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Elvira, a Rainha das Trevas e seu figurino icônico

Título: Elvira: A Rainha das Trevas
Diretor: James Signorelli
Elenco: Cassandra Peterson, Edie McClurg, Daniel Greene e W. Morgan Sheppard
Sinopse: A apresentadora de programas de terror Elvira é salva pelo gongo ao receber de herança da tia-avó uma mansão mal-assombrada. Ela chega à cidadezinha conservadora causando comoção, com sua roupa preta e maquiagem exagerada.

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Com o clima de Halloween no ar é impossível não nos lembrarmos dos filmes que fizeram parte da nossa infância nessa época do ano. Elvira, a Rainha das Trevas (1988) costumava passar na Sessão da Tarde da Rede Globo (os anos 90 não tinham limites e nem senso de classificação indicativa) e trazia todo o clima desse período. 

A personagem Elvira foi criada nos anos 80 pela atriz Cassandra Peterson, que a interpreta até hoje, para o programa Movie Macabre, onde Elvira apresentava filmes de terror e fazia comentários sobre eles, uma coisa comum naquela época (será que vocês se lembram de Contos da Cripta e daquela caveirinha simpática?). 

Rapidamente a personagem ganhou notoriedade pelo visual marcante e em 1988 ganhou um longa-metragem que explorava sua história. 

Em “Elvira, a rainha das trevas”, uma apresentadora de programa de baixo orçamento, praticamente falida, recebe como herança de uma tia distante, uma casa em uma cidadezinha pacata. Ao se mudar, Elvira se depara com o preconceito dos cidadãos, que a consideram uma ameaça à moral e aos bons costumes. E um tio muito do esquisito, que deseja “um livro de receitas” que está na casa herdada por ela.  

O filme tem aquele ar de nostalgia, recheado de sarcasmo, humor e sensualidade.

Em entrevista à Revista Vogue, Cassandra Peterson disse que inicialmente o visual da Elvira fugiria dos estereótipos de 50 tons de preto, sendo mais parecido com trajes do século XVII, mas o resultado foi negado pela produção do Movie Macabre, que queria preservar o estilo all black. 

Com essa premissa, o desenvolvimento da personagem migrou para o sensual, com o intuito de ser apelativo (o que cá entre nós, eu considero uma resposta afrontosa à recusa do traje anterior, do tipo: é vender que você quer? Então recebam, queridos!).  

Pode-se dizer que o vestido preto foi inspirado nos clássicos figurinos de Mortícia Addams e Vampira, interpretada por Maila Nurmi (que há boatos, chegou a processar Elvira como uma apropriação do figurino de sua personagem, mas o caso não vingou), mas, além do vestido marcante que abusa da sensualidade com suas fendas e desenha uma silhueta curvilínea, há o penteado.  

A peruca utilizada tem um volume que remete aos famosos penteados dos anos 60, tendo sido inspirado especificamente em Ronnie Spector, do grupo musical The Ronettes, conforme disse Cassandra. No entanto, como a atriz é uma grande fã de Elvis Presley, há quem diga que o penteado da esposa do rei tenha sido a sua fonte principal de inspiração, assim como o nome da personagem, Elvira, tenha vido do cantor. 

Contudo, é inegável que a estética de Elvira nos traga abertamente a imagem das pin-ups, modelos ultra sensuais que ganharam popularidade durante a Segunda Guerra Mundial, mas de uma maneira mais rock ‘n roll. A própria maquiagem dela nos revela esse lado mais rebelde, que não era o forte das modelos dos anos 40 a 60, pois Elvira possuí uma tatuagem no braço e um olhar marcante que vai além do delineado gatinho, além de unhas compridas, quase vampirescas, pintadas na cor preta.  

De acordo, com Cassandra, a maquiagem do rosto foi inspirada no teatro japonês kabuki, onde as cores fortes, como vermelho e rosa, em um rosto de fundo branco foram reinterpretados na Rainha das Trevas, dando destaque aos olhos azuis da atriz. 

