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24 fev, 2018

SOSELIT #2 – Nós precisamos falar sobre as resenhas

O tema do SoSeLit esse mês é algo que está me fazendo bater a cabeça na parede desde o início do mês. Nós decidimos falar sobre como é resenhar livros, principalmente aqueles que recebemos e não se encaixam muito bem no perfil do blog. Foi assim que eu percebi que muitos de vocês não sabem exatamente como é o dia a dia do blog por trás de todas as postagens e fotos e, acreditem, é muito mais complicado do que só ganhar uns livros legais para ler.

Resenhar um livro é muita responsabilidade, ou pelo menos eu vejo desta forma. Seja um livro por parceria com editora ou um livro enviado por um autor nacional, quando eu pego aquele enredo para ler com o objetivo de fazer uma avaliação daquela história, eu preciso ter um monte de coisa em mente antes mesmo de sentar na frente do computador para escrever a resenha. E é sobre isso que eu resolvi falar com vocês nesse segundo post.

Vejam, eu amo receber livros. Acho que não existe um blogueiro literário por aqui que não goste. Mas sendo bem honesta com vocês, e comigo, resenhar livros às vezes pode ser algo muito exaustivo. Primeiro porque não é sempre que você vai ler só o que você quer e, por mais que às vezes você queira escapar daquela leitura indesejada, você simplesmente não pode. É meio que um compromisso silencioso que você faz consigo e com seus leitores de entregar sempre sua opinião honesta e verdadeira sobre uma leitura, mesmo que seja uma leitura que você não quer fazer. Continue lendo

02 fev, 2018

SOSELIT #1 – Minha visão sincera sobre a blogsfera em 6 pontos importantes

Eu tive que pensar muito antes de começar esse texto porque eu blog desde os meus 15 anos e, de lá para cá, eu colecionei muitas histórias, experiências e amizades que eu nunca vou esquecer. Quando o Eu Insisto surgiu com esse projeto, eu sabia que seria uma boa oportunidade para mostrar que a blogsfera literária pode ser muito mais acolhedora do que competitiva, porque foi assim que ela me foi apresentada, sabe? Minha primeira resenha, final de 2013, foi uma ideia de uma amiga que era blogueira de livros e sabia que o meu velho e bom blog de textos poderia ser muito mais do que apenas uma desculpa para eu me esconder. E ela não estava certa?!

O SoSeLit é um projeto maravilhoso que eu estou desenvolvendo com o Eu Insisto, o Bela Psicose e o My Dear Library com o foco em espalhar um pouco de amor no mundo da “galera dos livros”, afinal estamos em época de parcerias com editoras e é sempre bom lembrar que tem muito mais em um blog do que simplesmente “ganhar livros”. E é assim que chegamos no meu primeiro ponto positivo sobre a blogsfera que eu conheço há dez anos, e amo. Continue lendo

22 dez, 2016

Como a leitura me ajudou a lidar com a ansiedade

Eu sempre tive ansiedade. Fui diagnosticada por volta dos 12 anos e fiz um longo e interminável acompanhamento médico desde então. Enquanto os meus colegas de colégio faziam trabalhos em grupo e se divertiam, eu passava minhas tardes numa saleta com a minha terapeuta tentando encontrar a melhor forma de viver meus anos escolares. Não foi nada fácil, principalmente durante os meus 15 anos, quando as crises se tornaram mais fortes e eu desenvolvi gastrite nervosa. Constantes dores no estômago e idas diárias ao hospital, mesmo sabendo que eles não poderiam resolver o meu problema.

Foi aos 19 anos, em meio a uma crise no corredor da faculdade que eu encontrei um bote salva-vidas. Não lembro qual foi o gatilho da ansiedade naquele dia, mas me lembro perfeitamente de deixar o campus e ir em direção a livraria que ficava ali perto. Não fui com a intenção se comprar nenhum livro, eu só sentia a necessidade enorme de caminhar, de sair daquele prédio e respirar um pouco.

Saí de lá acompanhada de dois livros do Gabito Nunes. Não me lembro bem porque os escolhi, mas me lembro perfeitamente de sentar na escada do campus e passar as duas últimas aulas entre um conto e outro. Embora eu achasse Gabito um tanto dramático quando se tratava de amor, suas crônicas me ajudaram a sobreviver as crises de ansiedade que se seguiram, se tornando um verdadeiro alívio para mim nos dias mais difíceis. Depois deste dia, livros se tornaram meu remédio favorito para a ansiedade.

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Quando estou lendo, minha cabeça se desliga completamente do mundo real.

Eu não tenho um livro específico que me faça respirar melhor ou que tire a sensação de peso sob os meus ombros, mas sempre que escolho uma obra para ler, eu consigo deixar os problemas do mundo real de lado e mergulhar na fantasia proposta pelo autor. Isso me ajudou bastante no período da faculdade que, foi o período mais estressante da minha vida até agora.

Ler me ajuda a produzir melhor os trabalhos da faculdade, a me concentrar mais nas matérias e a bloquear os gatilhos externos. Sempre que alguma coisa me incomodava, eu tirava um livro de dentro da mochila e criava um escudo a minha volta. Eu não acho que teria sobrevivido quatro anos de faculdade sem meus livros.

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Amizades verdadeiras surgiram do hábito.

