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O romance policial e o fascínio por serial killers

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Um mistério a ser desvendado com um pouco de ação aqui e ali e um protagonista destemido em busca da verdade. Parece uma fórmula simples e que poderia ficar batida em pouco tempo, mas os romances policiais como Bom dia, Verônica e A garota do lago provam que o gênero investigativo está mais do que vivo.  

A popularização dos romances policiais é atribuída à Edgar Allan Poe e seu detetive fictício Auguste Dupin, em contos publicados em 1841. Outros nomes como Agatha Christie e Arthur Conan Doyle trouxeram mais leitores para o gênero.  

Mas, por que gostamos de mergulhar em um universo regido pela mente de um assassino?

Por que gostamos de seguir seus passos através do jogo de presa e caçador?

O psiquiatra forense Daniel Martins de Barros diz que resolver problemas e encontrar a solução de um enigma ou quebra-cabeças é uma atividade prazerosa, que nos traz uma sensação de recompensa. O que pode explicar a popularidade das tramas que chegam cada vez mais aos livros, filmes e séries. 

No entanto, o tema não é exclusividade dos nossos tempos, pois assassinos cruéis são tão antigos quanto a existência da humanidade, mas a exposição dessas personalidades e seus horríveis feitos avançaram em conjunto com os meios de comunicação, alcançando hoje grandes formatos midiáticos.  

Pode-se dizer que o primeiro e mais célebre assassino da história é Jack, o Estripador, que aterrorizou Londres entre 1888 e 1891 e até hoje nunca foi descoberto. Seus atos serviram como inspiração para outras histórias ficcionais e reais. Vale lembrar que o termo Serial Killer só foi adotado e difundido na década de 1970, quando o FBI passou a classificar os assassinos dentro de um novo padrão.  

A definição mais simples de serial killer seria o indivíduo com grau superior de psicopatia, um criminoso metódico que repete seus atos em um certo intervalo de tempo. Psicopatas, por sua vez, são pessoas que não desenvolvem sentimentos como empatia e compaixão, são sumariamente frios e calculistas que fazem qualquer coisa para atingirem seus objetivos, passando por cima de qualquer sentimento alheio ou regras sociais, conforme aponta a psicanalista Bruna Rosalem. 

Bruna também calcula que 4% da população mundial seja algum tipo de psicopata e menos de 2% desse número corresponda aos serial killers. 

Assassinos em massa, como atiradores ou terroristas não são classificados como serial killers, pois o que vale não é a quantidade de vítimas, mas a periocidade de seus atos.  

Mas, talvez para muitos fãs do tema, uma pergunta possa ser recorrente: 

O que o interesse pelo sanguinário significa? Será que eu tenho traços de psicopatia?

Do viés da psicologia, o interesse que as pessoas possuem por crimes pode ser explicado como uma atração natural que temos pelos limites entre vida e morte, fator que nos levaria aos conceitos de religiosidade, fé e moralidade.  

Também é possível abordamos a dualidade que envolve a formação humana, onde raiva, violência e agressividade fazem parte da nossa índole natural e “consumir” esse tema é uma forma de trabalharmos internamente e com segurança esses sentimentos, conforme aponta Elisa Walleska, pós-doutorada em psicologia forense.  

Outra questão que é recorrente aos entusiastas do tema é a compreensão da mente do criminoso.  

O que o levou a fazer aquilo?

A curiosidade por tudo o que foge do padrão ao qual estamos acostumados é algo que inerente ao nosso instinto, como quando nos confrontamos com pessoas de culturas diferentes e não conseguimos desviar o olhar dos seus trajes ou comportamentos, porque são aspectos que não fazem parte do nosso código cultural.  

Para o psicanalista Luiz Felipe Monteiro, a vida em sociedade propõe um equilíbrio entre nossas vontades primitivas e as regras sociais: nós nos atraímos por coisas que somos moralmente impedidos de fazer. “A figura do assassino é emblemática porque é alguém que não se submeteu às leis como eu me submeti”, ele explica.   

