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08 mar, 2015

Amy e Matthew, por Cammie McGovern

Amy e Matthew é um sick-lit escrito pela autora Cammie McGovern e publicado no Brasil pela editora Galera Record.

Amy não é uma adolescente como todas as outras. Nascida com uma doença conhecida como Hemiplegia, ela possui parte do seu corpo paralisado, o que lhe dá muita dificuldade para realizar atividades que outros adolescentes executam com facilidade. Quando conhece Matthew, ela percebe que passou boa parte da sua vida preocupada demais com a sua vida acadêmica, e decide que está na hora de tentar fazer alguns novos amigos.

É então que ela e Matthew começam a passar algum tempo juntos, e conforme vão se conhecendo, uma amizade vai surgindo entre eles. Porém, Matthew também possui seus próprios problemas e conflitos, e – de certa forma – isso acaba interferindo na amizade que ele tem com Amy, e também com outras pessoas. Conforme o relacionamento dos dois vai se desenvolvendo, eles constroem uma amizade sincera, onde a verdade é sempre a base de tudo entre eles. Mas será que essa amizade poderia ser algo mais?

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A narrativa do livro é feita em terceira pessoa, basicamente alternando o foco da narrativa entre Amy e Matthew durante os capítulos. O enredo se desenvolve de forma bem lenta, o que me deixou muito perdida durante a leitura. A autora demora a dar informações na história, como a doença de Amy, por exemplo. Tudo acontece bem devagar ao longo dos capítulos e por mais que o cenário proposto seja interessante, a lentidão do desenvolvimento da história deixou a narrativa bem cansativa.

Confesso que eu não entendi muito bem porque Cammie McGovern decidiu narrar a história dessa forma, com esses elementos. Ao longo do livro, a autora dá várias características da deficiência de Amy, como se esperasse que os leitores tentassem adivinhar do que ela estava falando. Os personagens, apesar de conectados, estavam meio perdidos dentro da história e durante boa parte do livro eu me senti perdida nos acontecimentos.

“Concluí que é possível amar alguém por razões inteiramente altruístas, por todas as suas falas e fraquezas, e ainda assim não ter este amor correspondido. É triste, talvez, mas não trágico, a menos que você fique buscando seus afetos esquivos para sempre.”

Amy é uma personagem que possui uma deficiência chamada Hemiplegia. Nas descrições da autora, ela se comunica através de um teclado – “Pathway”- que reproduzia uma voz robotizada, tinha dificuldades para se alimentar e precisava do auxilio de um andador para conseguir se locomover – sempre muito devagar. Amy tem uma personalidade muito confusa, na verdade. Ao mesmo tempo que ela quer conquistar sua independência como individuo, ela se sente inibida pela outras pessoas, como se não quisesse que outras pessoas se sentissem mal por suas conquistas.

Matthew, por outro lado, é um personagem tão fechado no seu próprio muito, que eu não consegui concluir muita coisa sobre ele, a não ser o fato de que ele se sente muito desconfortável com o envolvimento de Amy com seus problemas, mas é educado demais para admitir para si mesmo como se sente em relação a toda a situação entre eles. Assim como Amy, Matthew também possui suas próprias deficiências, e por isso, amizade com a garota funciona como uma válvula de escape para todas as suas inseguranças.

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Os personagens de Cammie McGovern são similares, mas com problemas diferentes. A autora tem uma escrita agradável, mas não conseguiu vender bem seus personagens ao longo da narrativa. Como tudo se desenvolvia muito devagar, eu senti muita dificuldade em imaginar e sentir tudo o que estava escrito, e como a personalidade dos personagens ficava muito superficial na narrativa em terceira pessoa, eu não consegui me conectar com eles.

A amizade entre os dois adolescentes é o ponto mais positivo do livro. Mesmo com problemas diferentes, a deficiência de Amy nunca chegou a ser um problema para Matthew – quase como se ela nem mesmo existisse – e isso tornou a relação dos dois ainda mais interessante. Conforme a história se desenvolve, os personagens vão ficando mais confortáveis na presença um do outro, e assim, nesses diálogos de amizade é que conseguimos ter uma visão melhor de como eles se sentem em relação ao outro.

“Amy desviou o olhar, de modo que foi impossível dizer o que ela estava pensando. Já não era muito fácil, com sua gama limitada de expressões, mas se olhasse nos olhos dela, em geral, conseguia entender.”

