Posts escritos por: Vinicius Fagundes

Resenhas 17jan • 2018

As Perguntas, por Antônio Xerxenesky

As minhas maiores metas de leitura para 2018 são: ler mais livros de autores brasileiros e procurar livros que estão fora das minhas zonas de conforto. E As Perguntas de Antônio Xerxenesky preenche essas duas categorias perfeitamente. A sinopse do livro chamou a minha atenção logo de cara, principalmente por se tratar de um livro de suspense centrado na cidade de São Paulo, então eu cai de cara nessa leitura mesmo sem ter muitas expectativas.  E no geral, As Perguntas foi uma leitura que me deixou um pouco confuso. Não que esse seja um livro ruim, mas acho que ele não chega exatamente aonde eu gostaria que chegasse.

Quando criança, Alina era atormentada por visões de sombras e vultos estranhos. Agora, adulta e trabalhando como editora de vídeo em uma produtora em São Paulo, Alina vive uma vida de rotina. Mas a monotonia do seu dia a dia muda quando Alina recebe o telefonema de uma policial que está investigando uma série de surtos psicóticos, possivelmente ligados a uma seita. E o conhecimento acadêmico de Alina sobre ocultismo e religiões pagãs pode ser a chave para desvendar esse mistério.

A primeira coisa que me agradou muito em As Perguntas é a narração da protagonista, Alina. Eu não sei o que foi sobre ela, mas a Alina me lembrou demais algumas pessoas que eu conheço na vida real. O jeito que ela relata os acontecimentos da história, os pensamentos dela, tudo isso me passou muito a sensação de que ela é uma pessoa que realmente existe. Talvez seja uma questão de gosto pessoal, mas Alina foi pra mim o tipo de protagonista que consegue carregar um enredo facilmente.

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Resenhas 10jan • 2018

Lock & Mori, por Heather W. Petty

Às vezes você encontra um livro que chama a sua atenção pelo título. Você olha pra ele, lê a sinopse, mas não consegue largar a sensação estranha que aquele título te dá. Lock e Mori foi assim pra mim. A ideia de uma versão adolescente de Sherlock Holmes não é exatamente original, e a sinopse parece com várias fanfics que existem por aí na internet. Mesmo assim, eu encarei essa leitura com a esperança de que ele me surpreendesse. E de uma certa forma, ele surpreendeu, mas não sei se foi da maneira que eu queria.

Sherlock Holmes, um adolescente brilhante desafia sua colega de escola, a igualmente inteligente James Moriarty a um jogo muito interessante: vence o primeiro a desvendar a série de assassinatos que assombra a cidade de Londres. O jogo só tem uma regra, os dois devem compartilhar um com o outro todas as informações que conseguirem sobre o caso. Mas o que começa como um jogo se transforma em algo muito mais assustador quando Mori descobre que o assassino pode estar ligado ao seu passado

Começando pela escrita, Lock e Mori não é nem um pouco ruim. A narração, feita em primeira pessoa pela Mori, é muito eficaz em entregar os detalhes da história, e ao mesmo tempo passar as emoções e conflitos da história. Outra coisa que a narração consegue fazer muito bem é passar a personalidade da Mori e até mesmo do Lock nas cenas em que eles interagem. Esse livro conseguiu fazer uma coisa que muitos outros livros não conseguem: apresentar dois personagens inteligentes, arrogantes, que ainda assim conseguem ser simpáticos o suficiente para o leitores se afeiçoar a eles. Leia mais

Resenhas 20dez • 2017

A Torre do Terror, por Jennifer McMahon

Poucas experiências na vida de um leitor são mais frustrantes do que quando ele encontra um livro que acerta em quase todos os detalhes, exceto por um. Aquela leitura que atinge quase todas as expectativas, menos uma, e essa uma acaba estragando o resto da leitura. Acabou que A Torre do Terror foi exatamente esse tipo de livro. A leitura de A Torre do Terror me agradou bastante mas poderia ter agradado ainda mais, se não fosse por um ou dois pontos que deixaram um gosto ruim na minha boca.

As irmãs Piper e Margot cresceram junto com a melhor amiga Amy, brincando nos corredores do hotel da família de Amy. Anos depois, já adultas, Piper e Margot não falam com Amy a anos. Mas numa noite sombria, Amy supostamente assassina seu marido e seu filho, deixando apenas sua filha Lou viva. Piper e Margot são então trazidas de volta para dentro das paredes do Hotel da Torre, e precisam lidar com o fato de que talvez algo que habita o hotel ainda assombra suas vidas.

O primeiro ponto positivo do livro é a escrita da Jennifer McMahon, que transporta a gente direto pra dentro da história. Nas mãos de um escritor menos capaz, o enredo que pula entre três momentos diferentes da história dos personagens poderia ter sido confuso, mas a autora soube balancear muito bem os três pontos da história. Principalmente a história de Rose e Syvie, que foi realmente a minha favorita, em grande parte por causa da narração da Rose.

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Resenhas 17dez • 2017

O Gabinete Paralelo, por Maureen Johnson

Atenção: Esta resenha contém spoilers da série Sombra de Londres! Leiam por sua própria conta, tá?!

É sempre difícil falar sobre um livro que não atinge as suas expectativas, mas que também não é tão ruim assim. Principalmente quando esse livro faz parte de uma série que até então vinha te agradando. Eu  não sei dizer exatamente o que eu esperava de O Gabinete Paralelo, mas depois de dois livros que me impressionaram, o terceiro volume da série Sombras de Londres não conseguiu manter o nível que eu me acostumei a receber da série. E eu realmente ainda não consegui definir exatamente porque.

O Gabinete Paralelo continua a história de Rory Deveaux, uma jovem americana que se muda de sua pequena cidade nos Estados Unidos para ir estudar em um colégio interno em Londres. Lá, Rory acaba se envolvendo com uma organização dedicada a investigar atividades paranormais e descobre a habilidade de enxergar fantastas. Agora, após passar por algumas tragédias traumáticas, Rory está diante de uma ameaça ainda maior que todas que já enfrentou. Rory e seus amigos vão precisar mergulhar ainda mais fundo nas sombras de Londres.

