Posts escritos por: Rafaela Rodrigues

Resenhas 27dez • 2017

O Ódio Que Você Semeia, por Angie Thomas

O Ódio Que Você Semeia é o livro de estreia da Angie Thomas, e foi publicado ainda no início desse ano, 2017. De lá pra cá, o livro foi parar na famosa lista do New York Times, em primeiro lugar, e de lá pra cá, ele também chamou minha atenção. Muito. Por razões mil, criei e alimentei altas expectativas pelo que encontraria no livro, graças à sinopse e à capa – passei o ano inteiro querendo lê-lo. Angie Thomas tocou em uma ferida bem feia e aberta dos Estados Unidos, e, talvez sem saber, tocou também em ferida brasileira – universal, talvez -, pois o livro aborda, dentre várias coisas, a alta taxa de mortalidade de jovens negros pela polícia em situações em que, normalmente, não fosse um negro na situação, a morte não ocorreria, e foi exatamente aí onde minhas expectativas encontraram abrigo. A Galera ainda fez uma playlist no Spotify, baseada no livro, mas eu adicionaria outras, mencionadas no livro, como fez a própria Angie Thomas, nessa playlist.

A capa do livro, com uma garota negra segurando um cartaz no qual se lê o título do livro em letras imensas, com apenas seus olhos a mostra, já me deu uma sensação de que eu sentiria um impacto, me lembrou protesto. A contracapa, com o jovem negro sem rosto, abaixo da frase “A justiça é cega?”, já me deu outra sensação, a de que eu precisaria ler com calma, sabendo que teria algum impacto, grande ou pequeno. Minhas expectativas se misturaram com o frio na barriga e eu soube que esse livro poderia ser bem significativo pra mim – não se tornaria uma bíblia ou algo do tipo, mas me tocaria de algum modo, me passaria alguma mensagem. Meu medo? A Angie Thomas ter me enganado com a sinopse e me deixar chupando dedo.

Logo nos primeiros capítulos foi possível compreender bem o contexto da Starr, a protagonista: moradora do gueto, negra, que se divide entre fragmentos de si mesma de acordo com o ambiente onde estiver: Starr de casa e dos amigos negros de Garden Heights, a Starr de Williamson, a escola privada de classe média-alta, no subúrbio, em que estuda, onde tem seus amigos brancos e seu namorado Chris. Em casa, Starr pode ser ela mesma, enquanto na escola, ela deve agir de forma neutra para não incorporar nenhum estereótipo de negra do gueto – e esses mundos não se misturam. Até aí, nada se mistura e ela consegue manter essa linha divisória perfeitamente. Em uma trágica noite, Starr testemunha o assassinado a sangue frio de seu melhor amigo, Khalil, por um policial. Ela tem dezesseis anos. Ele toma três tiros nas costas, estando desarmado. Leia mais

Literaría 02jul • 2017

A representatividade negra na literatura e como ela apareceu para mim

Minha mãe diz que eu aprendi a ler bem cedo, e que minha primeira Bienal do Livro foi lá pelos meus dois, três anos de idade. Dali em diante eu nunca mais abri mão da presença de livros na minha vida. Cresci como leitora voraz, e me lembro que desaparecia por horas durante uma leitura e outra, tudo porque escolhia lugares como o cantinho do sofá na sala, na certeza de que, se eu ficasse ali quietinha, poderia ler sem ser incomodada. Hoje, aos 23 anos, a única diferença é que eu preciso me planejar bem se quiser ler algo tranquilamente, já que tem as leituras da faculdade (onde eu preciso ler mais e mais livros, já que, para a surpresa de absolutamente ninguém, eu fui parar em Letras!) e os horários apertados entre aulas e deslocamento.

Eu realmente sempre fui apaixonada por livros e sei bem que vocês me entendem quando digo que, normalmente, a primeira coisa que notamos numa leitura é como os personagens nos agradam ou se parecem com a gente, e como algumas de suas ações ou características criam aquela sensação de identificação. Essa ligação com personagens é ótima, mas quando se é uma criança negra – que foi o meu caso – e percebe que todas as princesas tem o cabelo liso e brilhante e peles alvas como a neve e bochechas rosadinhas, isso pode ser um pouco incômodo: um gênero literário como o infantil, que é tão cheio de princesas, mas que não possui uma sequer com o cabelo enroladinho e a pele preta.

A sementinha da falta de representatividade, que é o nome disso, já foi plantada, e os frutos dela são bem amargos. Na adolescência é um tanto quanto devastador quando você se dá conta de que só meninas belíssimas, mas que não são negras, ficam com os carinhas das bandas ou com os personagens principais.

Você nota que as meninas estão sempre ajeitando seus cabelos lisos antes de sair com o senhor príncipe encantado, ou que nunca tem uma personagem negra e forte, não secundária, para servir de espelho. Daí você desiste de buscar representatividade nos livros e tenta se convencer de que eles são um péssimo lugar para buscar isso. Ah, isso se você chegou a se perguntar o motivo. Do contrário, a questão só vai ficar ali, calada e fazendo um barulhinho durante as suas leituras, mas nunca respondida, nunca solucionada. Confesso que eu demorei a escutar e responder essa pergunta interna, mas, desde então, venho tentando recuperar o tempo perdido.

