desagradáveis e proteger a amizade dos dois, eles montam uma lista de caras que nenhum dos dois pode beijar, não importa o quanto queiram. A lista (que inclui nomes como Gabriel, o porteiro gato do prédio deles), funciona muito bem e Naomi e Ely vivem em perfeita harmonia. Até o dia fatídico em que Ely beija Bruce, o namorado de Naomi. E é aí que as coisas se complicam.

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo

Naomi e Ely, que até esse momento, não passavam nem uma hora sem conversar, simplesmente param de falar um com o outro e começam a se evitar completamente. E é nesse momento de silencio mutuo que ambos começar a refletir sobre a amizade dos dois, e sobre si mesmos.

O livro é narrado em primeira pessoa, por vários personagens. Naomi e Ely são os narradores principais, mas o livro também conta com capítulos narrados por Bruce Primeiro (ex-namorado de Naomi), Bruce Segundo (namorado atual de Naomi, aquele que o Ely beijou), e Robin (amiga de Naomi).

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo

Os capítulos narrados por Naomi deixam obvio que a razão por ela ter ficado magoada pelo beijo é mais direcionada aos ciúmes que ela tem do Ely, do que pela traição do namorado. Ely, por outro lado, explica nos capítulos dele que os sentimentos que ele tem por Bruce Segundo são mais fortes do que ele jamais teve por nenhum namorado que ele tenha tido antes.

O interessante sobre a variação de narradores é que cada personagem apresenta um elemento diferente a história, pois eles enxergam os acontecimentos do enredo e os personagens envolvidos com pontos de vistas diferentes.

A narração da Robin, por exemplo, resalta ela percebendo que a Naomi não se permite sentir emoções profundas, preferindo guardar tudo pra si. Isso é bastante falado também quando Naomi reflete sobre o divórcio dos pais. É uma forma interessante de explorar os personagens por mais de uma perspectiva, e valoriza bastante os diálogos, que são um dos pontos mais fortes do livro.

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo

Os personagens são muito bem escritos, e é legal observar que as características deles são retratas de forma bastante realista. Tanto Naomi quanto Ely apresentam qualidades e defeitos, e ambos são bem explorados no enredo. Naomi começa o livro como uma garota egoísta e emocionalmente fechada. Ao longo da história ela amadurece bastante, e é uma evolução legal de se observar.

Ely, por outro lado, começa a historia um tanto quanto solitário. Nos capítulos dele, ele fala que antes de ficar com Bruce Segundo ele nunca tinha tido um relacionamento sério, somente casos temporários. No fim do livro, ele parece bem mais resolvido emocionalmente.

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo

É muito bom ver personagens que apresentam defeitos e ver esses defeitos serem explorados no enredo. No fim do livro, dá uma sensação boa ver como os dois amadureceram e, sem dar spoiler, parecem mais felizes. O foco do livro é sem dúvida a amizade de Naomi e Ely. Os casos amorosos dos dois tem destaque também, mas o principal conflito da história é se a amizade dos dois vai sobreviver.

Na minha opinião, quase dá alívio ver um livro direcionado a um público jovem dando uma importância tão grande para um relacionamento entre dois amigos, já que o gênero parece um pouco sobrecarregado de romance. (Não que romance também não seja legal, mas é bom ter uma variedade.)

No geral, Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo é mais um ótimo resultado da parceira entre Rachel Cohn e David Levithan. Se você curte livros adolescentes, diálogos divertidos, e personagens fáceis de se identificar, não deixe de ler esse livro.

(P.S.: Quem eu preciso matar pra convencer a Galera Record a lançar Dash and Lily’s Book of Dares, lançar uma edição nova de Nick e Norah, e fazer um Box style, com as capas combinando?)

Cinema 27jun • 2015

The Duff

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Parece que toda década tem um filme que se torna um clássico para os adolescentes. As Patricinhas de Beverly Hills, Meninas Malvadas, 10 Coisas que Eu Odeio em Você, etc. Filmes que retratam o quanto complicada e dramática essa época da vida pode ser.

Mas parece que nos últimos anos, (de 2010 pra frente, pra ser mais específico) nós ainda não tivemos esse filme (A Mentira e A Escolha Perfeita chegaram perto), que se insere na cultura pop de forma tão marcante, que tem frases memoráveis pra sempre repetidas por anos e anos.

The Duff, baseado no livro de mesmo nome da autora americana Kody Keplinger poderia ter sido esse filme, se não fosse por algumas pequenas falhas.

