Posts escritos por: Vinicius Fagundes

Resenhas 22nov • 2017

A Estrela da Meia-Noite, por Marie Lu

ATENÇÃO: Essa resenha contém spoilers dos primeiros livros da série jovens de elite. prossiga com cautela!

Eu estava muito curiosos para a leitura de A Estrela da Meia-Noite. Pra quem não leu a resenha de A Sociedade da Rosa, essa série fez uma coisa que eu nunca tinha visto uma série YA fazer antes: o livro explorou de verdade o lado obscuro de sua protagonista e a transformou em uma vilã. Então eu pelo menos queria que A Estrela da Meia Noite desse continuidade a essa jornada e que eles não tentassem justificar as ações da Adelina. E no geral o livro faz exatamente isso, mas eu não consigo largar da sensação que ficou faltando alguma coisa.

Em A Estrela da Meia-Noite, Adelina Amouretto agora é a Loba Branca, rainha de um exercito que está aos poucos dominando territórios e trazendo dor aos não-marcados. Mas Adelina é atormentada por diversos fatores, como a natureza obscura de seus poderes, a deterioração que os malfettos andam sofrendo e o paradeiro de sua irmã Violetta. Todos esses fatores colidem quando uma nova ameaça força Adelina a unir forças com os Punhais, seus antigos aliados e maiores inimigos.

Ok, vamos por partes. Eu não vou falar muito da escrita da Marie Lu nessa resenha, porque é o terceiro livro da série e o que eu tinha pra falar da escrita, eu falei na resenha de A Sociedade da Rosa. Basta falar que ela é uma ótima escritora e é uma das minhas favoritas nessa cena de distopias YA. Ela consegue passar muito bem as emoções complexas que os personagens sentem, e todo o conflito interno que se passa na cabeça da Adelina. A única coisa que me incomodou na escrita do livro foram os capítulos aleatórios narrados por outros personagens. Por mais que eu entenda a intenção de ampliar o ponto de vista da história, eu achei que os capítulos pareceram espalhados aleatoriamente pelo livro.

– Chegara o dia em que a derrubaremos. Escreva minhas palavras. Vamos assombras seus pesadelos.

Cerro os punhos e lanço uma ilusão da dor através de seu corpo.

– Eu sou o pesadelo.

Esse livro se aprofundou muito mais na mitologia do universo da série do que os outros e eu realmente gostei de como isso foi feito. Talvez os dois primeiros livros da série poderiam ter passado um pouco mais de tempo explorando esse lado da história, já que eles focaram mais nos aspectos políticos e emocionais, mas o que o terceiro livro mostrou já me agradou bastante. Foi muito interessante ver o livro explorando a ideia de que os Jovens de Elite são basicamente o meio termo entre deuses e mortais.

Mas vamos a questão mais importante: O livro continua a exploração da Adelina como vilã? E a resposta é sim, de uma certa forma. Nesse terceiro livro, nós vemos ainda mais do lado sombrio de Adelina, e o livro não tenta justificar as coisas que ela faz. Nós entendemos exatamente o porque dela ter chegado a esse ponto, mas o livro não tenta te convencer que ela é apenas uma vítima. A história não deixa ela se safar sem consequências, e no final você realmente tem a sensação de que ela passa por uma transformação incrível.

Quantas pedras foram jogadas em mim quando criança? Quantas crianças marcadas foram queimadas vivas nas ruas? Como é irônico ver esses soldados vestidos de branco que tanto temi agora obedecendo a todas as minhas ordens.

Por outro lado, a única coisa que eu vou levantar como negativa do livro é o fato de que ele me parece ser curto demais. O ritmo do livro é um pouco bagunçado, como se ele não te desse muito tempo para respirar entre um momento e outro. Quando morre um personagem, você não tem a chance de realmente sentir o impacto que deveria. No fim da leitura, eu fiquei com a impressão de que não tinha lido o livro inteiro, como se a minha edição tivesse vindo com capítulos faltando.

No geral, A Estrela da Meia-Noite não é um livro ruim, mas não é exatamente o que eu esperava da conclusão da série Jovens de Elite. Apesar de gostar muito da evolução da Adelina como personagem e de onde o enredo a leva, quando conclui essa leitura, eu fiquei com a sensação que tinha lido um conto que fazia parte da série, não o capítulo final da trilogia. A série como um todo é ótima, mas essa terceira parte infelizmente deixou a desejar. Mas com certeza recomendo essa e todos os outros trabalhos da Marie Lu que continua sendo uma das minhas autoras favoritas.

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Resenhas 18nov • 2017

Lembra Aquela Vez, por Adam Silvera

É sempre uma surpresa agradável quando um livro consegue te surpreender. Eu tinha ouvido falar muito sobre os livros do Adam Silvera, e baseado nos comentários que eu tinha lido, eu entrei nessa leitura esperando uma coisa, e acabei encontrando outra completamente diferente. Lembra Aquela Vez foi aquele livro em que você acha que entende aonde a história está indo, o livro vem e te dá um tapa na cara, da melhor forma possível. Mas vamos começar do começo.

Lembra Aquela Vez segue o adolescente Aaron Soto, que está tentando se recuperar de uma tentativa de suicídio após encontrar o seu pai morto com a própria navalha de barbear. Aaron tem o apoio de sua mãe e de sua namorada Genevieve (além de a possibilidade de passar pelo tratamento no Leteo, um instituto que remove memórias dolorosas), mas isso não parece ser suficiente. Então Aaron conhece Thomas, um garoto do conjunto habitacional vizinho ao seu. Logo, se torna muito obvio para as pessoas ao seu redor que Aaron está se apaixonando por Thomas. Quando seus colegas de bairro decidem lhe ensinar uma lição dolorosa, isso acaba desencadeando lembranças em Aaron, que talvez já tenha passado pelo tratamento.

Eu realmente não quero entregar muita coisa da história, porque as surpresas acrescentam demais para o enredo. Vou apenas dizer que Lembra Aquela Vez em agradou de uma maneira completamente diferente do que eu estava esperando. Eu achei que ia encontrar um YA contemporâneo sobre um garoto que descobre estar se apaixonando por um amigo, e acabei encontrando uma história muito mais complexa. Esse é o tipo de surpresa mais legal que você pode ter em relação a um livro. Eu realmente não estava esperando a quantidade de socos emocionais que esse livro ia acabar me dando.

“A primeira vez que vi um cartaz no metrô divulgando o instituto capaz de fazer as pessoas esquecerem as coisas, pensei que se tratasse de uma campanha de marketing para um novo filme de ficção cientifica. E quando vi a manchete “Aqui hoje, esquecido amanhã” na capa de um jornal, pensei que a matéria falasse de algo sem graça, como a cura para um novo tipo de gripe.”