A primeira autora que me fez ver que, sim, eu poderia me sentir representada – e muito bem, obrigada – em meio às páginas dos livros foi a Chimamanda Ngozi Adichie. Descobri a Chimamanda em um post citando Americanah, no Goodreads, ou em alguma resenha do Youtube e, muito curiosa e empolgada, decidi ler sem tradução mesmo, porque eu nasci de 7 meses e sou desesperada. A autora é nigeriana e publicou títulos como Americanah, Meio Sol Amarelo, Hibisco Roxo, Sejamos todos feministas, dentre outros. Já faz um tempo que seus livros, não vou negar, serviram como porta de entrada para que eu começasse a reclamar bastante pela falta acesso e divulgação de autoras negras, personagens negras e fortes, onde a história não se desenrolasse de modo pejorativo por conta de sua raça.

A Octavia E. Butler é também foi uma autora que conheci muito por acaso, muito recentemente e que, inclusive, estou terminando de ler um de seus livros. Ela é afro-americana e escreveu vários livros de ficção científica feminista, tendo como tema, geralmente, racismo e preconceito. Informação importante que eu não fazia ideia até pesquisar para esse post, é que ela foi a primeira autora negra de ficção científica a ser reconhecida internacionalmente por seu trabalho que, por sinal, eu descobri acidentalmente enquanto comprava livros na Amazon usando um cupom de desconto.

O escolhido foi Kindred – cujo tema é escravidão e, com a sorte de estar estudando literatura norte-americana nesse momento, pude ver o quão bem embasado é – e realmente me senti impactada durante a leitura dele, que me serviu de convite para as próximas obras dela. Tem uma citação deste mesmo livro que talvez mostre o quanto a escrita de Butler seja forte, e eu vou coloca-la traduzida logo abaixo.

Sociedades repressivas sempre pareceram compreender o perigo das ideias “erradas” –  Octavia E. Butler, Kindred

Uma outra mulher incrível que também me prende a atenção demais, apesar de não ser por meio de seus livros – já que ainda não os li-, mas por seus roteiros, é a Shonda Rhimes, autora do livro O Ano em que disse Sim, recém publicado no Brasil, e roteirista de séries consagradas como Grey’s Anatomy, Scandal, How to Get Away with Murder e outras. Nas séries, ao menos nas três citadas e que são as que assisto, o que não falta é mulher negra empoderada, de todo o tipo, de diferentes realidades.

Descobrir que existiam essas possibilidades de me enxergar em uma personagem tão parecida comigo, principalmente fisicamente, de dividir os mesmos dilemas na hora de pentear o cabelo ou de ver que existem heroínas disponíveis para que eu me sinta representada foi muito importante para mim e para minha formação, ainda que seja algo recente – o ser humano está em constante formação e evolução, afinal.

Minha vida acadêmica e cultural se modificou bastante, visto que eu resolvi que pesquisaria e me esforçaria para ter contato com mais desse conteúdo, dar mais visibilidade às autoras negras e poder passar isso para minhas priminhas que estão crescendo e correm o risco de passar pelo mesmo que eu passei, ou até para meus filhos, minhas filhas, no futuro. Eu demorei a questionar e procurar solucionar minha dúvida. Eu demorei a descobrir que tinha sim uma variedade de autoras negras para mim e, infelizmente, demorei a ter contato com as autoras negras brasileiras, mas esse já é assunto para um outro post!

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Resenhas 14jan • 2017

Konrad – O menino da lata, por Christine Nöstlinger

Olá, Oliphants! A resenha de hoje é do livro Konrad – O menino da lata, que é voltado para o público infantojuvenil, escrito por Christine Nöstlinger, ilustrado por Annette Swoboda e lançado, aqui no Brasil, pela Biruta. A história contada é sobre Konrad e dona Bartolotti – uma senhora com mania de encomendar coisas-, e como se deu relação de ambos a partir desse encontro promovido pelo impulso de compras dela.

Dona Bartolotti é uma senhora de idade jamais informada, que vive sozinha após a morte de sua mãe e a partida de seu marido. Acostumada a apenas receber ordens quando estas começam por “Meu amor”, dona Bartolotti só conversa consigo desta maneira: se precisa tomar um banho, é “Meu amor, vá tomar um banho” pra cá ou pra lá. Uma personagem amável ao seu modo, que parece ser um pouco solitária, mas bem resolvida com isso; demonstra também ser muito bem humorada e vaidosa.

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Graças a sua mania de adquirir coisas usando cupons, descontos e qualquer coisa do tipo, após as mais diversas encomendas, Bartolotti acaba recebendo uma caixa muito pesada, contendo uma lata muito grande e sem identificação. Ao abrir, a surpresa: um menino ali dentro! Um menino e uma carta com detalhes e instruções, sua certidão de batismo e carteira de vacinação. Dona Bartolotti acabara de receber em sua casa Konrad, sem nem lembrar se havia realmente feito aquele pedido.

