Internet 15fev • 2018

Princesa de Papel: do slut-shaming a glamorização do relacionamento abusivo

Uma vez eu tinha feito um vídeo no canal falando de Princesa de Papel. Foi logo quando eu liberei a resenha do livro e eu senti uma vontade desesperadora de expressar o quanto eu estava incomodada com esse livro. Foi um vídeo bem corrido, não vou mentir. Eu não tinha feito roteiro e provavelmente deixei de levantar pontos muito importantes quando gravei. Por fim, o tal do vídeo acabou indo embora na leva de vídeos que eu excluí do canal do blog e o assunto “Princesa de Papel” passou a ser mencionado sempre que alguém perguntava um livro que eu não gostava.

Então por que voltar neste assunto? Eu tenho sentido uma falta muito grande de me expressar por aqui. Nas minhas últimas conversas com pessoas da blogsfera eu percebi que eu tenho muito a dizer sobre muitas coisas e, por que não compartilhar tudo isso com vocês, não é? Para começar, Princesa de Papel foi uma leitura que mexeu muito comigo, e de uma forma muito negativa. Me levou de volta a um período da minha vida que foi bem ruim e é um livro sobre o qual eu tenho uma lista enorme de coisas para discutir com vocês. Então por que não começar com ele, não é mesmo?

Não me aprofundando muito na sinopse do livro, mas esclarecendo um pouco do enredo para quem nunca passou perto de Princesa de Papel, o livro conta a história da Ella Harper, uma garota órfã que descobre que seu pai é milionário e que deixou a tutela dela nas mãos de seu melhor amigo, um Royal. O mundo da jovem vira de cabeça para baixo quando ela se muda para a mansão de seu tutor e passa a conviver com os seus cinco filhos que, obviamente, acreditam que Ella é mais uma pessoa com interesse em tirar vantagem da família. Não preciso dizer que a convivência deles não é nada fácil, né?

Estabelecido – mais ou menos – o que é o enredo de Princesa de Papel, vocês já devem ter percebido que o que mais temos no mercado é livros do gênero com enredos exatamente iguais a esse, não é mesmo? Livros, inclusive, que eu provavelmente resenhei aqui no blog ou, pelo menos, já li. Então por que Princesa de Papel é um livro que me incomoda a ponto de me fazer escrever este post?! Vamos a minha lista.

A personagem feminina é constantemente humilhada, desumanizada e desvalorizada só por…ser mulher.

Erin Watt não poupa esforços quando se trata de diminuir a figura feminina nos seus livros. E acreditem, eu li os três livros dessa série antes de sentar na frente do computador para escrever esse texto. Ella é uma personagem de origem humilde, que trabalhava como stripper para conseguir se manter até se formar no ensino médio – tudo isso porque a mãe havia falecido e ela não queria cair no sistema de adoção. Quando os Royals tomam consciência da origem da jovem, o tratamento para com ela é agressivo, desrespeitoso e extremamente abusivo.

O slut-shaming (o uso da sexualidade, geralmente, de uma mulher como ferramenta de humilhação contra a própria) começa logo nos primeiros capítulos, quando Ella se muda para a casa Royal. Os filhos do seu tutor já a recebem com ofensas, palavrões e ameaças. Tudo isso com a justificativa de que eles “acreditam que ela esteja tendo um caso com o patriarca” – e ela é apenas uma adolescente, faz todo um sentido, né? As coisas pioram quando o trabalho dela como stripper vem à tona e eles começam a fazer bullying com a jovem, chamando-a constantemente de nomes de baixo calão e criando situações para humilhá-la na frente dos amigos.

A sensação obtida durante a leitura foi de que a personagem principal fora criada apenas para unir uma sequência surreal de acontecimentos humilhantes, desumanizadores, desvalorizadores e agressivos em relação a ela. É como se a autora tivesse acordado e decidido escrever, como se fosse a coisa mais normal do mundo, sobre uma menor de idade que vira objeto de desejo de vários caras da mesma família – e umas cenas de abuso como cerejinhas no bolo -, com todo o glamour que um livro de ficção pode proporcionar. Só que falhando miseravelmente.