Aaron funciona muito bem como protagonista. Ele é um garoto inteligente, criativo, sensível, e que consegue carregar muito bem a narrativa da história. Desde o primeiro momento do livro, é possível perceber o peso emocional que ele está carregando, e é bem legal ver o quanto as pessoas ao redor dele, principalmente a mãe e a namorada, Genevieve, são empenhadas em apoiá-lo. É ótimo ver um livro que mostra o quanto é importante explorar e expressar seus sentimentos, principalmente quando se trata de um personagem homem, já que vivemos em uma sociedade que reprime o desenvolvimento emocional dos homens.

A escrita do Adam Silvera é tão boa quanto eu achei que seria. Ele consegue falar muito bem a linguagem de um adolescente confuso que ainda está se descobrindo, em mais de uma maneira. E os diálogos e pensamentos de Aaron nunca parecem forçados ou falsos. Eu já tinha ouvido falar muito dos livros dele, e essa leitura só me animou ainda mais para conhecer o resto da bibliografia dele. Tomara que as editoras tragam os outros livros dele logo, porque eu mal posso esperar.

“Thomas também corre o dedo sobre a cicatriz depois cutuca meu pulso duas vezes. Seus dedos estão sujos do ioiô e de outras coisas do telhado. Mas agora eu entendo; ele desenhou olhos, com duas impressões digitais sujas sobre a cicatriz.”

Mas a maior força de Lembra Aquela Vez é a forma que ele tem de te dilacerar completamente com as suas reviravoltas. Eu obviamente não vou entregar nenhum dos momentos importantes, mas tiveram partes desse livro em que eu literalmente fiquei sem ar lendo. Eu tive que parar para respirar porque estava tão completamente envolvido com a história e os personagens. Fazia tempo que eu não me perdia assim em um YA contemporâneo, e eu estava realmente sentindo falta disso.

No geral, Lembra Aquela Vez foi uma surpresa muito agradável. Eu entrei nessa leitura esperando achar uma história bonitinha e divertida, e sai dela com o meu emocional completamente destruído, o que é sempre uma coisa boa numa leitura. Recomendo sinceramente esse livro para todos vocês, e peço encarecidamente para as editoras: Tragam logo os outros livros do Adam Silvera porque eu já estou me coçando de vontade de conhecer mais do trabalho dele.

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Resenhas 08nov • 2017

Carbono Alterado, por Richard Morgan

O hype é uma coisa muito filha da mãe, não é? Você escuta tanto sobre um livro, lê tantas críticas falando que ele é a coisa mais maravilhosa que existe, e quando você pega pra ler… descobre que o livro é “legal” – não chega a ser ruim, mas não chega perto de toda aquela expectativa que você construiu. Foi exatamente isso que aconteceu comigo nessa leitura de Carbono Alterado. Eu vinha ouvindo falar tanto nesse livro, principalmente depois que foi anunciado que ele vai ganhar uma adaptação na Netflix, que acabei me decepcionando quando a leitura foi boa, mas não foi tudo o que me tinha sido prometido. E vamos deixar claro desde o início: Carbono Alterado é bom. Mas é só isso mesmo. E isso não seria um problema, se não fosse pelo fato de que o livro me foi vendido como um novo clássico de ficção científica.

Carbono Alterado se passa em um futuro em que os humanos descobriram um método para armazenarem suas consciências em chips de computador. Quando a pessoa morre, o chip dela é simplesmente transferido para um novo corpo. Takeshi Novacs, um ex-militar de elite, é trazido para a terra para solucionar o assassinato do milionário Laurent Bancroft. O que Kovacs não imagina é que essa investigação vai lança-lo no centro de uma conspiração perversa até para os padrões de uma sociedade que trata a existência humana como um produto a ser comercializado.

A primeira coisa me me incomodou um pouco com o livro foi a quantidade de world building. É claro que a gente já espera muita world building de um livro de ficção científica, já que ele precisa explicar exatamente como funciona o universo em que a história se passa. Mas Carbono Alterado tem tanta world building que a leitura chega a ficar maçante. Em alguns momentos do livro, eu tive a sensação de estar lendo por um bom tempo, mas quando fui ver, só tinha passado por algumas páginas. E ainda assim, eu não tenho certeza que entendi direito como o mundo de Carbono alterado funciona (Apesar de que isso pode ser porque eu não sou lá a bolacha mais inteligente do pacote, né). As partes em que o livro precisa parar para explicar os detalhes do mundo foram as partes mais chatas da história.

“Kadmin tinha se libertado das percepções convencionais do físico. Numa era anterior, ele teria sido um xamã; aqui, os séculos de tecnologia o haviam transformado em algo mais. Um demônio eletrônico, um espírito maligno que habitava o carbono alterado e emergia apenas para possuir carne e semear o caos. ”

Por outro lado, as cenas de ação foram simplesmente incríveis. Apesar de serem um pouco gráficas, o que pra mim não é um problema, as cenas de ação pareciam que tinham saído de um filme de Hollywood. Espero de verdade que a Netflix consiga adaptar essas cenas da melhor forma possível na série, porque seria uma pena perder esse aspecto da história. Kovacs é realmente um personagem badass, até mesmo quando ele não está ganhando as brigas. Acho que eu nunca li um livro que tivesse cenas de ação tão dinâmicas assim, e eu geralmente não gosto tanto de cenas de ação. Realmente maravilhosas.

Outro aspecto no qual o livro perdeu alguns pontos comigo tem haver com as cenas de conteúdo sexual. Eu não tenho nenhum problema com livros que contem cenas mais quentes, elas podem ser bastante bem feitas, mas Carbono Alterado foi um pouco além do que eu considero necessário. Talvez seja porque eu estou mais acostumado com livros YA que tratam o sexo de uma forma mais sútil, mas realmente achei que as cenas de sexo desse livro foram um pouco demais para o meu gosto.

“A vida humana não tem valor. Você ainda não aprendeu isso, Takeshi, depois de tudo que já viu? Ela não tem valor intrínseco nenhum. Maquinas custam dinheiro para construir. Matérias-primas custam dinheiro para extrair. Mas gente? -Ela fez um barulhinho de cuspe.- Sempre dá pra arranjar mais gente. Pessoas se reproduzem como células cancerosas,quer você as queira ou não. São abundantes, Takeshi. Por que deveriam ser valiosas?”

Os personagens do livro são todos bem interessantes, principalmente o protagonista Kovacs. Mas os outros personagens como Kristin Ortega, Laurent Bancroft, Miriam Bancroft, entre outros que eu não posso citar porque seriam spoilers são todos muito bem construídos e eu fiquei querendo saber mais sobre cada um deles. O aspecto de filme noir de Carbono Alterado é tão interessante porque você realmente fica intrigado sobre cada um dos personagens, então fica louco pra saber a resolução da história. Eu acabei curtindo o lado de mistério do livro bem mais que o lado ficção científica.

