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Encantada: uma análise sobre o famoso glow down de Giselle

Título: Encantada
Diretor: Kevin Lima

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Uma princesa dos contos de fadas vem parar em uma realidade sem magia, o nosso bom e velho mundo real. Essa é a premissa de Encantada, o filme da Disney de 2007, que conquistou muitos fãs e corações.

Protagonizado por Amy Adams (A Chegada) e Patrick Dempsey (Grey’s Anatomy) o longa metragem pode ser visto como uma paródia (sim, aqui a Disney zoa ela mesma) e também, uma ode aos desenhos de princesas, trazendo referências e cenas de seus filmes clássicos para o mundo real, como a cantoria para os passarinhos, que nesse caso, só vai te trazer pombos, ratos e outras pragas urbanas.

Mas Giselle, nossa inocente e azarada princesa da vez, não perde as esperanças de encontrar seu amor verdadeiro em meio ao caos de Nova Iorque. Porque, afinal, você pode tirar a garota dos contos de fadas, mas não pode tirar a magia de dentro dela.

A primeira aparição da personagem

A primeira aparição de Giselle em carne e osso acontece com a pobrezinha usando com um vestido bolo de noiva extremamente exagerado, cheio de babados e nada prático. Mas como a moça encantada que é, ela constrói um vestido primaveril com a ajuda das pestes… digo, bichinhos… tirando todo o material de uma cortina!

Aí já temos a referência de outra princesa que tinha o hobby de costurar com a ajuda de alguns ratinhos.

Além disso, podemos nos lembrar do filme E o vento levou, de 1949, onde a protagonista Scarlett O’Hara utiliza a mesma técnica, transformando uma cortina de veludo verde em um belo vestido.

Aparentemente, Giselle teve muitas aulas de corte e costura na floresta encantada, mas nenhum senso de bons modos, afinal, a cortina era do bom e belo samaritano que a tinha acolhido.

Isso não se faz, Giselle, querida!

Mas, como todo bom conto de fadas, eis então, que chegamos ao grande baile, e como aprendemos com Cinderela, não se pode chegar no baile do príncipe usando trapinhos.

Porém, Giselle já não era mais tão ingênua e no mundo real, ela aprendeu que um cartão de crédito e promo de “brusinhas” são mais interessantes que cantarolar para pombos, logo ela vai e se acaba em outro clichê do cinema: um banho de loja.

Sendo assim, expectativas são criadas, afinal, um baile pede um vestido pomposo que faça a mocinha se destacar, não é mesmo? Aprendemos com Cindy, lembra?

De vestidos bufantes para um roxinho básico

Eis aqui que surge o nosso glow down, que seria um processo de deixar alguém feio, o completo oposto que vemos em filmes do gênero, onde a mocinha sempre fica bonitona para um evento especial.

Mas antes, precisamos compreender que o figurino é um elemento narrativo que comunica visualmente o tempo e espaço da obra, além das características sociais e psicológicas do personagem, através do que “veste” o ator, ou seja, adereços, roupas e maquiagem ou até mesmo a falta de todas essas coisas.

Mas voltando ao filme, o baile em questão era uma festa a fantasia com o tema Kings & Queens, e todos do nosso reino mortal estariam usando sua própria versão do vestido da Cinderela, num momento feliz e mágico.

Mas Giselle não estava feliz, porque pela primeira vez em sua vida ela tinha dúvidas sobre o seu amor verdadeiro.

Vamos analisar, então, a cor do vestido, um lilás pálido.

O roxo e suas tonalidades estão ligados à nobreza, pois os pigmentos que produziam essa cor nos séculos passados custavam muito caro. Check no elemento princesa aqui! Além disso, o lilás costuma estar associado à feminilidade, alquimia e magia. Check no elemento mocinha da Disney aqui!

Em contrapartida, em alguns países e culturas, o roxo e suas matizes também estão associados ao luto, e lembrem-se, nossa Giselle está de certa forma em luto por seu lado fantasioso estar sendo contaminado pela realidade e problemas do mundo real.

Check no elemento além das aparências, por favor!

Mas, oras, se ela fez mágica com uma cortina, rapaz, custava fazer um vestido decente para o baile?

Com todas as participantes do baile usando vestidos inspirados no que consideramos “vestido de princesa”, ou seja, com saias volumosas e cinturas marcadas por espartilhos, Giselle aparece usando o completo oposto: um modelo moderno e aparentemente de grife.

Isso já a faz se destacar e chamar a atenção de todos, afinal, ela está totalmente fora do contexto da festa. Além disso, o modelo do vestido, do tipo sereia com detalhes no busto, nos remete à história da Ariel, trazendo mais uma referência do universo da Disney.  Podemos dar um check no elemento Abalou Bangu, né?!

Mas, é claro que o mocinho da história, Robert, é o único que ficou realmente com as estruturas abaladas, o que nos leva ao paralelo de troca de ocorre entre eles: de um lado, o advogado cético, vestido como um príncipe, e do outro, a princesa sonhadora, vestida como uma top model, simbolizando que os dois foram influenciados pela personalidade e universo do outro e começaram a diminuir as barreiras entre eles.

o que mona may tem a dizer sobre

A figurinista responsável pelo filme, Mona May, disse em entrevista que criar a transformação de uma personagem feminina é contar a evolução dela como mulher, levando-a ao ponto em que ela se torna ela mesma, no momento em que ela se sente bem na própria pele, como algo inerentemente feminino. “Esta é a mensagem da minha vida: ser livre, apaixonada, feliz e você mesma”, ela completa.

Não podemos negar que no final do filme, Giselle alcançou essa façanha de encontrar a sua liberdade e sentir-se confortável com quem ela é. Pode-se apontar, também, que o figurino do baile cumpriu o seu papel de destacar a rainha do baile e glow down de fato não aconteceu.

No entanto, vale lembrar, que essa é uma análise livre do figurino, sem nenhuma pretensão de ser fato concretizado.

Fonte: variety.com

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Miranda Telles

Miranda Telles é arquiteta, figurinista e escritora, que assume ser uma bookaholic e romântica incurável. Com mais de 4 milhões de leituras no Wattpad, ela acredita que escrever é a possibilidade de viajar para outra realidade e viver o impossível.

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  1. Brenda comentou:

    Nossa! Sempre achei meio feio, mas agora entendi! Adorei!!!

  2. Caroline comentou:

    ameeei!!!!

  3. Angela Cunha Gabriel comentou:

    Como é interessante ler tudo isso sobre um filme que a gente nunca deu tanta atenção rs ou reclamou que era meio sem sentido(no caso eu)
    Por isso, amei saber sobre essas curiosidades e agora vou ter que rever o filme com outros olhos!!!
    Gratidão!!!!
    Beijo
    Angela Cunha/O Vazio na flor

  4. Ariela comentou:

    Glow down kkkkk nunca tive ouvido essa expressao, interessante
    Adorei usar o filme para analise do figurino. amo muito essa parte nos filmes, principalmente qdo tem vestidos, ou qdo sao de epoca, amo amo.
    Adorei o post, e agora quero rever o filme rsrs

  5. Elizete da Silva comentou:

    Olá! Eu sempre estranhei a escolha de vestido da Gisele para essa festa, mas agora algumas coisas começam a fazer sentido (risos). Eu gosto muito desse filme, bateu até aquela vontade em assistir mais uma vez!

  6. Michelle Lins de Lemos comentou:

    Agora tudo fez sentido!
    O vestido é lindo mas Giselle ficou meio deslocada na festa…. mas isso era parte do contexto que nós pobres mortais amantes de filmes de princesa não percebemos de cara