“Consigo senti-lo me olhando. Quando viro a cabeça, vejo que está encostado na bancada. Os olhos azuis acompanham o movimento da minha colher quando eu a levo aos lábios, depois baixam até a barra da minha camiseta curta de dormir.
– Viu alguma coisa de que gostou? – eu pergunto enquanto como outra colherada.
– Na verdade, não.
Reviro os olhos e indico a cabeça dele com a colher.
– O que aconteceu? Bateu com a cabeça no painel quando foi chupar seu irmão ontem à noite?
Ele ri e olha para a porta atrás de mim.
– Ouviu essa, Reed? Nossa nova irmã acha que eu chupei você ontem à noite.
Reed entra na cozinha, também sem camisa e de calça de moletom. Ele nem olha para mim.
– Veja se ela dá umas dicas. Parece que ela sabe o que fazer com um pau.
Levanto o dedo do meio, mas ele está de costas para mim. Easton vê, e um sorriso lento se abre em sua boca.”

Dá pra perder a conta da quantidade de ameaças de agressão física e de abusos psicológicos e físicos presentes no livro.

O livro já começa com uma ameaça de agressão física: Ella mal pisa na mansão Royal e Reed, se aproxima de forma agressiva, disparando ameaças e invadindo a privacidade da personagem principal. Novamente, temos a glamorização do que não deve ser glamorizado: Reed é descrito como um deus grego, com músculos, testosterona à flor da pele, a personificação de tudo o que uma mulher deseja, mas com o adicional de uma falta de controle emocional descomunal e um comportamento agressivo que, contrariando qualquer expectativa de uma forma negativa, fazem com que a personagem se sinta extremamente atraída ele.

“- Fique sabendo que, seja qual for seu jogo, você não tem como ganhar. Não contra todos nós. – A voz dele está mais grave e rouca. Meu show o está afetando. Mais um ponto. Estou muito feliz de estar de costas para ele, porque assim ele não pode ver que também estou afetada por sua voz e seu olhar. – Se você for embora agora, não vai se machucar. Vamos deixar que fique com o que o papai deu para você e nenhum de nós vai incomodar. Se ficar, vamos destruir você de tal maneira que você vai sair daqui rastejando.”

A autora explora o estereótipo “quanto mais agressivo o homem, melhor”, colocando um personagem com características tão negativas, Reed, em um pedestal, enquanto invalida a personagem feminina que é, na verdade, a vítima – agredida, sem um desenvolvimento na história e apenas estando ali para sofrer humilhações. É como se Ella fosse um saco de pancadas em um palco para que os personagens masculinos no livro a agridam durante seu show. Entregar uma personagem que é agredida, personagens que agridem e romantizar toda a situação, da forma como é feita no livro, não é aceitável e só torna a leitura ainda mais difícil e desagradável.

Alimenta a cultura do estupro para enaltecer um personagem masculino.

Sim, exatamente o que o título deste tópico quis dizer. Existe uma cena onde é fortemente indicado que um estupro está prestes a acontecer: Ella, a personagem feminina, é colocada em uma situação de vulnerabilidade na qual ela é drogada, amarrada, com colegas de escola a insultando por conta de sua sexualidade e reforçando o fato de ela ter sido stripper no passado, tocando em seu corpo sem autorização e quando a mesma claramente não está de acordo – ou consciente o suficiente para estar de acordo ou não.

O problema é que, da mesma forma que você percebe os vários problemas presentes na cena, você percebe também que a cena em si não deveria nem mesmo ter sido escrita. A cena não deveria ter sido escrita porque é claro, é óbvio, com bandeirinhas coloridas apontando, que aquilo só acontece para que Reed, de repente, surja na situação socando os abusadores e salvando a princesinha de pap…Ella.

E então, temos uma cena que pode, facilmente, servir como gatilho para várias pessoas e sem um bom motivo para que ela exista. Quer dizer: não serve para conscientizar, não serve para criticar, não serve nem mesmo para glamorizar algo que não deve, mas serve, somente, como suporte para que um personagem tenha seu momento heroico. Isso, considerando que o personagem sempre teve postura anti-heroica. Ou seja: cena sem justificativa.

