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Escrevi um livro e agora? Minha experiência com Trato Feito

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Certa vez, ouvi que colocar no papel é a parte mais fácil da concepção de um livro e lembro que naquele momento, achei a coisa mais absurda do mundo, afinal, como criar uma história podia ser a parte mais fácil? Mas hoje, eu preciso concordar com essa frase.

Não que criar uma história que tenha começo, meio e fim, seja coerente, criativa, envolvente e se destaque num mar de outras histórias, possa ser considerada uma tarefa fácil, mas a questão aqui é: há muito mais por trás de um livro do que apenas o enredo.

Quando eu decidi escrever um livro, eu tinha uns quinze ou dezesseis anos, e o “bum” do momento eram as fantasias, com livros como Crepúsculo e Fallen preenchendo as conversas na biblioteca da escola. Então eu tive uma ideia, iria escrever algo sobre bruxas, pois, ninguém tinha abordado esse tema ainda e talvez, eu fosse descoberta e viraria a próxima Stephanie Meyer (sonhar não custa nada, não é mesmo?).

Sendo assim, lá estava eu, desenvolvendo páginas de um livro que se chamaria “A magia do poder”, mostrando cada avanço para uma amiga próxima e que super me incentivava a continuar. Porém, cometi o erro de mostrar esse texto para uma colega do grupinho cult da sala, daquelas que lia “A insustentável leveza do ser” e ouvia The Smiths, e a sua opinião foi uma frase simples, mas que continua marcada na minha memória até hoje, muitos anos depois: Escrevendo assim, você só vai lançar esses livrinhos ruins de banca.

Depois disso eu desisti da história e parei de escrever. Aquela opinião me derrubou.

Não vou entrar no mérito de como julgamos erroneamente os romances de banca, sem notar sua importância para a literatura feminina. No entanto, eu só fui tentar escrever novamente, três ou quatro anos depois, em 2011, enquanto eu lavava louça, e uma ideia se fixou na minha mente.

E assim nasceu Trato Feito

Lili e sua personalidade atrapalhada, mesmo que ela teimasse em ser mega organizada, se tornou uma obsessão para mim e quando percebi, lá estava eu, digitando “capítulo 1” no topo de uma página do Word.

Pedi para aquela minha amiga ler essa nova história, com pegada de sessão da tarde e ela adorou, pediu para eu continuar e isso se tornou uma rotina. Eu escrevia um capítulo novo e mandava para ela. Até que eu conheci a plataforma do Wattpad através de um grupo de livros no Facebook.

Cheguei ao mundo do Wattpad como leitora de um livro que estava sendo postado semanalmente na plataforma. E gostei daquilo, um espaço para mostrar o que você escreve, recebendo um feedback direto das pessoas.

Pensei que aquela seria uma chance de jogar para o universo e ver o que ele me devolveria.

Mas colocar no mundo algo que você criou requer muita coragem, pois é o famoso dar a cara a tapa, e naquela época, meados de 2014, eu tinha muitos receios sobre isso. Eu estava fazendo uma transição de emprego e tinha receio de que não me levassem a sério se me vissem escrevendo romances na internet. E bom, eu tinha aquela frase da “coleguinha de turma” na minha mente, e mil vezes eu pensei que talvez eu devesse poupar o mundo de ver minha história ruim. No entanto, se eu não fosse “eu” de verdade, o a questão do emprego estaria resolvida e a dor de comentários negativos seria menor, não é mesmo?

Encontrei no uso de um pseudônimo e um avatar a solução para os medos que eu tinha. Foi assim que Miranda Telles surgiu e Trato Feito chegou ao Wattpad.

Não posso negar que minha vida mudou quando eu comecei a postar lá, capítulo a capitulo, a história de Lili e Nic, porque além de ver que as pessoas gostavam do que eu escrevia, elas me deram a confiança e o apoio para que eu chegasse ao final daquele livro e criasse, no final de tudo, uma série de quatro livros. Porque eu reconheço que sou do tipo que começa e não termina, a menos que eu tenha um compromisso real para aquilo e cada comentário era um estímulo para eu seguir em frente.