Preciso confessar que Amy e Matthew não foi a minha leitura favorita por diversas razões muito particulares. Quando finalmente descobri a doença da Amy e fui pesquisar a respeito, senti que a autora descreveu uma coisa completamente diferente e exagerada do que a deficiência em si realmente é. E isso me deixou muito incomodada, porque eu estava imaginando uma coisa e quando eu fui tentar entender, não era bem aquilo que tinha sido passado.

A narrativa também foi outro ponto que não me agradou. Eu conseguia ver onde que a autora queria chegar com a história, mas eu me sentia perdida em como ela fazia o enredo caminhar para aquilo. O vai e volta do foco da narrativa me deixou meio tonta. Em um momento estávamos emergindo nos sentimentos de Amy em relação a todo o cenário, e de repente, em um parágrafo o foco se voltava para Matthew e eu me perdia completamente.

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Minha opinião é que a história em geral, o enredo proposto, não é ruim. Pelo contrário, é até bonito o que a autora tentou abordar no livro. Porém, a história não foi bem organizada ao ser escrita. Ela queria focar tanto no fato de que os personagens tinham dificuldades a serem superadas, que ela esqueceu de outros elementos e informações que talvez deixassem a história mais completa.

Por fim, Cammie McGovern não me agradou tanto quanto eu gostaria, mas também não me decepcionou a ponto de eu nunca mais querer ler nada dela. Eu acho que Amy e Matthew é um livro para quem estava sentindo falta de um romance que lembre A Culpa é das Estrelas ou Eleanor & Park, e se é isso que você está procurando para a sua próxima leitura, este livro é uma ótima escolha de leitura.

03 mar, 2015

As Confissões das Irmãs Sullivan, por Natalie Standiford

As Confissões das Irmãs Sullivan, é um Young Adult escrito pela autora Natalie Standiford e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. Esta é a segunda publicação da autora no Brasil, sendo a primeira o livro Como Dizer Adeus em Robô.

Os Sullivans ocupam uma importante posição na alta sociedade de Baltimore. Sendo uma das famílias mais ricas, liderada pela matriarca conhecida como “Poderosa Lou”, não há dúvidas de que os membros desta família precisam ter um comportamento exemplar e honrar o nome da família com suas atitudes.

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Na véspera de Natal, Poderosa revela que por conta de uma ofensa cometida por um dos membros da família, ela decidiu tirá-los do testamento e doar o dinheiro para uma instituição de caridade. Para evitar que isso aconteça, a pessoa que cometeu a ofensa deve fazer uma confissão por carta e entregá-la a Poderosa na noite de Ano Novo.

Sabendo que a perda do apoio financeiro da avó iria colocar a família em uma situação muito complicada, as irmãs Sullivan decidem que confessar seus crimes era a melhor forma de evitar isso. E assim, Norrie, Jane e Sassy começam a relatar para Poderosa suas histórias, esperando que ela compreenda o que as levou a agir daquela maneira.

“Eu confesso.
Sei o que fiz, e a senhora sabe a razão – foi por um verdadeiro amor. A senhora já se apaixonou alguma vez, Poderosa? Sei que já foi casada cinco vezes – mas já se apaixonou? É algo inevitável. A pessoa perde o controle. Fica sem saber o que fazer.”

O enredo do livro é dividido em três partes, sendo cada uma delas referente a uma irmã Sullivan. A narrativa é feita do ponto de vista de cada uma das irmãs, e as confissões seguem o mesmo período de tempo, ou seja, todos os acontecimentos confessados aconteceram na mesma época, porém cada confissão tem o seu foco em uma irmã Sullivan.

Eu realmente gostei de como a autora resolveu organizar a história, porque isso me permitiu ver as situações por três ângulos diferentes. Enquanto eu lia a confissão de Norrie, eu podia ver o comportamento de Jane e Sassy pelos olhos dela, me dando uma compreensão muito maior da história e dos personagens e me fazendo interagir com o enredo de três formas diferentes.

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Natalie Standiford tem uma escrita muito interessante. Durante todo o livro a autora trabalha com três personagens femininas de personalidades e ideais completamente diferentes e mesmo com o risco de se perder no meio dessas personalidades, a autora consegue desenvolver a história de uma maneira que o leitor simplesmente não consegue largar o livro. Tudo na história possui uma sintonia própria e, conforme você vai avançando nos capítulos, o enredo te induz a querer saber mais.