No geral, Carbono Alterado foi realmente uma vítima da hype. Se eu não tivesse esperando um novo clássico cyberp punk, eu provavelmente teria curtido essa leitura muito mais. Mas da forma em que eu experienciei o livro, Carbono Alterado é uma história de mistério intrigante que acaba se perdendo em elementos de ficção científica e cenas de sexo grosseiras. E só pra constar, eu mal posso esperar pela série do Netflix.

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Lista 24out • 2017

Quatro Releituras de Contos de Fadas que vocês precisam conhecer

Se tem uma coisa que parece que os filmes, séries e livros sempre vão ter como fonte de inspiração, essa coisa são os contos de fadas. Sem nem mencionar os filmes da Disney, é praticamente impossível listar todos os exemplos em que Hollywood se inspirou nos contos de fadas para criar novas versões. Once Upon a Time, Terra do Nunca, os filmes de Alice no País das Maravilhas dirigidos pelo Tim Burton, os exemplos são praticamente infinitos. Apesar de que vale mencionar que nem todos esses exemplos são necessariamente bons.

Pensando nisso, nós resolvemos juntar alguns desses exemplos que vocês talvez não conheçam, sendo eles filmes, séries ou livros. Nós tentamos trazer exemplos que fizessem coisas diferentes com os contos de fadas, então nessa lista não vão estar os filmes da Disney por exemplo, nem a série Once Upon a Time, até porque você com certeza já ouviu falar deles.

1 – Crimson Bound

Vamos começar essa lista com um livro. Crimson Bound é da mesma autora de Beleza Cruel, Rosamund Hodge, que é outra releitura de um conto de fadas. Crimson Bound é inspirado em Chapeuzinho Vermelho, e pelas resenhas que eu li, consegue levar o conto de fadas para lugares completamente novos. Eu ainda não li os livros da Rosamundo Hodge, mas fiquei muito interessando em Crimson Bound.

Crimson Bound conta a história de Rachelle, uma jovem que anos atrás era aprendiz de sua avó, e treinava para proteger o reino das força do mal. Mas Rachelle em um momento de fraqueza cometeu um erro terrível. Afim de se redimir por esse erro, Rachelle dedica sua vida a lutar contra criaturas mortíferas. Mas o rei ordena a Rachelle que proteja seu filho, Armand. Com a ajuda de Armand, que ela odeia, Rachelle descobre uma conspiração, magias ocultas, e um amor que pode ser a ruína dos dois.

2 – Avengers Grimm

Quem é vidrado em filmes, principalmente filmes ruins, já deve ter esbarrado em algum filme do estúdio The Asylum, conhecido por produzir versões, digamos assim, mais capengas de blockbusters de Hollywood. Pois em 2015, The Asylum resolveu matar dois coelhos com uma cajadada, e produziu um filme que seria a junção do sucesso esmagador Os Vingadores, e da série Once Upon a Time. E foi assim que o maravilhoso desastre Avengers Grimm nasceu.

Avengers Grimm segue um time formado pelas princesas dos contos de fadas mais famosos: Branca de Neve, Rapunzel, Cinderella, etc, tentando impedir que Rumpelstiltskin consiga dominar o mundo (e por algum motivo, o filme se passa no nosso mundo, e não em um mundo de conto de fadas. Mas enfim). O filme é uma obra prima de efeitos especiais ruins e um plot que não faz nenhum sentido, e é uma ótima recomendação para aqueles que como eu adoram esses filmes b de péssima qualidade.

3 – Grimm

Falando um pouco sobre séries (e eu não vou falar sobre Once Upon a Time, porque eu simplesmente não tenho paciência pra essa série), Grimm veio naquela época em que Hollywood ficou meio que obcecada com contos de fadas por alguns anos, e parecia que toda semana era anunciado algum projeto baseado em algum conto de fadas. Eu nunca fui tão ligado na série (eu tenho meio que uma birra com séries que tem 20 e poucos episódios por temporada) mas a ideia de uma série policial misturada com contos de fadas sempre me pareceu interessante.

Grimm é baseada na premissa de que as criaturas dos contos de fadas são reais, e são bastante perigosas. Afim de proteger o mundo dessas criaturas, existem os Grimm, uma longa linha de guardiões, que tem o dever de manter o equilíbrio entre os humanos e as criaturas. O protagonista da série, Nick Burkhardt, é um policial que descobre fazer parte dessa linhagem de Grimms. A série teve 6 temporadas, e a partir da segunda temporada, teve críticas bem positivas.

4 – Hanna

E finalmente, chegamos ao meu item favorito dessa lista. Hanna é um filme que eu realmente gostaria que mais pessoas conhecessem, não só por ser uma releitura bem original de um conto de fadas, mas também por ser um filme de ação que conta com uma protagonista e uma vilã mulheres. Não só isso, a estrela do filme é a Saiorse Ronan que realmente merece ser reconhecida como uma das melhores atrizes dessa nova geração de Hollywood, bem mais do que outras que recebe bem mais atenção que ela (mas não vamos citar nomes, não é?).

Hanna segue uma jovem que vive com o pai em uma zona selvagem da Finlândia. Hanna passou toda a sua vida isolada da sociedade, treinando com seu pai, um ex agente da CIA, em combate mão-a-mão e no uso de diversas armas. Aos 15 anos, Hanna é uma assassina competente e letal. Um dia, Hanna precisa colocar todo o seu treinamento em prática quando uma agente especial da CIA e seu time são despachados para matar o pai de Hanna, que sabe de um segredo que não pode ser divulgado para o grande público.

Entrevistas 18out • 2017

Pam Muñoz Ryan fala sobre as mensagens de “Ecos”

A DarkSide lançou esse ano Ecos, o mais novo livro da premiada autora Pam Muñoz Ryan. Nós do La Oliphant adoramos o livro, e decidimos trazer uma entrevista da autora traduzida para que vocês possam conhecer um pouco mais dessa linda história. A entrevista foi realizada pelo site Publishers Weekly, e nela a autora fala um pouco sobre as mensagens por trás do livro e da importância da música.

No novo livro de Pam Muñoz Ryan, Ecos, uma gaita mágica trás esperança e mudança para três crianças crescendo na sombra da Segunda Guerra Mundial: Friedrich, na Alemanha; Mike, em Nova York; e Ivy Maria, na Califórnia. Ryan também é a autora de Esperanza Rising e Becoming Naomi Leon, além de diversos outros trabalhos para crianças e jovens adultos. Ryan conversou com PW sobre os relacionamentos de seus trabalhos anteriores com Ecos, a importância da arte ao longo da jornada do amadurecimento, e até sobre sua curta carreira de criança violinista.

