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12 out, 2017

Fortaleza Impossível, por Jason Rekulak

Depois do sucesso de Stranger Things e It, a nostalgia dos anos 80 parece realmente estar em alta. E eu realmente gosto bastante da cultura pop dessa época, então quando eu li a sinopse de Fortaleza Impossível, já fiquei super animado com o livro. E apesar de ter me divertido com a leitura, Fortaleza Impossível não entregou o que eu estava esperando. E a maioria dos problemas que eu tive com o livro estão no enredo em si,

Fortaleza Impossível segue um garoto chamado Billy e seus amigos, Clark e Alf, típicos garotos americanos que só querem uma coisa na vida: a mais nova edição da Playboy, que contem as fotos da apresentadora mais popular dos Estados Unidos, Vanna White. Billy e seus amigos constroem um plano mirabolante, que envolve se aproximar de Mary, a filha do dono da loja que vende as revistas. O que Billy não espera era que Mary e ele tivesse tanto em comum, principalmente uma paixão secreta por jogos de computador

Os personagens de Fortaleza Impossível são bem legais, apesar de serem um pouco simples. Billy é um garoto legal que obviamente sofre uma certa pressão dos seus amigos e do mundo em geral para agir de um jeito que não condiz com a personalidade dele. Os diálogos dele com os amigos me incomodaram um pouco, porque eles podem ser bastante preconceituosos, mas os momentos que o livro passa mostrando o relacionamento dele com a Mary são realmente as melhores partes do livro. E elas ficam ainda mais legais quando mostram os dois compartilhando a paixão por computadores.

O plot do plano em si é até divertido, e me lembra bastante os filmes de comédia dos anos 80. Fortaleza Impossível é realmente uma carta de amor à essa época, mesmo que não seja tão recheado de referências quanto Jogador Nº 1, por exemplo. Mas ele consegue recriar muito bem a atmosfera dos filmes dos anos 80, principalmente as comédias adolescentes como Mulher Nota 1000 e A Vingança dos Nerds. Pra quem gosta desse tipo de comédia, Fortaleza Digital pode ser uma ótima sugestão.

Mas como nem tudo pode ser positivo, o livro tem seus problemas. Pra começar, como eu já mencionei, os amigos de Billy tem alguns diálogos bastante preconceituosos. Eu entendo que o livro se passa nos anos 80, e a sociedade evoluiu em alguns conceitos, mas eu realmente fiquei incomodado com o quanto os personagens focam no fato de que Mary é gorda. Praticamente toda vez que ele mencionam ela, eles fazer referencia ao peso dela. Até mesmo Billy usa termos insultantes quando fala dela, só para se adequar a o que os amigos fazem. Esse é um problema do livro, em um momento, Billy é um garoto legal e carinhoso, em outro, ele é grosseiro e infantil. Essa caracterização inconsistente não melhora em nenhum momento do livro.

E isso acaba levando ao maior problema do livro. Sem querer dar spoiler do final da história, eu tive a sensação de que chegando na conclusão, nenhum dos personagens aprendeu nada com os acontecimentos da história. Tanto Billy quanto Mary fazem algumas coisas moralmente questionáveis durante o livro, e no final, é como se nada disso tivesse acontecido. Eles são as mesmas pessoas no final do livro que eles eram no começo. Então, apesar de divertida, a história toda parece que não tem peso nenhum.

No final das contas, Fortaleza Impossível é uma leitura divertida, mas não é tão satisfatório quanto poderia ser. O enredo e a atmosfera entregam aquela nostalgia, e os momentos do livro que focam na paixão de Billy por computadores e no romance dele com Mary são boas, mas não compensam a infantilidade dos personagens, a inconsistência da caracterização e o body shaming que os personagens propagam. Apesar de eu ter gostado de partes do livro, eu não sei se eu recomendaria esse livro para quem quer uma comédia nostálgica.

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09 out, 2017

O Príncipe Corvo, de Elizabeth Hoyt

Eu tinha todas as expectativas possíveis em cima de O Príncipe Corvo, principalmente por causa do hype em cima da autora, Elizabeth Hoyt, quando o livro foi anunciado no Brasil pela Record. Eu sou completamente apaixonada por romances de época, então não é preciso muito para me convencer a entrar de cabeça em um romance, e O Príncipe Corvo logo se tornou uma das leituras que eu mais queria fazer este ano. O problema? Elizabeth Hoyt conseguiu reunir em um único enredo uma boa parte de todas as coisas que eu menos gosto num enredo e isso causou um grande desapontamento com o livro.