“Daniel ri com deboche.
– Os Royal não a suportam. Ela não vai dizer nada. Ela é um lixo. Essazinha me deu trabalho por uma semana.
Ele coloca a mão no meu rosto, e a sensação é tão boa. Eu queria que Reed estivesse aqui e que fosse a mão dele.
Digo o nome dele em um gemido.
– O que ela disse?
Daniel ri.
– Acho que essa garota trepou com Easton e com Reed. – Ele acaricia meus seios com grosseria, e o contato desperta outro grunhido em mim.
– Porra, ela está com tesão – diz Hugh com orgulho. – Incrível. Posso trepar com ela quando você acabar?
– Claro. Deixa só eu fazer minha parte e ela é toda sua.
– Quanto você acha que ela é arrombada? Ouvi que ela já fez muita coisa.
-Ainda não sei. Não consigo abrir as porras das pernas dela. – Ele me empurra em uma cadeira e enfia o joelho entre as minhas pernas.
– Por que você não dá um pouco de coca pra ela? Vai despertá-la um pouco.
– É, boa ideia.”

Ainda que soe repetitivo, vamos falar de romantização de relacionamento abusivo.

Mais uma vez, Erin Watt consegue errar o gol, mesmo que o goleiro esteja deitado e dormindo no gramado: depois de tantos problemas, ela parece fazer questão de afirmar que não está nem aí pra nada e que não tem a mínima importância prestar um desserviço às suas companheiras de gênero. Durante todo o livro temos um desfile de Ella apaixonada por Reed: se ele a ofende, ela respira fundo e sente tesão. Se ele a ameaça, ela se treme toda e suspira apaixonada. Não é o que eu chamaria de aceitável, mas, ainda assim, você é livre para ler e tirar suas próprias conclusões…

“Minhas pernas começam a tremer. Para onde quer que eu olhe, vejo pele dourada lisa e músculos.
– O acordo é o seguinte – diz ele. – Meu irmão e meu pai são território proibido. Se você tiver alguma sede que precise ser saciada, me procure. Eu resolvo.
Ele a poia a palma da mão grande entre os peitorais e arrasta para baixo.
Todo o oxigênio fica preso nos meus pulmões.”

A sensação que temos neste ponto do livro é que todas as agressões de Reed com Ella não passavam de um sentimento romântico reprimido. Mesmo depois de ofendê-la e menosprezá-la, houve uma parte da construção deste personagem que conseguiu desenvolver por Ella um suposto sentimento de amor. Mas seria “amor” a palavra certa?! Depois que Reed e Ella iniciam o seu relacionamento, o nosso herói passa a ser o centro de toda a existência da Ella no livro. Ela começa a deixar de lado todos os objetivos que, no começo do primeiro livro, a fizeram ir morar na mansão Royal.

A perda de personalidade da personagem é evidente. No começo do primeiro livro conhecemos uma Ella cujo o único objetivo era entrar para a faculdade e reconstruir a sua vida, mas quando chegamos no último livro, Ella já não é mais a mesma pessoa, completamente imersa no seu relacionamento com o Reed, focada em fazer com que o nosso suposto herói seja completamente feliz. E a autora não para por aí, é claro. Quando o relacionamento do casal principal finalmente se torna oficial todo o comportamento agressivo do personagem é facilmente justificado como instinto protetor, como se sair agredindo as pessoas fisicamente por aí fosse algo completamente normal – e qualquer semelhança entre Reed e Travis Maddox não é mera coincidência.

A objetificação da figura feminina e incentivo da competição não saudável entre mulheres.  

Eu nunca entendi muito bem qual a necessidade que qualquer autor tem de desenvolver um enredo romântico onde, para que a história consiga caminhar de forma razoável, a nossa personagem principal precise ter uma antagonista estereotipada como a líder de torcida vadia, abelha rainha do colégio que todo os garotos desejam, mas que no final é apenas mais uma vitima da objetificação da figura feminina. E é exatamente dentro desse estereótipo que Erin Watt trabalha todas as personagens femininas dentro do enredo de Princesa de Papel.