Você tem esse livro novo saindo, mas esse ano marca o 15º aniversário de um dos seus livros mais conhecidos, Esperanza Rising. Como é olhar para trás disso tudo agora?

É extremamente gratificante. Quando você escreve um livro, você meio que lhe dá um grande abraço e o manda para o mundo, e você realmente não sabe as avenidas que ele vai tomar ou as coisas maravilhosas que vão acontecer com ele. A peça de Esperanza Rising, que foi encomendada pelo Teatro de Crianças de Minneapolis, foi performada em todo o país, e isso é algo que eu nunca sonhei que poderia acontecer. Mas o que significou mais pra mim é a quantidade de cartas que recebo de professores que o livro é tão relevante hoje quanto era quando foi lançado.

Partes de Ecos parecem remeter a aspectos de Esperanza Rising, particularmente a história de Ivy Maria como uma mexicana-americana na Califórnia. Essas similaridades foram intencionais?

Na verdade, não foram intencionais. Quando eu comecei a escrever Ecos, eu estava pesquisando uma história inteiramente diferente sobre o primeiro caso bem sucedido de desagregação em 1931, em Lemmon Grove, Califórnia. Mas quando eu estava pesquisando esse caso, encontrei uma foto de um grupo de alunos sentados na escada de uma escola em particular, e cada um deles estava segurando uma gaita. A professora idosa na biblioteca me disse “Sim, esse era o clube de gaita da nossa escola primária. Todo mundo tinha uma durante aquele grande movimento de banda de gaitas.”

Aquela frase – “grande movimento de banda de gaitas” – realmente despertou minha curiosidade, então eu fui pra casa e comecei a pesquisar. Isso me levou aa banda de gaita muito famosa de 60 garotos que tocou na parada de Charles Lindbergh, usando o mesmo tipo de gaita daquela escola de campo. Então eu tinha a premissa bem ali para dois, Ivy e Mike, mas eu precisava de um terceiro. Eu viajei para a Alemanha para aprender mais sobre essa gaita e descobri que eles costumavam ter jovens aprendizes na fábrica. Foi assim que a história de Friedrich começou a se formar.

E você sabia desde o começo que você queria contar essas três histórias conectadas, ou houveram outras estruturas com as quais você brincou? Você abordou esse livro de alguma forma diferente no que se trata do seu processo de escrita?

É engraçado – todo livro é configurando de forma diferente, mas pra esse eu fui e comprei um quadro branco enorme para acompanhar tudo. Eu escrevi o que acontecia em cada mês para cada história, e depois eu também escrevi os temas musicais que atravessavam os três. Quando eu escrevo um livro, eu geralmente sei a cena de abertura ou a estrutura geral, e eu seu a resolução emocional que eu espero atingir, mas eu não sei de verdade aonde os personagens vão me levar no meio.

Então eu tinha essas três histórias principais, mas eu não queria que isso fosse apenas episódico – Eu queria que existisse uma linha mais rica que unisse todas elas. E foi isso que me levou a esse conto de fadas que suporta os três. Escrever contos de fadas é quase como um gênero literário diferente: não tem backstory, e você faz o oposto do que escritores geralmente fazem na narrativa, que é mostrar em vez de contar enquanto o leitor preenche as lacunas completamente. A outra coisa que foi difícil foram as seções terminam em um cliffhanger, então não tem uma resolução para cada seção. Eu tive que deixa-las no ar. Parte do que o conto de fadas faz é prometer que, embora talvez não seja um felizes-para-sempre da Disney, vai haver uma resolução que junte tudo.

Tematicamente, a música tem um papel importante nessa história, e é uma grande parte do que une as três histórias. A música teve um grande papel na sua vida também?

Bom, eu não sou uma musicista, apesar de que um tempo atrás eu quis ser uma. Eu tive aulas de piano e de violino quando era jovem – eu era no máximo medíocre no piano, mas eu era muito apaixonada pelo violino. Eu tinha um professor muito rigoroso na escola primária, e ele nos deu um longo sermão sobre o cuidado que devíamos ter com nossos instrumentos. Um dia a ponte do meu violino soltou quando eu estava praticando, e eu tive tanto medo da sua reação que tentei consertar com um tubo de cola de madeira. Como uma garotinha na terceira ou quarta série, eu realmente achei que ele não ia notar! Então eu arruinei o violino da escola, e esse foi o fim das minhas lições. Elas terminaram em vergonha.

Então eu nunca corri atrás da música, a não ser como parte de uma plateia devotada. Mas eu acho que essa é a melhor coisa: você não precisa ser músico para amar a música; e você não precisa ser escritora para amar livros. Em Ecos, a música se transforma em uma coisa linda e brilhante que permite que as pessoas atravessem uma floresta escura. Para esses personagens, que viveram em tempo tão difícil, eu queria que a música fosse a ressonância emocional nas suas vidas.

Se você pudesse garantir que os leitores tirem apenas uma coisa desse livro, o que você consideraria como a mensagem mais importante?

Ecos é sobre como a música ilumina as vidas dos meus personagens durante um tempo bastante sombrio. Eu acho que a maioria dos meus livros são sobre essas jornadas em que os personagens tem que crescer e mudar drasticamente, seja essa uma jornada emocional ou uma física. E se fosse olhar para Esperanza Rising, até durante a hora mais escura da jornada dela, sempre tem alguma coisa dentro dela lhe dando determinação para continuar. Eu espero que o leitor aprecie o livro pela história, mas também que alguma coisa o lembre que mesmo durante as horas mais sombrias, algo puro e lindo existe. Como a música.

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Ecos, da premiada escritora norte-americana Pam Muñoz Ryan, é uma fábula como há muito não se via – ou se ouvia. Um conto de fadas dark, que resgata o melhor da tradição dos irmãos Grimm, combinado com delicados momentos do século XX, como as duas grandes guerras e a Depressão econômica que assolou os Estados Unidos nos anos 1930. O resultado é uma fantasia histórica repleta de perigos e beleza, emoldurada pelo poder da música. A aventura começa cinquenta anos antes da Primeira Guerra Mundial — “a guerra para acabar com todas as guerras” —, quando o pequeno Otto se perde na Floresta Negra e encontra as três irmãs encantadas, prisioneiras de uma velha bruxa, que conhecia apenas das páginas de um livro, e acreditava ser apenas uma lenda. Como em um passe de mágica, as irmãs ajudam o garoto a encontrar o caminho de casa. E Otto promete libertá-las, levando o espírito das três dentro de uma inusitada gaita de boca. Ao longo dos anos, o instrumento chega à mão de novos donos: um menino que vê o sonho de se tornar músico interrompido pela ascensão do nazismo; um jovem pianista prodígio que vive num orfanato e luta para não ser separado do irmão caçula; uma filha de imigrantes mexicanos que cuidam de uma casa de japoneses enviados a um campo de concentração dentro dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. Personagens com dramas diferentes, mas um amor transformador pela música. Cada um à sua maneira, eles são afetados pela magia das três irmãs. Assim como os leitores do livro em todos os países em que ECOS foi lançado. Prepare-se para também ser arrebatado e enfeitiçado por essa fábula harmônica.

