Entrevistas 13out • 2018

Marissa Meyer emociona com o enredo de Sem Coração

Eu não consigo parar de falar de Sem Coração e já peço desculpas à vocês por isso. A construção que Marissa Meyer criou para a Rainha de Copas mexeu comigo do começo ao fim do livro e, publicar uma única resenha dessa leitura maravilhosa não era o suficiente para mim. Eu precisava falar mais sobre esse livro. Então aqui estamos, com mais uma entrevista que eu sei que vocês gostam, mas desta vez, vamos explorar ainda mais esse universo de Alice no País das Maravilhas.

A entrevista original não é muito longa e foi publicada pelo Hypable há mais ou menos dois anos. Apesar de não ser a entrevista mais longa que eu já traduzi aqui no blog, eu acho que foi a entrevista que conseguiu captar melhor o que eu gostaria que vocês soubessem dessa leitura pelos olhos da autora. Marissa Meyer é dona das minhas leituras favoritas e se essa entrevista não te convencer a ler Sem Coração, eu realmente não sei o que vai.

Leia a entrevista completa:

Sem Coração é o seu primeiro romance autônomo além de As Crônicas Lunares. Por que você escolheu escrever sobre a história da Rainha de Copas, de Lewis Carroll?

Havia dois catalisadores. O primeiro é que estou cercada pelo universo de Alice no País das Maravilhas desde criança. É uma das histórias favoritas da minha mãe, e ela realmente tem uma coleção inteira de Alice – de enfeites de natal de vidro a caixas de música, jogos de chá e muito mais! Então este mundo e personagens têm sido uma parte da minha vida desde que me lembro.

Eu acho que uma parte de mim queria escrever para minha mãe também. Lembro-me de um Halloween onde minha mãe foi como a Rainha de Copas e meu pai era o Chapeleiro Maluco, e acho que foi quando eu comecei a me apaixonar por esse personagem. Havia tantas incógnitas sobre ela. De fato, esse mundo inteiro é cheio de incógnitas! Então, desde o começo eu senti que havia muito potencial, e o tanto que poderia ser feito com essa história.

O segundo catalisador foi Wicked, de Gregory Maguire, um livro que eu tenho uma grande admiração. Eu amo histórias que contam a origem do vilão, e ele realmente levou isso para o próximo nível – não apenas transformando tudo que pensávamos sobre a Bruxa Má do Oeste em sua cabeça, mas até mesmo fazendo uma geração inteira de leitores amar e simpatizar com ela.

Eu me perguntei se eu poderia realizar algo parecido com a Rainha de Copas. Parecia um grande desafio.

Cath, a Rainha de Copas, tem incrível química romântica com seu bobo da corte, Jest. O que você acha que os torna tão perfeitos e como você conseguiu a mentalidade para escrever o romance deles?

Sempre que escrevo um romance, primeiro sinto que eu tenho que começar a me apaixonar. Se as emoções estão lá para mim, então é muito mais fácil para eu traduzi-las para o personagem e para as ações e respostas do personagem, e… eu espero que isso seja transferido para o leitor! Então, eu queria que Cath e Jest tivessem uma estranheza entre eles, um senso de humor que poderia representar um ao outro. Eu me diverti muito escrevendo suas brincadeiras lúdicas.

E Jest é claramente o “estranho” desde o início, mas há um magnetismo nele que Cath não pode resistir, algo tão mágico que parece novo e extraordinário, mesmo neste mundo mágico em que eles vivem. Mas Cath não percebe que ela também tem o mesmo magnetismo nela. Ela tem uma força e ferocidade que poucas pessoas reconhecem, mas Jest percebe imediatamente.

Você acredita em destino?

Sim e não. Eu não sou uma pessoa particularmente espiritual, mas sinto que houve muitas “coincidências” em minha vida para sentir que não há alguma força no universo gentilmente nos guiando … ou talvez iluminando nossos caminhos seja uma analogia melhor. No entanto, acho que cabe a nós escolher o caminho que percorreremos e provavelmente levaremos uma lanterna e um facão para quando entrarmos nessas partes particularmente rústicas da trilha. Não é justo deixar tudo para o destino.

Vou usar um exemplo da minha própria vida: no primeiro momento em que pus os olhos no meu marido, soube, sem sombra de dúvida, que ele seria importante na minha vida. Eu não o amava, nem tinha falado com ele! Mas eu tinha certeza de que ele deveria ser algo para mim. Esse era o destino brilhando sobre ele e me dizendo para prestar atenção. No entanto, foi minha escolha de ir dançar com os amigos naquela noite em vez de ficar em casa e relaxar depois de uma longa semana de trabalho. Foi minha escolha chamá-lo para dançar. Foi sua escolha dizer sim e pedir meu número no final da noite. O destino pode estar lá, iluminando o caminho, mas não fará tudo por você.

