Entrevistas 11jan • 2019

Uma conversa com a autora Deborah Strougo

Eu não sei vocês, mas uma das minhas categorias favoritas nesse blog não as entrevistas. Eu realmente adoro a oportunidade de poder entrar em contato com os autores nacionais e conhecer um pouco mais sobre como eles se organizam, como é a experiência deles publicando ou desenvolvendo suas obras. Para quem tem o sonho de escrever um livro um dia, como eu, essa troca de experiências é sempre um grande aprendizado.

Este mês nós vamos conversar com a Deborah Strougo, a autora de Inesperadamente Você, um livro que me conquistou muito mais do que eu estava esperando e que entrega personagens envolventes e uma escrita deliciosa. Recentemente, a autora anunciou no Instagram que uma spin-off desse romance estaria para chegar, e aproveitando essa deixa, eu resolvi conversar um pouco com ela sobre o seu trabalho.

Oi, Deborah! Primeiro, muito obrigada por conversar comigo sobre o seu trabalho. Eu terminei a leitura de Inesperadamente Você e a minha primeira pergunta é como que os personagens do seu livro e até mesmo o enredo foi se apresentando para você? Você sempre quis escrever um romance ou foi uma surpresa enquanto você escrevia?

Eu sempre tive uma quedinha do tamanho de um edifício de cinquenta andares por histórias em que os personagens principais eram obrigados a conviver juntos por algum motivo, fossem como vizinhos ou sob o mesmo teto. Acho muito legal ver duas pessoas completamente estranhas tendo que compartilhar um espaço ou momentos de privacidade. É excitante, sabe? Dá aquele friozinho na barriga saber que eles não têm como se evitar e precisam lidar com o que quer que esteja acontecendo entre eles.

Sou apaixonada por romances desde que me entendo por gente, então não consigo me ver escrevendo outro gênero. Posso até juntar um gênero com outro, mas romance sempre será meu forte e minha parte favorita. Eu tenho um coração mole para histórias de amor, não posso negar. Eu culpo minha Lua em Peixes…

Já os personagens foi a parte mais fácil, porque como Inesperadamente Você foi escrita como uma fanfic de Naruto, as personalidades já eram pré-definidas. Claro que tiveram muitas mudanças, ajustes e tudo mais, porém eu já tinha uma noção maior de como seria cada personagem, como agiriam e reagiriam.

Muitos autores têm processos de escrita diferentes quando se trata de desenvolver um enredo. Como Inesperadamente Você é a sua primeira publicação, eu queria muito saber como você se organizou para escrever o enredo e qual foi a sua maior dificuldade durante o desenvolvimento da história.

Em Inesperadamente Você tudo aconteceu de uma maneira muito louca. Para ser bem sincera, eu não me organizei em nada, o que eu definitivamente não aconselho. Eu apenas tinha a história montada na minha cabeça e sempre que tinha um tempinho, sentava no computador e deixava fluir, seja o que viesse. Acho que acabou que essa se tornou minha maior dificuldade, pois sem uma organização apropriada, eu acabava deixando furos pelo enredo. Ainda bem que fui sensata e enviei para uma análise crítica assim que terminei. A pessoa que fez a análise me ajudou muito a melhorar e a ajustar alguns buracos que tinham ficado, além de me apontar alguns vícios de linguagem e dar dicas de como melhorar o livro como um todo.

Eu acho que o Theo é o personagem dos sonhos de qualquer leitora. Só imagina você comprar um apartamento e ele vir com um boy maravilhoso que sabe cozinhar e ainda tem um charme único. Queremos! Como que o personagem surgiu na sua cabeça e quais referencias você utilizou para desenvolvê-lo ao longo da história?

Theo foi o personagem que mais me deu trabalho, definitivamente. Ele é mais soturno, na dele, introvertido. É o tipo de pessoa que não fala muito, não sabe como se abrir ou se expressar por palavras. Theo se mostra mais por suas ações. Especialmente as pequenas. Algumas pessoas não gostam dele no início e a ideia era mesmo causar um pé atrás sobre o Theo e sua forma “seca” de falar. Mas acho que, conforme as página vão passando e vamos conhecendo melhor o homão da porra que ele é, fica impossível não se apaixonar e querer um para si. De preferência cozinhando risoto todas as noites.

Além disso, ele é baseado, tanto na personalidade quanto na aparência, no personagem Sasuke Uchiha do anime Naruto.

A Alice é uma personagem que tem uma rotina bastante cansativa e, durante o livro, ela está cheia de problemas com os quais precisa lidar. Como foi para você desenvolver a personagem em cima de uma vida cheia de altos e baixos, principalmente por causa do estado de saúde do pai dela? Teve algum momento em que você precisou reescrever a personagem?

Foi mole escrever como a Alice, porque me identifico muito com ela. A vida, em geral, é feita de altos e baixos, mas não podemos simplesmente sentar, chorar e esperar que as coisas se resolvam por si só. Alice é uma mulher forte, independente, guerreira e sensível. Ela dá sempre o melhor de si e tenho muito orgulho dela por isso.

