Entrevistas 28jan • 2019

Kiersten White em criando A Sombria Queda Elizabeth Frankenstein

Quem está pronto para voltar ao universo de Frankenstein? Eu estou. O mais novo livro de Kiersten White tem ganhado o coração dos leitores brasileiros e, por ser a releitura de um clássico que todo mundo quer colocar na estante, eu achei que vocês iam gostar de conhecer um pouco mais sobre o que está por trás desse lançamento da Plataforma21.

Em uma conversa com o site Unbound Worlds, Kiersten compartilha um pouco sobre como surgiu a ideia de explorar o universo do clássico de Mary Shelley e o que foi preciso para transformar Elizabeth na protagonista que tem roubado nossos corações. E como sempre, eu resolvi traduzir esse bate-papo para que vocês também pudessem se apaixonar ainda mais por essa autora incrível!

Confira a entrevista completa:

A vida de Elizabeth antes de ser levada para a casa da família Frankenstein era uma vida que qualquer um procuraria escapar: abusada por seu zelador, sem aliados entre as crianças com as quais ela foi criada. Quando o juiz Frankenstein e sua esposa vieram em busca de um companheiro para o filho mais velho, Victor, Elizabeth fez tudo o que pôde para ser levada com eles – e deu certo.

Mas conforme Elizabeth e Victor envelhecem, o preço que Elizabeth pagou para escapar de seu zelador torna-se cada vez mais claro. Victor revela uma personalidade cheia de explosões violentas e uma obsessão com o que mantém as coisas vivas. Sua segurança e sobrevivência dependem do gerenciamento das explosões de Victor – e de impedir que outras pessoas aprendam o que Victor faz em seus estudos e experimentos.

Para Victor, Elizabeth é um anjo lindo e perfeito – e sob aquela linda máscara esconde uma garota disposta a fazer qualquer coisa para se proteger.

A Sombria Queda de Elizabeth Frankenstein é uma releitura do Frankenstein de Mary Shelley que se concentra nas mulheres da história. Nós nos sentamos com a autora Kiersten White para falar sobre o livro.

Este ano marca o centésimo aniversário da publicação do Frankenstein de Mary Shelley. O que fez você decidir abordar esse clássico romance de ficção científica de uma nova perspectiva?

Na verdade, a cutucada veio da minha editora, Wendy Loggia, e de Beverly Horowitz, editora da Delacorte. Elas enviaram um e-mail para ver se eu estava interessada em recontar essa história, e eu tive um argumento e um esboço para elas em poucas horas. (Eu estava interessada, ha!) Frankenstein sempre foi um dos meus clássicos favoritos, mas, como a maioria das histórias, eu o li  me perguntando onde estavam as mulheres e, especificamente com Elizabeth Lavenza, quem ela era. As questões que Shelley explorou – especialmente o que faz um monstro – ainda são aplicáveis hoje. Eu apenas mudei para olhar quem faz um monstro.

A Elizabeth Lavenza de A Sombria Queda de Elizabeth Frankenstein é bem diferente da que Shelley criou em Frankenstein, descrita por Victor no romance como um anjo lindo e completamente devotado. Como a sua Elizabeth – que até se descreve como conivente e manipuladora – toma forma a partir dessas origens?

Eu cresci em uma comunidade muito específica. Esperava-se que as mulheres fossem de certa maneira, e desviar-se disso trouxe repercussões tanto pequenas quanto grandes. Eu aprendi desde cedo como ser exatamente o que os adultos ao meu redor esperavam e queriam que eu fosse. Eu recebi elogios, evitei punição e passei a vida atrás de um escudo de desempenho. Eu era boa em ser o que eles queriam que eu fosse – mas isso veio com uma enorme quantidade de dissonância cognitiva.

No romance original, Elizabeth é presenteada a Victor como um presente quando ela tem apenas quatro anos de idade. Para todos os efeitos, ele a vê como uma possessão. Eu não pude deixar de me perguntar em que tipo de pessoa, essa pressão, transformaria uma garota – sabendo que ela existe para outra pessoa, apenas segura porque ela ganhou amor. Não era difícil imaginar uma vida interna complexa e nada angelical para aquela garota.

A Sombria Queda de Elizabeth Frankenstein  aborda muitas questões do início de 1800 que não são abordadas no romance de Shelley, mais notavelmente as desigualdades entre os sexos e as classes sociais. Por que você escolheu abordar essas desigualdades no livro?