Tanto o filme quanto o livro contam a história de Bianca (Mae Whitman), uma garota inteligente e sarcástica que cursa o último ano do colegial com suas amigas Jess e Casey (Skyler Samuels e Bianca A. Santos), e com o detestável e mulherengo Wesley (Robbie Amell), capitão do time de futebol e garoto mais popular da escola. Após uma conversa desagradável com Wesley, Bianca se dá conta que é a Duff (Designated Ugly Fat Friend, ou Designada Amiga Gorda e Feia) do seu grupo de amigas.

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As semelhanças no enredo terminam por aqui. No livro, Bianca supera o rótulo de Duff relativamente rápido. Afinal, ela tem coisas mais importantes pra se preocupar como o alcoolismo do pai, o fato da mãe ter largado os dois e fugido para outro estado, e o retorno de seu ex-namorado que tambem é irmão de uma de suas melhores amigas.

No filme, por outro lado, Bianca não aceita o fato de ser rotulada como a amiga gorda e feita (não tem como aceitar mesmo, né gente?) e recruta a ajuda de Wesley, para que ele a ajude a se transformar em uma garota mais bonita e popular.

As diferenças entre o livro e o filme são bem gritantes. Além da já citada atitude de Bianca em relação ao rótulo de Duff, o filme tem um tom completamente diferente, transformando a história, que em certos momentos do livro é bastante dramática, em uma comédia romântica. É uma mudança compreensível, levando em conta o público alvo do filme, mas na minha opinião, os filmes adolescentes de décadas atrás já tratavam de temas mais pesados. Porque hoje em dia tem que ser diferente?

Outra mudança que foi feita para o filme é a inclusão de uma nova personagem, a futura celebridade e rainha da escola Madison Morgan (Bella Thorne). A personagem representa muito bem um dos maiores problemas que eu tive com o filme. A narração reutiliza muitos dos já conhecidos clichês do cinema adolescente. A menina popular, o capitão do time de futebol, a transformação da garota esquisita, o baile onde tudo acontece. São elementos que já vimos várias vezes, em vários outros filmes.

Por outro lado, se os elementos do filme são clichês, o roteiro é bastante novo e divertido, principalmente os diálogos entre Bianca e Wesley. A química entre os dois ficou muito aparente na tela e foi, sem dúvida um dos pontos altos do filme.

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Outra coisa que me incomodou um pouco, e talvez seja só eu, é o jeito que o filme utiliza a internet. A constante menção de aplicativos e redes sociais parece datar o filme, e daqui a alguns anos quem assistir o filme pode não conhecer nenhum dos nomes citados. (Meio como a gente fica quando algum filme feito antes de 2005 fala do MySpace.)

Por fim, The Duff é uma daquelas raras situações em que eu gosto tanto do livro quanto do filme. Se você estiver afim de uma história dramatica e emocionante, eu sugiro que leia o livro. Mas se quiser passar uma tarde divertida e bem humorada, o filme foi feito pra você

Cinema 27Maio • 2015

Shadowhunters x Cidade dos Ossos

Shadowhunters

Quando anunciaram que finalmente a série Instrumentos Mortais, da autora Cassandra Clare, ia ser adaptada para o cinema, eu fiquei muito feliz. Pensei: “Uma das minhas séries favoritas, cheia de ação e mitologia, só pode dar um filme incrível!” Ledo engano. Infelizmente, o filme foi uma decepção, principalmente por causa do roteiro fraco.

Enfim, mais uma adaptação literária decepcionante. Não foi a primeira e nem seria a última. (Né, Insurgente?) Fim de papo, né? Não, não é. Em Outubro de 2014, foi anunciado que, em vez de continuarem a série no cinema, seria produzida um série de televisão, a ser exibida pelo canal ABC Family, o mesmo de Pretty Little Liars. E nas ultimas semanas, finalmente tivemos notícias em relação ao elenco.

Mas será que o elenco da série será melhor do que o do filme foi? Vamos ver:

Shadowhunters

Jocelyn Fray e Luke Garroway foram interpretados, respectivamente, por Lena Headey e Aidan Turner. Ambos fizeram um ótimo trabalho, principalmenet Lena, e eu realmente não esperava menos da atriz que trás Cersei Lanister a vida, né?

Os atores escalados para a série foram Maxim Roy como Jocelyn e Isaiah Mustafa como Luke. Pra ser sincero, eu nunca vi nenhum trabalho dos dois. Maxim é uma atriz canadense, então os filmes e séries que ela já fez são mais conhecidos por lá. Isaiah, por outro lado já fez participações em séries como Chuck e Castle, mas o seu trabalho mais conhecido é o comercial do desodorante Old Spice que bombou na internet anos atrás.