Eu tenho para mim que o desenvolvimento do romance é sempre a parte mais crucial do enredo e, quando eu estava lendo o seu livro, percebi que a relação dos personagens acontece de uma forma muito orgânica. Você escreveu exatamente do jeito que imaginou da primeira vez ou a escrita simplesmente fluiu assim como o relacionamento desse OTP?

Eu acredito que romances que acontecem gradualmente são mais verossímeis e condizentes com a nossa realidade. Antes deles se apaixonarem de fato, tentei trazer fases que considero importantes para uma relação: confiança, amizade, suporte e atração sexual (não necessariamente nessa ordem, porque né…hehe). Por isso que, mesmo que o romance em si demore para acontecer, sinto que ele aconteceu do jeito mais palpável. Além do mais, não podemos esquecer que a Alice estava passando por situações muito delicadas, então se apaixonar por alguém naquele momento não estava nem um pouco nos planos dela. Mas como o sentimento veio devagar, de momento em momento, quando ela viu… lá estava ele, batendo na sua porta.

Sempre que eu converso com um autor, eu gosto de falar um pouco sobre as dificuldades do mercado. Para você, autora recém-publicada, como foi a sua primeira experiência trazendo o seu livro para o mercado pela primeira vez? Quais foram as suas maiores dificuldades?

Quando eu estava com o livro terminado, eu não tinha a menor ideia do que fazer com ele. Eu realmente não conhecia nada do mercado editorial e tomei diversos sustos com coisas que fui me deparando pelo caminho. A sensação que eu tinha era que nenhuma editora me daria uma chance pelo fato de eu… bom, não ser ninguém dentro daquele mundinho. Era como se o mercado estivesse dentro de uma bolha e eu não fosse capaz de entrar nela sozinha. Por sorte, encontrei a Editora Coerência por indicação de uma amiga querida e tive um serviço e apoio incrível deles. Para mim, valeu muito a pena. Principalmente considerando que foi meu livro de estreia.

Eu acho muito importante a gente falar sobre experiencia de escrita, por isso eu queria te perguntar como você se organiza para colocar as suas ideias no papel. Existe uma rotina que você segue ou você simplesmente passa algumas horas no computador até conseguir escrever tudo o que precisa?

Em cada livro eu tenho uma rotina diferente. É meio doido, porque depende muito do momento que estou vivendo. Como eu trabalho o dia inteiro, faço especialização e outras atividades, meu tempo para escrita é muito curto. Então normalmente eu tento apenas colocar algumas metas tranquilas para não ficar sobrecarregada. Em um dos livros que escrevi, eu me obrigava a escrever pelo menos duas páginas por dia. Em outro, eu deixei o tempo passar e a história fluir, sem amarras, compromissos ou prazos.

Mas percebi que quando não estou escrevendo nada, fico muito ansiosa. Como se eu estivesse… sei lá, sendo inútil. Vai entender hahahaha. Além disso, meu horário favorito para escrever é a parte da manhã, então é comum aproveitar aqueles vinte minutinhos antes do trabalho ou a manhã de sábado para escrever o que der. Outra coisa que faço é seguir o cronograma da história. Preciso que seja tudo contínuo para não me perder ou me enrolar.

Ultimamente temos falado muito sobre a crise no mercado editoria e todo mundo está bastante preocupado com o caminho que as coisas andam tomando. Qual a sua visão, enquanto autora, sobre a situação atual do mundo literário?

É muito triste ver livrarias tão renomadas na situação atual e é ainda mais preocupante ver os problemas que muitas editoras estão passando. Eu realmente espero que, com todas as ações e iniciativas que ambas estão tomando, o cenário melhore no próximo ano. Achei sensacional a ideia de incentivar as pessoas a se presentearem com livros a fim de incentivar a leitura e literatura. Afinal, tem presente melhor do que livro?

Por outro lado, é muito gratificante acompanhar obras nacionais contemporâneas sendo mais valorizadas. Como exemplo, podemos ver as adaptações dos livros da Thalita Rebouças, Paula Pimenta e Ana Beatriz Brandão para as telonas. Isso é incrível, de verdade! E dá um orgulho danado, viu?

Se você pudesse escolher um dos seus personagens para passar um dia inteiro com você, fazendo qualquer coisa que você desejasse, quem você escolheria e o que vocês fariam durante o dia todo?

O Theo, com certeza. Ele é o meu crush supremo. O dia fatalmente envolveria a cozinha e o sofá. Sobre o que faríamos exatamente, acho que vou deixar o mistério no ar hahahaha.

E para a gente finalizar – infelizmente – eu queria que você me contasse dos seus futuros projetos, se pretende trazer novos livros para nós e se existe a possibilidade de vermos outros livros seus explorando outros gêneros da literatura.