Os personagens foram muito bem construídos. Eu conseguia me conectar com a personalidade de cada uma das irmãs e entender o ponto de vista delas em relação a cada situação. Norrie, por exemplo, é a irmã mais racional, aquela que procura sempre se manter dentro das regras da própria família, mas ao mesmo tempo tem um desejo incontrolável de fazer o que deseja e não se importar com as consequências. Jane, por outro lado, já tem um espírito mais rebelde, quer respostas e quer expor aquilo que ela pensa da maneira como ela pensa. Já Sassy tem sua personalidade única, e um jeito próprio de lidar com as situações a sua volta.

“Querida Poderosa,
Eu, Saskia Wells Sullivan, venho por meio desta confessar assassinato.”

Todas as irmãs tinham alguma coisa pra contribuir com o enredo, mesmo que cada uma de suas confissões fosse sobre um assunto diferente. A minha favorita foi, com certeza, a de Jane, principalmente porque foi à personagem com a qual eu mais me identifiquei. Os questionamentos que ela faz durante a história, foram questionamentos que eu já fiz quando tinha a idade dela, e foi muito legal ter essa visão do porque ela era tão apegada as verdades dela e aos ideais que ela tinha.

Minha primeira leitura de Natalie Standiford foi surpreendente. Eu não esperava que o enredo livro fosse ser tão interessante ou que a história fosse se desenvolver da maneira como se desenvolveu. Mesmo o final, quando finalmente descobrimos o motivo que a Poderosa teve para tirar a família do testamento, me fez entender muito sobre família e seus problemas, mas principalmente o que é ser um adolescente e como é esse eterno processo de amadurecimento.

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Confesso que eu fiquei encantada com a escrita da Natalie, o desenvolvimento dos personagens ao longo do enredo e como ela resolveu colocar todas as inseguranças de um adolescente em situações inusitadas e completamente fáceis de você imaginar ou entender.

As Confissões das Irmãs Sullivan é um livro muito divertido, engraçado e que com certeza vai fazer com que o leitor não queira parar com a leitura. Foi uma leitura que me surpreendeu em vários quesitos e fez com que eu me apaixonasse pela Natalie Standiford. Mal posso esperar para conhecer outros trabalhos da autora, e eu tenho certeza de que vocês vão amar a leitura desse livro.

01 mar, 2015

Sem Esperança, por Colleen Hoover

Sem Esperança é o segundo volume da série Hopeless, escrito pela autora Colleen Hoover e publicado no Brasil pela Galera Record. Neste livro iremos conhecer o enredo de Um Caso Perdido contado do ponto de vista de Dean Holder.

Anos após do desaparecimento de sua amiga de infância, Hope, Holder ainda não consegue esquecer completamente a sensação de que tudo o que aconteceu no passado foi, em parte, sua culpa. Com a morte de sua irmã, sua vida muda completamente e, depois morar com seu pai por alguns meses, ele decide que está na hora de retornar à cidade onde vivia e cuidar de sua mãe.

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É então que ele conhece Sky e, ao olhar em seus olhos, tem a sensação de que encontrou alguém que havia perdido há muitos anos . Será que ele finalmente havia encontrado Hope? Mas Sky era mesmo o que a sua identidade dizia, e por alguma razão ele simplesmente não conseguia dar as costas para aquilo e deixá-la de lado. Conforme a relação dos dois vai se tornando cada vez mais intensa e difícil de se negar, Holder começa a deseja que a garota não fosse ninguém menos do que apenas Sky.

O livro é narrado em primeira pessoa, no ponto de vista de Holder, que conhecemos em Um Caso Perdido, o primeiro volume da série. Diferente do que eu esperava, os primeiros capítulos do livro são os mais importantes. É onde a autora permite que o leitor conheça um pouco do personagem antes de sua vida ter essa grande mudança. Podemos acompanhar o seu relacionamento com a irmã, e ter uma breve ideia de quem era Less, e como ela estava se sentindo em relação às coisas que estavam a sua volta.

“Ficar com ela me fazia pensar no amanhã e no dia depois de amanhã e no dia seguinte e no ano seguinte e na eternidade. Preciso disso agora, pois se eu não abraçá-la de novo… vou terminar olhando para trás mais uma vez, deixando o passado me engolir completamente.”