O Príncipe Corvo vai contar a história da Anna Wren, uma viúva respeitável que consegue o emprego de secretária do conde. O conde em questão não é bem a pessoa mais simpática que Anna iria conhecer em sua vida. Com uma personalidade grosseira e um jeito mais do que retraído, Anna tenta de todas as formas se aproximar do seu novo patrão e quebrar as barreiras que ele colocou em torno de si. Porém, não demora muito para que a atração entre eles se torne cada vez mais irresistível. Seria o conde capaz de olhar para Anna com outros olhos e ela capaz de ver aquele conde rabugento além das aparências?

Ah, o enredo de O Príncipe Corvo tinha tudo para ser uma das minhas melhores leituras este ano, juro! Não tem nada que eu ame mais do que uma leitura que explora a beleza além das aparências e personagens cheios de conflitos internos e inseguranças. Porém, por mais que eu tenha gostado do enredo em geral e achado a história mais do que interessante, acredito que a autora tenha pecado demais na construção do enredo em si, principalmente no que se trata do desenvolvimento dos personagens e do enredo como um todo.

Raiva. Anna sentiu raiva. A sociedade poderia não esperar o celibato do conde, mas certamente esperava isso dela. Ele, por ser homem, poderia ir a casa de má reputação e aprontar por toda a noite com criaturas sedutoras e sofisticadas. Enquanto ela, por ser mulher, deveria ser casta sem nem ao menos pensar em olhos escuros e peitos cabeludos. Simplesmente não era justo. Nem um pouco justo.

O enredo de O Príncipe Corvo se desenvolve tão rápido que a sensação que eu tive era de estar correndo uma maratona. Todos os plots criados pela autora são apresentados de supetão e resolvidos de uma página para a outra sem muita explicação. Há tanta coisa acontecendo na história além do romance principal, que você não sabe exatamente no que focar a sua atenção primeiro. O mesmo acontece em relação ao romance dos personagens principais que, apesar de ser muito bonito de se acompanhar, não tem profundidade e o leitor não consegue sentir que realmente existe amor além do desejo e da atração física que obviamente eles sentem um pelo outro.

Felicity foi o meu maior problema o livro inteiro. Uma personagem secundária que é apresentada aleatoriamente, que não tem nenhum tipo de influência na história e que é simplesmente descartada sem nem ao menos ter a chance de justificar o porquê da sua existência. Dado aos motivos pelos quais ela supostamente estava no livro, eu realmente esperava que ela fosse muito mais “vilã” do que ela realmente. Eu esperava que ela se destacasse ou que fizesse alguma coisa que me chocasse ou pelo menos me prendesse o suficiente na história. Mas não foi isso que aconteceu, não é? Felicity que tinha muito o que contribuir para O Príncipe Corvo, foi mais um plot desperdiçado pela autora, infelizmente.

Dreary ficou por ali por mais um tempo e então deve ter ido embora, porque, depois de alguns instantes, Edward descobriu que estava sozinho. Ele se sentou diante do fogo apagado em seu quarto, sozinho.
Mas era assim que, até muito recentemente, ele estava acostumado a viver.
Como um homem sozinho.

Apesar de inúmeros pontos negativos, eu tenho que admitir que os personagens principais realmente formam um bom casal romântico. Eu gostei muito da Anna enquanto heroína, ainda mais por ela não ser passiva e não ficar esperando que as coisas simplesmente acontecessem com ela. Acho que o fato de ela ter dado o primeiro passo para conquistar Edward, considerando a época em que o livro se passa, foi uma das cenas mais “empoderadas” do livro. E Edward, por ser um personagem inseguro e cheios de traumas pessoais, onde cabe a Anna mostrar para ele que sim, ele merece ser amado profundamente como qualquer outro ser humano, torna essa inversão de papéis ainda mais perfeita. Hoyt acertou muito quando resolveu apostar nesse casal.

Não vou dizer que O Príncipe Corvo foi uma experiência de leitura ruim, porque não foi. Minha maior preocupação em romances desse tipo é em como a autora vai desenvolver as cenas de sexo e em como o sexo em si vai influenciar na relação dos personagens principais. E eu gostei bastante de como a autora não usou o sexo como “algo a mais” na história, mas fez com que o ato tivesse suma importância no enredo em si e trouxesse consequências para o casal principal.  Eu gostei muito do envolvimento físico dos dois, acho que fez com que eles se tornassem um pouco mais real para mim.