A mente de um criminoso sempre será um quadro em branco a ser explorado, por isso, nossa atração por casos e histórias que envolvem esses indivíduos é tão grande, mas podemos concluir que o fascínio pelo tema não é algo irracional ou preocupante.  

Contudo, vale salientar que devemos ter atenção para não acabarmos banalizando a violência e seus desdobramentos, pois conforme Elisa Walleska aponta, há uma linha muito tênue entre o interesse natural por crimes e a aceitação desses atos. 

Do viés da literatura e da cultura pop, podemos explorar o mito do monstro e como a maldade expressa nos personagens podem ou não refletir sentimentos interiorizados em nós mesmos, trazendo à tona perguntas morais como: nesse enredo eu seria o vilão, a vítima ou o herói?  

Talvez por envolver tantas emoções extremas, o romance policial nunca tenha perdido sua posição nas estantes e livrarias. E com as adaptações de livros para o cinema e televisão, o gênero esteja se popularizando ainda mais. 

Se você se interessou por esse conteúdo, vou deixar algumas dicas de leitura e filmes: 

Livros 

Filmes 

  • A cela (2010), com Jeniffer Lopes no elenco. 
  • Seven (1995), com Brad Pitt no elenco. 
  • Dragão vermelho (2002), com Edward Norton no elenco. 
  • Ted Bundy, a irresistível face do mal (2019), com Zac Efron no elenco. 
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Miranda Telles

Miranda Telles é arquiteta, figurinista e escritora, que assume ser uma bookaholic e romântica incurável. Com mais de 4 milhões de leituras no Wattpad, ela acredita que escrever é a possibilidade de viajar para outra realidade e viver o impossível.

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  1. Caroline Garcia comentou:

    Ameiii!!!

  2. Nayara Kudo comentou:

    Descobri que não sou doida! Adorei o tema

  3. Mari comentou:

    Eu amo esse assunto! E que alívio descobrir que eu não sou doida por isso! hahaha
    Já colocando na listinha essas dicas!

  4. Júlia Abal Victorino comentou:

    Adorei o post! Esse é um dos gêneros que eu mais gosto de ler/assistir. Alguns suspenses são fascinantes, a cada página uma nova peça de um quebra cabeça que a gente nem sempre consegue montar antes do fim. Já outros me vencem pela curiosidade, experimentar uma realidade completamente diferente da minha, seja na mente do investigador ou criminoso, tentar entender seus passos e seus porquês. Minha única ressalva ficam pros livros, séries e filmes de true crime, é importante uma abordagem cautelosa para não romantizar tais criminosos (como senti em ted bundy com o zac efron).

    1. Miranda Telles comentou:

      Exatamente! Eu vi o filme do Ted depois de ver o documentário que saiu na Netflix sobre ele, então eu já estava com uma visão mais realista, porém, quem só foi como fã do Zac deve ter tido uma impressão diferente.

  5. Angela Cunha Gabriel comentou:

    Rsrsrsrsrs Eu sempre me considerei medrosa por natureza, ainda sou, com filmes. Mas venho mudando isso dia a dia.
    Quanto aos livros? Parece que tenho sede deles e essa sede nunca passa.
    Eu sou apaixonada pelo gênero e estou sempre buscando histórias mais pesadas e se forem baseadas em fatos reais, melhor ainda!!!
    Amei as dicas!
    Beijo

  6. Vanessa comentou:

    Amei ler um pouco mais sobre isso, mas tenho uma pequena ressalva. Nem todo serial killer é psicopata. Existem serial killers que se encaixariam no diagnóstico de psicose, como o famoso Norman Bates por exemplo, o Joe Golberg de You. Como um exemplo real tem o Richard Chase, conhecido como o vampiro de sacramento, além de vários outros.

    1. Vanssa comentou:

      Na verdade citei o Joe equivocadamente kkkkk ele se enquadra em psicótico sim, mas ele não seria um serial killer. Ha vários critérios pra definir um e ele não corresponde a vários deles

    2. Miranda Telles comentou:

      Esse campo de diagnósticos é bem complexo mesmo, tem muitos fatores que influenciam.