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26 out, 2020

bookstagram: o que eu aprendi falando de livros no instagram

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isso vai parecer muito esnobe, mas eu venho de uma época onde falar de livros era, literalmente, sobre os livros.

quando eu comecei no mundo literário, as resenhas eram sobre o livro, sobre o plot, os personagens e a narrativa. não tinha muita preocupação com fotos e hashtags, o foco estava única e exclusivamente no livro.

quando o instagram começou a ser a rede social favorita de quase todo mundo, as mudanças na forma como uma resenha era consumida foram ficando mais evidentes.

nós já tínhamos o youtube, mas ainda naquela época – 2015, por aí – existia uma preocupação em passar o máximo da ideia do livro possível. quando o instagram se tornou uma febre nos anos que se seguiram, as discussões literárias ficaram mais superficiais e plataformas como blogs começaram a ser esquecidas – eu inclusive tenho uma amiga que trocou o blog por um canal no youtube e está indo super bem.

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29 set, 2020

estou perdendo minhas livrarias: um desabafo

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as livrarias estão ficando vazias.

de pessoas. de livros.

eu quebrei a quarentena para ir na livretto – a única livraria da minha cidade – para buscar alguns livros espíritas que eles tinham lá e me deparei com um cenário de partir o coração.

eles não recebiam lançamentos desde o inicio da pandemia. estavam vivendo com o que tinham nas estantes, o que já não era mais muita coisa. as prateleiras estavam praticamente vazias e sem poder oferecer o serviço de delivery – apenas em casos extremos, eles estavam tirando leite de pedra.

parece a realidade da minha livraria, mas sabemos que livreiros do país inteiro estão sofrendo com o mercado. no próximo mês os livros vão sofrer um reajuste, o que significa que aquele livro da julia quinn que antes custava R$39,90, agora poderá custar R$49,90. e ao contrário da amazon que trabalha o preço que ela quer, os livreiros não tem muito para onde correr.

as livrarias estão fechando. e eu estou pedindo socorro.

uma livraria pode não ser importante para você e eu entendo. os livreiros não conseguem trabalhar descontos absurdos e, muitas vezes, é fora de mão pagar quase R$80 em um exemplar. mas as livrarias são muito mais do que isso – eu juro.

existe uma magia ali que está morrendo.

eu me lembro de quando ir na livraria era mais emocionante que o novo filme do star wars.

era como entrar em um mundo completamente novo. tinha um cheiro de madeira misturado com café fresquinho e as pessoas passavam horas e mais horas debatendo sobre clássicos, contemporâneos, lançamentos. foi numa livraria assim, em botafogo (rj), que a minha avó me comprou o príncipe caspian, o quarto livro de as crônicas de nárnia do c.s. lewis – também conhecido como o meu primeiro livro.

tem um prazer secreto em vagar de estante em estante olhando todas as opções, sentindo o cheiro dos livros novos se misturando com o que já estavam ali há algum tempo. as pessoas conversando sobre leituras incomum, o atendente puxando conversa e trazendo indicações. a sensação de poder relaxar e só ficar absorvendo o ambiente, como se estivesse em casa.

existe uma magia nas livrarias que a amazon, infelizmente, não consegue reproduzir.

é sobre encontrar.

leituras. amigos. amores.

e agora as livrarias estão acabando. estão sendo substituídas pelo mundo digital, pelas grandes lojas e pela facilidade de receber o livro embalado na porta de casa. e nós estamos perdendo a base do que faz ser um leitor uma experiência maravilhosa.

não se enganem, eu amo receber meu livro em casa. mas tem alguma coisa a mais quando eu sento no chão da livraria e começo a vasculhar livros e mais livros atrás daquele livro, sabe? as pessoas a minha volta se envolvendo na busca, trazendo indicações, trocando informações.

eu não tenho isso na amazon e, agora, talvez eu não tenha isso na vida também.

o mercado livreiro precisa de uma mudança se quiser sobreviver. se adaptar a nova realidade e encontrar a sua maneira de trazer para as livrarias essa nova geração de leitores online. não é uma tarefa fácil, sabemos.

é preciso trazer de volta essa magia. lembrar o leitor da experiência excitante de levar para casa uma recomendação de alguém que você acabou de conhecer. de tomar um suco ou um café enquanto vasculha as prateleiras atrás de jane austen.

não podemos deixar que as nossas livrarias acabem.

por favor, ajudem.

27 jun, 2019

Romance Histórico: conhecendo mais sobre o gênero

Há alguns anos eu tive a ideia de trazer um pouco mais sobre gêneros literários aqui para o blog e realmente explorar as possibilidades de cada um. Claro que, na época, eu não era muito organizada e acho que eu consegui falar apenas dois ou três gêneros e não da maneira que eu queria. Desde que eu entrei de cabeça na série do Cormoran Strike e me dei a chance de sair da minha zona de conforto, eu achei que seria interessante tentar essa ideia de novo, e aqui estamos.

Bem, eu resolvi começar com romance histórico por um motivo óbvio: eu amo o gênero. Inclusive, o primeiro livro que eu escrevi na minha vida era um romance histórico e com todas as novas autoras que estão chegando nas livrarias e a adaptação de Os Bridgertons virando a esquina, por que não aprofundar nesse gênero que a cada dia conquista mais leitores?

Meu primeiro livro de romance histórico foi O Duque e Eu, da Julia Quinn. Eu não tinha ideia do que era um romance histórico, mas já tinha lido algumas resenhas da série, então na Bienal do Livro, eu aproveitei uma boa promoção da Arqueiro para colocar os três primeiros livros na estante. E o resultado? Passei o final de semana tão imersa na escrita de Quinn que terminei o terceiro livro já querendo ler o quarto, e o quinto etc. Continue lendo

25 abr, 2019

Como o hype de um livro pode afetar a sua leitura

Muitos de vocês provavelmente já sabem do meu projeto de leitura, Lendo Potter, onde eu finalmente decidi me entregar ao universo bruxo e formar uma opinião sobre o assunto. E eu não vou mentir, finalmente conhecer todo esse mundo criado pela J.K. Rowling tem sido uma grande aventura, o que me fez começar a pensar no impacto que o livro teve na vida de muito dos meus amigos e o impacto que ele está tendo em mim agora, tantos anos depois do último livro ser lançado e do último filme ter estreado nos cinemas.

Por causa de todo esse alvoroço que existe em torno de Harry Potter – Netflix que o dia – uma palavra muito comum no meio literário me veio à cabeça: hype. Muitos conhecem e utilizam essa palavra, nem todos sabem o que significa, mas com toda certeza, o hype já afetou o seu julgamento em relação a um livro ou qualquer outra coisa que tenha estado na boca do povo por muito tempo. O hype nada mais é do que a promoção extrema de uma ideia, produto ou pessoa. É o clássico “está dando o que falar”, como Game of Thrones, A Culpa é das Estrelas e, anos atrás, Harry Potter. Continue lendo