Um dos pontos que eu mais gostei na construção da narrativa do Holder, foi que a autora deu um tom muito mais pessoal para a história. Ao longo dos capítulos, nós podemos ver cartas que o personagem escreve para a irmã, o que faz com que o leitor consiga ter um envolvimento maior com a história e visualizar exatamente o que o personagem está sentindo naquele momento em relação ao que está acontecendo ao seu redor.

A coisa que mais me incomodou dentro de toda a proposta do livro foi a história não ter ido mais além do que aquilo que já havíamos visto em Um Caso Perdido. Boa parte do enredo se resume as mesmas cenas do primeiro livro, só que do ponto de vista masculino. Foi bem interessante ver o que se passava na cabeça do Holder enquanto ele e Sky ainda estavam se conhecendo, mas por outro lado, eu já sabia exatamente o que estaria escrito no próximo capítulo e isso me deixou bastante entediada com a leitura.

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Dean Holder é um personagem bastante intenso. O ponto de vista dele trás muitos conflitos internos e muitos assuntos não resolvidos que eu não tinha compreendido muito bem no primeiro volume da série. Mas, ainda assim, ele não tem nada “além” do que a autora já havia mostrado pra gente dentro de Um Caso Perdido. Não é um segredo como ele se sente em relação a Sky e o que ele pensa em relação a tudo o que acontece durante o enredo em si. Isso acabou deixando o personagem um pouco previsível, cru.

Por outro lado, foi muito legal ver a Sky pelos olhos de outro personagem. Eu tinha gostado bastante dela no primeiro livro, mas ainda tinham traços da personalidade dela que me incomodavam, e acho que ao vê-la por um ponto de vista diferente eu consegui compreender melhor a personagem e me envolver mais com o que o livro estava propondo.

“Meu coração está dizendo para eu simplesmente ir embora. Less já me avisou mais de uma vez que isso não é da minha conta. No entanto, ela não sabe como é ser o irmão de alguém.”

Sem Esperança não é um livro ruim, mas também não foi uma leitura tão boa quanto foi Um Caso Perdido. Acredito que muitas pessoas estivessem esperando – ou pelo menos eu estava – algo mais parecido com “Pausa”, segundo livro de Métrica, onde a autora conta a história do ponto de vista do Will, mas alguns meses depois do fim do primeiro livro. Infelizmente, não foi esse tipo de enredo que ela escolheu para Sem Esperança, embora eu entenda que havia uma necessidade de mostrar as coisas pelo ponto de vista do Holder, afinal, ele está muito envolvido em tudo o que aconteceu com a Sky desde o começo.

Se você gostou muito de ler Um Caso Perdido e se apaixonou por Holder, a leitura de Sem Esperança é fundamental para que você conheça mais sobre o personagem e se apaixone ainda mais por ele. A escrita de Colleen Hoover não decepciona neste livro, então se você está procurando aquele enredo envolvente, Sem Esperança pode ser uma boa escolha.

25 fev, 2015

True, por Erin McCarthy

True é um New Adult escrito pela autora Erin McCarthy e publicado no Brasil pela Editora Verus. O livro é o primeiro volume da série True Belivers, seguido pelos títulos Sweet (Doce), Belive (Acreditar) e Shatter (Despedaçada), ainda não traduzidos para o Brasil. Cada um dos volumes da série tem o foco em uma personagem diferente sendo a Rory, a primeira, seguida por Jessia, Robin e Kylie.

Rory Macintosh sempre foi uma pessoa muito observadora. Sem nunca chamar a atenção das pessoas a sua volta, ela sempre esteve focada nos estudos e nunca se preocupou muito quando o assunto era “namorado”. Porém, quando suas melhores amigas descobrem que ela nunca se envolveu com nenhum garoto, decidem pagar o bad boy Tyler Mann para cuidar do assunto, tudo com o objetivo de que a amiga ganhe mais confiança em si mesma.

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Tyler nunca foi considerado o tipo de cara com quem uma garota deveria namorar. Com seus próprios problemas familiares, o rapaz vivia entre a faculdade, cuidar dos irmãos mais novos e festas até a madrugada. Quando Rory começa a passar mais tempo com ele, percebe que talvez ele seja uma pessoa completamente diferente do que todo mundo diz, e conforme a amizade vai surgindo entre os dois, um sentimento mais forte faz com que o envolvimento entre eles seja cada vez mais intenso.