Eu sou extremamente grata aos leitores do Wattpad, afinal, eu sempre acreditei que minhas histórias não passavam de letras juntas e embaralhadas até ganharem sentido com a leitura de alguém.

A primeira experiência com o mercado editorial

Em 2015, depois de finalizar Trato Feito, ele entrou para a seleção de destaques da plataforma, e no mesmo ano, ganhou o prêmio Wattys na categoria de mais viciantes. Durante esse processo de postagens e finalização da escrita do livro, eu tive editoras fazendo contato para publicações, algumas com propostas boas demais para serem verdade e outras que eu só pude encarar como verdadeiros absurdos.

No final das contas, aprendi que o mercado editorial funciona de forma bem simplificada assim:

  • Publicação tradicional: onde o autor não investe nenhum dinheiro, mas a seleção da editora é feita a dedo.
  • Publicação com participação: onde o autor e a editora investem dinheiro no projeto, num tipo de parceria.
  • Publicação independente: o autor banca tudo e se envolve diretamente com a venda e distribuição dos livros.

E desses métodos, o que se encaixou melhor na minha situação foi a publicação com participação, pois eu já tinha editoras me propondo isso e esperar o retorno de uma tradicional que tinha me contatado estava demorando três mil anos. Vou fazer apenas uma ressalva de que em que qualquer situação que envolva publicar seu livro, devemos ficar atentos às pegadinhas embutidas.

No meu caso, eu fiz toda a pesquisa de CNPJ, peguei referências com autores que já tinham livros com a editora, olhei o Reclame Aqui, procurei onde pude e estava tudo certinho, mas no final, me dei mal.

O final desse artigo vem aí em uma segunda parte.

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Miranda Telles

Miranda Telles é arquiteta, figurinista e escritora, que assume ser uma bookaholic e romântica incurável. Com mais de 4 milhões de leituras no Wattpad, ela acredita que escrever é a possibilidade de viajar para outra realidade e viver o impossível.

Deixe seu comentário

  1. Angela Cunha Gabreil comentou:

    Eu já pensei nisso algumas vezes, escrever. Mas passou rs
    Não é o simples colocar no papel, é saber o que por no papel. É colocar sentimento, é colocar emoções reais.
    E por tudo que li acima, seu processo não foi fácil, como o da maioria também não é, mas ainda bem que um “livrinho ruim de banca” não te desanimou e até te ajudou a seguir e oh, adorei isso!!!!
    Já vou ficar ansiosa aguardando a segunda parte!!!
    Beijo e obrigada por dividir!!!!
    Angela Cunha/O Vazio na flor

  2. Michelle Lins de Lemos comentou:

    Que legal! Seu relato é muito verdadeiro. Obrigadaaa por compartilhar!
    Espero em breve poder ler Trato feito.

  3. Caroline comentou:

    Amei!!! 🙂 Obrigada por compartilhar!! sempre fiquei curiosa de como surgiu a famosa Lili

  4. Elizete da Silva comentou:

    Olá! Hahaha que maldade me deixar aqui curiosa, poxa! Brincadeiras à parte, primeiro ainda bem que a Lili insistiu em tomar vida hein, segundo, eu imagino o quanto é complicado essa segunda parte, a da publicação de um livro, por isso, acho super válido você compartilhar essa experiência por aqui, ainda mais pelas coisas que você teve que passar, aliás, quero em breve ouvir mais sobre A magia do poder.

  5. Ariela comentou:

    Deve ser um processo ate meio desgastante mesmo, essa parte de ter uma editora pra ajudar neh.
    A parte de poder se auto publicar pela amazon, sera que nao ajuda, um pouco?!
    Mas de qualquer forma essa parte deve ser a mais exaustiva.
    O processo de escrever e ver o livro prontinho deve dar uma sensação muito gratificante.

  6. NAYARA KUDO comentou:

    Adorei conhecer sua jornada!