Entrevistas Promoções 20abr • 2018

Entrevista com Guss de Lucca, autor de O Monstro + Sorteio

O Monstro é um livro que tem aparecido bastante aqui no blog. Essa fantasia nacional traz um enredo completamente original e diferente de tudo o que nós já lemos. Se você acha que uma história de fantasia não precisa ser parte de uma saga ou trilogia e que o gênero está saturado de aventuras protagonizadas por guerreiros e magos, esse livro foi escrito para você. Foi pensando nisso que eu resolvi fazer um bate-papo com o autor do livro, Guss de Lucca, para que vocês pudessem conhecer um pouco mais do que está por trás da criação desse universo.

O Monstro partiu da ideia de abordar um universo fantástico pela perspectiva de jovens agricultores. A história acontece num lugar em que não existem elfos, orcs e anões – mas onde as lendas ainda influenciam o imaginário popular e desencadeiam conflitos armados. Guss de Lucca cresceu envolto pelos jogos de RPG e histórias de fantasia. E seu livro foi a sua forma de agradecimento ao gênero que o acompanhou em momentos tão importantes.

Conheça mais sobre o autor na entrevista abaixo:

Oi, Guss! Primeiro eu queria muito te agradecer por conversar com a gente. O seu livro, O Monstro, é uma leitura sensacional! Para a gente começar, eu gostaria que você me contasse um pouco sobre como começou a sua paixão pela escrita e, qual foi o momento em que você percebeu que escrever um livro era o que você queria?!

A vontade de contar histórias veio da infância. Meus pais diziam que a coisa que mais me entretinha era um bloco de sulfite e lápis. Eu ficava horas inventando monstros e mundos. Depois, na adolescência, vieram as histórias em quadrinhos e os jogos de RPG. Nesse período, passava tardes inteiras criando aventuras e personagens para entreter meus amigos.

Já adulto, as ideias passaram a se manifestar mais direcionadas. Algumas vinham como roteiros para filmes, outras para animações e, nesse meio surgiam tramas para livros. Antes de escrever “O Monstro” escrevi três outros livros, que não foram – e nem serão – publicados.

Eu vi no seu site oficial que você também escreve alguns roteiros. Existe uma diferença muito grande no seu processo de criação quando está escrevendo um livro e quando está trabalhando em um roteiro?!

No processo de criação não. No processo de escrita sim. Acontece mais ou menos assim: surge uma ideia, que às vezes é só uma cena, um personagem interessante ou o enredo completo. Aí eu começo a fazer anotações. Quando acho que a trama já está madura, monto um “esqueleto” da história, que nada mais é do que todas as cenas ou capítulos ordenados.

Até esse momento tanto faz se é um roteiro ou um livro. A partir daí, na hora de sentar e escrever, é que o processo muda. O livro te permite, e até mesmo exige, fazer uso de descrições minuciosas para envolver o leitor. O roteiro não. O que está ali vai ser filmado e, por isso, precisa ser traduzido para a tela.

O Monstro foi lançado através de um projeto no Catarse. Como você chegou a decisão de que a autopublicação seria o melhor caminho para levar o seu trabalho aos leitores brasileiros?

Eu já havia enviado dois manuscritos para editoras e concursos, sem nunca receber uma resposta positiva. Por um tempo tinha desistido de ver as histórias publicadas. Mas alguns amigos sugeriram a autopublicação por meio de financiamento coletivo. Eu relutei num primeiro momento, mas depois decidi apostar no formato. E funcionou bem. Tanto que estou escrevendo o segundo livro e repetirei a fórmula.

Verdade seja dita, O Monstro é uma leitura que foge um pouco do comum. De onde surgiu a ideia de escrever uma história de fantasia sem os elementos mais conhecidos da fantasia?

Comecei a perceber certas semelhanças entre as histórias de fantasia e, ao mesmo tempo, ouvir amigos se queixando que os livros do gênero estavam saturados de capítulos enormes e sagas intermináveis. Então por que não fugir disso? Por que não apresentar ao público algo diferente do habitual? Foi assim que surgiu a ideia inicial.

O world building do seu livro é maravilhoso. Muito difícil a gente conseguir encontrar um livro de fantasia onde o autor tenha todo um cuidado ao criar o seu universo. Você tirou inspiração de algum livro ou autor do gênero? Ou preferiu evitar esse tipo de inspiração?

Fico feliz que tenham gostado. Eu tentei evitar me basear em obras ou autores do gênero. A decisão de não utilizar criaturas fantásticas, como elfos, demônios e gigantes evidencia isso. E apesar de não ter como fugir de certos clichês, como o da monarquia, busquei alternativas para as relações e hierarquias.