Outro detalhe, é a pinta em seu rosto, que imediatamente nos leva a pensar nas suntuosas festas em Versalhes, na França e o código das pintas falsas que nobres usavam, e que no caso de Elvira, sinalizaria estar apaixonada. Porém, a atriz possuí realmente a pinta em seu rosto e a maquiagem apenas a manteve ali (confesso que fiquei decepcionada quando a minha pesquisa morreu na praia).  

Contudo, o resultado final nos revela uma personagem pálida, fazendo apologia ao mundo mórbido, mas com muita vida a ser explorada em sua make básica.   

E o que seria de Elvira sem seus adereços?

Os anéis de rubi, brincos de serpente e pulseiras com tachas e correntes exploram o lado gótico da personagem, mas o punhal em seu cinto é o que chama atenção. A peça foi implementada ao figurino apenas alguns anos depois do nascimento da personagem, que até então utilizava um broche de couro em seu cinto, o punhal foi totalmente personalizado, desde o desenho à aplicação das pedras no metal. 

Essa arma, tão em destaque no visual que conhecemos, agrega um ar de perigo, deixando bem claro que Elvira pode satisfazer a imaginação masculina com a sua sensualidade, mas não está a bel-prazer deles, um aviso antes que testem sua personalidade e atitude (eu amo a cena da introdução, em que ela coloca um psicopata com machado para fora do seu carro). 

Não podemos esquecer que Elvira é uma bruxa nesse filme, e que sua estética foge do imaginário que temos das típicas bruxas de Salem, com meias listradas e chapéus pontiagudos. Passando para uma leitura da bruxa sedutora, mas que na verdade é só uma mulher diferente do que a cidadezinha pacata conhecia e o desconhecido é aquilo que causa medo.  

Elvira é uma personagem que abordou a sexualidade feminina e as apresentações performáticas em um período que a liberdade da mulher e dos artistas tinha pouca voz na sociedade, se transformando em um ícone da cultura pop. 

Fonte de Pesquisa: vogue.com

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Miranda Telles

Miranda Telles é arquiteta, figurinista e escritora, que assume ser uma bookaholic e romântica incurável. Com mais de 4 milhões de leituras no Wattpad, ela acredita que escrever é a possibilidade de viajar para outra realidade e viver o impossível.

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  1. Angela Cunha Gabriel comentou:

    Sigo a página da “personagem” que para mim, não é mais somente uma personagem, é parte da mulher, pelo Face e não perco uma publicação rs
    Até pelo humor ácido em muitos posts e eu amar isso rs
    Eu cansei de ver o filme e adoro até hoje. Engraçado que a gente via quando era mais jovem e ninguém achava nada errado(hoje critiicam o decote, raio de sociedade hipócrita)
    Adoro, adoro e sim, Contos da Kripta né? rs a caveirinha rs
    Amava muito.
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na flor

  2. Ariela comentou:

    Eu adoro esse post/quadro!!
    Elvira é uma das personagens desse periodo de halloween bem emblematicas tb, e aaah saudade do filme.
    Bota sensual nisso neh, mas cabe bem no personagem, é quase uma morticia só que menos “conservadora” hahhaha

  3. Michelle Lins de Lemos comentou:

    Um clássico!
    Elvira é ícone, não só do Halloween, mas por sua personalidade!
    Sábado passado passou na Rede Brasil! E é óbvio que assisti

  4. ELIZETE SILVA comentou:

    Olá! Ahhh, até bateu uma saudade dos anos 90, eu perdi as contas de quantas vezes assisti esse filme e nunca ei de me esquecer o dia que fiz uma maluquice, vulgo cagada básica no cabelo e compartilhei o mesmo visual que a Elvira por um tempinho (risos), não conhecia a história por trás da personagem e claro que amei ler o post e saber um pouco mais desse ícone.