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10 abr, 2015

Maluca Por Você, por Rachel Gibson

Maluca Por Você é um chick-lit escrito pela autora Rachel Gibson e publicado no Brasil pelo selo Jardim dos Livros. O livro é o segundo volume da série Lovett, sendo o primeiro, Daisy Está na Cidade, o mais novo lançamento do Grupo Editorial Geração.

Lily Darlington é conhecida em Lovette como Lily Maluca. Ela sempre soube que o marido a traia, mas a ficha apenas caiu quando um dia ele resolveu sair de casa para morar com a nova namorada, deixando para trás ela e o filho de 3 anos. Revoltada com a situação, Lily propositalmente entrou com sua caminhonete na sala de estar do ex-marido, dando origem aos boatos de que ela era maluca.

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Quando o charmoso policial Tucker Matthews se muda para Lovette, ele não esperava se interessar logo de cara por sua vizinha encrenqueira. Mas quem daria ouvido as fofocas quando a atração entre os dois é evidente?!

A narrativa do livro é feita em terceira pessoa, alterando o foco do narrador entre Lily e Tucker. O enredo em si, é bem simples. O livro inteiro se desenvolve em poucos capítulos, deixando para o leitor apenas a torcida de que os personagens principais irão ficar juntos no final.

“Pelo amor de Deus. Ele estava tendo sonhos eróticos e sentindo desejo por uma maluca. Uma mulher que possivelmente havia tentado matar o ex entrando com o carro na casa dele e quase havia sido presa num 5150. Essa informação deveria fazer as suas bolas murcharem, mas não foi o que aconteceu.”

Particularmente, essa foi a leitura mais rápida de toda a minha vida. Em poucas páginas os personagens conseguiram se apaixonar perdidamente um pelo outro, não tivemos nenhum tipo de “empecilho” real para a relação a não ser os próprios envolvidos nela, e chegamos ao desfecho num piscar de olhos. O enredo literalmente se desenvolve na velocidade da luz, sem exageros.

Não posso dizer que eu não gostei da história. Apesar de curta, os personagens são realmente divertidos. Lily tem uma personalidade estourada, e mesmo sendo considerada “maluca”, eu achei muito legal que ela tenha enfiado uma caminhonete na casa do ex- marido. Me julguem! Já Tucker, conforme o livro ia se desenvolvendo, eu juro que tinha vontade de arrancá-lo de dentro do livro e trazê-lo para a vida real.

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O fato é que Maluca Por Você tinha um enredo muito interessante, personagens que valiam muito a pena terem sido desenvolvidos com mais calma, mas acho que a pressa da autora em colocar tudo em menos de 150 páginas, deixou tudo um pouco vago. Eu queria ter tipo mais da relação entre Lily e as pessoas da cidade, conhecido melhor os seus problemas. Foi meio estranho só saber que certas coisas aconteciam, mas não vivenciar isso com a personagem na história.

Outro ponto que me deixou chateada no livro foi como o casal se apaixonou. Digo, eles se conhecem em uma página, flertam um pouco na hora, e de repente o Tucker diz querer a calcinha da Lily no tornozelo. Fiquei muito assustada com a velocidade em que o relacionamento deles vira um “amor pra vida toda”. Não sei, acho que isso meio que tirou o tesão do livro, sabe?

“- O Pippen sabe que não pode sair do quintal sem falar para mim ou para avó. – Ela encolheu os ombros. – E você já sabe que eu tenho licença para porte de arma. Tenho uma Beretta 9mm subcompacta. – Enfiou a bola debaixo de um braço. – Só pra você saber.”

Eu queria muito mais da história, sabe? Quantas vezes eu encontrei na vida uma personagem que ameaça o par romântico dela com uma arma em um livro de chick-lit. Poucas. E seria muito legal se eu pudesse ter aproveitado mais o meu tempo com essa personagem num enredo mais elaborado, com mais história e mais coisas pra contar.

O que eu posso dizer? Quanto mais louca a personagem principal, mais eu gosto dela. Por fim, Maluca Por Você é um livro divertido, e merece as três estrelas que eu estou dando pra ele, mas eu senti muita falta de muita coisa e eu realmente espero que os próximos livros dessa série tenham o “algo a mais” que esse não teve.

06 abr, 2015

Síndrome Psíquica Grave, por Alicia Thompson

Síndrome Psíquica Grave é um romance, escrito pela autora Alicia Thompson e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. Este é o primeiro romance da autora publicado no Brasil.

Leigh Nolan está dando inicio a sua vida acadêmica e com isso precisa lidar com algumas mudanças na sua rotina. A confusão começa quando seu professor de Introdução à Psicologia resolve passar um questionário de personalidade que, era pra ser apenas mais um teste, mas acaba revelando a garota mais coisas do que ela realmente esperava.