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Vamos começar pelos pontos positivos. A escrita da Maureen Johnson continua tão boa quanto esteve nos dois primeiros livros da série. Ela consegue passar muito bem o conteúdo emocional da história e sabe manter um equilibro legal entre as partes mais sérias e as mais divertidas, apesar de eu sentir falta da atmosfera de mistério primeiro livro. E os diálogos são sempre muito bem escritos, principalmente porque fica muito claro que cada personagem tem uma voz característica. Você realmente acaba a história tendo a sensação que conhece cada um dos personagens bem, e isso acrescenta bastante para a história.

“Ouvi um tinir de trincado, e quando me virei, vi a janela  se congelar. Quer dizer, ao menos era o que parecia, como se o gelo tomasse conta do vidro a partir de baixo, mas na verdade, como percebemos um segundo depois, era uma rachadura se expandindo em formato de teia de aranha.”

Rory continua sendo uma boa protagonista e os outros personagens continuam sendo um ótimo elenco de apoio. A única personagem que me incomodou foi Freddie, a nova personagem. Apesar de gostar dela, ela meio que aparece do nada com todas as respostas que os personagens estavam procurando, como se tivesse caído do céu. Mas Bu, Callum e Stephen continuam sendo todos ótimos, e Thorpe acabou sendo bastante agradável como personagem de apoio também.

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Mas infelizmente o livro tem seus pontos negativos. O maior deles, e eu não sei se vou conseguir explicar isso direito, é que ele não parece ser o suficiente. Eu realmente acho que esse livro poderia ter sido uma novella ou uma metade de um ultimo volume mais extenso. O plot vai do ponto A ou ponto B, introduz um ou dois detalhes, emas ada do que ele faz realmente parece importante o bastante para justificar o seu status como terceiro livro da série. Eu vou ter que entrar no território dos spoilers para explicar o porque, então se você não quer spoilers, pule para o fim da resenha.

“Deixei o telefone no balcão de granito e peguei um guardanapo para secar as lágrimas. Tomei um longo gole da garrafinha d’água e a amassei na mão. O silêncio que se instalou sobre nós três depois desse ruído foi um dos mais profundamente perturbadores que já vivenciei.”</div

O que esse livro fez de importante para o enredo da série? Ressuscitou o Steven, ou nem isso já que ele não estava exatamente morto, e introduziu os vilões Sid e Sadie. Só isso. De resto, os personagens estão exatamente no mesmo lugar; Inclusive, estão um pouco pior já que Rory aprende informações importantes durante o livro mas que são basicamente esquecidas no final. Se o livro fosse lançado como uma novella mosrando apenas a história de Sid e Sadie, eu realmente não sentiria tanta diferença. O que mais ele fez? Explicou que Rory é especial porque ela é basicamente um terminal? NÓS JÁ SABÍAMOS DISSO!!!

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O maior problema do livro é o fato de que fica muito claro que ele está apenas fazendo uma ponte até a conclusão da série. Teria sido muito simples concluir a história nesse terceiro livro, mas a autora preferiu introduzir plots novos e esticar essa saga um pouco mais. O resultado é uma tentativa frustrante e cansativa, com um final vago que me deixou com aquela pergunta de “É sério que o livro acaba assim?” na cabeça. E isso nunca é o tipo de reação que você quer ter como final de um livro.

Enfim, é muito estranho chegar ao terceiro livro da série e ter a impressão de que o enredo está enchendo linguiça. O livro inteiro se passa em torno de alguns dias e é realmente essa a sensação que a leitura passa. Apesar de gostar da escrita da Maureen Johnson e dos personagens, O Gabinete Paralelo é o tipo de livro que eu realmente não vou me lembrar daqui a alguns dias. É aquele livro que você precisa ler porque quer chegar ao final da série, mas não te dá aquele suspense de querer muito saber aonde a história vai chegar. Realmente decepcionante.

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Resenhas 05dez • 2017

O Coletor de Espíritos, por Raphael Draccon

No começo desse ano, quando eu estava detalhando as minhas metas de leitura, um dos objetivos que eu coloquei para mim mesmo era de ler mais livros nacionais. E como sempre, eu não consegui ler todos os livros que gostaria, mas eu fiquei realmente feliz de ter a oportunidade de finalmente conhecer o trabalho do Raphael Draccon. Apesar de ter ouvido falar muito das séries Dragões do Éter e Legado Ranger, O Coletor de Espíritos foi a minha introdução aos livros do Raphael Draccon. E olha, foi uma introdução bem positiva.

O livro se passa em Véu-Vale, um pequeno vilarejocercado de lendas sombrias que assombra os moradores em dias de chuva. Gualter Handman, um famoso psiquiatra achou que tinha conseguido escapar das histórias de Véu-Vale quando deixou a cidade na sua juventude, mas ainda ouve os gritos da cidade. Quando recebe a notícia de que sua mãe sofreu um infarto, Gualter precisa retornar a Véu-Vale e encarar de frente todas as figuras sombrias que habitam os cantos do vilarejo, assim como as sombras de seu passado.

Vamos direto ao ponto, O Coleto de Espíritos foi uma leitura muito boa. Eu não tenho como comparar com os outros livros dele, mas se a escrita do Raphael Draccon for tão boa neles como foi nesse livro, eu vou agora mesmo para a livraria. Em cada momento do livro, a narrativa entrega um impacto emocional que fica com o leitor depois de um bom tempo. E consegue fazer isso sem se tornar uma leitura difícil.O livro mantem o equilibro entre os dois extremos muito bem.

Frio. Sussurros. Silêncio. Em Véu-Vale sempre foi assim.

Sem dúvida o maior acerto do livro é a atmosfera. A escrita passa muito a sensação de que alguma coisa está sempre se esgueirando nas sombras de Véu-Vale, e você passa a leitura inteira esperando alguma coisa acontecer, e quando acontece, você sente o impacto. Me lembrou muito os livros do Stephen King, aquela sensação de que você não pode relaxar nem por um segundo, porque alguma coisa vai aparecer para te assurtar. O livro não tem um momento chato, ou lento, todas as partes desempenham muito bem as suas funções.

Os personagens são bem construídos, apesar de a maioria servir mais como apoio para Gualter, que é um ótimo protagonista. O fato de ele ser um terapeuta, e se recusar a largar do lado mais cético da sua mente funciona muito bem, porque nós temos a chance de observar os acontecimentos de Véu-Vale através dos olhos de alguém que está sempre procurando a resposta mais lógica. Então quando ele encontra algo que não consegue explicar, nós sentimos o quanto isso o assusta.

