Cinema 30mar • 2018

Com Amor, Simon é sobre se assumir para o mundo

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Adaptações de livro sempre me deixam um pouco receosa. Essa coisa de você ter uma certa liberdade com o enredo sempre acaba tirando os diálogos que eu mais gosto ou as cenas que eu mais gostaria de ver na tela dos cinemas. Mas Com Amor, Simon, apesar de suas pequenas divergências com o livro, conta a história de uma forma tão poética quanto Becky Albertalli fez em seu livro. O filme não só conseguiu passar muito bem a ideia do livro, como fez com que eu me apaixonasse novamente por esse enredo maravilhoso.

Para quem ainda não sabe sobre o que é esse filme, eis aqui uma breve explicação: Com Amor, Simon é a adaptação do livro Simon vs. a Agenda Homo Sapiens, lançado no Brasil pela Intrínseca em 2016. O filme conta a história do Simon, um adolescente comum que esconde um grande segredo: ele é gay. Quando Martin, um garoto idiota da sua escola, descobre sua troca de e-mails com o misterioso Blue, Simon precisa fazer de tudo para que seus segredos não sejam revelados, inclusive ceder as chantagens de Martin.

Se você é do grupo de pessoas que não chegou a ler o livro e vai entrar na sala do cinema pensando que esse é mais um filme sobre “ser gay”, eu já vou te avisando que você está completamente enganado. Um dos motivos de Com Amor, Simon ter conquistado o meu coração foi o fato de que Greg Berlanti (Diretor) conseguiu manter a essência da história, que não é sobre o fato do Simon ser gay ou não, mas sim sobre a coragem que você precisa ter para dizer quem você é para o mundo.

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Com Amor, Simon tem um enredo muito mais profundo do que a maioria das pessoas provavelmente está esperando. Simon é um personagem comum, como eu e você. Parando para analisar, a vida dele não tem realmente “problemas” e seus melhores amigos são todas pessoas muito maravilhosas. O único real problema do protagonista é esconder de todo mundo quem ele realmente é, o que faz com que seja muito fácil que o espectador se identifique com ele, afinal, todo mundo um dia já escondeu um segredo.

Nick Robinson foi um Simon muito mais maravilhoso do que eu poderia esperar. A atuação de Robinson trouxe uma leveza muito interessante para o personagem, tornando-o mais real para quem estava assistindo o filme. Mas o sucesso de Com Amor, Simon não cai apenas nas mãos do protagonista. Jennifer Garner e Josh Duhamel, que interpretam os pais do personagem, foram um apoio muito bom para que a gente pudesse aprofundar mais na relação entre personagem principal e a sua família. Diferente do livro de Albertalli, no filme eu senti que o Simon era muito mais próximo da sua família e isso foi um ponto muito positivo.

O papel do Martin ficou nas mãos de Logan Miller e eu acho que ele entregou muito bem o personagem. Tudo bem que, no filme, o Martin é muito mais irritante do que ele é no livro. Sua personalidade evoluiu um pouco mais para aquele estereótipo de “cara desajeitado”, e por mais que eu não goste de estereótipos, eu acho que encaixou até que bem no enredo. Outra mudança que eu também gostei foi a da Leah, interpretada pela Katherine Langford. No livro, Leah é uma personagem que eu não gostei muito por causa das suas atitudes, mas no filme sua personalidade foi muito mais suavizada e ficou muito mais fácil gostar dela desse jeito.

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Eu gostei muito do relacionamento do Simon com o Blue, que era a minha maior preocupação quando soube da adaptação desse livro. Porém, para a minha surpresa, eles conseguiram captar exatamente a essência do relacionamento dos dois, sem deixar que o filme se tornasse mais um romance de troca de e-mails. Nesse ponto, eu tenho que parabenizar os roteiristas de Com Amor, Simon, que conseguiram captar o melhor de cada parte do livro de Albertalli e traduzir para a tela do cinema. Eu fiquei realmente muito feliz com o resultado.

Agora, apesar de eu ter amado demais todo o filme e estar louca para ir no cinema assisti-lo mais de uma vez, o que roubou mesmo o meu coração foi a trilha sonora desse filme. Troye Sivan, Amy Shark e Bleachers são apenas alguns nomes dos artistas que compõe uma das melhores trilhas sonoras de filmes adolescentes da história desse cinema. Eu realmente estou impressionada em como eles conseguiram encontrar músicas que se encaixavam perfeitamente no enredo.