Em se tratando de aparências, os dois me agradaram. Maxim é mais convincente como mãe de uma adolescente do que Lena, e Isaiah tem o porte físico para aguentar as cenas de ação e Luke. Por fim, de boa com os dois.

Shadowhunters

O grande vilão da série, Valentine Morgensten, foi interpretado no cinema pelo ator Jonathan Rhys Meyers. Apesar de acha-lo um grande ator (principalmente na série de sucesso, The Tudors), eu não curti a interpretação dele no filme, em parte por causa do roteiro.

Na série, Valentine será interpretado pelo ator Alan van Sprang. Mais uma vez, eu nunca vi nenhum trabalho dele. Mas no que se trata de aparência, me agradou bastante. Ele tem cara de vilão, cara!

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Alec Lightwood foi interpretado no filme pelo ator Kevin Zegers, e será interpretado na série pelo relativamente desconhecido Matthew Daddario (irmão da atriz Alexandria Daddario). Assim como 80% do elenco da série, eu não conhecia nenhum dos dois antes deles se envolverem com os projetos. No que se diz respeito a aparência, eu prefiro Matthew ao Kevin, simplesmente pelo fato de que o Matthew me convence mais no papel de um adolescente.

Shadowhunters

Isabelle Lightwood, uma das minhas personagens favoritas nos livros, foi interpretada no cinema pela atriz Jemima West, e será interpretada na série pela atriz e modelo Emeraude Toubia.

Isso já tá ficando chato, mas, mais uma vez, eu não conhecia nenhuma das duas. Os papeis de maior destaque de Jemima foram no cinema francês, e Emeraude é mais conhecida pelos seus papéis na televisão no México. No que se trata de aparência, as duas são muito lindas e isso é uma exigência pra qualquer um interpretando Isabelle.

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Magnus Bane, de longe o meu personagem favorito, foi interpretado no cinema pelo ator Godfrey Gao, e será vivido na série pelo ator e dançarino Harry Shum Jr. Eu conheço Harry pelo seu trabalho na série Glee, mas não conheço o trabalho de Godfrey, pois ele é mais conhecido pelos seus papéis em filmes asiáticos.

Magnus foi minha maior decepção no filme. Godfrey não trouxe nada do humor ácido e do carisma que Magnus tem nos livros. Na maior parte do tempo, parecia que ele estava lendo as falas em um teleprompter. Eu gosto da atuação de Harry em Glee, mas não sei se ele tem o carisma necessário pra viver um personagem como Magnus. No que se trata de aparência, gosto de Harry no papel, mas Godfrey ainda é a imagem perfeita do que eu imaginava Magnus quando li o livro.

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Simon Lewis, mais um dos meus personagens favoritos, foi interpretado no cinema pelo ator britânico Robert Sheehan (até que enfim alguém que eu conheço!), famoso por estrelar na série de ficção cientifica inglesa, Misfits. Na série de TV, Simon será interpretado pelo novato Alberto Rosende.

Robert fez um ótimo trabalho com Simon, acertando em cheio o humor sarcástico do personagem. Como não conheço o trabalho de Alberto, por enquanto, só posso julgar pela aparência, e acho que ele vai fazer um bom trabalho, apesar de acha-lo um pouco forte demais para o personagem.

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Jace Wayland, outra das minhas decepções com o filme, foi interpretado pelo ator britânico Jamie Campbell Bower. Na série, será vivido pelo também britânico Dominic Sherwood. Eu já conhecia os dois (olha que milagre!), Jamie pelo filme Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet e pela Saga Crepúsculo, e Dominic pela adaptação de Academia de Vampiros. No que se trata de aparência, prefiro Dominic, somente pelo fato dele ser mais bonito.

A atuação de Jamie foi um dos maiores problemas que eu tive com o filme. Eu sei que o roteiro não deve ter ajudado, mas ele não mostrou nem um pingo do censo de humor do Jace. Dominic, eu acho, vai fazer um trabalho melhor, afinal ele se saiu muito bem interpretado o papel de Christian no filme de Academia de Vampiros.

Shadowhunters

E por fim, chegamos na protagonista da história, Clary Fray. No filme, Clary foi interpretada pela atriz Lily Collins, e na série, será vivida por Katherine McNamara. Na aparência, as duas se encaixam bem no papel, Katherine talvez um pouco mais.

A atuação de Lily foi boa, mas não foi incrível. Eu não conheço muito do currículo de Katherine (o papel de maior destaque dela será na sequencia de Mazer Runner, que estreia este ano), mas estou otimista.

Por fim, vamos ter que esperar mais um pouco pra saber como a série será realmente, mas eu gosto deste elenco. Shadowhunters começou a filmar neste mês, no Canadá e ainda não têm previsão de estréia na TV.