— E o que os monstros fazem nos dias de chuva? Aparecem e perseguem os andarilhos?
— Também, mas essa não é a parte mais assustadora.
— E qual é a parte mais assustadora?
— Quando eles gritam.

A única coisa que eu apontaria como negativa no livro são os diálogos. Apesar de nenhum ser exatamente ruim, alguns deles não me pareceram naturais, e acabaram me tirando um pouco da história. Os melhores momentos do livro são realmente as partes em que a narração carrega o leitor pela história, o livro quase não precisa de diálogos para passar o quanto a cidade de Veu-Vale é aterrorizante. Mas isso pode ser uma questão de gosto mesmo, e não foi o bastante para me desanimar dessa leitura.

No geral, O Coletor de Espíritos foi uma ótima introdução a bibliografia do Raphael Draccon. Essa leitura só reforçou ainda mais o meu desejo por consumir mais literatura nacional, principalmente os outros livros do Draccon, e eu recomendo fortemente esse livro para todos que estão procurando por uma leitura impactante. Não deixem de conferir esse livro porque ele realmente é muito, muito bom.

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Resenhas 02dez • 2017

Os Saqueadores, por Tom Cooper

Se tem uma coisa que eu aprendi em relação a leituras esse ano, foi que os livros sobre os quais eu sabia menos foram os que mais me surpreenderam. Eu literalmente nunca tinha ouvido falar sobre Os Saqueadores quando comecei essa leitura, então eu realmente não tinha expectativa nenhuma para a história. E isso acabou sendo a melhor coisa que eu poderia ter feito, porque Os Saqueadores me agarrou inteiramente pela força da história e dos personagens.

Os Saqueadores se passa em uma pequena cidade da Louisiana, anos após a passagem do Furacão Katrina. Quando uma plataforma de petróleo explode no Golfo do México, a vida dos habitantes da cidade de Jeanette, que dependem em grande parte a pesca de camarões para se sustentarem, acaba sendo muito afetada. O livro segue alguns dos habitantes dessa cidade enquanto eles tentam lidar com os efeitos do derramamento de óleo, além de outras coisas como tesouros enterrados e tráfico de drogas.

A escrita do Tom Cooper é simplesmente maravilhosa. O livro tem um ritmo incrível, e a leitura dele é realmente uma delícia. O livro é narrado por alguns personagens diferentes, e todos eles tem vozes bastante distintas, e todos conseguem passar muito bem todos os conflitos e emoções da história. Apesar de eu ter gostado mais de algumas partes do que outras, eu não consigo separar nenhuma delas como sendo realmente ruim. O livro como um todo é inteiramente ótimo

Eles saíram como espectros da boca escura do bayou, primeiro uma luz fantasmagórica na névoa, depois o ronco de um motor: uma lancha de alumínio deslizando sobre água preta como laca.

O enredo em si é talvez um pouco simples demais para o meu gosto, mas o desenvolver da história é bem mais interessante do que parece. Foi por isso que eu fiquei tão feliz de ter entrado nessa leitura sem saber nada sobre o livro. Se eu soubesse alguma coisa sobre o enredo antes de ler o livro, eu provavelmente não teria escolhido esse livro, simplesmente porque não é o tipo de livro que eu gosto de ler. E olha, fomos surpreendidos novamente. O livro me agarrou bem rapidinho e não me soltou até chegar no final.

E por falar no final, esse provavelmente é o único ponto que eu levantaria como sendo negativo. Eu tive a sensação que o livro meio que larga alguns dos pontos da história chegando no final, o que é um pouco decepcionante. Eu entendo que alguns dos personagens são mais importantes que outros, no caso Wes, Lindquist e Cosgrove são os principais, mas os outros acabam ficando apagados no final do livro. É uma pena, porque todas as histórias são interessantes, mas eu não diria que isso é o suficiente para me desgostar dessa leitura.

Então, Wes ficou sozinho na escuridão do bayou, silencioso, a não ser pelas ondas batendo no barco. Olhou para o norte, onde as luzes do porto de Jenette cintilavam tão longe e fracas no horizonte que bem poderiam ser uma miragem. Ele ligou o motor.

E falando nos personagens, como eu já disse, todos muito bem construídos e trabalhados, exceto pelo final que eu já mencionei. O meu favorito foi o Wes, e eu realmente adorei observar o relacionamento dele com o pai, foi a minha parte favorita do livro. E mesmo Wes tendo roubado a maior parte da minha atenção, Lindquist e Cosgrove também são muito bons. Ao longo da leitura, você realmente tem a sensação de que conhece esses personagens e se envolve emocionalmente com eles.

Sinceramente, Os Saqueadores foi mais um exemplo do universo me agarrando pelos ombros e me ensinando que eu preciso sair da minha zona de conforto das leituras. Ótimos personagens, escrita maravilhosa, e apesar do problema do final, uma história que me deixou bastante satisfeito. Os Saqueadores é o livro de estreia do Tom Cooper e eu já estou aguardando ansiosamente o próximo livro dele. Se você está procurando uma leitura diferente do que geralmente aparece nas listas de mais vendidos, Os Saqueadores é uma ótima sugestão.

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Resenhas 22nov • 2017

A Estrela da Meia-Noite, por Marie Lu

ATENÇÃO: Essa resenha contém spoilers dos primeiros livros da série jovens de elite. prossiga com cautela!

Eu estava muito curiosos para a leitura de A Estrela da Meia-Noite. Pra quem não leu a resenha de A Sociedade da Rosa, essa série fez uma coisa que eu nunca tinha visto uma série YA fazer antes: o livro explorou de verdade o lado obscuro de sua protagonista e a transformou em uma vilã. Então eu pelo menos queria que A Estrela da Meia Noite desse continuidade a essa jornada e que eles não tentassem justificar as ações da Adelina. E no geral o livro faz exatamente isso, mas eu não consigo largar da sensação que ficou faltando alguma coisa.

Em A Estrela da Meia-Noite, Adelina Amouretto agora é a Loba Branca, rainha de um exercito que está aos poucos dominando territórios e trazendo dor aos não-marcados. Mas Adelina é atormentada por diversos fatores, como a natureza obscura de seus poderes, a deterioração que os malfettos andam sofrendo e o paradeiro de sua irmã Violetta. Todos esses fatores colidem quando uma nova ameaça força Adelina a unir forças com os Punhais, seus antigos aliados e maiores inimigos.