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Com toda a pressão social de se estar na faculdade, ter que pensar sobre a pós-graduação e ainda resolver as coisas com o namorado, Leigh começa a fazer uma análise profunda sobre si mesma, onde perguntas antes não pensadas começam a ser feitas. Porque ela e Andrew não conseguem dar o próximo passo? Porque Ami, sua colega de quarto, não consegue aprovar seu namoro? Porque Nathan, colega de quartdo do Andrew, de repente parece ser tão interessante?

Em meio a toda essa autoanálise, Leigh começa a perceber que talvez as coisas estejam mudando, ou que talvez ela não tenha percebido que, de alguma forma, ela não vem agindo como deveria em relação a certas situações, dando inicio a uma grande e divertida confusão.

“Mas aí me lembrei do que o professor de Introdução à Psicologia dissera sobre terapia de casal: falamos de trabalhar a relação porque nem sempre é divertido Andrew e eu não éramos perfeitos. Nunca seríamos. Mas, enquanto nos encontrássemos no meio do caminho, tudo estaria bem.”

A narrativa do livro é feita do ponto de vista da Leigh, e apesar de eu normalmente me entediar ao ficar muito tempo na cabeça de um único personagem, Alicia Thompson conseguiu criar uma personagem principal realmente interessante, fazendo com que a narrativa do livro fluísse em sintonia com o enredo que ela estava propondo.

O enredo em si não é muito criativo. É provável que muitas pessoas, ao ler o livro, o achem clichê ou mais do mesmo. Porém, ao contrário do que eu esperava, a autora conseguiu inserir alguns elementos que tornaram a história interessante e que me prenderam até o final da leitura. Conforme os capítulos iam se desenvolvendo, eu queria conhecer mais sobre Leigh, e sobre como sua autoanálise iria afetar o desfecho do livro.

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Os personagens são completamente ricos em características e personalidade. Mesmo aqueles que não aparecem durante todos os capítulos trazem suas próprias peculiaridades. Eu gostei muito de como a autora conseguiu lidar com todos os personagens secundários, mesmo quando o foco do livro estava todo em Leigh e nas suas próprias confusões.

Andrew foi um personagem que foi muito bem trabalhado pela autora durante a história. Apesar de eu ter odiado cada momento em que ele aparecia, ele representou bem todo o tipo de relacionamento que acontece quando você passa pelo processo de sair do Ensino Médio e ir para Faculdade. O relacionamento dele com Leigh me fez perceber muitas coisas que acontecem com frequência na vida real e que, na maioria das vezes, simplesmente não damos atenção porque estamos acostumados com aquela rotina.

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O desenvolvimento e crescimento da Leigh deste o primeiro capítulo até o final foi muito importante. Ela conseguiu reunir de uma forma bem sutil, todos os tipos de inseguranças que uma pessoa na idade e situação dela tem, e aos poucos, conforme ela experenciava e refletia sobre o assunto ela era capaz de amadurecer e entender as consequências de todas as suas atitudes.

Síndrome Psíquica Grave é um livro de enredo clichê, mas que tem um desenvolvimento surpreendente. Os personagens têm personalidades interessantes, que te prendem e te levam a querer descobrir o desfecho da história. A narrativa é divertida, leve e faz com que a história tem um toque muito particular da autora. Se você está procurando por uma leitura diferente e divertida, com certeza esse é o livro pra você.

03 abr, 2015

Dois Garotos Se Beijando, por David Levithan

Dois Garotos Se Beijando é uma ficção-americana, escrito pelo autor David Levithan e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. O autor possui outras obras publicadas no Brasil, sendo as mais conhecidas Todo Dia e Will & Will, escrito em parceria com John Green.

Craig e Harry foram namorados durante algum tempo, mas mesmo com o fim do relacionamento, continuaram amigos. Quando o jovem Tariq é agredido na rua por ser homossexual, os dois garotos se compadecem da situação, mesmo sem conhecê-lo e então tem a ideia de criar um protesto contra esse tipo de violência onde eles passariam 32 horas se beijando para quebrar o recorde de beijo mais longo.

A ideia principal do beijo era mostrar para as pessoas que é perfeitamente normal dois garotos se beijando. Porque não apenas dois garotos. Porém, o próprio enredo do livro nos leva a conhecer outras situações de jovens assim como Tariq, Craig e Harry. Em paralelo com o desafio de 32 horas se beijando, o narrador do livro nos conta a história de outros jovens que vivem situações completamente diferentes, mas que possuem – de certa forma – o mesmo sentimento.

É então que conhecemos Peter, Neil, Avery, Ryan e Cooper, com suas inseguranças particulares, seus medos e também seu desejo de caminhar no mundo lá fora sem ter que esconder quem realmente são. Assim, com todos esses personagens envolvidos direta e indiretamente, acompanhamos o ato simples de um beijo mostrar que somos todos apenas seres humanos.