O menino aparenta ter sete anos e uma inteligência notável, além de outras características maravilhosas. Konrad é mandado à escola, tendo uma rotina comum e a partir daí podemos observar mais da relação entre ele e Bartolotti, que é uma mãe “nova”, do comecinho até a consolidação desta. Essa ligação entre mãe e filho mostrada de forma diferente, esse relacionamento sem cobranças exageradas, até mesmo diferente do que estamos acostumados a ver, acaba por nos fazer repensar em em alguns preceitos tradicionais típicos relacionados ao tema.

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O livro é só amor! As ilustrações de Annette Swoboda são atraentes por si só. Representam bem determinadas cenas, fazendo com que a experiência literária melhore ainda mais. A diagramação do livro também é boa: o texto está disposto nas páginas com tamanho e fonte confortáveis aos olhos do leitor e há detalhes (numeração das páginas, bilhetes inseridos na história) que são personalizados de forma temática. A narrativa de  Christine Nöstlinger é envolvente, e este provavelmente é um dos motivos que a fez ser tão premiada e reconhecida como ótima autora de livros infantis.

O livro é indicado para crianças a partir dos 8 anos, que são leitores iniciantes, que ainda não abrem mão das ilustrações. É também interessante para contação de histórias, pois o texto tem um ritmo que prende a atenção e não tem muitas mudanças no roteiro ou acontecimentos em excesso. Eu, particularmente, achei o tema incrível, já que não é todo livro que fala sobre relação de mãe e criança e da cobrança social que há aí, ou do ponto de vista da criança em relação a todos os comandos recebidos dos adultos: “aja de tal forma”, “seja um bom menino”, e punições aqui e castigos ali.

Konrad – O menino da lata é um livro apaixonante para crianças, jovens ou mesmo adultos, pois não será tempo perdido. Até mesmo se a escolha for pela capa, que é bem divertida, não vai haver erro! E você, já leu Konrad – O menino da lata? Conhece mais algum livro infantojuvenil que trate de tema similar? Se as respostas foram positivas, conte pra gente!

Resenhas 29nov • 2016

Lúcida, por Ron Bass e Adrienne Stoltz

Lúcida, livro escrito em parceria entre Ron Bass e Adrienne Stoltz é lançamento da Galera Record aqui no Brasil, e traz a história de  duas garotas cujas vidas são totalmente distintas, apesar de dividirem a mesma mente: uma vive nos sonhos da outra. Sempre que uma dorme, a outra vive e assim segue a história. O problema é que duas vidas não podem ser comportadas pelo mesmo corpo. Uma delas precisa partir.

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A divisão começa com um caso na escola: Sloane Margaret Jameson soca um coleguinha e, ao ser confrontada pela professora e pela própria mãe, responde que quem atacou foi Sloane, sua melhor amiga invisível que sempre a colocava em apuros. A partir daí, ela era Maggie – nos sonhos de Sloane. Por mais que dividam o nome, até a aparência das meninas é distinta.

Maggie é filha de Nicole, viúva, e irmã da pequena Jade; a mãe, que trabalha em uma revista de moda famosa, quase não tem tempo para as filhas. Maggie é aspirante a atriz e é boa no que faz, apesar de ser pé no chão. Quando Maggie sonha, Sloane quem vive: Sloane e sua família numerosa, com pais presentes, amigos de diversas tribos no colégio, o típico enredo dos filmes adolescentes americanos e notas altíssimas nos boletins. Ambas as garotas tem 17 anos e atuam como telespectadoras da vida alheia enquanto dormem.

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Confuso, um pouco, não? A ficção escrita por Ron Bass e Adrienne Stoltz pode enrolar a cabeça de algumas pessoas, ainda mais por ter suas quase 400 páginas divididas entre capítulos de Maggie e Sloane. No começo da leitura, fui com gás total: tinha pedido que a Débora me enviasse esse livro, por tudo que era mais sagrado. Quando fui chegando na metade, algo me afastava da leitura: não conseguia dizer se era a demora pras coisas acontecerem ou se já tinha enjoado de acompanhar as vidas das duas. Mas, que eu consegui ficar confusa durante a leitura, ah, isso eu fiquei!

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Apesar da confusão, da mistura de sentimentos e da pressa em terminar o livro, posso dizer que a leitura foi enriquecedora de algum modo. O enredo é cheio de reviravoltas e não dá bem pra definir se é algo puxado para o paranormal, se é um thrillerzinho psicológico, ou o quê, mas é de mexer com a mente de qualquer ser que decida pela leitura de Lúcida. Percebi um enredo bem construído, personagens com boas justificativas e – ainda que lenta- evolução dos mesmos. O final me surpreendeu, eu terminei o livro com um imenso misto de alívio, confusão, “que???”.

Se eu recomendo? Não que você aí, leitor, devorador de livros, dependa da minha recomendação (quem sou eu, né nom?), mas eu diria que dá pra se distrair e ter a atenção presa por algum tempo com esse livro. A parceria entre os autores deu certo o suficiente pra não reclamarmos de perder um fim de semana lendo, se quiserem saber.