Ok, vamos por partes. Eu não vou falar muito da escrita da Marie Lu nessa resenha, porque é o terceiro livro da série e o que eu tinha pra falar da escrita, eu falei na resenha de A Sociedade da Rosa. Basta falar que ela é uma ótima escritora e é uma das minhas favoritas nessa cena de distopias YA. Ela consegue passar muito bem as emoções complexas que os personagens sentem, e todo o conflito interno que se passa na cabeça da Adelina. A única coisa que me incomodou na escrita do livro foram os capítulos aleatórios narrados por outros personagens. Por mais que eu entenda a intenção de ampliar o ponto de vista da história, eu achei que os capítulos pareceram espalhados aleatoriamente pelo livro.

– Chegara o dia em que a derrubaremos. Escreva minhas palavras. Vamos assombras seus pesadelos.

Cerro os punhos e lanço uma ilusão da dor através de seu corpo.

– Eu sou o pesadelo.

Esse livro se aprofundou muito mais na mitologia do universo da série do que os outros e eu realmente gostei de como isso foi feito. Talvez os dois primeiros livros da série poderiam ter passado um pouco mais de tempo explorando esse lado da história, já que eles focaram mais nos aspectos políticos e emocionais, mas o que o terceiro livro mostrou já me agradou bastante. Foi muito interessante ver o livro explorando a ideia de que os Jovens de Elite são basicamente o meio termo entre deuses e mortais.

Mas vamos a questão mais importante: O livro continua a exploração da Adelina como vilã? E a resposta é sim, de uma certa forma. Nesse terceiro livro, nós vemos ainda mais do lado sombrio de Adelina, e o livro não tenta justificar as coisas que ela faz. Nós entendemos exatamente o porque dela ter chegado a esse ponto, mas o livro não tenta te convencer que ela é apenas uma vítima. A história não deixa ela se safar sem consequências, e no final você realmente tem a sensação de que ela passa por uma transformação incrível.

Quantas pedras foram jogadas em mim quando criança? Quantas crianças marcadas foram queimadas vivas nas ruas? Como é irônico ver esses soldados vestidos de branco que tanto temi agora obedecendo a todas as minhas ordens.

Por outro lado, a única coisa que eu vou levantar como negativa do livro é o fato de que ele me parece ser curto demais. O ritmo do livro é um pouco bagunçado, como se ele não te desse muito tempo para respirar entre um momento e outro. Quando morre um personagem, você não tem a chance de realmente sentir o impacto que deveria. No fim da leitura, eu fiquei com a impressão de que não tinha lido o livro inteiro, como se a minha edição tivesse vindo com capítulos faltando.

No geral, A Estrela da Meia-Noite não é um livro ruim, mas não é exatamente o que eu esperava da conclusão da série Jovens de Elite. Apesar de gostar muito da evolução da Adelina como personagem e de onde o enredo a leva, quando conclui essa leitura, eu fiquei com a sensação que tinha lido um conto que fazia parte da série, não o capítulo final da trilogia. A série como um todo é ótima, mas essa terceira parte infelizmente deixou a desejar. Mas com certeza recomendo essa e todos os outros trabalhos da Marie Lu que continua sendo uma das minhas autoras favoritas.

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Resenhas 18nov • 2017

Lembra Aquela Vez, por Adam Silvera

É sempre uma surpresa agradável quando um livro consegue te surpreender. Eu tinha ouvido falar muito sobre os livros do Adam Silvera, e baseado nos comentários que eu tinha lido, eu entrei nessa leitura esperando uma coisa, e acabei encontrando outra completamente diferente. Lembra Aquela Vez foi aquele livro em que você acha que entende aonde a história está indo, o livro vem e te dá um tapa na cara, da melhor forma possível. Mas vamos começar do começo.

Lembra Aquela Vez segue o adolescente Aaron Soto, que está tentando se recuperar de uma tentativa de suicídio após encontrar o seu pai morto com a própria navalha de barbear. Aaron tem o apoio de sua mãe e de sua namorada Genevieve (além de a possibilidade de passar pelo tratamento no Leteo, um instituto que remove memórias dolorosas), mas isso não parece ser suficiente. Então Aaron conhece Thomas, um garoto do conjunto habitacional vizinho ao seu. Logo, se torna muito obvio para as pessoas ao seu redor que Aaron está se apaixonando por Thomas. Quando seus colegas de bairro decidem lhe ensinar uma lição dolorosa, isso acaba desencadeando lembranças em Aaron, que talvez já tenha passado pelo tratamento.

Eu realmente não quero entregar muita coisa da história, porque as surpresas acrescentam demais para o enredo. Vou apenas dizer que Lembra Aquela Vez em agradou de uma maneira completamente diferente do que eu estava esperando. Eu achei que ia encontrar um YA contemporâneo sobre um garoto que descobre estar se apaixonando por um amigo, e acabei encontrando uma história muito mais complexa. Esse é o tipo de surpresa mais legal que você pode ter em relação a um livro. Eu realmente não estava esperando a quantidade de socos emocionais que esse livro ia acabar me dando.

“A primeira vez que vi um cartaz no metrô divulgando o instituto capaz de fazer as pessoas esquecerem as coisas, pensei que se tratasse de uma campanha de marketing para um novo filme de ficção cientifica. E quando vi a manchete “Aqui hoje, esquecido amanhã” na capa de um jornal, pensei que a matéria falasse de algo sem graça, como a cura para um novo tipo de gripe.”

Aaron funciona muito bem como protagonista. Ele é um garoto inteligente, criativo, sensível, e que consegue carregar muito bem a narrativa da história. Desde o primeiro momento do livro, é possível perceber o peso emocional que ele está carregando, e é bem legal ver o quanto as pessoas ao redor dele, principalmente a mãe e a namorada, Genevieve, são empenhadas em apoiá-lo. É ótimo ver um livro que mostra o quanto é importante explorar e expressar seus sentimentos, principalmente quando se trata de um personagem homem, já que vivemos em uma sociedade que reprime o desenvolvimento emocional dos homens.