Participe do nosso sorteio e ganha 1 exemplar de Ecos

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Regulamento do Sorteio

– A promoção é válida até 4/11/2017, tendo seus ganhadores anunciados na fanpage dos blogs;
– Este sorteio é realizado através da plataforma Rafflecopter;
– Para validar o prêmio o ganhador deverá cumprir com todas as solicitações do Rafflecopter;
– Ao fim da promoção será sorteado apenas 01 ganhador para todos os prêmios cedidos neste sorteio;
– A promoção é válida somente para quem tem endereço de entrega no Brasil;
– O ganhador terá o prazo de 03 dias para responder ao e-mail que lhe será enviado. Caso não o faça, um novo ganhador será definido;
– O envio do livro será feito pela Editora Darkside no prazo de até 90 dias após o ganhador informar seu endereço;
– O blog e a editora não se responsabilizam por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabilizam por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador;

Esta entrevista foi originalmente publicada no site Publishers Weekly. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Resenhas 17out • 2017

Ecos, por Pam Muñoz Ryan

Existe sensação melhor do que quando você pega uma leitura com bastante hype, e ela atinge todas as suas expectativas? Eu ouvi tantas coisas boas sobre Ecos, li tantas resenhas positivas, e a edição da Darkside é tão linda (novidade, né?) que eu estava realmente preparado para me decepcionar com esse livro. Mas no final, Ecos foi ainda melhor do que eu achei que seria. Na verdade, eu acho que Ecos pode acabar sendo uma das minhas leituras favoritas desse ano. Ecos é uma mistura interessante de conto de fadas com ficção histórica. Uma gaita encantada com o espírito de três irmãs encantadas faz uma jornada através de momentos marcantes do século XX, como as duas grandes guerras e a Depressão econômica que assolou os Estados Unidos.

A gaita passa pelas mãos de 3 crianças: Friedrich é um garoto vivendo na Alemanha que sonha em se tornar um maestro, mas a ascensão do partido nazista pode impedir a realização de seus sonhos; Mike é um pianista prodígio que vive em um orfanato e luta para não ser separado de seu irmão mais novo, Frankie; E Ivy é uma filha de imigrantes mexicanos que cuidam de uma casa de japoneses enviados a um campo de concentração dentro dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. Histórias diferentes unidas pelo amor pela música.

Ecos é realmente uma carta de amor para a música, e o livro realmente ressalta o quanto a música é uma linguagem universal, e como ela pode atravessar qualquer tipo de barreira. Eu nunca na minha vida tive tanta vontade de aprender um instrumento quanto eu tive durante essa leitura, fiquei deslumbrado de verdade. O livro consegue passar muito bem o quanto a música pode trazer esperança e conforto para pessoas passando por uma situação difícil. Eu estava curioso pra saber como o aspecto de conto de fadas ia ser utilizado em Ecos, e fiquei feliz dever que ele é bastante sútil (talvez sútil demais?).

“Ele tentou se amparar com as coisas que Papai sempre dizia: Um pé na frente do outro. Siga em frente. Ignore os ignorantes.”

Não existe muita mágica na história, o “conto de fadas” é mais centrado no fato de que a gaita afeta as 3 crianças. E esse elemento é muito bem utilizado, e acrescenta bastante para a história. Nos momentos em que a situação fica mais angustiante para os personagens, é na música que eles encontram um porto seguro para refletirem e tomarem decisões difíceis. E é aí que a gaita e a magia das 3 irmãs entra. Fiquei muito satisfeito quanto a esse ponto do livro.

Ecos é dividido em 3 histórias, cada uma se passando em um momento importante da história. Eu realmente não consigo escolher a minha favorita, todas as 3 são maravilhosas e oferecem narrativas muito bem construídas. No geral, os valores que cada história defende são os mesmos: coragem, tolerância, bondade, amor pela sua família, e principalmente pela música, todos valores muito relevantes e dignos. Por ser essencialmente um conto de fadas, Ecos é o tipo de leitura que pode ser aproveitada tanto por crianças quanto por adultos. A escrita de Ecos é simplesmente incrível.

“Todo mundo tem coração. Às vezes, é preciso se esforçar bastante para encontrá-lo…”

Eu li em algumas resenhas que o audiolivro é ainda mais deslumbrante porque ele conta com a música, e eu com certeza vou ouvir o audiolivro, mas a própria escrita da Pam Muñoz Ryan consegue transmitir as emoções e sentimentos que a música pode criar. Não só isso, o leitor consegue de verdade sentir os conflitos emocionais que os personagens passam. A única coisa que eu acho que pode incomodar algumas pessoas é como cada uma das história acabam, mas eu realmente não me incomodei.

Sinceramente, Ecos foi a surpresa mais agradável que eu tive até agora em 2017. Quando você ouve tanta coisa positiva sobre um livro, você naturalmente espera que ele vai te decepcionar, mas Ecos foi tudo que eu queria e mais. Personagens cativantes, uma escrita maravilhosa, com mensagens importantes que podem ressonar com pessoas de qualquer idade, e um amor sincero e poderoso pela música. Ecos é um livro que eu recomendaria para toda e qualquer pessoa que procura uma boa história.

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Resenhas 12out • 2017

Fortaleza Impossível, por Jason Rekulak

Depois do sucesso de Stranger Things e It, a nostalgia dos anos 80 parece realmente estar em alta. E eu realmente gosto bastante da cultura pop dessa época, então quando eu li a sinopse de Fortaleza Impossível, já fiquei super animado com o livro. E apesar de ter me divertido com a leitura, Fortaleza Impossível não entregou o que eu estava esperando. E a maioria dos problemas que eu tive com o livro estão no enredo em si,

Fortaleza Impossível segue um garoto chamado Billy e seus amigos, Clark e Alf, típicos garotos americanos que só querem uma coisa na vida: a mais nova edição da Playboy, que contem as fotos da apresentadora mais popular dos Estados Unidos, Vanna White. Billy e seus amigos constroem um plano mirabolante, que envolve se aproximar de Mary, a filha do dono da loja que vende as revistas. O que Billy não espera era que Mary e ele tivesse tanto em comum, principalmente uma paixão secreta por jogos de computador

Os personagens de Fortaleza Impossível são bem legais, apesar de serem um pouco simples. Billy é um garoto legal que obviamente sofre uma certa pressão dos seus amigos e do mundo em geral para agir de um jeito que não condiz com a personalidade dele. Os diálogos dele com os amigos me incomodaram um pouco, porque eles podem ser bastante preconceituosos, mas os momentos que o livro passa mostrando o relacionamento dele com a Mary são realmente as melhores partes do livro. E elas ficam ainda mais legais quando mostram os dois compartilhando a paixão por computadores.