Em “O Monstro”, os nobres não possuem terras. O rei promove um tipo de rodízio entre eles, o que os impede de criar raízes em determinada região. Além disso, a nobreza não tem conexão nenhuma com o exército. Os militares são todos plebeus, do soldado ao general. Tudo para evitar que outra família ascenda.

Todo o autor tem as suas preferências literárias. Existe algum livro de fantasia que você gosta, apesar dos clichês?

Vai soar curioso, mas entre os meus livros de cabeceira não há nenhum de fantasia. Acho que por isso “O Monstro” parece tão diferente do que é normalmente publicado no gênero. Os livros de fantasia que mais me influenciaram, na verdade, são de RPG, como “GURPS Fantasy” (Kirk Tate e Janet Naylor), “Pendragon” (Greg Stafford) e “7th Sea” (Jennifer Wick, John Wick e Kevin Wilson).

Criar personagens talvez seja um grande desafio para alguns autores. Como foi que você soube o tipo de personagem que você queria trabalhar dentro do seu enredo e quais foram os pontos em que você sentiu mais dificuldade na hora de desenvolvê-los?

Eu não queria cair no clichê do aventureiro experiente e nem do predestinado, que é aquele cara que começa a história como um João Ninguém e, de repente, descobre que é o único capaz de salvar o mundo das garras de um vilão por ter habilidades especiais. A ideia já nasceu como uma história focada em personagens quase sempre ignorados em tramas de fantasia: agricultores pobres.

Quanto a dificuldades, honestamente não sei dizer. Os protagonistas são pessoas tão próximas da realidade que fluíram naturalmente. Augustus é o jovem artista com talento para escultura, mas que acabou com a mão mutilada por uma fatalidade. Milenna, sua prima, sonha em entrar para o exército real com o intuito de afastar-se dos abusos do pai. Porém, os militares não aceitam mulheres em suas fileiras. E Fabia, a filha de um nobre, luta para ocupar o lugar do irmão mais velho, morto na guerra. São três adolescentes com dificuldades para concretizar seus objetivos.

No livro, o tema de “percepção e julgamentos” é bastante presente, principalmente em relação a percepção dos outros com Augustus e na forma que os ataques do Monstro são interpretados pelo povo. Isso foi uma decisão que você tomou logo no começo do livro, ou acabou acontecendo ao longo da história?

Quando a ideia surgiu eu sabia que mortes na floresta começariam a ocorrer com mais frequência e que a população, na falta de uma explicação melhor e baseada nos indícios, apontaria para uma criatura. Já no caso de Augustus, por seu histórico, ele seria a vítima de bullying perfeita para os demais moradores: pobre, fraco, tímido e mutilado. Foram decisões que já vieram com a ideia da trama.

Como autor, quais são as maiores dificuldades que você enfrenta hoje no mercado editorial? E o que você diria para os autores que ainda estão tentando conseguir publicar seus originais?

Tem sido uma jornada sem fim. O caminho da autopublicação é interessante, pois te dá liberdade para controlar a produção de ponta a ponta. Porém, sem uma editora, cabe exclusivamente a você correr atrás de divulgação – e é nesse momento que me encontro.

O conselho que dou para quem quer se aventurar nesse meio é buscar profissionais que possam ajudá-lo a melhorar sua história. Eu tive a sorte de encontrar, no meu círculo de amigos, uma preparadora de texto que colocou em xeque diversos pontos da trama – questionamentos que só fizeram o livro melhorar.

Hoje nós temos diversas plataformas que nos permitem publicar livros de forma independente, porém, muitos autores estão apostando no Wattpad como uma maneira de construir o seu público. O que você acha dessa plataforma e você já considerou a publicação do seu trabalho por ela?

Eu sou um eremita das redes sociais. Para ter uma ideia, criei meu perfil no Facebook em 2017, apenas por causa do lançamento de “O Monstro”. Então, aos poucos, estou descobrindo esse universo. Conheci a pouco o Wattpad e pretendo publicar um conto na plataforma – uma história que se passa no universo de “O Monstro”, mas sem relação com a trama do livro.

E para a gente finalizar, eu gostaria muito que você contasse um pouco quais são os seus próximos projetos.

Eu tenho uma lista com oito ideias para livros formatadas. Escolhi começar pelo suspense de fantasia “O Monstro”. Agora a fila vai andar. A próxima história chama-se “Cor-de-Rosa”. É um romance de vingança adolescente. Resumindo em poucas linhas, ele conta a história de Nara, uma garota que, a duas semanas de sua festa de 15 anos, vê seu mundo cair e decide fazer com que aqueles que julga responsáveis por isso paguem caro.