A escrita do Adam Silvera é tão boa quanto eu achei que seria. Ele consegue falar muito bem a linguagem de um adolescente confuso que ainda está se descobrindo, em mais de uma maneira. E os diálogos e pensamentos de Aaron nunca parecem forçados ou falsos. Eu já tinha ouvido falar muito dos livros dele, e essa leitura só me animou ainda mais para conhecer o resto da bibliografia dele. Tomara que as editoras tragam os outros livros dele logo, porque eu mal posso esperar.

“Thomas também corre o dedo sobre a cicatriz depois cutuca meu pulso duas vezes. Seus dedos estão sujos do ioiô e de outras coisas do telhado. Mas agora eu entendo; ele desenhou olhos, com duas impressões digitais sujas sobre a cicatriz.”

Mas a maior força de Lembra Aquela Vez é a forma que ele tem de te dilacerar completamente com as suas reviravoltas. Eu obviamente não vou entregar nenhum dos momentos importantes, mas tiveram partes desse livro em que eu literalmente fiquei sem ar lendo. Eu tive que parar para respirar porque estava tão completamente envolvido com a história e os personagens. Fazia tempo que eu não me perdia assim em um YA contemporâneo, e eu estava realmente sentindo falta disso.

No geral, Lembra Aquela Vez foi uma surpresa muito agradável. Eu entrei nessa leitura esperando achar uma história bonitinha e divertida, e sai dela com o meu emocional completamente destruído, o que é sempre uma coisa boa numa leitura. Recomendo sinceramente esse livro para todos vocês, e peço encarecidamente para as editoras: Tragam logo os outros livros do Adam Silvera porque eu já estou me coçando de vontade de conhecer mais do trabalho dele.

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Resenhas 08nov • 2017

Carbono Alterado, por Richard Morgan

O hype é uma coisa muito filha da mãe, não é? Você escuta tanto sobre um livro, lê tantas críticas falando que ele é a coisa mais maravilhosa que existe, e quando você pega pra ler… descobre que o livro é “legal” – não chega a ser ruim, mas não chega perto de toda aquela expectativa que você construiu. Foi exatamente isso que aconteceu comigo nessa leitura de Carbono Alterado. Eu vinha ouvindo falar tanto nesse livro, principalmente depois que foi anunciado que ele vai ganhar uma adaptação na Netflix, que acabei me decepcionando quando a leitura foi boa, mas não foi tudo o que me tinha sido prometido. E vamos deixar claro desde o início: Carbono Alterado é bom. Mas é só isso mesmo. E isso não seria um problema, se não fosse pelo fato de que o livro me foi vendido como um novo clássico de ficção científica.

Carbono Alterado se passa em um futuro em que os humanos descobriram um método para armazenarem suas consciências em chips de computador. Quando a pessoa morre, o chip dela é simplesmente transferido para um novo corpo. Takeshi Novacs, um ex-militar de elite, é trazido para a terra para solucionar o assassinato do milionário Laurent Bancroft. O que Kovacs não imagina é que essa investigação vai lança-lo no centro de uma conspiração perversa até para os padrões de uma sociedade que trata a existência humana como um produto a ser comercializado.

A primeira coisa me me incomodou um pouco com o livro foi a quantidade de world building. É claro que a gente já espera muita world building de um livro de ficção científica, já que ele precisa explicar exatamente como funciona o universo em que a história se passa. Mas Carbono Alterado tem tanta world building que a leitura chega a ficar maçante. Em alguns momentos do livro, eu tive a sensação de estar lendo por um bom tempo, mas quando fui ver, só tinha passado por algumas páginas. E ainda assim, eu não tenho certeza que entendi direito como o mundo de Carbono alterado funciona (Apesar de que isso pode ser porque eu não sou lá a bolacha mais inteligente do pacote, né). As partes em que o livro precisa parar para explicar os detalhes do mundo foram as partes mais chatas da história.

“Kadmin tinha se libertado das percepções convencionais do físico. Numa era anterior, ele teria sido um xamã; aqui, os séculos de tecnologia o haviam transformado em algo mais. Um demônio eletrônico, um espírito maligno que habitava o carbono alterado e emergia apenas para possuir carne e semear o caos. ”

Por outro lado, as cenas de ação foram simplesmente incríveis. Apesar de serem um pouco gráficas, o que pra mim não é um problema, as cenas de ação pareciam que tinham saído de um filme de Hollywood. Espero de verdade que a Netflix consiga adaptar essas cenas da melhor forma possível na série, porque seria uma pena perder esse aspecto da história. Kovacs é realmente um personagem badass, até mesmo quando ele não está ganhando as brigas. Acho que eu nunca li um livro que tivesse cenas de ação tão dinâmicas assim, e eu geralmente não gosto tanto de cenas de ação. Realmente maravilhosas.

Outro aspecto no qual o livro perdeu alguns pontos comigo tem haver com as cenas de conteúdo sexual. Eu não tenho nenhum problema com livros que contem cenas mais quentes, elas podem ser bastante bem feitas, mas Carbono Alterado foi um pouco além do que eu considero necessário. Talvez seja porque eu estou mais acostumado com livros YA que tratam o sexo de uma forma mais sútil, mas realmente achei que as cenas de sexo desse livro foram um pouco demais para o meu gosto.

“A vida humana não tem valor. Você ainda não aprendeu isso, Takeshi, depois de tudo que já viu? Ela não tem valor intrínseco nenhum. Maquinas custam dinheiro para construir. Matérias-primas custam dinheiro para extrair. Mas gente? -Ela fez um barulhinho de cuspe.- Sempre dá pra arranjar mais gente. Pessoas se reproduzem como células cancerosas,quer você as queira ou não. São abundantes, Takeshi. Por que deveriam ser valiosas?”

Os personagens do livro são todos bem interessantes, principalmente o protagonista Kovacs. Mas os outros personagens como Kristin Ortega, Laurent Bancroft, Miriam Bancroft, entre outros que eu não posso citar porque seriam spoilers são todos muito bem construídos e eu fiquei querendo saber mais sobre cada um deles. O aspecto de filme noir de Carbono Alterado é tão interessante porque você realmente fica intrigado sobre cada um dos personagens, então fica louco pra saber a resolução da história. Eu acabei curtindo o lado de mistério do livro bem mais que o lado ficção científica.