Não bastava apenas termos um herói que não é exatamente um herói, mas também uma antagonista que consegue reunir todas as características negativas que uma mulher pode ter: Jordan. Rainha do colégio e líder de torcida, Jordan compete com Ella desde o começo do livro pela atenção de Reed – ou qualquer irmão Royal disponível. Ela nada mais é do que aquela figura feminina que representa o ódio entre as mulheres, humilhando Ella sempre que tem oportunidade e criando a ideia de que elas são completamente opostas, onde Ella é a personificação da garota perfeita – virgem – que vai conquistar o “deus grego” aka. Reed, enquanto Jordan nada mais é do que a “bruxa má” – vadia da escola que todo mundo odeia – que quer separar o casal principal e não merece nenhum tipo de respeito por parte de nenhum personagem – inclusive Ella.

“O vestiário das garotas está vazio quando entro, mas tem uma caixa retangular no banco comprido entre as fileiras de armários. “Ella”, está escrito na tampa, e tem um pedaço de papel dobrado grudado ao lado do meu nome.

Meu estômago dá um nó. Com mãos trêmulas, pego o papel e abro.
“Desculpe, querida, não permitimos strippers sujas no time. Mas tenho certeza de que o Clube XCalibur, no centro, ADORARIA deixar você fazer um teste. Na verdade, tenho tanta fé em você que até comprei uma roupa para o teste. O clube fica na esquina da rua Lixo com a avenida Esgoto. Boa sorte!” – Jordan 

(…) A caixa contém uma calcinha vermelha pequenininha, sapatos de salto agulha de doze centímetros e um sutiã de renda vermelha com borlas pretas. A lingerie é feia e vagabunda, e não muito diferente da que eu usava no Miss Candy’s , Kirkwood.”

Jordan é a clássica personagem que foi criada para ser odiada pelos leitores. Odiada porque explorar sua sexualidade sem medo enquanto a personagem principal esta “se guardando”. Odiada porque não mede esforços para conquistar o que quer, porque tem o corpo escultural que a personagem principal em algum ponto do livro desejou ter. Ou apenas… odiada. Erin Watt passa essa vergonha em 3x com muitos juros, reforçando o estereótipo de que não existe amizade entre as mulheres – ou que até existe, mas até o momento em que elas estiverem interessadas no mesmo cara.

Por último, e não menos importante, fica a seguinte observação para reflexão: ao entrar na plataforma Skoob, que reúne livros, autores e leitores e resenhas e notas das leituras feitas, Princesa de Papel tem a avaliação de 4.1 estrelas. Não li as resenhas, não li os comentários, mas partimos do princípio de que no 5 é dada quando a leitura foi ótima e 1, quando a mesma foi ruim. Ao observarmos tão facilmente toda essa quantidade de problemas presentes no livro e que, infelizmente, são existentes na vida real de forma tão cruel ou pior, o que faz com que essa obra receba tal nota? Qual é a nossa responsabilidade, qual é o nosso papel, enquanto leitor quando nos vemos diante da glamorização de temas do tipo e qual é o peso real que nossa avaliação de leitor possui? Fica a reflexão.

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Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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14 Comentários

  • […] pelo menos enquanto blogueira literária, é meio que a minha obrigação alertar os meus leitores sobre esses pequenos gatilhos nos livros. Por mais que eu seja a favor da liberdade dos enredos, existe uma parte em mim que não consegue […]

  • Ana I. J. Mercury
    28 fev 2018

    Débora, primeiramente, parabéns por ter tido coragem de se expor e dizer tudo que PRECISA ser dito!
    Menina, eu tô chocada com esse livro!
    Que horror!
    Eu não tinha gostado das resenhas que li dele, por dizerem que o rapaz era bem agressivo, mas não imaginei que era esse inferno todo!
    Como publicam um livro desses?
    Que absurdo, eu tô chocada!

  • Catarine Heiter Moraes Boness
    22 fev 2018

    Fiquei angustiada só de ler o post. Admiro muito você por ter finalizado toda a série para então construir a sua opinião, pois eu não teria passado do primeiro livro. Alguns autores são muito sem noção!