Cinema 18abr • 2015

Insurgente

Insurgente

Depois da onda de romances sobrenaturais (Crepúsculo, Vampire Diaries, True Blood, etc), a próxima grande onda de adaptações literárias foi, sem dúvida, a de distopias. O maior sucesso foi, é claro, a série Jogos Vorazes, e logo depois, outras obras também foram levadas para o cinema.

No mesmo ano, tivemos nada menos que 4 filmes baseados em livros distópicos nos cinemas. Além do terceiro filme da série Jogos Vorazes, A Esperança – Parte 1, contamos também com O Doador de Memórias, Maze Runner: Correr Ou Morrer, e Divergente, esse ultimo que também se mostrou um grande sucesso, rendendo milhões de dólares em bilheteria e levando o estúdio a produzir uma sequencia, que estreou agora em 2015, além do anuncio de que o ultimo livro seria divido em 2 filmes (Que surpresa, né?).

Divergente sempre foi bastante comparado com Jogos Vorazes, e as duas séries compartilham de algum elementos em comum, como a divisão da população em grupos, o tom revolucionário, e o fato de ambas as protagonistas serem garotas adolescentes. As comparações ficaram ainda mais gritantes depois da estréia de Divergente, afinal, o tom e visual do filme eram bastante similares ao que Jogos Vorazes vez, 2 anos antes.

Deixando as comparações de lado, A Série Divergente: Insurgente teve sua estreia em Abril de 2015, e, até o presente momento, já rendeu mais de 100 milhões de dólares de bilheteria. Após assistir o filme, devo admitir estar decepcionado.

Pra explicar melhor meu desgosto com o filme, vamos olhar os pontos positivos e negativos:

Positivo: As cenas de luta

Insurgente

As cenas de luta foram muito legais, melhores do que no primeiro filme. É possível ver claramente como Tris (interpretada por Shailene Woodley) se tornou uma lutadora capaz e habilidosa, deixando pra trás a iniciante fraca do primeiro filme. Quatro (interpretado por Theo James) continua badass como sempre.

Negativo: Os efeitos visuais

Insurgente

Infelizmente, os efeitos visuais do filme não foram dos melhores. Diversas vezes, as cenas ficavam poluídas demais, principalmente nas cenas de simulação,ou de sonhos. Ao que me parece, os efeitos foram produzidos levando em conta o elemento 3d do filme, mas o resultado ficou um tanto quanto video game demais.

Negativo: O roteiro

Insurgente

Uma reclamação frequente entre os fãs de livros que são adaptados é que o filme não se manteve fiel à estória do livro. Os roteiristas de Insurgente aparentemente decidiram ignorar completamente o enredo do livro, e escreveram uma versão toda nova. Decepcionante.

Positivo: Os personagens

Insurgente

Apesar da falta de nexo do roteiro, os personagens não ficaram tão ruins assim. Caleb, Peter e Uriah (interpretados, respectivamente por Ansel Elgort, Miles Teller e Keiynan Lonsdale) foram os meus favoritos. Só achei estranho que outros personagens importantes da série foram totalmente esquecidos pelo fime (Christina quem? Marcus quem? Tori quem?).

Pra concluir, Insurgente é um exemplo perfeito do tipo de adaptação que irrita os fãs. Sem nenhum cuidado com o enredo, escrito de forma preguiçosa e somente com a intenção de fazer dinheiro. Não é a pior adaptação que eu ja vi (*cough*Percy Jackson*cough*), mas está longe de ser uma das melhores.

Resenhas 14abr • 2015

O Mago de Camelot, por Marcelo Hipólito

Camelot_03O Mago de Camelot – A Saga de Merlin para Coroar um Dragão é um livro nacional de ficção fantasiosa publicado pela Editora Novos Talentos em 2013. O livro, escrito pelo autor Marcelo Hipólito, retrata a historia do lendário Rei Artur, desde antes de sua acensão ao trono da Inglaterra, pelos olhos de seu amigo e confidente, o famoso mago Merlin.

O livro nos apresenta Merlin ainda garoto, como um jovem ladrão de rua. Após ser capturado, Merlin e seu irmão, Nennius são vendidos como escravos para Blaise, um druida a serviço de Vortigern, usurpador da coroa. Blaise pretende sacrificar os dois jovens em um ritual, mas após matar Nennius, têm uma visão do futuro de Merlin e decide poupá-lo e torna-lo seu aprendiz. Merlin aceita, mas declara que um dia pretende matar Blaise como vingança.