No geral, Carbono Alterado foi realmente uma vítima da hype. Se eu não tivesse esperando um novo clássico cyberp punk, eu provavelmente teria curtido essa leitura muito mais. Mas da forma em que eu experienciei o livro, Carbono Alterado é uma história de mistério intrigante que acaba se perdendo em elementos de ficção científica e cenas de sexo grosseiras. E só pra constar, eu mal posso esperar pela série do Netflix.

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Lista 24out • 2017

4 Releituras de Contos de Fadas que vocês precisam conhecer

Se tem uma coisa que parece que os filmes, séries e livros sempre vão ter como fonte de inspiração, essa coisa são os contos de fadas. Sem nem mencionar os filmes da Disney, é praticamente impossível listar todos os exemplos em que Hollywood se inspirou nos contos de fadas para criar novas versões. Once Upon a Time, Terra do Nunca, os filmes de Alice no País das Maravilhas dirigidos pelo Tim Burton, os exemplos são praticamente infinitos. Apesar de que vale mencionar que nem todos esses exemplos são necessariamente bons.

Pensando nisso, nós resolvemos juntar alguns desses exemplos que vocês talvez não conheçam, sendo eles filmes, séries ou livros. Nós tentamos trazer exemplos que fizessem coisas diferentes com os contos de fadas, então nessa lista não vão estar os filmes da Disney por exemplo, nem a série Once Upon a Time, até porque você com certeza já ouviu falar deles.

Crimson Bound

Vamos começar essa lista com um livro. Crimson Bound é da mesma autora de Beleza Cruel, Rosamund Hodge, que é outra releitura de um conto de fadas. Crimson Bound é inspirado em Chapeuzinho Vermelho, e pelas resenhas que eu li, consegue levar o conto de fadas para lugares completamente novos. Eu ainda não li os livros da Rosamundo Hodge, mas fiquei muito interessando em Crimson Bound.

Crimson Bound conta a história de Rachelle, uma jovem que anos atrás era aprendiz de sua avó, e treinava para proteger o reino das força do mal. Mas Rachelle em um momento de fraqueza cometeu um erro terrível. Afim de se redimir por esse erro, Rachelle dedica sua vida a lutar contra criaturas mortíferas. Mas o rei ordena a Rachelle que proteja seu filho, Armand. Com a ajuda de Armand, que ela odeia, Rachelle descobre uma conspiração, magias ocultas, e um amor que pode ser a ruína dos dois.

Avengers Grimm

Quem é vidrado em filmes, principalmente filmes ruins, já deve ter esbarrado em algum filme do estúdio The Asylum, conhecido por produzir versões, digamos assim, mais capengas de blockbusters de Hollywood. Pois em 2015, The Asylum resolveu matar dois coelhos com uma cajadada, e produziu um filme que seria a junção do sucesso esmagador Os Vingadores, e da série Once Upon a Time. E foi assim que o maravilhoso desastre Avengers Grimm nasceu.

Avengers Grimm segue um time formado pelas princesas dos contos de fadas mais famosos: Branca de Neve, Rapunzel, Cinderella, etc, tentando impedir que Rumpelstiltskin consiga dominar o mundo (e por algum motivo, o filme se passa no nosso mundo, e não em um mundo de conto de fadas. Mas enfim). O filme é uma obra prima de efeitos especiais ruins e um plot que não faz nenhum sentido, e é uma ótima recomendação para aqueles que como eu adoram esses filmes b de péssima qualidade.

Grimm

Falando um pouco sobre séries (e eu não vou falar sobre Once Upon a Time, porque eu simplesmente não tenho paciência pra essa série), Grimm veio naquela época em que Hollywood ficou meio que obcecada com contos de fadas por alguns anos, e parecia que toda semana era anunciado algum projeto baseado em algum conto de fadas. Eu nunca fui tão ligado na série (eu tenho meio que uma birra com séries que tem 20 e poucos episódios por temporada) mas a ideia de uma série policial misturada com contos de fadas sempre me pareceu interessante.

Grimm é baseada na premissa de que as criaturas dos contos de fadas são reais, e são bastante perigosas. Afim de proteger o mundo dessas criaturas, existem os Grimm, uma longa linha de guardiões, que tem o dever de manter o equilíbrio entre os humanos e as criaturas. O protagonista da série, Nick Burkhardt, é um policial que descobre fazer parte dessa linhagem de Grimms. A série teve 6 temporadas, e a partir da segunda temporada, teve críticas bem positivas.

Hanna

E finalmente, chegamos ao meu item favorito dessa lista. Hanna é um filme que eu realmente gostaria que mais pessoas conhecessem, não só por ser uma releitura bem original de um conto de fadas, mas também por ser um filme de ação que conta com uma protagonista e uma vilã mulheres. Não só isso, a estrela do filme é a Saiorse Ronan que realmente merece ser reconhecida como uma das melhores atrizes dessa nova geração de Hollywood, bem mais do que outras que recebe bem mais atenção que ela (mas não vamos citar nomes, não é?).

Hanna segue uma jovem que vive com o pai em uma zona selvagem da Finlândia. Hanna passou toda a sua vida isolada da sociedade, treinando com seu pai, um ex agente da CIA, em combate mão-a-mão e no uso de diversas armas. Aos 15 anos, Hanna é uma assassina competente e letal. Um dia, Hanna precisa colocar todo o seu treinamento em prática quando uma agente especial da CIA e seu time são despachados para matar o pai de Hanna, que sabe de um segredo que não pode ser divulgado para o grande público.

Entrevistas 18out • 2017

Pam Muñoz Ryan fala sobre as mensagens de “Ecos”

A DarkSide lançou esse ano Ecos, o mais novo livro da premiada autora Pam Muñoz Ryan. Nós do La Oliphant adoramos o livro, e decidimos trazer uma entrevista da autora traduzida para que vocês possam conhecer um pouco mais dessa linda história. A entrevista foi realizada pelo site Publishers Weekly, e nela a autora fala um pouco sobre as mensagens por trás do livro e da importância da música.

No novo livro de Pam Muñoz Ryan, Ecos, uma gaita mágica trás esperança e mudança para três crianças crescendo na sombra da Segunda Guerra Mundial: Friedrich, na Alemanha; Mike, em Nova York; e Ivy Maria, na Califórnia. Ryan também é a autora de Esperanza Rising e Becoming Naomi Leon, além de diversos outros trabalhos para crianças e jovens adultos. Ryan conversou com PW sobre os relacionamentos de seus trabalhos anteriores com Ecos, a importância da arte ao longo da jornada do amadurecimento, e até sobre sua curta carreira de criança violinista.