“Que sensação horrível é essa a de saber que, se a doença tivesse afetado primeiramente presidentes de associações de pais e mestres, ou padres, ou garotas brancas adolescentes, a epidemia teria acabado anos antes e dezenas de milhares, se não centenas de milhares de vidas seriam salvas. Não escolhemos nossa identidade, mas fomos escolhidos para morrer por meio dela.”

A narrativa do livro é simplesmente sensacional. Eu não consigo encontrar outras palavras para descrever. O ponto de vista de todo enredo é dado a partir de um narrador observador que venha a ser todos os homossexuais que faleceram por conta da AIDS anos anos dos personagens principais do livro nascerem. Através desse narrador, conseguimos ter uma compreensão muito mais profunda do que os personagens estão sentindo, pensando e como aquilo afeta o seu dia a dia, a sua família e a maneira como eles veem o mundo.

O enredo do livro é bastante completo. O autor nos apresenta diversas situações, onde não vemos apenas a família que aceita bem a escolha do filho, mas também aquela que se revolta quando descobre e aquela que não sabe bem como agir em relação à situação. Temos as pessoas que aceitam, as pessoas que respeitam e também as pessoas que se revoltam. Mas muito mais que isso, nós temos os envolvidos, as pessoas que sofrem, as pessoas que sentem na pele, e isso torna a narrativa ainda mais intensa.

A primeira coisa que eu pensei quando comecei a ler este livro foi: eu vou chorar. E isso aconteceu em diversas passagens do livro. Os personagens são tão únicos em suas histórias, em seus medos, que eu não conseguia não amar cada um deles em seu momento de foco na narrativa. Craig e Harry é um casal que, de certa forma, não são mais um casal e ainda assim possuem uma confiança enorme um no outro, e quando decidem fazer o beijo juntos, eu realmente não conseguiria imaginá-los fazendo isso com outra pessoa.

Avery e Ryan estão se conhecendo aos poucos. Simplesmente encontraram um no outro um porto seguro que não tinham encontrado em outra pessoa. Eu conseguia vê-los se entendendo pelos olhos um do outro, compartilhando os seus medos e sendo abertos sobre o que estava por vir. Tariq foi um personagem que me emocionou, principalmente pela sua força de vontade de estar ali para ver o beijo acontecer e por não ter deixado que o incidente abalasse quem ele era.

“Se você se livrar de toda a merda idiota e arbitrária com a qual a sociedade controla a gente, vai se sentir mais livre e, se você se sentir mais livre, vai se sentir mais feliz.”

Mas de todos, o que me emocionou mesmo foi Cooper. Eu não sei. De certa forma eu conseguia me conectar mais com a necessidade que ele tinha de entender o que estava acontecendo com ele, e conforme a narrativa avançava com foco nele, eu tinha um desejo muito grande de poder fazer alguma coisa, mesmo sabendo que não podia.

Dois Garotos Se Beijando foi um dos livros mais intensos que li durante esse ano. Com certeza, o melhor até agora. A maneira como David Levithan escolheu contar essa história, mexeu comigo de formas que eu acho que não conseguiria simplesmente colocar em palavras. Eu me emocionei com esse livro de maneiras diferentes. Eu me senti feliz por Craig e Harry, eu me apaixonei por Neil e Peter, eu entendi os sentimentos de Tariq.

É uma leitura que tem um combo de sentimentos que a gente simplesmente não consegue ignorar. Você se entrega na leitura nas primeiras páginas e sente seu coração apertar até o desfecho do livro. Foi umas das experiências literárias mais incríveis e emocionantes que eu tive nos últimos tempos e certamente um livro que todo mundo deveria ler, gostando ou não dá temática.

Por fim, acho que vocês deveriam saber que eu demorei dias para escrever essa resenha porque eu não conseguia fazê-la sem me emocionar. Acho que se alguém viesse me pedir um livro que fosse causar a maior ressaca literária da sua vida, com certeza eu indicaria este.

27 mar, 2015

Desejo à Meia-Noite, por Lisa Kleypas

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Desejo à Meia-Noite é o primeiro livro da série Os Hathaways escrito pela autora Lisa Kleypas e publicado no Brasil pela Editora Arqueiro. Neste romance de época, somos apresentados aos Hathaways, uma família bastante unida que enfrenta muito mais do que apenas seus problemas financeiros.

Após a morte de seus pais, uma onde de má sorte começou a assombrar a família Hathaway.

Com três irmãs mais nova e um irmão mais velho sempre perdido entre casas de jogos, bordeis e bebida, Amélia Hathaway já havia desistido da ideia de se casar, aceitando sua condição de solteirona e dedicando todo o seu tempo livre para cuidar sua família e tentar resolver os problemas que tinham. Continue lendo