Este primeiro volume da série é narrado do ponto de vista de Rory, tendo todo o seu foco no relacionamento entre ela e Tyler desde o começo do livro. A escrita da autora me agradou bastante e eu gostei muito do modo como a história e os personagens foram evoluindo ao longo do enredo.

“Ninguém me queria. Mas isso não significava que eu ão era gente, que eu devia deixar de lado a dignidade e aceitar qualquer tipo de atenção que me dessem, sem me importar se era de uma forma egoísta e violenta.”

Apesar disso, eu senti falta da participação dos personagens secundários dentro de todo o universo criado. Nos primeiros capítulos, tanto as amigas de Rory, quanto os amigos de Tyler são completamente presentes na história, mas conforme o romance entre os personagens principais vai ficando mais sólido, os personagens secundários vão sendo esquecidos.

A história em si me lembrou muito Belo Desastre da Jamie McGuire. O enredo não é exatamente parecido, mas a maneira como a história se desenvolve e a personalidade dos personagens é revelada, eu pude perceber que se Travis Maddox fosse ter um melhor amigo, com certeza ele se chamaria Tyler Mann. Os elementos são bastante similares com outros New Adults que já conhecemos, mas isso não faz da história ruim, acredito que até seja a razão de eu não ter conseguido largar a leitura em nenhum momento.

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Os personagens me agradaram bastante de um modo geral. Apesar de eu ter achado um pouco exagerado as amigas de Rory, Kylie e Jessica, pagarem uma pessoa para tirar a virgindade da melhor amiga delas, conforme a narrativa foi se desenvolvendo, eu percebi que era tudo uma questão de ponto de vista e que elas estavam fazendo tudo na melhor das intenções, mesmo a ideia em geral não sendo muito boa.

Rory é uma personagem feminina muito fácil de se identificar e a primeira que eu conheço que não tem nenhum apego por literatura. Seu jeito tímido, porém prático, torna a leitura menos cansativa, principalmente porque ela tem consciência das coisas que estão acontecendo a sua volta e não se deixa fazer de idiota, mesmo como as pessoas entendem o seu lado introvertido como uma coisa “socialmente ruim”.

“Foi aí que eu percebi que seria muito fácil me apaixonar por Tyler Mann.

E que, se eu quisesse que o meu coração fosse partido em um milhão de pedaços, eu precisava ser muito, muito cuidadosa para não fazer isso.”

Tyler, por outro lado, acabou sendo uma surpresa ao longo da leitura. Quando você conhece um personagem com a descrição de “musculoso e tatuado”, automaticamente você imagina uma nova versão de Travis Maddox para assombrar seus sonhos. Mas ao contrário do que eu pensava, Tyler tem uma personalidade completamente diferente, sendo muito mais maduro e responsável pelas pessoas a sua volta, e isso fez com que eu me apaixonasse por ele logo no começo do livro.

O que mais me encantou na série em si, foi descobrir que não só o primeiro livro, mas como os próximos volumes, terão foco nas amigas de Rory, ao invés de seguir o sexo masculino, como normalmente acontece nos New Adults em geral. Isso me animou muito com a leitura, principalmente porque eu fiquei com muita vontade de conhecer as personagens e entender o seus comportamentos.

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A escrita da Erin McCarthy é realmente muito boa. Gostei de como ela construiu os personagens dela de uma forma bem original, não deixando nenhuma característica muito exagerada e não fazendo eles parecerem pessoas surreais, como às vezes acontece. Faltou um pouco de atenção no cenário geral da história, principalmente quando ela ignora os personagens secundários conforme o enredo vai se desenvolvendo, mas isso não faz com que o livro fique ruim, até porque o romance é muito bem elaborado e faz com que você queira continuar a leitura.

True foi o meu primeiro contato com a autora e a série True Belivers, e mal posso esperar pelo lançamento dos próximos volumes no Brasil. É o livro perfeito para quem está procurando por um New Adult um pouco mais realista e com um enredo envolvente e intenso. Ou seja, se você gostou muito de Belo Desastre, True precisa – desesperadamente – ser a sua próxima leitura.