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21 nov, 2020

Rádio Silêncio e a pressão de tomar uma decisão definitiva sobre o seu futuro

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Rádio silêncio tem várias facetas: você pode ler  a amizade da frances e do aled, você pode ler os relacionamentos secundários ou, no meu caso, você pode ser a pressão pela qual os dois personagens passam para tomar uma decisão definitiva sobre o seu futuro.

Frances é a melhor aluna do seu colégio. Tem as melhores notas, é representante de classe e leu todos os livros clássicos possíveis. Tudo isso com o único objetivo de impressionar as universidades e conseguir entrar a tão sonhada vaga nas mais disputadas.

As universidades querem os melhores alunos, então ela tinha que ser a melhor. Continue lendo

26 out, 2020

bookstagram: o que eu aprendi falando de livros no instagram

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Isso vai parecer muito esnobe, mas eu venho de uma época onde falar de livros era, literalmente, sobre os livros.

Quando eu comecei no mundo literário, as resenhas eram sobre o livro, sobre o plot, os personagens e a narrativa. Não tinha muita preocupação com fotos e hashtags, o foco estava única e exclusivamente no livro.

Quando o instagram começou a ser a rede social favorita de quase todo mundo, as mudanças na forma como uma resenha era consumida foram ficando mais evidentes.

Nós já tínhamos o youtube, mas ainda naquela época – 2015, por aí – existia uma preocupação em passar o máximo da ideia do livro possível. Quando o instagram se tornou uma febre nos anos que se seguiram, as discussões literárias ficaram mais superficiais e plataformas como blogs começaram a ser esquecidas – eu inclusive tenho uma amiga que trocou o blog por um canal no youtube e está indo super bem.

E acho que foi assim que nasceu o bookstagram – confesso que não estava prestando muita atenção até uns 2 anos atrás.

Os conteúdo que antes eram enormes e mega detalhados passaram a ser resumidos em um parágrafo depois de uma sinopse enorme. O foco não era mais a resenha, mas a foto conceitual do livro. Leitores que antes passavam horas debatendo um livro nos comentários de um blog, agora comentavam “ótima resenha” em um post que não dizia absolutamente nada de relevante sobre o livro.

Eu tentei me aventurar no bookstagram por um tempo. Gravei uns stories, vídeos para o igtv e até fiz algumas resenhas na legenda das minhas fotos quase bem editadas.

Depois de quase um ano e meio “tentando” desvendar o mistério do bookstagram, aqui estão algumas coisas que aprendi:

Não é sobre o livro, é sobre outra coisa

Eu acompanhei perfis famosos e, acompanhei perfis que estavam começando. Sabe o que eles tem em comum?

Nenhum deles realmente falavam sobre os livros que liam.

Resenhas vazias, com opiniões genéricas – às vezes contraditórias também, mas com fotos extremamente bem produzidas e as hashtags certas para garantir um bom alcance. Você tem mais sobre a sinopse do livro, do que sobre o livro em si.

Eu não preciso realmente ler o livro, eu só preciso dizer em poucas palavras se ele é bom ou ruim. O mais legal? Quando o perfil tem parceria com alguma editora, o livro nunca é ruim. (acho que é uma regra não fazer resenha negativa de livros que ninguém se deu o trabalho de me contar)

A maior parte dos perfis que eu acompanhei eram mais sobre exibir a sua estante, mostrar os recebidos, ter um feed harmonioso e muitos, muitos seguidores.

E não se enganem, é muito fácil você se perder nisso.

Essa coisa de comentários e likes é realmente intoxicante. Eu demorei para perceber que eram poucas as pessoas que realmente engajavam com a minha opinião, na verdade, a maior parte só elogiava a foto ou comentava que queria muito o livro.

E não era um problema de conteúdo, mas de perfil. O leitor do bookstagram não quer saber a minha opinião real do livro, muito menos entrar na minha viagem literária: ele quer saber se compra ou não, só isso.

Você pode escrever qualquer coisa na legenda

Outro dia eu fiz um desabafo no instagram sobre, porque persuasão é o meu livro favorito e eu perdi a conta de quantos comentários e mensagens eu recebi dizendo: “adorei a sua resenha”.

Só que não era uma resenha.

O leitor do bookstagram não liga muito para o que você vai colocar na legenda, acho que por isso a maioria delas seja sempre a sinopse do livro e um breve comentário sobre a experiência de leitura.

Você pode sinalizar o quanto quiser a temática do post, o bookstagram só vai pegar a informação que importa: devo comprar ou não esse livro?

Isso meio que tira um pouco do tesão da coisa, sabe?

Eu, por exemplo, me expresso demais nas minhas legendas. Gosto de falar o máximo que posso da narrativa e da minha experiência. Me deixa feliz compartilhar os detalhes interessantes, a dinâmica que o autor criou etc e me frustra quando eu percebo que, para a maior parte daquele público, isso é irrelevante.

Ouviram meu coração se partir?

A foto é mais importante que tudo

E existe um motivo pra isso.

O bookstagram é a mesma coisa que um instagram de moda, só que com livros. Tem mais seguidores e mais engajamento quem consegue fazer as fotos mais interessantes, com as melhores edições.