Quando você estava escrevendo Sem Coração, você estava tentado fazer com que Cath desafiasse o seu destino para obter o desejo do seu coração?

Havia sempre uma parte de mim que estava torcendo para que ela conquistasse aquilo que o seu coração desejava. Ainda há, na verdade! E houve muitas vezes, durante a escrita do livro, em que eu me encontrei esperando que talvez eu tivesse chegado ao fim dela de uma forma errada, que ainda havia um jeito dela desafiar o destino enquanto ainda fazia disso a história da origem da Rainha … sem que tudo isso parecesse um grande truque eu estava jogando com os leitores. Mas era tão ou mais importante para mim prestar respeito ao personagem que vemos em Alice no País das Maravilhas, e para tornar isso um resultado tão natural desse conto quanto possível.

Eu realmente espero que essa entrevista tenha ajudado vocês a se apaixonarem pelo menos um pouquinho pela ideia por trás de Sem Coração e, se por um acaso vocês chegarem a ler esse livro, não deixa de vir me contar nos comentários o que vocês acharam da leitura, tudo bem?

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

Posts relacionados

Comente com o Facebook

Comente pelo WordPress

8 Comentários

  • Patrini Viero
    31 out 2018

    Eu sou apaixonada por releituras cujos protagonistas são os vilões das histórias que a gente tanto ama, porque tenha essa tendência a gostar mais deles que dos mocinhos, em quase todos os livros. Essa personagem em particular, como a própria autora menciona, é uma incógnita pra quase todos os leitores, então ler algo que se propõem a dar uma origem para isso é sem dúvidas empolgante.

  • Lily Viana
    29 out 2018

    Olá!
    Já estava muito curiosa pelo livro dessa autora e ler essa entrevista me deixou muito mais curiosa..Adorei conhecer mais sobre ela e sobre o livro.

    Meu blog:
    Tempos Literários

  • sarah castro
    23 out 2018

    Eu já queria ler o livro por conta da resenha, ai me vem essa entrevista e ainda por cima essa declaração sobre a homenagem pra mãe e sobre o primeiro encontro com seu marido. Agora que eu quero mais que tudo ler esse livro.

  • Luana Martins
    23 out 2018

    Oi, Débora
    Gostei muito da entrevista, a autora parece ser muito simpática.
    Mesmo sem ler o livro já estou apaixonada por ele.
    Que legal a mãe dela gostar de Alice e ter tudo que remete ao País da Maravilhas.
    Beijos

  • Alice Pereira
    16 out 2018

    (Ah, minha nossa! Esse mini-romance da própria autora, que lindo!)

    Estou ainda mais empolgada, não a culpo por reprisar esse universo quantas vezes lhe der vontade aqui, eu não faria diferente. Parece uma história apaixonante. Na verdade acho que estou bem apaixonada e sequer li ou gosto de Alice no País das Maravilhas tanto quanto a mãe da Marissa. Realmente espero conseguir ler!

  • Pamela Liu
    15 out 2018

    Oi Débora.
    Adorei a entrevista!
    Achei lindo a homenagem que a autora fez para a mãe dela, ao escrever essa história, sabendo que a mãe adora Alice no País das Maravilhas.
    Achei bem fofo quando a autora disse que sabia que o marido seria alguém importante na vida dele, antes mesmo de ter um relacionamento amoroso com ele. Também não sou daquelas que acredita em destino, mas existe sim algumas coincidências rs
    Beijos

  • Ludyanne Carvalho
    14 out 2018

    Ah, já me convenceu a fazer esta leitura faz tempo, pelo visto essa entrevista só vai me fazer desejar ainda mais.
    Aaaah, que entrevista maravilhosa!!
    Não sabia que A rainha de copas se apaixona pelo bobo da corte, isso é incrível. Acho muito legal fazer uma releitura da Rainha.
    DESEJO MUITO!

    Beijos

  • Angela Cunha
    14 out 2018

    Acho tão importante quando uma pessoa que “mexe” com blog além de trazer resenhas, críticas de filmes, séries ou outras coisas semelhantes, vai realmente atrás de algo que não só ela gostou, mas que sabe que muitos que lerão, gostarão!
    Adorei conhecer um pouquinho mais sobre a autora, sobre sua forma de ter trazido uma personagem tão presente na vida dela e de certa maneira, homenagear também a mãe. Lindo isso!
    O livro está na lista de desejados, espero ter e ler ele em breve.
    Beijo

  • Siga o @laoliphantblogInstagram