  • Janaina Silva
    18 fev 2018

    Nossa, eu já tinha lido algumas resenhas desse livro,mas não imaginava que passasse de todos os limites com o desrespeito com as mulheres.
    E olha que li alguns livros bem parecidos com esse. Onde o personagem masculino é dominador,machista e mesmo assim é tido como o homem perfeito.
    Sabemos que a realidade é bem diferente!
    Basta olhar as notícias sensacionalistas,para ter uma noção do que acontece no final desse tipo de história.

    Achei uma pena que a autora não tenha tido a sensibilidade ao criar essa história… E o pior que muitas meninas acham que atitudes como a dos personagens masculinos é normal!

    Triste!

  • Daiane Araújo
    18 fev 2018

    Oi, Débora.

    Esse livro desde o início me prendeu muito, fiquei fascinada.

    Para a Ella, com certeza a mudança de vida dela foi muito brusca, por descobrir algo que ela nem sequer imaginava, e que desde então, teria que se adaptar a ela, a essa nova rotina.

    Mas, achei que as autoras deveriam ter explorado melhor a relação entre a Ella e o Reed. Na minha opinião, aconteceu tudo rápido.

  • Alison de Jesus
    16 fev 2018

    Olá, primeiramente parabéns por essa análise, ela ficou incrível e cumpre seu papel como agente conscientizador muito bem. Já li muitas resenhas a respeito dessa obra e sempre ficava com a impressão que era muito parecida com a série Gossip Girl, mas vejo que o livro de divertido não tem nada, além de não agregar um conhecimento crítico ao leitor de seja coerente. Realmente decepcionante. Beijos.

  • Olá Débora! Todos esses motivos citados foram os responsáveis por me fazer não querer ler esse livro e tantos outros que abordam esse tema. Não sei o problema desses autores em querer romantizar esse tipo de relação abusiva ou qualquer tipo de abuso. O mais triste é ver leitoras achando esse livro lindo, sim, já vi resenhas falando isso e leitoras concordando. Não consigo ver beleza em algo tão grave assim. Parabéns pelo texto, beijos!

  • Bianca
    16 fev 2018

    Oi, Débora!
    Acho que só tô comentando para dizer GURIA, EU TE AMO. Que texto. QUE TEXTO, senhoras.
    Eu fico muitíssimo feliz quando vejo outras blogueiras denunciando livros como esse. Nunca li Princesa de Papel porque achei “bem a cara” de livro que romantizava abuso, mas li li MUITOS OUTROS que fazem isso (inclusive a bizarrice de Belo Desastre). No blog a gente vem batendo bastante nessa tecla da responsabilidade social dos livros e sempre que nos deparamos com algo que romantize abuso e glamorize crime, estamos denunciando. Mesmo quando isso acontece em ocasiões pontuais dentro de livros que gostamos, é importante a gente ressaltar isso. Porque mesmo quando a gente é capaz de “relevar porque não bate com o perfil anterior do personagem” é importante os leitores saberem o que vão encontrar e os autores saberem que estamos de olho e não estamos gostando de coisa do tipo.
    Simplesmente amei seu texto e sinto muito que tenha sido um leitura tão ruim. Sou muito fã de romance e hoje em dia tá muito difícil encontrar algo que me faça inteiramente feliz e não me deixe incomodada e perturbada durante a leitura. Se eu quisesse ficar perturbada, ia ler um suspense policial. :/
    Espero que você escreva mais textos como esse!

    bjs

  • Ludyanne Carvalho
    15 fev 2018

    Uau! Que post sensacional… belas palavras.
    Pensei uma vez em ler esse livro, mas a vontade passou rápido e agora tenho certeza de que não vou ler.
    A leitura é fonte de conhecimento, é uma maneira de abrir os olhos… E no momento em que vivemos, abordar esse tema de maneira errada é totalmente repulsivo.
    Reconheço que há muitos livros com mocinhos nesse estilo, mas as autoras compensam com mocinhas fortes, que não abaixam a cabeça e que são empoderadas.

