03 out, 2020

porque escrevemos? sobre me reconectar com a escrita.

porque-nós-escrevemos

es.cre.ver.

existe algo na escrita que sempre me fascinou.

as palavras conseguem fazer emoções com tudo, sobre tudo. uma única frase pode fazer uma mesma pessoa rir ou chorar. são como os espelhos da ophélie, de os noivos do inverno, um convite para chegar a outro lugar, um desafio de encarar o próprio reflexo.

eu sei porque eu parei de escrever, mas não quero falar sobre isso.

tenho pensado muito sobre a escrita nos últimos dias, até comprei alguns livros porque eu queria encontrar novas formas de me reconectar com essa parte de mim. inclusive, li em um blog sobre como romantizamos a escrita de tal maneira que ela se torna algo quase que inalcançável.

❝ parece que escrever significa que a gente tem que publicar um livro maravilhoso que vai entrar na lista dos best-sellers do new york times, ou escrever uma matéria de capa para a revista times.❞ ― Maki de Mingo

pra mim foi assim, por um tempo.

eu tenho as ideias. eu rascunho cenas, personagens, situações. eu crio enredos completos na minha cabeça de histórias que me dão arrepios só de lembrar. o único problema é que eu não escrevo. e adivinha? escrita é um hábito.

demorei um tempo para perceber que o problema não é falta de inspiração, mas de comprometimento. eu quero escrever, mas fico inventando as desculpas mais bizarras para que isso não aconteça: preciso de um caderno novo, não tenho tempo, não acho que essa ideia é boa.

engraçado como arquitetamos todo o tipo de plano para não sair da zona de conforto, não é?

escrever, pra mim, é como conversar com o seu próprio eco em um abismo infinito. e não tem nada mais assustador do que ter que encarar a si próprio, mesmo que através de palavras. demorei muito tempo para perceber que o único fator me impedindo de escrever era eu mesma.

eu sempre fui medrosa na mesma medida que eu era corajosa. isso faz algum sentido para você? eu tenho uma facilidade enorme para falar o que eu penso, mas encarar uma folha de papel em branco me paralisa.

é porque a escrita me desarma.

eu não consigo atuar quando eu escrevo e revelar a verdade me coloca em uma posição bastante vulnerável. o que é que eu vou fazer quando eu descobrir quem eu realmente sou?

muitas pessoas acreditam que o maior desafio da vida é conseguir superar a “opinião dos outros” mas, para mim, o maior desafio era superar a minha opinião de mim. às vezes a gente esquece de se olhar com mais carinho, mas é sempre importante lembrar.

encarar o papel de novo tem sido um dos meus grandes desafios.

tenho me amparado em frases curtas, bujos, hábitos de escrita matinais e muitos blogs e livros que falam sobre escrever com carinho. foram as maneiras que eu encontrei de persistir nesse processo e não voltar mais para a minha zona de conforto – também conhecida como a famosa salinha depois do fundo do poço.

eu me lembro de que em fangirl, da rainbow rowell, tem uma cena onde a professora de literatura da cath pergunta “porque nós escrevemos?” e eu acho que finalmente estou pronta para responder:

para viver.

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1 Comentário

  • Angela Cunha
    outubro 05, 2020

    Escrevemos para dizer o que e como sentimos. Escrevemos para viver!!!
    Que delícia de post. Há tempos não fazia uma reflexão tão gostosa e simples por conta da escrita.
    Que muitas vezes soa como algo tão normal, corriqueiro.
    Mas nunca é!!!!
    Que vivamos muito!!!!

    Angela Cunha/O Vazio na Flor