Até mais!

 

Resenhas 21nov • 2016

O papel de parede amarelo, por Charlotte Perkins Gilman

O papel de parede amarelo é um conto escrito por Charlotte Perkins Gilman no ano de 1892, e que foi publicado aqui no Brasil pela editora José Olympio agora, em 2016. Como o próprio livro em sua capa mostra, é um clássico da literatura feminista. A edição da José Olympio conta com apresentação de Marcia Tiburi e tem seu texto disposto em 106 páginas, contando com apresentação, o conto e um posfácio – este último escrito por Elaine R. Hedges.

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O conto narrado no livro é sobre uma mulher que sofre de depressão, problema mental. Poderia ser simples e uma história diferente, SE o enredo não se passasse no século XVIII, onde o diagnóstico – feito por seu marido e médico, inclusive – é, obviamente, histeria. Em busca de melhorias na saúde da esposa, John aluga uma casa de campo provisoriamente, onde ela poderá entrar em contato com o ar fresco e repousar, longe até da vida pública. O amor e a vontade de cuidar dela, além de sua sabedoria científica, são tão grandes que ele faz com que ela siga à risca todo o tratamento e observa atentamente todas as mudanças que este vem lhe causando. Se ela ganha ou perde peso, se parece pálida ou não.

Apesar dos cuidados do marido para que tudo esteja certo, nada parece estar controlado. Deixada em meio ao seu caos interior, com a falta de interação e do que fazer – afinal, o marido vive fora, a dar consultas-, ela acaba se entregando ao caos mental e buscando refúgio secreto na escrita de um diário, onde registra seus pensamentos e inquietações, que não param nunca: mais do que toda a casa, o papel de parede de seu quarto é horrível e intrigante, e não somente sua estética, que nem a arte poderia explicar. Os pedaços esfolados do papel começam a tirá-la do sério e a deixam desesperada por uma saída daquela situação e, não satisfeita em apenas se sentir incomodada, ela decide entender o papel de parede e buscar libertação daquela mulher ali descoberta.

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Curiosamente, o conto é baseado em fatos reais: Charlotte Perkins, mulher muito ativa, que produzia muitos textos e era bastante militante na época, entrou em depressão ao se casar e descobrir que aquela vida só lhe permitiria cuidar dos muitos filhos que teria, pois esse era seu papel enquanto mulher dentro do casamento. Foi enviada por seu marido a um especialista em nervos e submetida a um tratamento completamente paternalista, bem como a personagem principal de O papel de parede amarelo. Cinco anos depois do ocorrido, surgiu o conto.

Sinceramente? Eu amo esse conto. Tive a oportunidade de lê-lo pela primeira vez no ano passado ou retrasado, se não me engano e, quando a Débora me ofereceu para resenha e eu pude ler novamente, fiquei empolgada. A história é bem escrita e você quase consegue sentir e ver o que passa pela cabeça da personagem principal. O viés histórico por trás, e tão explícito, é um convite para buscar mais leituras que ilustrem não apenas o papel da mulher em épocas diversas ou passadas, mas também nos convida a fazermos mais leituras que venham do ponto de vista feminino, escrito pelas próprias mulheres. Recomendo bastante a leitura e espero que gostem, e se não gostarem, a vida tem disso. E você, já leu? O que achou?

Resenhas 14nov • 2016

O amor nos tempos de #likes, por Pam Gonçalves, Bel Rodrigues, Hugo Francioni e Pedro Pereira

O amor nos tempos de #likes é um livro escrito de forma colaborativa por Pam Gonçalves, Bel Rodrigues, Hugo Francioni e Pedro Pereira. Publicado pela Galera Record, o livro traz uma coletânea de três contos que reinventam e se inspiram em personagens e histórias clássicas adoradas por muitos leitores: temos adaptações de Orgulho e Preconceito (obra de Jane Austen), Romeu e Julieta (Shakespeare) e de Dom Casmurro (de Machado de Assis).

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São três contos e vou tratar deles na ordem em que aparecem no livro. O primeiro é Próximo destino: Amor, escrito por Pam Gonçalves. No conto, temos a famosa vlogger Liz, que leva uma vida exposta em seus vídeos, posts e “snaps”, com toda a sua saudade dos tempos de anônima e Wil, jovem empresário, sem tempo para absolutamente nada que não seja trabalhar por conta da necessidade de cuidar dos negócios da família e arrecadar dinheiro para os tratamentos de sua irmã, Giovana. Os dois se conhecem quando o aeroporto para de funcionar devido ao mau tempo e aí começa o desenrolo de uma história entre a menina que tem medo de se abrir para os outros e o rapaz que não tem tempo para se abrir para os outros. É inspirado em Orgulho e Preconceito e, de fato, podemos reconhecer diversas referências da obra de Jane Austen durante o conto, mas com uma pegada de drama.