O plot do plano em si é até divertido, e me lembra bastante os filmes de comédia dos anos 80. Fortaleza Impossível é realmente uma carta de amor à essa época, mesmo que não seja tão recheado de referências quanto Jogador Nº 1, por exemplo. Mas ele consegue recriar muito bem a atmosfera dos filmes dos anos 80, principalmente as comédias adolescentes como Mulher Nota 1000 e A Vingança dos Nerds. Pra quem gosta desse tipo de comédia, Fortaleza Digital pode ser uma ótima sugestão.

Mas como nem tudo pode ser positivo, o livro tem seus problemas. Pra começar, como eu já mencionei, os amigos de Billy tem alguns diálogos bastante preconceituosos. Eu entendo que o livro se passa nos anos 80, e a sociedade evoluiu em alguns conceitos, mas eu realmente fiquei incomodado com o quanto os personagens focam no fato de que Mary é gorda. Praticamente toda vez que ele mencionam ela, eles fazer referencia ao peso dela. Até mesmo Billy usa termos insultantes quando fala dela, só para se adequar a o que os amigos fazem. Esse é um problema do livro, em um momento, Billy é um garoto legal e carinhoso, em outro, ele é grosseiro e infantil. Essa caracterização inconsistente não melhora em nenhum momento do livro.

E isso acaba levando ao maior problema do livro. Sem querer dar spoiler do final da história, eu tive a sensação de que chegando na conclusão, nenhum dos personagens aprendeu nada com os acontecimentos da história. Tanto Billy quanto Mary fazem algumas coisas moralmente questionáveis durante o livro, e no final, é como se nada disso tivesse acontecido. Eles são as mesmas pessoas no final do livro que eles eram no começo. Então, apesar de divertida, a história toda parece que não tem peso nenhum.

No final das contas, Fortaleza Impossível é uma leitura divertida, mas não é tão satisfatório quanto poderia ser. O enredo e a atmosfera entregam aquela nostalgia, e os momentos do livro que focam na paixão de Billy por computadores e no romance dele com Mary são boas, mas não compensam a infantilidade dos personagens, a inconsistência da caracterização e o body shaming que os personagens propagam. Apesar de eu ter gostado de partes do livro, eu não sei se eu recomendaria esse livro para quem quer uma comédia nostálgica.

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Resenhas 05out • 2017

Branco Como a Neve, por Salla Simukka

Branco Como A Neve foi uma leitura complicada de descrever. Primeiramente porque suspense é um gênero literário que eu ainda não estou completamente familiarizado, segundamente porque, e eu não sei isso vai fazer muito sentido, eu ainda não consegui largar da sensação de que o livro que eu li era só metade de um livro maior. Eu tive a mesma sensação quando li Vermelho como O Sangue, então provavelmente é alguma coisa com o estilo narrativo da autora, mas ainda assim é uma sensação muito esquisita.

Branco Como A Neve continua a história de Lumikki Andersson, uma jovem estudante de uma escola de arte que se vê envolvida com assuntos bem mais complicados do que ela gostaria. Dessa vez, Lumikki está de férias em Praga, se recuperando dos acontecimentos do primeiro livro, quando é abordada por Zelenka, uma misteriosa jovem que diz ser sua irmã. Lumikki, que sabe como a sua família é complicada no que diz respeito a segredos, decide investigar se a afirmação de Zelenka é verdadeira. Mas a aparição de Zelenka acaba levando Lumikki para dentro de um mistério mais perigoso do que ela poderia ter imaginado.

Quem leu Vermelho Como O Sangue sabe que Lumikki é uma personagem um tanto quanto fria e impessoal. Pessoalmente, eu gostei da personalidade antissocial dela, e esse segundo livro até conseguiu introduzir detalhes do passado dela que apresentaram um lado novo da personalidade dela. Mas o problema com esse jeito frio dela é que narração do livro fica um pouco monótona. Ela é tão racional e centrada que a narração contêm quase nenhuma emoção. Eu entendo que isso é parte da personagem, e que quando a emoção acontece, ela é até bastante efetiva, mas no geral a leitura do livro é clínica demais pro meu gosto.

Os outros personagens do livro simplesmente não são importantes o bastante para serem mencionados. O livro passa muito pouco tempo com eles, praticamente só os momentos em que eles interagem com a Lumikki. Zelenka é provavelmente a maior personagem depois de Lumikki e apesar de achar a história dela interessante, o livro não soube apresentar o arco dela de uma forma envolvente. Esse é um dos maiores problemas que eu tive com o livro, o fato de que ele não mostra tanto da história quanto eu gostaria. Em um ponto do livro, a narração explica uma conversa que Lumikki tem com outro personagem, e eu ainda não entendi porque o livro não poderia ter simplesmente nos mostrar a tal conversa

Outro problema que o livro tem, e que também estava presente no primeiro livro da série, é que ele é simplesmente curto demais. A história chega em um momento interessante e você, o leitor, fala “Opa, agora assim a história vai ficar séria!”, mas esse momento vem praticamente no final do livro. Eu falei no começo da resenha que o livro parece ser apenas uma parte de um livro maior, e é exatamente isso que parece. Que alguém editou um livro grande porque não tinha tempo de ler ele inteiro. Apesar de ter alguns elementos muito legais, a história parece incompleta, e acaba rápido demais.

Além disso, além do fato de terem a mesma protagonista, eu não vi quase conexão nenhuma entre o primeiro e o segundo livro. Considerando os acontecimentos do primeiro livro, era de se esperar que eles tivessem algum tipo de impacto emocional na Lumikki, mas não. Ela está basicamente no mesmo lugar emocionalmente e mentalmente que ela estava no primeiro livro. Exceto por ser talvez um pouco mais aberta a se aproximar das pessoas, mas nem mesmo isso é tão aparente.

Se Branco Como A Neve fosse talvez umas 50 e poucas páginas mais longo, e a narração fosse menos focada nos pensamentos de Lumikki e mais nos outros personagens, ele seria uma leitura bem mais marcante. O livro tem bons momentos, principalmente os flashbacks sobre o passado emocional de Lumikki, mas no geral, é uma história esquecível. Eu sei que a série ainda tem mais um volume, Preto Como o Ébano, mas eu não consigo reunir interesse para continuar acompanhando essa trilogia. É realmente uma pena porque eu queria muito gostar dessa história, mas eu simplesmente não consegui.