Com certeza tem novidade vindo por aí! O spin-off de Inesperadamente Você já está prontinho e só esperando a oportunidade de ser publicado. Espero conseguir trazer para vocês na metade de 2019. Ele contará a história do Victor, o irmão do Theo, e preciso dizer que gostei bastante do resultado final.

Além disso, estou finalizando um outro romance que também pretendo trazer para vocês no primeiro trimestre do ano que vem. Porém, ele será disponibilizado apenas na versão ebook pela Amazon. Em breve vou divulgar o nome, a sinopse a capa nas minhas redes sociais. Fiquem de olho!

Gostaram da entrevista? Não deixem de comentar os autores nacionais que vocês gostariam de ver aqui no blog, tá bom?

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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10 Comentários

  • Aline Bechi
    26 jan 2019

    Olá, tudo bom?
    Eu não li o livro, mas vi muitas criticas positivas.
    É sempre bom saber um pouco mais sobre a autora desenvolveu o livro, de onde veio todas as suas inspirações e o que ela mesma sente em relação a isso.
    Adorei a entrevista e as perguntas que você fez a ela.

    Beijos

  • Luana Martins
    23 jan 2019

    Oi, Débora
    Amo os posts que traz entrevista com os autores.
    Conhecer autores nacionais melhor ainda e como é seu processo criativo. Ainda não tive oportunidade de conhecer a escrita da autora, quero poder conhecer em breve.
    Muito sucesso, beijos!

  • Maira Schein
    14 jan 2019

    Não conhecia essa autora e nem o livro dela, mas gostei tanto da entrevista que já estou pesquisando mais hahha eu acho muito legal conhecer mais autores nacionais e principalmente o processo de escrita e o desenvolvimento das histórias.
    A gente tem que valorizar muito os escritores brasileiros porque acredito que muitos leitores acabam dando muito mais atenção ao que vem de fora e ignorando o que a gente tem aqui, as vezes por preconceito, e isso é triste.

  • Lara Caroline
    14 jan 2019

    Olá Debora tudo bem?
    Eu não conhecia este livro, e fiquei bem surpresa ao ver que ele é uma fanfic de Naruto, meu namorado ia adorar porque ele ama Naruto rsrs
    Adoro entrevistas com os autores, pois como você mesmo disse, nós conseguimos saber a motivação deles para escrever e um pouco mais sobre a vida deles.
    Beijos

  • Alison de Jesus
    13 jan 2019

    Olá Débora!
    Essa coluna do blog é ótima para que novos autores sejam apresentados, e adorei conhecer um pouco sobre Strougo. Percebe-se que aos poucos a autora está ocupando seu espaço no cenário editorial e crescendo cada vez mais, sem contudo deixar de se preocupar com seus queridos leitores, fiéis às suas produções. Desejo todo o sucesso para a Déborah e espero conhecer o seu trabalho em breve.
    Beijos.

  • Ycaro Santana
    13 jan 2019

    Eu conheci o livro recentemente vasculhando o Skoob e me interessou bastante. Concordo com você quando diz que ter um contato com o autor é incrível, saber de curiosidades e processos de escrita, ainda mais quando também se escreve é magnífico. Adorei as respostas da Deborah Strougo e não sabia que era uma fanfic de Naruto. Adorei!

  • Nil Macedo
    12 jan 2019

    Olha, realmente temos que dar um imenso valor aos autores. Principalmente aos autores nacionais, porque sabemos como é difícil no Brasil. Mas admiro demais essa criatividade deles. É delicioso saber como surgiu a ideia de um livro, como foram criados os personagens e o ambiente. Acho isso tudo fantástico!
    Não conhecia a autora. Parabéns pela entrevista.

  • Jora
    11 jan 2019

    Conheci esse livro através do skoob, comecei a ler sem esperar muito (tinha um pé atrás não justificável com autores nacionais) e ele acabou me conquistando. Adorei a maneira que a Deborah Strougo escreve, e como ela não precisa usar de grandes fatos e ações para tornar a história interessante. Espero que tragam outros autores nacionais por aqui mais vezes. O Brasil é cheio de escritores talentosos que lutam todo dia para ter reconhecimento e serem conhecidos pelos leitores.

  • Ludyanne Carvalho
    11 jan 2019

    Eu gosto muito das suas entrevistas, e é legal que nos aproxima mais do autor.
    Já tinha lido a resenha, mas por conhecer um pouquinho mais sobre a autora, a vontade de conhecer a autora até aumentou.
    Beijos

  • Angela Cunha
    11 jan 2019

    Também sou encantada por entrevistas com autores! Penso eu que como é um universo ao mesmo tempo distante e tão perto de nós, leitores, saber um pouco dos autores, seus jeitos para escrever suas histórias, manias é algo que valha muito a pena.
    Ainda mais quando se entra assim, em detalhes de uma única obra que é a do meu gênero favorito(junto com suspense)
    Ainda não pude ter ou ler o livro,mas ele está na minha lista de desejados e espero poder ter e ler ele em breve.
    E claro, aguardar as novidades da autora!!!
    Adorei, parabéns!!!!
    Beijo

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