Já no caso dos roteiros, o primeiro curta-metragem que escrevi, “Passagem”, acabou de ser filmado e deve cavar seu espaço em festivais. Ao mesmo tempo, estou fechando um roteiro de longa-metragem com foco no público adolescente.

Participe do sorteio de O Monstro!

 

 

Regulamento do sorteio:

1. A promoção é válida ATÉ 27/04, tendo seu ganhador anunciado na fanpage do blog;
2. Este sorteio é realizado através da plataforma GiveawayTools;
3. Para validar o prêmio o ganhador devera cumprir com todas as obrigatorias do GiveawayTools;
4. Ao fim da promoção será sorteado apenas 01 ganhador para todos os prêmios cedidos neste sorteio;
5. A promoção é válida somente para quem tem endereço de entrega no Brasil;
6. O primeiro ganhador terá o prazo de 03 dias para responder ao e-mail que lhe será enviado. Caso não o faça, um novo ganhador será definido;
7. O envio do livro será feito pelo autor do livro no prazo de 50 dias após o ganhador informar seu endereço;
8. O blog não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador;

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Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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10 Comentários

  • Iêda Cavalcante
    30 abr 2018

    Oiee!
    Amo conhecer um pouco mais dos autores por meio de entrevistas e bate papos.
    Gostei muito de Guss, mas seu livro infelizmente não é pra mim, não é algo que me prende, deixo pra quem curte o gênero.
    Bjokas!

  • Ana I. J. Mercury
    30 abr 2018

    Gostei muito da entrevista!
    O Guss é muito inteligente e parece ser um bom escritor.
    Tô curiosa para ler O Monstro também, que pela resenha que li aqui no blog, parece ótimo!
    Gostei também sobre como é a autopublicação e o estilo/jeito de escrever do autor, nós leitores sempre ficamos curiosos para saber mais sobre esses assuntos, rsrsrs
    bjss

  • […] quiser já pode conferir a entrevista que dei ao pessoal do site La Oliphant. Desde que começamos a conversar, eles têm apoiado […]

  • Vitória Pantielly
    23 abr 2018

    Oi Débora,
    Percebo que a maioria dos escritos tem uma relação com a leitura/escrita desde a infância, acho que isso torna tudo ainda mais bonito.
    Eu imaginava que o roteiro é o livro eram quase da mesma forma, agora me peguei imaginando como o autor consegue escrever roteiros quando a imaginação está a solta e da vontade de escrever de tudo, rsrs.
    Bem legal conhecer o processo de escritores!
    Beijos

  • suzana cariri
    23 abr 2018

    Oi!
    Muito legal a entrevisto com o autor, conheci o livro dele aqui no blog e logo me chamou atenção, gostei muito desse ser um livro diferente do gênero e não trazer aquilo que já estamos acostumados, gosto sempre de encontrar livros novos e estou bem curiosa sobre esse !!

  • Kleyse Oliveira
    20 abr 2018

    Oi Débora!

    Como eu não sou fã desse gênero, irei deixar minha vaga do sorteio para outros participantes Rsrsrsrs. Mas adorei a entrevista, quem sabe um dia tomo coragem e leio o livro. Parabéns ao autor e desejo sucesso nos seus futuros livros.

  • Pamela Liu
    20 abr 2018

    Oi Débora.
    Ainda não li nada do autor, então foi interessante conhecer seu livro e saber sobre a sua jornada até a autopublicação. Para entrar e sobreviver no mundo literário parece ser necessário muita garra.
    Gostei de saber que seu livro é do gênero fantasia e foge do convencional. Eu adoro o gênero, mas realmente ultimamente ando vendo só mais do mesmo.
    Espero ter a oportunidade de ler o livro.
    Beijos

  • Lili Aragão
    20 abr 2018

    Entrevista bacana e fiquei bem feliz pela autopublicação ter dado super certo pra ele a ponto de já estar pensando em repetir a fórmula *__*

  • Theresa Cavalcanti
    20 abr 2018

    Fico muito feliz quando vejo um escritor brasileiro que conseguiu publicar um livro e só consigo desejar sucesso pra pessoa. Acho que todo mundo tem noção do quanto é difícil e complicado para um brasileiro todo esse processo.

  • Daiane Araújo
    20 abr 2018

    Oi, Débora.

    Foi bom conhecer um pouco mais sobre o autor (sobre como todo o amor pela escrita) e o universo escrito e diferenciado por ele. Lembro-me da resenha publicada aqui, no blog.

  • O Usuário laoliphantblog não existe ou é uma conta privada.