Em seguida, (Re)começos, da Bel Rodrigues. Acompanhamos a personagem Madu em sua própria redescoberta após um relacionamento abusivo e um término de amizade bem próxima. Madu, garota forte, filha de uma famosa jornalista, apaixonada pelo youtuber Ed do canal Letra e Música, e prestes a completar seus dezoito anos, viaja para Búzios como presente de aniversário e, lá, decide aproveitar as coisas pequenas, a liberdade e, de certo modo, recomeçar. Logo em sua primeira noite, decide ir a um pub que promove encontros às escuras e encontra um rapaz com a voz tão familiar…Enfim, a personagem Maria Eduarda é ou parece ser inspirada na Capitu de Machado de Assis, com seus olhos e ares misteriosos, sua força, personalidade e opinião fortes. O conto de Bel é cativante, e ela conseguiu dar vida a uma personagem realmente interessante.

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O último conto do livro é escrito em parceria entre Hugo e Pedro. Uma releitura de Romeu e Julieta, onde temos Ramon e Júlio, dois jovens que se conhecem em um grupo de escrita e, após um pedido de amizade aceito, uma história de amor de esquentar o coração surge. Esqueça as famílias inimigas e briguentas, o que temos aqui é pior (ou melhor?): 337km – que também intitula o conto – é a quantidade de espaço separando os dois. Gostei do conto? É, passou. Mas acho que alguns pontos poderiam ter sido mais desenvolvidos, e em alguns momentos achei cansativo. Entretanto, o casal é um amor e foi impossível não gostar, mesmo que um pouquinho, do conto.

Uma coisa legal a respeito da produção do livro é que os autores são todos amigos, se conhecem há um bom tempo e são booktubers – possuem canais literários no YouTube. Segundo relato presente no próprio livro, eles também utilizaram bastante a internet para escrever: nos agradecimentos, até mesmo o Google Hangout teve seu reconhecimento. Não só o título e a histórias nos mostram sobre amores em era digital, mas o próprio livro nos prova como a escrita e as relações podem funcionar em meio a tantas ferramentas, aplicativos e cliques.

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Me interessou a forma como os três contos foram interligados de modo muito sutil: os autores fizeram uso de “itens” que, ora faziam parte do cenário de uma história, ora eram parte do enredo da outra, e por aí vai. Também foram várias as utilizações de termos da internet, ou de situações envolvendo a mesma, bem de acordo com o título do livro. A diagramação do livro é adorável, e a leitura é rápida. O amor nos tempos de #likes é perfeito para um dia tranquilo ou para aqueles momentos em que você quer ler algo não muito grande: por serem só três contos, pode escolher ler um, dois, ou devorar todos de uma vez – ou até em diferentes momentos do dia.

Gostei, da leitura, me surpreendi positivamente com o livro e, só pra deixar registrado, estou encantadinha pela escrita da Bel Rodrigues. É isso, pessoal, espero que leiam, gostem ou não, e aproveitem a leitura, de qualquer modo.

Resenhas 13nov • 2016

As Letras do Amor, por Paula Ottoni

Antes de iniciar a resenha, de fato, preciso dizer uma coisa: eita. Dito isso, continuemos com a programação normal, e essa vai ser grandinha, já aviso.

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  1. Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso. 2. Afeição, grande amizade, ligação espiritual. 3. O tempo em que se ama.

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  1. Uma das cidades mais românticas do mundo. 2. Palavra cuja inversão de letras é amor. 3. Onde ambos os significados se misturam numa louca experiência intensa.

As Letras do Amor foi lançado esse ano pela Novo Conceito e é obra da Paula Ottoni – que tem outros livros publicados de forma independente, para quem tiver interesse. Em As Letras do Amor conhecemos Bianca, Miguel e Enzo e temos a oportunidade de checar de perto a saga da personagem principal na intensa decisão que precisa tomar: tentar salvar seu relacionamento de um ano com Miguel ou se permitir viver com Enzo um amor que promete acender sua vida, como tecnicamente já o faz mesmo sem permissão?

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A história começa a ser narrada ainda no Brasil, quando Bianca decide ir morar com seu namorado na Itália, abandonando seu curso de graduação que não é bem o que ela quer fazer, seus pais que só brigam e estão ao pé de um divórcio, seus dois irmãos mais novos que não a deixam em paz e sua melhor amiga Mari – que chama mais atenção dos garotos do que a própria Bianca-, menina linda e de bom coração. A coisa que poderia impedir Bianca de seguir Miguel nessa viagem é o medo de uma vida de casal cheia de responsabilidades na qual que o papel de esposa lhe caiba.

Esse medo de Bianca é confirmado quando, já na Itália ela nota que Miguel, que foi aprender a cuidar de negócios com o intuito de cuidar dos negócios de família quando voltassem ao Brasil, apenas vive para os negócios e para baladas e não lhe dá atenção. Por outro lado, temos Enzo, melhor amigo de Miguel, que cede seu apartamento para que o casal de amigos dividam com ele até que voltem ao Brasil. Enzo é o extremo oposto de Miguel, atencioso e preocupado, não enche a cara, volta cedo das baladas e gosta de coisas em comum com Bianca. Já sabemos o que acontece? Indecisão: o sentimento entre ele e a menina surge e aí…pano pra manga.