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Resenhas 02out • 2017

A Menina Que Não Acreditava em Milagres, por Wendy Wunder

Eu realmente não sabia o que esperar desse livro. Sick-lit é um gênero literário que nunca me atraiu, e pra ser sincero, continua não atraindo, então eu não tinha nenhuma ideia do que esperar dessa leitura. Mas A Menina Que Não Acreditava em Milagres até que foi uma surpresa agradável. Não que o livro não tenha seus problemas, e ele com certeza tem, mas foi uma leitura bem mais agradável do que eu achei que seria, apesar de ser um tanto quanto mediana.

A Menina Que Não Acreditava em Milagres conta a história de Cam, uma jovem que há anos batalha uma forma terminal de câncer. O último exame feito revela que não há mais nada que a medicina possa fazer por Cam, e que a única forma de salvá-la seria um milagre. A mãe de Cam decide então que a família deve se mudar para a cidade de Promise, uma pequena cidade no Maine que tem a reputação de ser o local de vários acontecimentos milagrosos.

Em primeiro lugar, vamos falar da protagonista. Como o livro é centrado completamente em tordo dela, se a Cam fosse uma personagem ruim, o livro em si seria ruim. Mas a narração de Cam, foi provavelmente a minha parte favorita do livro. Sempre que eu vejo uma personagem sendo descrita como sendo “sarcástica”, eu já me preparo para não gostar dela, já que geralmente “sarcástica” significa “grosseira e desagradável”. Mas eu acabei gostando bastante de Cam. Talvez porque ela realmente tem motivos para ser uma pessoa, digamos assim, negativa, então o sarcasmo dela pareceu mais justificável. E mesmo assim, ela também tem seus momentos mais sentimentais durante a história.

E os elementos do backstory dela todos eram bastante interessantes. O lance de crescer basicamente dentro do parque da Disney World, o fato de ela ser polinésia, e claro o câncer, tudo isso somado fez dela uma personagem muito interessante. E tudo isso ficou dez vezes melhor quando ela interagia com outro personagem e os diálogos dela eram realmente engraçados. Teria sido muito decepcionante se o sarcasmo dela se manifestasse de uma forma mais negativa, mas ainda bem que as observações dela me fizeram rir.

O relacionamento da Cam com o par romântico dela, o Asher, até que é legalzinho, mas não é nada que tenha feito o livro ser mais marcante. Eles têm alguns momentos bonitinhos, alguns diálogos divertidos, mas no geral, é um romance bastante esquecível. Com certeza nada que eu chamaria de um romance épico. Eu estava mais interessado no relacionamento da Cam com a mãe e a irmã, principalmente com a irmã. Eu queria de verdade ver mais cenas das duas juntas, porque fiquei com a sensação de que elas não interagiram tanto quanto eu gostaria no livro.

Infelizmente, a história em si não me saltou aos olhos como sendo tão especial. Talvez porque se trata de uma história sobre uma personagem com câncer terminal, o livro todo me pareceu uma contagem regressiva para o momento em que tudo ia pro fundo do poço. Apesar dos momentos mais leves serem bem divertidos, e até bonitinhos, eu passei pela leitura com aquela sensação de “ok, chega logo na parte importante”. E esse é o meu problema com Sick-lit em geral, eu não consigo aproveitar a história porque estou sempre esperando o momento em que a situação vai de mal a pior.

Eu não saberia comparar A Menina Que Não Acreditava em Milagres com outros livros do mesmo estilo, mas como um livro em geral, ele não foi nada que eu chamaria de ótimo. A narração da Cam foi praticamente o único ponto marcante do livro, além de algumas cenas mais divertidas, e pra ser sincero, esse realmente foi um caso em que o todo não foi maior que a soma das partes. Não é uma leitura que eu me arrependo de ter feito, mas não diria que é uma que eu farei novamente.

As imagens do livro utilizadas nesta resenha foram retiradas do blog Sai da Minha Lente.

Resenhas 25set • 2017

À Primeira Vista, por David Levithan e Nina LaCour

Sabe quando você gosta de um livro, mas não tanto assim? Quando você se divertiu lendo, mas o livro não desencadeou nenhuma emoção forte ou sentimento profundo em você? Então, essa foi a minha experiencia lendo Á Primeira Vista. E isso me surpreendeu porque eu geralmente gosto muito dos livros do David Levithan, e gostei muito do que já li da Nina LaCour, então eu realmente achei que teria uma opinião mais forte sobre esse livro. Mas essa foi uma situação em que, desde o momento em que eu conclui a leitura, eu não voltei a pensar na história do livro.

À Primeira Vista segue dois adolescentes, Kate e Mark. Apesar de serem colegas de classe por um ano inteiro, a primeira vez que os dois se falam é dentro de uma boate gay, quando os dois estão passando por um momento difícil. Kate está fugindo da chance de conhecer a garota por quem ela mantém uma paixão à distância, e Mark está apaixonado pelo seu melhor amigo Ryan, que parece não sentir o mesmo. Quando se encontram na loucura da semana do orgulho gay em São Francisco, eles decidem se tornarem amigos.

A escrita desse livro é realmente boa, e eu não esperava nada menos do David Levithan e da Nina LaCour. O livro segue aquela formula parecida com outros livros do Levithan, em que ele escreve os capítulos do ponto de vista do Mark e a Nina LaCour escreve os capítulos da Kate. Os dois são ótimos escritores então todo o conteúdo emocional do livro é bastante efetivo. O nervosismo da Kate em relação a Violet, a garota que ela gosta, e a ansiedade que ela tem sobre o futuro, a angústia no Mark em relação ao Ryan, tudo isso é muito bem passado pela narração e pelos diálogos.

Outra coisa que eu gostei no livro é a forma que a amizade entre a Kate e o Mark acontece. Os dois se encontram em uma noite meio caótica e decidem que já que os amigos deles não estão sendo muito amigos no momento, talvez seja melhor eles se juntarem. As interações dos dois no livro são bem divertidos, e você realmente acredita que eles se gostem de verdade. Eles se aconselham, se apoiam um no outro, e no geral, agem como amigos de verdade devem agir. O relacionamento dos dois contribui muito para que essa seja uma leitura muito agradável.

Mas esse é o problema do livro. Ele é agradável, só isso. Nada acontece nele que fica muito marcado na memória depois de concluída a leitura. Apesar de ser bem divertido, o livro não tem aquela carga emocional que os outros livros do Levithan, como Garoto Encontra Garoto ou Will e Will tem. Ele me lembra aqueles filmes que passam durante a tarde; você vai assistindo e se divertindo, mas quando o filme acaba, você não lembra quase nada que aconteceu nele.