– Eu não compreendo… Por que você me ajudaria contra si próprio – perguntou Merlin.
– Porque eu vi o futuro escrito pela Natureza no sangue de seu irmão – revelou Blaise. – Você tem um destino belo e terrível. E cabe a mim ajudá-lo na sua realização, pois sou um druida, assim como você o será, caso aceite minha oferta.

Camelot_01

O maior ponto positivo do livro é, sem dúvida, o personagem principal. Merlin é retratado como um homem calculista e manipulador, mas que faz de tudo para o bem do reino e de seu governante. Me lembrou muito os personagens das Crônicas de Gelo e Fogo, principalmente o Meio Homem, Tyrion Lannister.

Apesar do título, Merlin não é o único personagem de importância no livro. Além dele, também narram partes da historia Artur, e sua meia irmã e principal antagonista, a feiticeira Morgana. Pra ser sincero, eu gostaria que o autor tivesse se aprofundado mais em certos pontos dos personagens, principalmente o relacionamento entre Merlin e Morgana.

Camelot_02

Apesar de curto, o livro é muitíssimo bem escrito. As cenas de batalha são cheias de adrenalina e de emoção, não devendo nada para obras mais famosas de fantasia. Por outro lado, a narração acaba deixando um pouco a desejar. Talvez se o livro fosse mais longo, ou se houvesse uma continuação, o autor poderia ter dedicado mais tempo a certos aspectos da história.

Por fim, eu recomendaria esse livro aos fãs dos épicos de fantasia, como As Crônica de Gelo e Fogo, ou Eragon. O Mago de Camelot é uma história empolgante e uma ótima adição ao crescente número de literaturas fantásticas nacionais.

Cinema 21mar • 2015

Cinquenta Tons de Cinza

Cinquenta Tons de Cinza

Diretora: Sam Taylor-Johnson
Gênero: Erótico, Drama, Romance
Lançamento: 2015
Nota: 2
Sinopse: Anastasia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante de literatura de 21 anos, recatada e virgem. Uma dia ela deve entrevistar para o jornal da faculdade o poderoso magnata Christian Grey (Jamie Dornan). Nasce uma complexa relação entre ambos: com a descoberta amorosa e sexual, Anastasia conhece os prazeres do sadomasoquismo, tornando-se o objeto de submissão do sádico Grey.

Nos últimos anos, poucas séries literárias levantaram tanta controvérsia quanto a trilogia Cinquenta Tons de Cinza. Além do conteúdo erótico da série, muito se falou sobre a natureza do relacionamento dos personagens principais, Anastacia e Christian, e sobre a origem da historia, originalmente uma fanfic da Saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer.
Apesar de todas as críticas, Cinquenta Tons de Cinza conseguiu reunir uma fanbase impressionante, e logicamente, logo foi anunciada uma adaptação cinematográfica. O processo de produção do filme foi tão conturbado quando o do livro. Inúmeras mudanças de elenco, vários protestos de grupos de apoio a mulheres, e supostas brigas entre a autora e a diretora do filme.

Por fim, o filme finamente chegou aos cinemas em Fevereiro de 2015. Após assistir ao filme, levantei as seguintes conclusões:

1 – As cenas de sexo

O filme tratou as cenas com muita classe. As sessões de sexo de Ana e Christian são bem feitas, e, pra minha surpresa, menos violentas do que no livro. Em certos momentos, Ana expressa desconforto com a “atividade” e Christian interrompe o ato, sendo que no livro, ele a ignora.

2 – Os personagens

O romance entre Ana e Christian é ainda mais forçado do que no livro. Os protagonistas (interpretados por Jamie Dornan e Dakota Blue Richards) não tem nenhuma química. Ana passa o filme inteiro murmurando suas falas e mordendo os lábios, fica quase impossível de compreender o que ela fala. Christian é só um pouco melhor, mas seu personagem ainda é bastante vazio.

3 – O Roteiro

Eu não entrei nesse filme com esperança de ser surpreendido pelo roteiro, afinal, não gosto do material original. E
realmente, não me surpreendeu. Fraco, apressado, com diálogos rígidos e impessoais. Eu saí do filme não me lembrando de nada sobre os personagens, fora o fato de que eles passam quase metade do filme transando.

Pra concluir, eu sabia que Cinquenta Tons de Cinza ia me decepcionar. Acho que o fato de que eu detesto os livros deve ter contribuído para o meu desgosto. Aponto de forma positiva a trilha sonora, que é ótima, e o tratamento das cenas de sexo. Como adaptação, se mantem fiel ao filme, não só em relação ao enredo, mas também na falta de qualidade. Sem dúvida, um dos piores filmes que vi atualmente.

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