Você tem esse livro novo saindo, mas esse ano marca o 15º aniversário de um dos seus livros mais conhecidos, Esperanza Rising. Como é olhar para trás disso tudo agora?

É extremamente gratificante. Quando você escreve um livro, você meio que lhe dá um grande abraço e o manda para o mundo, e você realmente não sabe as avenidas que ele vai tomar ou as coisas maravilhosas que vão acontecer com ele. A peça de Esperanza Rising, que foi encomendada pelo Teatro de Crianças de Minneapolis, foi performada em todo o país, e isso é algo que eu nunca sonhei que poderia acontecer. Mas o que significou mais pra mim é a quantidade de cartas que recebo de professores que o livro é tão relevante hoje quanto era quando foi lançado.

Partes de Ecos parecem remeter a aspectos de Esperanza Rising, particularmente a história de Ivy Maria como uma mexicana-americana na Califórnia. Essas similaridades foram intencionais?

Na verdade, não foram intencionais. Quando eu comecei a escrever Ecos, eu estava pesquisando uma história inteiramente diferente sobre o primeiro caso bem sucedido de desagregação em 1931, em Lemmon Grove, Califórnia. Mas quando eu estava pesquisando esse caso, encontrei uma foto de um grupo de alunos sentados na escada de uma escola em particular, e cada um deles estava segurando uma gaita. A professora idosa na biblioteca me disse “Sim, esse era o clube de gaita da nossa escola primária. Todo mundo tinha uma durante aquele grande movimento de banda de gaitas.”

Aquela frase – “grande movimento de banda de gaitas” – realmente despertou minha curiosidade, então eu fui pra casa e comecei a pesquisar. Isso me levou aa banda de gaita muito famosa de 60 garotos que tocou na parada de Charles Lindbergh, usando o mesmo tipo de gaita daquela escola de campo. Então eu tinha a premissa bem ali para dois, Ivy e Mike, mas eu precisava de um terceiro. Eu viajei para a Alemanha para aprender mais sobre essa gaita e descobri que eles costumavam ter jovens aprendizes na fábrica. Foi assim que a história de Friedrich começou a se formar.

E você sabia desde o começo que você queria contar essas três histórias conectadas, ou houveram outras estruturas com as quais você brincou? Você abordou esse livro de alguma forma diferente no que se trata do seu processo de escrita?

É engraçado – todo livro é configurando de forma diferente, mas pra esse eu fui e comprei um quadro branco enorme para acompanhar tudo. Eu escrevi o que acontecia em cada mês para cada história, e depois eu também escrevi os temas musicais que atravessavam os três. Quando eu escrevo um livro, eu geralmente sei a cena de abertura ou a estrutura geral, e eu seu a resolução emocional que eu espero atingir, mas eu não sei de verdade aonde os personagens vão me levar no meio.

Então eu tinha essas três histórias principais, mas eu não queria que isso fosse apenas episódico – Eu queria que existisse uma linha mais rica que unisse todas elas. E foi isso que me levou a esse conto de fadas que suporta os três. Escrever contos de fadas é quase como um gênero literário diferente: não tem backstory, e você faz o oposto do que escritores geralmente fazem na narrativa, que é mostrar em vez de contar enquanto o leitor preenche as lacunas completamente. A outra coisa que foi difícil foram as seções terminam em um cliffhanger, então não tem uma resolução para cada seção. Eu tive que deixa-las no ar. Parte do que o conto de fadas faz é prometer que, embora talvez não seja um felizes-para-sempre da Disney, vai haver uma resolução que junte tudo.

Tematicamente, a música tem um papel importante nessa história, e é uma grande parte do que une as três histórias. A música teve um grande papel na sua vida também?

Bom, eu não sou uma musicista, apesar de que um tempo atrás eu quis ser uma. Eu tive aulas de piano e de violino quando era jovem – eu era no máximo medíocre no piano, mas eu era muito apaixonada pelo violino. Eu tinha um professor muito rigoroso na escola primária, e ele nos deu um longo sermão sobre o cuidado que devíamos ter com nossos instrumentos. Um dia a ponte do meu violino soltou quando eu estava praticando, e eu tive tanto medo da sua reação que tentei consertar com um tubo de cola de madeira. Como uma garotinha na terceira ou quarta série, eu realmente achei que ele não ia notar! Então eu arruinei o violino da escola, e esse foi o fim das minhas lições. Elas terminaram em vergonha.

Então eu nunca corri atrás da música, a não ser como parte de uma plateia devotada. Mas eu acho que essa é a melhor coisa: você não precisa ser músico para amar a música; e você não precisa ser escritora para amar livros. Em Ecos, a música se transforma em uma coisa linda e brilhante que permite que as pessoas atravessem uma floresta escura. Para esses personagens, que viveram em tempo tão difícil, eu queria que a música fosse a ressonância emocional nas suas vidas.

Se você pudesse garantir que os leitores tirem apenas uma coisa desse livro, o que você consideraria como a mensagem mais importante?

Ecos é sobre como a música ilumina as vidas dos meus personagens durante um tempo bastante sombrio. Eu acho que a maioria dos meus livros são sobre essas jornadas em que os personagens tem que crescer e mudar drasticamente, seja essa uma jornada emocional ou uma física. E se fosse olhar para Esperanza Rising, até durante a hora mais escura da jornada dela, sempre tem alguma coisa dentro dela lhe dando determinação para continuar. Eu espero que o leitor aprecie o livro pela história, mas também que alguma coisa o lembre que mesmo durante as horas mais sombrias, algo puro e lindo existe. Como a música.