Eu tenho muita esperança que no segundo livro da série, O Príncipe Leopardo, as coisas sejam um pouco diferentes, até porque o enredo tem uma “pegada” completamente diferente. Elizabeth Hoyt tem uma boa escrita, consegue construir boas cenas de sexo e traz heroínas apaixonantes e independentes, porém, a autora peca demais no desenvolvimento da história, deixando várias pontas soltas pelo caminho e personagens que tinham tudo para trazer um “a mais” para a história, mas que acabaram sendo esquecidos ou ofuscados pelo romance. Confesso que, com todo o hype em cima do livro e todos os comentários positivos que eu vi sobre o livro, esperava terminar essa leitura com uma sensação diferente. Foi uma boa leitura? Foi. Mas poderia ter sido muito melhor.

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05 out, 2017

Branco Como a Neve, por Salla Simukka

Branco Como A Neve foi uma leitura complicada de descrever. Primeiramente porque suspense é um gênero literário que eu ainda não estou completamente familiarizado, segundamente porque, e eu não sei isso vai fazer muito sentido, eu ainda não consegui largar da sensação de que o livro que eu li era só metade de um livro maior. Eu tive a mesma sensação quando li Vermelho como O Sangue, então provavelmente é alguma coisa com o estilo narrativo da autora, mas ainda assim é uma sensação muito esquisita.

Branco Como A Neve continua a história de Lumikki Andersson, uma jovem estudante de uma escola de arte que se vê envolvida com assuntos bem mais complicados do que ela gostaria. Dessa vez, Lumikki está de férias em Praga, se recuperando dos acontecimentos do primeiro livro, quando é abordada por Zelenka, uma misteriosa jovem que diz ser sua irmã. Lumikki, que sabe como a sua família é complicada no que diz respeito a segredos, decide investigar se a afirmação de Zelenka é verdadeira. Mas a aparição de Zelenka acaba levando Lumikki para dentro de um mistério mais perigoso do que ela poderia ter imaginado.

Quem leu Vermelho Como O Sangue sabe que Lumikki é uma personagem um tanto quanto fria e impessoal. Pessoalmente, eu gostei da personalidade antissocial dela, e esse segundo livro até conseguiu introduzir detalhes do passado dela que apresentaram um lado novo da personalidade dela. Mas o problema com esse jeito frio dela é que narração do livro fica um pouco monótona. Ela é tão racional e centrada que a narração contêm quase nenhuma emoção. Eu entendo que isso é parte da personagem, e que quando a emoção acontece, ela é até bastante efetiva, mas no geral a leitura do livro é clínica demais pro meu gosto.

Os outros personagens do livro simplesmente não são importantes o bastante para serem mencionados. O livro passa muito pouco tempo com eles, praticamente só os momentos em que eles interagem com a Lumikki. Zelenka é provavelmente a maior personagem depois de Lumikki e apesar de achar a história dela interessante, o livro não soube apresentar o arco dela de uma forma envolvente. Esse é um dos maiores problemas que eu tive com o livro, o fato de que ele não mostra tanto da história quanto eu gostaria. Em um ponto do livro, a narração explica uma conversa que Lumikki tem com outro personagem, e eu ainda não entendi porque o livro não poderia ter simplesmente nos mostrar a tal conversa

Outro problema que o livro tem, e que também estava presente no primeiro livro da série, é que ele é simplesmente curto demais. A história chega em um momento interessante e você, o leitor, fala “Opa, agora assim a história vai ficar séria!”, mas esse momento vem praticamente no final do livro. Eu falei no começo da resenha que o livro parece ser apenas uma parte de um livro maior, e é exatamente isso que parece. Que alguém editou um livro grande porque não tinha tempo de ler ele inteiro. Apesar de ter alguns elementos muito legais, a história parece incompleta, e acaba rápido demais.

Além disso, além do fato de terem a mesma protagonista, eu não vi quase conexão nenhuma entre o primeiro e o segundo livro. Considerando os acontecimentos do primeiro livro, era de se esperar que eles tivessem algum tipo de impacto emocional na Lumikki, mas não. Ela está basicamente no mesmo lugar emocionalmente e mentalmente que ela estava no primeiro livro. Exceto por ser talvez um pouco mais aberta a se aproximar das pessoas, mas nem mesmo isso é tão aparente.