Importa se o conteúdo é vazio? Não importa. Eu acompanhei os perfis mais conhecidos por semanas e qualquer um que discordar disso estará sendo hipócrita. Eu vi perfis com fotos lindas e resenhas tão aleatórias que eu acabei dando unfollow na pessoa.

Mas o engajamento do perfil era maravilhoso, então meio que não importa né?

Não é atoa que as minhas fotos com melhor engajamento são:

  • As com melhor edição;
  • As que mostram a minha estante;

O instagram é uma rede social visual, então porque seria diferente com os livros? A gente se engana quando coloca o bookstagram como um nicho diferente, na verdade, é tudo a mesma coisa: eu quero ver o que você tem na estante e não saber da sua experiência com o livro – que é a mesma versão de “eu quero saber quanto custou essa roupa e onde você comprou”.

Quando eu posto foto da minha estante, é certo que eu vou ter pelo menos 1k de curtidas e mais de 100 comentários. Não importa muito o que eu colocar na legenda. Ninguém está realmente interessado na minha organização, ou qualquer que seja o motivo da foto – eles só querem ver a minha estante, é isso.

Eu sinto que é uma vitrini para ver quem tem a decor mais bonita, mais livros na estante etc. Não é sobre o livro, sobre as nossas experiências literárias e nem sobre o impacto que ler tem na nossa vida.

Talvez o bookstagram não seja pra mim

Eu decidi isso quando percebi que vídeos são bons até 3 minutos, legendas são boas até 300 caracteres e fotos tem engajamento quando são muito bem editadas.

Tudo no qual eu falho miseravelmente.

Considerando que esse post já tem mais de mil palavras – e só por isso não caberia no instagram – percebemos que eu sou uma pessoa que gosta de se aprofundar nas próprias divagações, opiniões e, consequentemente, nas resenhas.

Eu gosto de falar sobre, não importa o que seja.

Minhas resenhas precisam falar muito (sem dar spoiler) porque eu quero que vocês sintam a minha empolgação e entendam, com uma riqueza absoluta de detalhes, o que me empolgou – ou me deixou puta e frustrada, porque acontece também.

Minhas fotos não são ruins, mas eu ainda estou tentando me encontrar ali – e confesso que a comunidade do bookstagram não dá muito espaço para a gente ousar e tentar coisas novas. Existe um padrão, mesmo que discretamente ignorado.

E os vídeos.

Ninguém sofre mais do que eu tentando transformar um vídeo de 20 min em algo de 3 min, no máximo 5 min. Acho que depois que você se estabelece na comunidade, meio que ganha o “aval” para vídeos mais longos. Porém, eu não sou famosa pela minha paciência, né?

Há alguns meses, conversando com uma amiga sobre como me adaptar ao bookstagram, percebi que eu teria que me cortar pela metade para conseguir caber. Resenhas mais objetivas, vídeos curtos, fotos mais editadas e uma porção de outros hábitos que eu não tinha e que precisaria ter.

E não é que eu odeie o bookstagram, eu só não tenho o perfil – e confesso que perceber isso me libertou das obrigações que, para começo de conversa, eu nem queria ter.

Esse tempo no bookstagram me fez perceber onde eu me sinto mais a vontade. Me libertou da briga com os algoritmos e me trouxe de volta ara o blog, onde eu me sinto mais a vontade e com mais espaço para me expressar.

No fim, não foi um expriência ruim, mas uma jornadade de autoconhecimento sobre mim e sobre a maneira que eu quero falar de livros – ou de qualquer outra coisa que eu esteja com vontade.

03 out, 2020

Porque escrevemos? sobre me reconectar com a escrita.

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Es.cre.ver.

Existe algo na escrita que sempre me fascinou.

As palavras conseguem fazer emoções com tudo, sobre tudo. Uma única frase pode fazer uma mesma pessoa rir ou chorar. São como os espelhos da ophélie, de os noivos do inverno, um convite para chegar a outro lugar, um desafio de encarar o próprio reflexo.

Eu sei porque eu parei de escrever, mas não quero falar sobre isso.

Tenho pensado muito sobre a escrita nos últimos dias, até comprei alguns livros porque eu queria encontrar novas formas de me reconectar com essa parte de mim. Inclusive, li em um blog sobre como romantizamos a escrita de tal maneira que ela se torna algo quase que inalcançável. Continue lendo

29 set, 2020

Estou perdendo minhas livrarias: um desabafo

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As livrarias estão ficando vazias.

De pessoas. De livros.

Eu quebrei a quarentena para ir na livretto – a única livraria da minha cidade – para buscar alguns livros espíritas que eles tinham lá e me deparei com um cenário de partir o coração.

Eles não recebiam lançamentos desde o inicio da pandemia. Estavam vivendo com o que tinham nas estantes, o que já não era mais muita coisa. As prateleiras estavam praticamente vazias e sem poder oferecer o serviço de delivery – apenas em casos extremos, eles estavam tirando leite de pedra.

Parece a realidade da minha livraria, mas sabemos que livreiros do país inteiro estão sofrendo com o mercado. No próximo mês os livros vão sofrer um reajuste, o que significa que aquele livro da julia quinn que antes custava r$39,90, agora poderá custar r$49,90. E ao contrário da amazon que trabalha o preço que ela quer, os livreiros não tem muito para onde correr. Continue lendo