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Ecos, da premiada escritora norte-americana Pam Muñoz Ryan, é uma fábula como há muito não se via – ou se ouvia. Um conto de fadas dark, que resgata o melhor da tradição dos irmãos Grimm, combinado com delicados momentos do século XX, como as duas grandes guerras e a Depressão econômica que assolou os Estados Unidos nos anos 1930. O resultado é uma fantasia histórica repleta de perigos e beleza, emoldurada pelo poder da música. A aventura começa cinquenta anos antes da Primeira Guerra Mundial — “a guerra para acabar com todas as guerras” —, quando o pequeno Otto se perde na Floresta Negra e encontra as três irmãs encantadas, prisioneiras de uma velha bruxa, que conhecia apenas das páginas de um livro, e acreditava ser apenas uma lenda. Como em um passe de mágica, as irmãs ajudam o garoto a encontrar o caminho de casa. E Otto promete libertá-las, levando o espírito das três dentro de uma inusitada gaita de boca. Ao longo dos anos, o instrumento chega à mão de novos donos: um menino que vê o sonho de se tornar músico interrompido pela ascensão do nazismo; um jovem pianista prodígio que vive num orfanato e luta para não ser separado do irmão caçula; uma filha de imigrantes mexicanos que cuidam de uma casa de japoneses enviados a um campo de concentração dentro dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. Personagens com dramas diferentes, mas um amor transformador pela música. Cada um à sua maneira, eles são afetados pela magia das três irmãs. Assim como os leitores do livro em todos os países em que ECOS foi lançado. Prepare-se para também ser arrebatado e enfeitiçado por essa fábula harmônica.

Participe do nosso sorteio e ganha 1 exemplar de Ecos

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Regulamento do Sorteio

– A promoção é válida até 4/11/2017, tendo seus ganhadores anunciados na fanpage dos blogs;
– Este sorteio é realizado através da plataforma Rafflecopter;
– Para validar o prêmio o ganhador deverá cumprir com todas as solicitações do Rafflecopter;
– Ao fim da promoção será sorteado apenas 01 ganhador para todos os prêmios cedidos neste sorteio;
– A promoção é válida somente para quem tem endereço de entrega no Brasil;
– O ganhador terá o prazo de 03 dias para responder ao e-mail que lhe será enviado. Caso não o faça, um novo ganhador será definido;
– O envio do livro será feito pela Editora Darkside no prazo de até 90 dias após o ganhador informar seu endereço;
– O blog e a editora não se responsabilizam por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabilizam por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador;

Esta entrevista foi originalmente publicada no site Publishers Weekly. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Resenhas 17out • 2017

Ecos, por Pam Muñoz Ryan

Existe sensação melhor do que quando você pega uma leitura com bastante hype, e ela atinge todas as suas expectativas? Eu ouvi tantas coisas boas sobre Ecos, li tantas resenhas positivas, e a edição da Darkside é tão linda (novidade, né?) que eu estava realmente preparado para me decepcionar com esse livro. Mas no final, Ecos foi ainda melhor do que eu achei que seria. Na verdade, eu acho que Ecos pode acabar sendo uma das minhas leituras favoritas desse ano. Ecos é uma mistura interessante de conto de fadas com ficção histórica. Uma gaita encantada com o espírito de três irmãs encantadas faz uma jornada através de momentos marcantes do século XX, como as duas grandes guerras e a Depressão econômica que assolou os Estados Unidos.

A gaita passa pelas mãos de 3 crianças: Friedrich é um garoto vivendo na Alemanha que sonha em se tornar um maestro, mas a ascensão do partido nazista pode impedir a realização de seus sonhos; Mike é um pianista prodígio que vive em um orfanato e luta para não ser separado de seu irmão mais novo, Frankie; E Ivy é uma filha de imigrantes mexicanos que cuidam de uma casa de japoneses enviados a um campo de concentração dentro dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. Histórias diferentes unidas pelo amor pela música.

Ecos é realmente uma carta de amor para a música, e o livro realmente ressalta o quanto a música é uma linguagem universal, e como ela pode atravessar qualquer tipo de barreira. Eu nunca na minha vida tive tanta vontade de aprender um instrumento quanto eu tive durante essa leitura, fiquei deslumbrado de verdade. O livro consegue passar muito bem o quanto a música pode trazer esperança e conforto para pessoas passando por uma situação difícil. Eu estava curioso pra saber como o aspecto de conto de fadas ia ser utilizado em Ecos, e fiquei feliz dever que ele é bastante sútil (talvez sútil demais?).

“Ele tentou se amparar com as coisas que Papai sempre dizia: Um pé na frente do outro. Siga em frente. Ignore os ignorantes.”

Não existe muita mágica na história, o “conto de fadas” é mais centrado no fato de que a gaita afeta as 3 crianças. E esse elemento é muito bem utilizado, e acrescenta bastante para a história. Nos momentos em que a situação fica mais angustiante para os personagens, é na música que eles encontram um porto seguro para refletirem e tomarem decisões difíceis. E é aí que a gaita e a magia das 3 irmãs entra. Fiquei muito satisfeito quanto a esse ponto do livro.

Ecos é dividido em 3 histórias, cada uma se passando em um momento importante da história. Eu realmente não consigo escolher a minha favorita, todas as 3 são maravilhosas e oferecem narrativas muito bem construídas. No geral, os valores que cada história defende são os mesmos: coragem, tolerância, bondade, amor pela sua família, e principalmente pela música, todos valores muito relevantes e dignos. Por ser essencialmente um conto de fadas, Ecos é o tipo de leitura que pode ser aproveitada tanto por crianças quanto por adultos. A escrita de Ecos é simplesmente incrível.

“Todo mundo tem coração. Às vezes, é preciso se esforçar bastante para encontrá-lo…”

Eu li em algumas resenhas que o audiolivro é ainda mais deslumbrante porque ele conta com a música, e eu com certeza vou ouvir o audiolivro, mas a própria escrita da Pam Muñoz Ryan consegue transmitir as emoções e sentimentos que a música pode criar. Não só isso, o leitor consegue de verdade sentir os conflitos emocionais que os personagens passam. A única coisa que eu acho que pode incomodar algumas pessoas é como cada uma das história acabam, mas eu realmente não me incomodei.

Sinceramente, Ecos foi a surpresa mais agradável que eu tive até agora em 2017. Quando você ouve tanta coisa positiva sobre um livro, você naturalmente espera que ele vai te decepcionar, mas Ecos foi tudo que eu queria e mais. Personagens cativantes, uma escrita maravilhosa, com mensagens importantes que podem ressonar com pessoas de qualquer idade, e um amor sincero e poderoso pela música. Ecos é um livro que eu recomendaria para toda e qualquer pessoa que procura uma boa história.

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