Eu costumava ler em qualquer lugar. Na escada da faculdade ou até mesmo na sala de aula. Com o tempo, algumas pessoas foram reparando no meu vício pelos livros e eu fui ganhando a oportunidade de fazer novos amigos – o que nunca fui muito a minha maior habilidade. Era muito raro alguém não sentar ao meu lado na escada para discutir alguma coisa que eu estava lendo. Colecionei dicas de leituras maravilhosas, me reuni com muitos apaixonados por Jane Austen e comecei a me aventurar em leituras que eu achava que não iria gostar tanto.

Foi por causa da leitura que a minha habilidade social melhorou muito. Quando se é muito ansioso, é praticamente impossível se relacionar com outras pessoas sem pensar que está incomodando de alguma forma, ou ter um ataque de pânico. Mas por causa do meu relacionamento com os livros, isso se tornou um pouco mais fácil e bem mais suportável para mim.

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A representatividade na literatura me deixava aliviada.

Will Grayson Will Grayson foi o livro que despertou um alívio dentro do meu peito. Estava lendo dentro do ônibus quando ia para a faculdade quando a frase “Às vezes não sei se me mato ou se mato as pessoas a minha volta” me atingiu. Eu conhecia muito bem esse sentimento, a dificuldade de sair da cama em determinados dias, de ter que ir trabalhar quando a vontade era ficar em casa dormindo para sempre.

Eu me sentia menos estranha quando encontrava um personagem na mesma situação que eu. Um personagem que entendia meus conflitos internos e a minha dificuldade de encarar o mundo lá fora. Era um alívio muito grande ter consciência de que alguém, em algum lugar no mundo entendia, melhor do que eu mesma, como eu me sentia e isso me dava forças para continuar.

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Uma válvula de escape melhor que qualquer remédio.

Lidar com ansiedade não é nada fácil. É uma luta travada todos os dias, do momento em que eu acordo a hora que eu vou dormir. Neste ponto, os livros foram o melhor remédio que eu poderia ter encontrado nessa vida. Os enredos e seus personagens me ajudam a lidar melhor com os desafios do meu dia a dia, se tornando meu conforto e meu escape quando não consigo respirar.

Não estou dizendo que para todo mundo terá o mesmo efeito, mas eu consegui encontrar nos romances, nas fantasias e nas distopias uma forma de lidar com as minhas próprias barreiras. Melhor do que os remédios, os livros me ajudam a ter mais confiança para viver mais um dia, aliviando o peso que eu carrego nas costas e se tornando uma distração agradável para os dias mais difíceis.

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23 nov, 2016

Da cidade do interior, para um mundo cheio de leitores

Eu sou a típica garota de cidade pequena que fica deslumbrada com a cidade grande. Falo isso porque passei boa 23 anos da minha vida em uma cidade que só foi abrir sua primeira livraria quando eu já tinha os meus dezoito anos e poucos livros na estante. Para uma leitura, não era uma vida muito feliz. Sempre que eu queria um livro novo, era uma viagem até a cidade vizinha na esperança de encontrar o livro que eu queria. Foi assim por anos, mesmo depois de ter uma livraria na minha cidade – porque ela não conseguia trazer todos os livros que eu queria comprar.

Então surgiu essa oportunidade de eu me mudar para o Rio, e eu fui morar num bairro que eu passava por três livrarias maravilhosas no caminho para o metrô, estava trabalhando praticamente do lado de uma Saraiva e a Livraria Cultura ficava logo ali.  Todo meu salário ficava pelo caminho, é claro, mas acho que a minha melhor experiência e o meu maior deslumbre morando no Rio de Janeiro, são as pessoas que eu encontro lendo no metrô/ônibus no caminho do trabalho ou voltando para casa.

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Em anos como leitora, eu nunca tive muito contato com tantas pessoas que gostam de ler. A cada dia da semana é um livro novo que eu conheço. Por exemplo, hoje vim conversando com uma moça no metrô que estava lendo um clássico de Graciliano Ramos, autor que eu me recusava a ler na época do ensino médio, mas que mudei completamente de opinião depois de cinco minutos de conversas com uma desconhecida no metrô.

E do mesmo jeito que eu fico me desdobrando no vagão apertado em direção ao Uruguai para ver o que as pessoas estão lendo, elas também fazem o mesmo comigo. Mais de uma vez eu deixei minha leitura de lado para debater um livro com um novo amigo que fiz no metrô. Conheci moças ótimas, apaixonadas pelos romances de Julia Quinn, ao mesmo tempo que fiz amizade com fãs de fantasia que gostam tanto de O Trono de Vidro quanto de Game of Thrones.

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Confesso que quando me mudei, minha primeira preocupação era me sentir sozinha nessa cidade enorme, onde eu não conhecia ninguém e estava completamente longe da minha família e dos meus amigos. Mas depois de alguns meses, mesmo ainda estando em período de adaptação, eu me senti muito acolhida pela cidade sempre que eu entrava em uma livraria ou entrava no metrô e encontrava um leitor disposto a falar de livros comigo por alguns minutos.

Hoje eu estou aqui há quase dois anos e já coloquei na minha conta muitos amigos novos feitos durante as minhas leituras no metrô e as minhas idas na livraria. Ainda fico deslumbrada com as grandes livrarias e com a quantidade de eventos que acontece nos finais de semana, mas já perdi a conta das amizades feitas no trajeto trabalho-casa e das discussões ótimas construídas entre uma estação e outra.

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