Se Branco Como A Neve fosse talvez umas 50 e poucas páginas mais longo, e a narração fosse menos focada nos pensamentos de Lumikki e mais nos outros personagens, ele seria uma leitura bem mais marcante. O livro tem bons momentos, principalmente os flashbacks sobre o passado emocional de Lumikki, mas no geral, é uma história esquecível. Eu sei que a série ainda tem mais um volume, Preto Como o Ébano, mas eu não consigo reunir interesse para continuar acompanhando essa trilogia. É realmente uma pena porque eu queria muito gostar dessa história, mas eu simplesmente não consegui.

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02 out, 2017

A Menina Que Não Acreditava em Milagres, por Wendy Wunder

Eu realmente não sabia o que esperar desse livro. Sick-lit é um gênero literário que nunca me atraiu, e pra ser sincero, continua não atraindo, então eu não tinha nenhuma ideia do que esperar dessa leitura. Mas A Menina Que Não Acreditava em Milagres até que foi uma surpresa agradável. Não que o livro não tenha seus problemas, e ele com certeza tem, mas foi uma leitura bem mais agradável do que eu achei que seria, apesar de ser um tanto quanto mediana.

A Menina Que Não Acreditava em Milagres conta a história de Cam, uma jovem que há anos batalha uma forma terminal de câncer. O último exame feito revela que não há mais nada que a medicina possa fazer por Cam, e que a única forma de salvá-la seria um milagre. A mãe de Cam decide então que a família deve se mudar para a cidade de Promise, uma pequena cidade no Maine que tem a reputação de ser o local de vários acontecimentos milagrosos.

Em primeiro lugar, vamos falar da protagonista. Como o livro é centrado completamente em tordo dela, se a Cam fosse uma personagem ruim, o livro em si seria ruim. Mas a narração de Cam, foi provavelmente a minha parte favorita do livro. Sempre que eu vejo uma personagem sendo descrita como sendo “sarcástica”, eu já me preparo para não gostar dela, já que geralmente “sarcástica” significa “grosseira e desagradável”. Mas eu acabei gostando bastante de Cam. Talvez porque ela realmente tem motivos para ser uma pessoa, digamos assim, negativa, então o sarcasmo dela pareceu mais justificável. E mesmo assim, ela também tem seus momentos mais sentimentais durante a história.

E os elementos do backstory dela todos eram bastante interessantes. O lance de crescer basicamente dentro do parque da Disney World, o fato de ela ser polinésia, e claro o câncer, tudo isso somado fez dela uma personagem muito interessante. E tudo isso ficou dez vezes melhor quando ela interagia com outro personagem e os diálogos dela eram realmente engraçados. Teria sido muito decepcionante se o sarcasmo dela se manifestasse de uma forma mais negativa, mas ainda bem que as observações dela me fizeram rir.

O relacionamento da Cam com o par romântico dela, o Asher, até que é legalzinho, mas não é nada que tenha feito o livro ser mais marcante. Eles têm alguns momentos bonitinhos, alguns diálogos divertidos, mas no geral, é um romance bastante esquecível. Com certeza nada que eu chamaria de um romance épico. Eu estava mais interessado no relacionamento da Cam com a mãe e a irmã, principalmente com a irmã. Eu queria de verdade ver mais cenas das duas juntas, porque fiquei com a sensação de que elas não interagiram tanto quanto eu gostaria no livro.

Infelizmente, a história em si não me saltou aos olhos como sendo tão especial. Talvez porque se trata de uma história sobre uma personagem com câncer terminal, o livro todo me pareceu uma contagem regressiva para o momento em que tudo ia pro fundo do poço. Apesar dos momentos mais leves serem bem divertidos, e até bonitinhos, eu passei pela leitura com aquela sensação de “ok, chega logo na parte importante”. E esse é o meu problema com Sick-lit em geral, eu não consigo aproveitar a história porque estou sempre esperando o momento em que a situação vai de mal a pior.

Eu não saberia comparar A Menina Que Não Acreditava em Milagres com outros livros do mesmo estilo, mas como um livro em geral, ele não foi nada que eu chamaria de ótimo. A narração da Cam foi praticamente o único ponto marcante do livro, além de algumas cenas mais divertidas, e pra ser sincero, esse realmente foi um caso em que o todo não foi maior que a soma das partes. Não é uma leitura que eu me arrependo de ter feito, mas não diria que é uma que eu farei novamente.

As imagens do livro utilizadas nesta resenha foram retiradas do blog Sai da Minha Lente.