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Tentar enxergar uma faísca e se esforçar para transformá-la em fogo ou mergulhar um incêndio inteiro? Basicamente, essa é a sensação que tive das duas opções de Bianca. Obviamente achei Miguel um idiota e eu quis, muitas vezes, bater na Bianca. Inclusive, eu quis bater nela quando ela começou a jogar Mari para cima de Enzo e continuou mesmo sabendo que estava começando a se arrepender. Enfim, Bianca é vacilou várias vezes, na minha opinião.

Bônus? Cada início de capítulo possuía duas indicações de músicas para serem escutadas durante a leitura, então dá para montar uma playlist legal. Outro bônus: a autora parece saber ambientar bem a história na Itália, mas depois eu descobri que a Paula, de herança italiana não tem só o sobrenome: ela também tem cidadania e já morou lá! O livro conta com muito conflito, muito romance e cenários de encher os olhos de qualquer apaixonado por viagens ou pela própria Itália.

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A partir da metade a história me pareceu andar mais rápido, ainda que com as descrições detalhadas de Bianca. Até entendo: a história tem sua narração em primeira pessoa, muitos conflitos e estes condizem com a idade e com o momento da vida da personagem, mas acredito que alguns trechos, por exemplo, ficaram…demais. Excessivos. Exemplo disso foi a questão da honestidade de Miguel (não vou especificar para evitar spoilers, então acho que honestidade resume bem), que quanto mais se esticava pelo livro, mais impaciente eu ficava por falta de dados concretos e que ao fim, nem surpresa e nem aliviada eu fiquei: apenas senti indiferença. O desfecho da história também não me foi tão surpreendente assim, mas gostei da observação da personagem sobre ter sido não apenas um romance, mas também uma história de amor-próprio.

No geral, eu diria que a leitura no todo foi massante. Não nego que aproveitei as partes boas: em alguns capítulos, até mesmo em capítulos seguidos, eu não conseguia parar a leitura e a curiosidade me arrebatava. Em outros, entretanto, não conseguia não deixar o livro de lado e buscar outra atividade, ou até me forçava a ler na esperança de que a continuação fosse melhor. Essa inconsistência do livro fez com que minha leitura demorasse muito. Muito mesmo. Levei semanas – e não culpo a faculdade ou outros afazeres, apenas pausei a leitura diversas vezes. Quando me aproximei do fim, comemorei um pouco. Fico feliz de ter conseguido ler mais um nacional, apesar deste não ter me agradado tanto quanto eu esperei que fosse, mas é a vida, não? A própria Bianca me mostrou que as coisas funcionam assim.

 

Clube Nacional 05nov • 2016

Conheça Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta, de Mima Pumpkin

Mima Pumpkin

A obra de hoje é Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta, da Noemi B. Nicoletti. Segundo Noemi, a autora da obra é seu alterego: Mima Pumpkin – que, curiosamente, é também seu apelido de infância. Apaixonada pela escrita, acredita que a escrita é uma forma de contribuir com o universo.

Mima, ou Noemi, tem 29 anos, é formada em jornalismo e teologia e moradora da cidade de Karlsruhe na Alemanha. É casada há cinco anos com seu melhor amigo e primeiro amor – e o homem que ela até hoje acredita ser o mais lindo, fofo e tudo de bom que existe. Dentre seus outros amores estão Deus, os livros e as pessoas.

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Sinopse:

“Adolescentes em filmes e livros sempre se envolvem em triângulos amorosos. O único triângulo com que já me envolvi era um instrumento um tanto rudimentar que um amigo do meu pai tentou me apresentar. O relacionamento não durou muito.”
 Liesel não quer ser uma adolescente convencional, mas vive se perdendo numa paixão irracional pelo cantor australiano Leo Adrian. Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta trata da história dessa jovem de 17 anos, que, enquanto trabalha em Pianoforte, uma gigantesca loja de música em Santos, sonha com amor verdadeiro e com o ídolo que ainda não encontrou pessoalmente. Quando a notícia chega de que, pela primeira vez, Leo Adrian virá ao Brasil, Liesel vê nisso a oportunidade para conquistar a atenção do cantor e fugir da vida que leva. É aí que começa uma série de eventos e conflitos que levarão Liesel a experimentar romance, redenção, autodescoberta e amadurecimento.
“Um livro leve, empolgante e que te prende do começo ao fim.” 
Isis Vargas, jornalista
Você pode entrar em contato com a Noemi/Mima Pumpkin pelo e-mail  mima@mimapumpkin.com ou pelo site http://www.mimapumpkin.com. No Instagram, Facebook, Twitter e no Wattpad (que é onde a obra está publicada) também poderão encontrá-la ao buscar por @mimapumpkin e o Instagram oficial do livro é @sdfeedb.
Clube Nacional 01nov • 2016

Conheça A matéria dos sonhos, de Valéria Martins

Valéria Martins

Na segunda publicação do Clube Nacional, o espaço do blog especialmente distinado aos autores nacionais, temos a obra de Valéria Martins, escritora e jornalista carioca, além de fundadora e diretora da agência literária Oasys Cultural: A matéria dos sonhos.