Acho que Shelley, de certa forma, se dirige a eles. As mulheres do romance morrem porque Victor não pode – ou não vai – protegê-las. E isso também era verdade para a experiência de vida de Mary Shelley. Apesar de suas crenças sobre os direitos das mulheres e sua recusa em se conformar às normas sociais, ela ainda era absolutamente dependente dos homens em sua vida. Percy Shelley, um homem casado, engravidou-a aos dezesseis anos. Seu pai a expulsou; ela não tinha recursos e não tinha como ganhar a vida sem o apoio de Percy. Foi apenas como uma viúva com acesso à herança de Percy que ela foi capaz de ter alguma independência. Estas eram simplesmente as realidades da vida de Mary. Eu os trouxe à frente do romance para deixar claro o quão desesperada era a situação de Elizabeth.

O relacionamento de Elizabeth e Victor é quase terrivelmente codependente, tornado mais intenso pelo medo de Elizabeth sobre o que poderia acontecer com ela, caso Victor não mais “precise” dela. Durante essa época, quais poderiam ter sido as opções de Elizabeth se o medo dela de ser expulso da casa da família Frankenstein se tornasse realidade?

Ela não tinha família e foi educada como membro das classes abastadas. Ela não tinha habilidades práticas. Ela poderia ter conseguido encontrar trabalho como governanta, mas sem conexões ou recomendações, isso teria sido difícil. E, francamente, ela não queria essa vida. Ela começou a vida em circunstâncias famintas, frias e ruins. Ela faria o que fosse necessário para evitar voltar a isso.

A autora aproveitou para compartilhar que o seu mais novo livro é nada menos do que uma spin-off de Buffy The Vampire Slayer e que seria lançado em Janeiro, ou seja, it’s out, babes! Eu espero que vocês tenham gostado dessa entrevista e que ela tenha instigado vocês a conhecer o universo criado por White. E se você já estiver desesperada para colocar esse enredo ma-ra-vi-lho-so na estante, acessa amazona clicando aqui.

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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8 Comentários

  • Lara Caroline
    31 jan 2019

    Olá.
    Ainda não li Frankestein, mas de tanto ver elogios ao livro de Kiersten White, fiquei extremamente curiosa para conhecer ambas as obras. Adorei toda essa questão das mulheres que a autora aborda. Quero ler o livro.
    Beijos

  • Aline Bechi
    31 jan 2019

    Olá, tudo bom?
    Gostei muito da entrevista, é muito interessante ver as diferenças entre e uma obra e outra comentada dessa forma, ainda mais pela própria escritora.
    E também é interessante o fato da autora ir além nas “discussões” em sua releitura, quais não encontramos na obra original.

    Beijos

  • Alison de Jesus
    30 jan 2019

    Olá Débora!
    Já estava curioso para conferir a obra depois da resenha, e agora essa entrevista me deixou ainda mais impaciente para conferir a releitura. Gostei de saber um pouco sobre o processo criativo da autora para a composição da obra, sem contar que é interessante como alguns aspectos são derivados de sua própria vida pessoal. E espero que essa nova aposta da autora chegue por aqui logo, porque qualidade a gente sabe que não vai faltar, né?
    Beijos.

  • Angela Cunha
    29 jan 2019

    Que entrevista incrível! Confesso que não sabia que já tinha tanto tempo da publicação de Frankenstein. Centenário e o mais engraçado e gostoso é que é sempre bom demais ler sobre esse clássico e ícone da literatura e também do cinema!
    Por isso trazer mais uma obra voltada para um grande clássico, é fascinante e por tudo que está detalhado acima, a autora criou um universo semelhante,mas não igual. Com pontos importantes e diferentes!
    A capa deste livro é belíssima e eu??? Quero muito poder ler!!!
    Beijo

  • Ycaro Santana
    28 jan 2019

    Estou namorando este livro desde umas resenhas lidas, logo fiquei muito feliz em ler a entrevista. Kiersten White me encantou ainda mais com suas respostas, fiquei ainda mais surpreso com os abusos dos homens em volta de Elizabeth, a relação de manipulação da protagonista e a abordagem de desigualdades muito importantes na história. Incrível!

  • Monique
    28 jan 2019

    Já ouvi comentários muito positivos sobre esse livro. Ainda não li mas quero muito conhecer a escrita da autora.

  • Nil Macedo
    28 jan 2019

    Já estava super interessada em ler esse livro, agora após ler essa entrevista fiquei mais ainda. Apesar de ainda não ter lido Frankenstein. Vou fazer isso logo!

  • Maira Schein
    28 jan 2019

    Esse livro está na minha lista de desejados desde a primeira vez que li a resenha aqui no blog e agora lendo essa entrevista fiquei ainda mais com vontade de ler!

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