Verdade seja dita, Com Amor, Simon é um filme que só tem motivos para ser amado por nós. Mesmo com as pequenas mudanças que fizeram no enredo, a essência da história permaneceu forte até o final do filme. Eu gostei muito da maneira como desenvolveram a relação do Simon com os seus amigos e por terem mantidos as cenas mais importantes exatamente da forma que foi escrita pela Albertalli no livro. Até mesmo as cenas acrescentadas se encaixaram muito bem dentro do enredo e ajudaram a fazer com que o enredo se tornasse ainda mais envolvente.

Com Amor, Simon é o tipo de filme que todo mundo deveria assistir. Eu fiquei muito feliz de ver que, assim como eu, todas as outras pessoas que estavam no cinema na mesma sessão que eu, também se envolveram com o filme e com aqueles personagens. O resultado final dessa adaptação foi muito mais do que eu esperava e eu posso garantir que vocês não vão se arrepender de ir no cinema assistir!

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Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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7 Comentários

  • Ana I. J. Mercury
    31 mar 2018

    Ai que linda resenha.
    Eu tava na dúvida entra ler o livro e ver o filme, pois tinha lido pouco sobre. Mas adorei demais sua resenha, deu pra ver que tanto o livro, quanto o filme são muito fofos e mexem com a gente.
    De uma forma especial, além de trazer à tona um tema tão polêmico como o homossexualismo, que precisa sim, de uma vez por todas, receber todo o apoio e respeito.
    bjs

  • Pamela Liu
    31 mar 2018

    Oi Débora.
    Ainda não li o livro nem fui ver o filme.
    Que bom que os diretores conseguirão captar a essência do livro e não fizeram mudanças drásticas na história.
    Acho que mudanças sutis nas personalidades dos personagens é algo normal e necessário para que a ideia seja mais fácil de ser passada os que irão assistir ao filme.
    Vou tentar ler o livro o mais rápido possível e espero gostar. Depois vou correndo ver o filme nos cinemas rs
    Beijos

  • Ana Carolina Venceslau Dos Santos
    31 mar 2018

    Fico feliz que tenha gostado do filme ele foi simplesmente maravilhoso para mim e foi uma experiência única tanto ler o livro quanto assistir ao filme e olha que ele conseguiu me emocionar mesmo tendo um coração de pedra kkkk achei ele sensível delicado e aborda uma questão muito importante

  • Raquel Rodrigues
    31 mar 2018

    aaaaah você não sabe minha felicidade em ouvir que você amou o filme, estava tão receosa de o filme não ser bom, ainda não li o livro mas eu quero muuuito, e gostei muito que o filme foi ótimo, e quantos pontos positivos, meu Deus. Eu amei que foi o Nick que interpretou o papel de Simon, estou apaixonada por ele desde Tudo e Todas as Coisas , parece ser um filme bem tranquilo e ao mesmo tempo com uma mensagem bem forte tanto sobre aceitação e orientação sexual! Com certeza quero assistir <3

  • CATARINE HEITER MORAES BONESS
    30 mar 2018

    Nossa, você me fez mudar de opinião sobre ler ou não ler o livro, ver ou não ver este filme! Que trailer, que boa dica e que boa crítica! Eu quase trouxe este livro para casa em outra ocasião, mas depois nem pensei mais nele. Tenho uma experiência de vida que em um ponto se aproxima do tema e fiquei com lágrimas nos olhos vendo este trailer. Contando com as adaptações positivas que você menciona, ficarei feliz em dar uma chance a esta produção!

  • suzana cariri
    30 mar 2018

    Oi!
    Ainda não li e nem assistir ao filme, mas estou vendo muitos comentários positivos, e o melhor e que mesmo não tendo tudo do livro o filme conseguiu agradar, gostei muito dessa historia principalmente pela leveza que a autora trata o tema em comparação a outros livros, os personagens parecem ser do tipo que logo nos conquistam e torcemos para tudo dar certo e quero muito ler e assistir !!

  • Daiane Araújo
    30 mar 2018

    Oi, Débora.

    Até agora não entendi o porque de terem escolhido outro título para o filme, o título da primeira versão do livro (digamos assim), na minha opinião é mais chamativo.

    É um dilema e tanto para o Simon, de repente, possivelmente ter de assumir a sua sexualidade estando não preparado.

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