A autora, que é formada em jornalismo pela PUC-Rio, já trabalhou para revistas femininas como a Marie Claire, tendo migrado para o mercado editorial em 2005 – onde trabalhou nas editoras Campus/Elsevier e no Gupo Editorial Record. Enqunto autora, já publicou alguns livros como A pausa no tempo (Jaguatirica, 2013 e disponível em e-book), Encontros com Deus – 21 personalidades narram sua busca espiritual (Mauad Editora, 1997) e outros. No momento, está preparando um volume de contos que sairá pela editora 7Letras ainda este ano.

Valéria Martins

Sinopse:

“Sem sair da suavidade, sem nunca perder o tom, Valéria lança, sobre si mesma e sobre o outro, um olhar às vezes leve e divertido, outras vezes denso e doloroso, mas sempre cheio de confiança na vida, no ser humano e em Deus.” Marilia Arnaud, escritora, sobre A Pausa do Tempo

Jovem rica e mimada, Mariana sofre uma imensa decepção amorosa às vésperas do casamento e cai em depressão. Seu irmão aventureiro a incentiva a empreender uma viagem a Chapada Diamantina, na Bahia, a fim de espairecer e encontrar um novo rumo. Lá ela se depara com paisagens belíssimas, conhece um modo de vida bem diferente do que estava acostumava, envolve-se com o guia turístico Alex e desfruta a verdadeira amizade com Claudia, menina maluquinha a quem o destino a uniu para sempre.

A matéria dos sonhos é um romance sobre busca, amor, amizade e encontro e a obra pode ser encontrada na Amazon e na Livraria Cultura.

Se você quiser saber mais sobre Valéria e contatá-la, poderá encontrá-la nos seguintes links: Facebook, Instagram, Fanpage, Skoob e aqui vai o link para o booktrailer do livro.

Resenhas 23out • 2016

As Amigas da Casa do Sol, por Fátima Freitas

Olá, Oliphants! A resenha de hoje é do livro As amigas da casa do sol, publicado esse ano pela editora Autografia. É um livro de poemas escrito por uma mulher e especificamente sobre mulheres. No plural mesmo, pois ela trata de diversos tipos de mulheres, com e sobre diversas características.  A autora, Fátima Freitas, é de São Paulo e formada em Serviço Social, atuando contra a violência doméstica contra a mulher no âmbito judicial e militando no movimento feminista desde 2005.

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Confesso que fiquei um tanto curiosa ao receber o material de divulgação do livro e, também, que a capa me chamou a atenção por sua ilustração e por todas as insinuações que esta trazia – ainda mais se a relacionarmos com o tema do livro. Talvez, bem talvez, a informação de que a autora é feminista tenha me aguçado ainda mais a curiosidade.

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O livro conta com quarenta e seis poemas de Fátima. Alguns tem como subtema liberdade feminina, beleza e até mesmo desejo. Mas todos eles falam sobre mulheres e suas incontáveis faces. Os poemas de Fátima fogem um pouco do senso comum, do esperado: não esperem por versos rimados, não é o caso – isso pode causar um certo estranhamento para algumas pessoas -, os mesmos vem em prosa.

 

Outra confissão: me incomodou um pouco o fato de que alguns poemas tinham suas estruturas modificadas ao meio do poema e isso acabava me deixando incomodada durante a leitura. E há no livro alguns pequenos deslizes de revisão que, creio eu, numa próxima edição possam ser resolvidos. Esses fatores, incômodos, não me impediram de efetuar a leitura e escolher um poema favorito dentre aqueles todos, que foi o Poema de Mim.

amigas da casa do sol

No mais, o livro de Fátima Freitas não me animou tanto e não foi o que eu esperava. Mas, pela descrição de Ivone de Assis Dias, a escritora do prefácio (pequena observação: nem todo mundo lê as abas dos livros, independente do texto ali encontrado, portanto, faz-se necessário informar que a autora do prefácio é a mesma pessoa cujo nome se encontra na aba), a autora parece ser uma mulher maravilhosa e inspiradora.

Literaría 27set • 2016

Pedro Chagas Freitas – quando o Brasil descobre Portugal

Olá, meus adorados Oliphants! Hoje, com muito gosto, vim falar de uma descoberta que tive o prazer de fazer no ano passado e de um autor que tive a honra de conhecer, conversar um pouquinho e me apaixonar consideravelmente. Estou falando do Pedro, autor a quem fui apresentada no ano passado por meio de uma leitura proporcionada pelo blog (obrigada, Débora!!!) e, sinceramente, acho digno apresentá-lo de forma correta a vocês, se já não tiver feito isto anteriormente.

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Pedro Chagas Freitas é um escritor de, como em seu próprio site diz, romances, novelas, contos, crônicas, letras de músicas e outras imbecilidades. Natural das terras lusitanas, em 2014 ficou na lista dos autores mais vendidos por lá. Já teve diversas profissões, estudou linguística e até criou um jogo para estimular a produção de escrita. Apesar de já trabalhar com escrita há tempos, sua primeira obra publicada data de 2005 e, até o momento, sua única obra publicada aqui no Brasil é Prometo Falhar – cuja resenha e os relatos do evento de lançamento, que contou com a presença do autor, você pode encontrar aqui e aqui, respectivamente.