Outra coisa que me incomodou um pouco é o fato de que o Mark não ter um subplot. A história da Kate é movida por dois pontos, o nervosismo dela com a Violet e o medo que ela tem sobre o futuro dela, e os dois são basicamente dois lados do conflito que ela precisa resolver. O Mark só tem um plotline no livro, o relacionamento dele com o Ryan. Só isso. Teria sido legal ter visto ele passando por alguma outra coisa que não fosse um amor não correspondido, acrescentar uma outra camada para o personagem dele.

Além disso, a história do livro é um pouco fantasiosa demais pro meu gosto. Eu não vou entrar em detalhes pra não dar spoiler pra ninguém, mas em alguns momentos do livro, eu me vi falando “de jeito nenhum que isso aconteceria na vida real”. É claro que a gente espera um pouco de fantasia nos livros, afinal a suspensão de descrença faz parte da maior parte das leituras, mas não de um jeito que te tira da história. Parece que algumas partes da história se desenrolam fácil demais e isso meio que acaba com o ritmo do livro.

À Primeira Vista é uma leitura, e me doí usar essa palavra, mediana. Apesar de gostar dos personagens, e da escrita ser tão boa quanto eu já estou acostumado com o David Levithan e a Nina LaCour, o livro simplesmente não é único o bastante para se destacar entre tantos outros YA contemporâneos. Além disso, o livro tem problemas em relação ao realismo da história, e o fato de que o Mark é meio raso como personagem. No mais, À Primeira Vista é um livro ok. Nem ótimo, nem ruim. Só ok.

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Resenhas 21set • 2017

O Segredo de Heap House, por Edward Carey

O Segredo de Heap House foi uma leitura, digamos assim, peculiar. Eu venho remoendo essa leitura em alguns dias e ainda não sei dizer se gostei ou não desse livro. Quer dizer, eu gostei, mas não sei dizer o quanto. A capa descreve o livro como sendo uma mistura de Charles Dickens com Lemony Snicket e isso é uma descrição bastante precisa, mas não sei se Heap House é um livro que eu recomendaria pra qualquer pessoa.

O Segredo de Heap House conta a história da misteriosa família Iremonger, a família mais rica de Londres que reside em Heap House, uma mansão gigantesca localizada no meio dos Cúmulos, um oceano de objetos perdidos e descartados. A família Iremonger tem diversas tradições excêntricas, por exemplo a tradição que todo Iremonger recebe um objeto de nascença, ou a de que um Iremonger só tem o direito de usar calças compridas depois de se casar. O protagonista do livro, Clod, é um Iremonger ainda mais estranho que os outros, pois possui uma habilidade incomum: Consegue ouvir os objetos falarem. A vida de Clod dentro de Heap House se torna ainda mais confusa com a chegada de Lucy, uma jovem criada rebelde que se recusa a se encaixar dentro das regras dos Iremonger.

Vamos começar pela narração. O estilo narrativo de O Segredo de Heap House é bem diferente, bem estilizado. É o tipo de narração que, se você gosta, vai amar. Se não, a leitura pode acabar ficando bem cansativo. Eu acabei me encaixando no meio termo, hora eu estava gostando bastante, outra eu estava ficando sem paciência pra continuar lendo. Mas apesar de algumas partes serem um pouco chatinhas, o livro em geral é bem divertido, e a escrita passa muito bem a atmosfera esquisita de Heap House. Me lembrou muito a sensação dos cenários dos filmes do Tim Burton.

O plot do livro é bem interessante, e o mistério do que está acontecendo dentro de Heap House é muito bem desenvolvido. Eu realmente me envolvi na história, e foi por isso que eu acabei me irritando um pouco com a escrita em certos pontos. O livro caminhando pra uma direção super legal e a narração parando para esticar as frases, para manter aquele estilo de narrativa. O flow do livro teria sido melhor se essas partes mais chatinhas fossem retrabalhadas, mas acho que talvez assim a história perderia um pouco do seu toque característico. Questão complicada, essa.

Clod e Lucy dividem a narração e o papel de protagonista, e eles foram as minhas partes favoritas do livro. Tanto Clod quanto Lucy foram protagonistas muito divertidos de acompanhar. Foi muito divertido conhecer as entranhas de Heap House através dos olhos de Lucy, e também conhecer os membros estranhos da família Iremonger com quem Clod interage. E apesar de eles terem poucas cenas juntos, os diálogos dos dois realmente me passaram a química que eles tem. Eu teria gostado de ver mais interação entre eles, mas o pouco que o livro mostra já me vendeu completamente a amizade deles.

O final do livro foi o que mais me impressionou. Como eu já falei, o livro tem suas partes mais chatas, e o meio do livro chegou a ser um pouco tedioso. Mas chegando mais perto do final, a história realmente entrou em um ritmo muito legal. O livro conseguiu construir um final que me deixou muito curioso para ler a continuação, e fez isso sem parecer aqueles livros que simplesmente enfiam qualquer detalhe no final do livro para levar a uma sequencia. Se o meio do livro fosse mais como o final, ele teria sido bem mais fácil de ler.

Mas no geral, O Segredo de Heap House foi uma leitura bem legal. Um enredo divertido, personagens bem construídos, e um final que me deixou louco pra ler o próximo livro, mas que infelizmente perde alguns pontos pela narrativa um pouco cansativa, que apesar de carregar aquele estilo característico do livro muito bem, também torna a leitura mais tediosa do que poderia ser. Não sei se é um livro que eu recomendaria para todo mundo porque nem todo mundo vai ter a paciência de aguentar a narração, mas se você for paciente, vai encontrar uma história muito legal.

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Notícias 11set • 2017

Geektopia vai lançar Locke & Key do Joe Hill!

Esse momento é meu! A Geektopia, selo de quadrinhos da Editora Novo Século (a mesma que trouxe The Wicked + The Divine pra cá) anunciou na página deles no Facebook que vai estar publicando o primeiro volume the Locke & Key, graphic novel do autor Joe Hill, com as artes feitas pelo ilustrador Gabriel Rodriguez. Locke & Key segue a família Locke, que se muda para Keyhouse, a casa onde o patriarca da família cresceu, depois que ele é assassinado. Na casa, os filhos Tyler, Kinsey e Bode descobrem que a casa esconde segredos bastante sombrios.

Locke & Key ganhou diversos prêmios, inclusive o British Fantasy Award para Melhor Quadrinho/Graphic Novel em 2009, e quase foi adaptada para o canal Fox em 2011, mas infelizmente o projeto não foi pra frente. Uma nova adaptação está sendo produzida para a plataforma de streaming Hulu. Já estamos doidos para conferir a edição brasileira dessa excelente história!

Filho do aclamado Stephen King, Joe Hill vem seguindo os passos de seu pai e escrevendo incríveis histórias de terror….

Posted by Geektopia on Wednesday, September 6, 2017

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