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Pedro já publicou diversos livros e, abaixo, separei algumas sinopses para que vocês possam dar uma olhadinha rápida e conhecer um pouco mais de seu trabalho:

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Como dito na resenha de Prometo Falhar, Pedro sabe proporcionar reações interessantes com sua escrita, e percebemos que ele sabe fazer bem o que faz com as palavras, ao escrever suas cenas. Vale lembrar que Pedro acabou de lançar mais um livro, chamado Prometo Perder. Também em formato de prosa, o livro promete “uma viagem intimista e desconcertante”, indo “da saudade ao desejo, da dor ao amor”. Aqui vai um pequeno trecho, também disponibilizado em seu site:

Voltar ao teu corpo como se voltasse a casa. Os teus lábios e um abraço. A roupa a mais quando se quer assim. Os vizinhos invejosos por alguém amar inteiro. Gosto da maneira como te guardas no interior do meu peito, os meus braços abertos e tu como se esperasses a chegada da morte. É tão inexplicável a tua pele. A vontade de chorar. Ou existe o eterno ou existe o nada. A carne bruta e um poema no teu orgasmo. Gosto da maneira como me pedes por favor para ser humano. Existe algo de solene na forma como me fazes perder a vergonha. Ser feliz é credibilizar o pecado, e certamente pecar.

Para os interessados e curiosos, que não querem ou aguentam viver com o fato de não sabermos se a Novo Conceito ou outra editora irá trazer mais alguma de suas obras para nossas terras brasileiras, fica uma notícia boa: os livros podem ser adquiridos pelo e-mail do autor e, de brinde, costumam vir autografados. É sofrido gastar euro? Sim. Mas não são caros, devem custar o equivalente ou até menos que os nossos livros. Sem mais, espero ter ao menos aguçado a curiosidade de vocês a respeito do Pedro, um escritor por quem tenho certo gosto e, como ele mesmo costuma dizer, “viva a pornografia de estar vivo. E adorar”.

Até a próxima!

Literaría 06set • 2016

Wattpad: o que é, quem usa e pra quê?

Olá, pessoas que leem! Como vão? Espero que estejam bem, lendo bastante e gostando de suas leituras. Hoje o assunto é, digamos, leitura alternativa. Falaremos da plataforma Wattpad, que já é antiguinha – está online desde 2006-, cujo intuito é permitir que pessoas possam postar conteúdo textual e interagir por meio dos comentários. Atualmente, com audiência de 45 milhões de pessoas, mensalmente, e 200 milhões de histórias hospedadas (segundo dados do próprio site), é possível encontrar uma infinidade de leituras bem interessantes e que servem para todos os gostos.

Wattpad

Quem pegou a época das fanfics e webnovelas talvez se adapte fácil ao esquema mais utilizado no Wattpad, que é o das atualizações “agendadas’, ou os capítulos, trechos, postados separadamente de acordo com o interesse dos leitores ou disponibilidade do próprio autor. Da mesma forma, quem não conheceu as fanfics e webnovelas, tem a chance de experimentar a interação que, na maioria das vezes é possível, com o autor e outros leitores, por meio dos comentários – que muitas vezes, acabam levando o autor a mudar o rumo da história por conta das expectativas de seu público.

Wattpad is the best place to read and share stories. (Wattpad é o melhor lugar para ler e compartilhar histórias.)

No Wattpad você encontra histórias de gêneros diversos, deste modo organizadas. Existem menus, pesquisa por tags, indicação de leituras semelhantes às feitas por você anteriormente e, se quiser, é possível postar sua própria história sem precisar de algum cadastro diferente, ou qualquer tipo de pagamento. Você publica, preenche a ficha técnica da história e pronto. Inclusive, o site tenta dar um empurrãozinho para autores com dicas de escrita, alguns “tutoriais” e oferece diversos tipos de concursos, premiações, tudo para motivar seus produtores.

Wattpad

No quesito organização, o site também não deixa a desejar, permitindo que cada usuário tenha sua biblioteca organizada, com suas leituras, mostrando onde a leitura foi parada; da mesma forma, mobilidade e praticidade foram consideradas, e eles possuem um aplicativo muito bom (ao menos para o Android, que utilizei por bastante tempo).

Vários autores publicados utilizam do Wattpad para divulgar suas obras, nem que seja por meio da oferta de parte de sua obra disponibilizada gratuitamente no site. Em outros casos, autores publicam suas obras lá e após formarem uma base sólida de leitores, decidem/conseguem publicar suas obras fisicamente – o que é uma boa saída e costuma dar certo.

Wattpad

Bem, independente das suas necessidades enquanto leitor ou escritor, o Wattpad parece conseguir supri-las e acho que vale dar uma chance para a plataforma, testá-lo por um tempo e aproveitar as variadas histórias disponibilizadas gratuitamente e, na maioria das vezes, bem escritas. Espero que tenham gostado da dica – que nem é uma novidade, por assim dizer.

Até mais!

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