    Beijos

  • Confesso que nunca nem cheguei perto desse livro, porque ele não faz parte dos gêneros que costumo ler normalmente. Depois de ler teus comentários, isso definitivamente não vai mudar. Em meio a tanta discussão com relação à agressão do masculino contra o feminino, da romantização de relacionamentos abusivos e de estereótipos que restringem e obrigam as mulheres a serem o que não são, um livro como esse é simplesmente um desserviço a tudo que já foi conquistado nesse âmbito. O que mais me dói é saber que foi uma mulher quem o escreveu. É impressionante, como tu mesma observou, que livros como esse, com esse teor pejorativo com relação à figura feminina, caiam tanto nas graças do público (em sua maioria também feminino). Isso me deixa triste e angustiada ao mesmo tempo, visto que essa é a geração que nos espera no futuro. Acredito que os livros tenham um papel importante na construção da personalidade e caráter de qualquer um que tenha contato com eles, e fico imaginando o estrago que um título como Princesa de Papel pode fazer na vida, não só de meninas, mas de meninos também. Agressividade, possessividade, violência e arrogância jamais deveriam ser consideradas características possíveis de serem definidas como atraentes, e eu acredito que isso já devia ser consenso desde o início dos tempos e das relações entre homens e mulheres. Nenhum tipo de amor é construído com base em ameaças constantes, medo ou controle excessivo. Fico realmente chateada com livros como esse!

  • Bianca Melo
    15 fev 2018

    Caramba, como esse post é necessário!
    O que temos de monte nesse universo literário voltado para jovens são enredos assim: que põem a protagonista como uma simples moça que não tem nada de especial (pelo contrário, está aberta a humilhações de todo tipo) e de uma hora pra outra conquista aquele que é o cara que se põe como o herói (quando de herói não tem nada) gostosão que é capaz de deixar qualquer uma a seus pés – e que sorte ela tem de tê-lo! Isso, além de me dar muita preguiça também me deixa preocupada. Se esse livro tem nota 4.1 no skoob, devo imaginar que muita gente achou lindo o desenvolvimento desse romance hiper problemático. E é assim que, na vida real, muitos relacionamentos problemáticos acontecem. É um assunto que deve ser mais discutido e fico muito feliz que este blog o faça, pois vejo muitos livros assim sendo exaltados em blogs de literatura e em outras plataformas que se voltam para o conteúdo literário (e às vezes é tão somente para fazer uma média com a editora ou para cair no gosto popular).

  • Vitória Pantielly
    15 fev 2018

    Oi Débora!
    Não vou mentir, senti sim vontade de ler os livros, mais até agora, todas as resenhas que li deles eram positivas, nunca li nada que chegasse perto disso, no máximo é que os filhos Royales erram arrogantes.
    Eu já li tantos e tantos livros com relacionamentos abusivos, mais só agora venho me tornando crítica em relação a isso e me incomodando. Outro ponto que – nossa como me irrita – me tira do sério, é quando uma outra personagem feminina tem que ser tachada de louca ou algo do tipo, e essa rivalidade toda? Pra que isso? Sinceramente, passei a deixar muitos livros de lado por esses pontos.
    Pelos quotes que você colocou, eu não sei como os leitores ainda aceitam esse livro numa boa, não dá para negar que essas cenas são completamente abusivas, me decepcionei! Perdi toda e qualquer vontade que tinha de ler os livros da autora, e se hoje tiver que falar dele, farei um discurso no estilo do seu, decepcionante…
    Beijos!

  • Lynn Prado
    15 fev 2018

    Confesso que quando vi a capa desse livro pela primeira vez, fiquei com vontade ler, mas nunca li e nem procurei nenhuma resenha.
    Odeio quando no livro a personagem é constantemente humilhada, desumanizada e desvalorizada por ser mulher.
    Não gosto também que por causa de um relacionamento a personagem perda a sua personalidade.
    Achei o post bem bacana!
    Bjs

  • Michelli Prado
    15 fev 2018

    Que postagem maravilhosa, pela temática em si! Ainda não li o livro, mas já havia percebido este ponto que menciona em outras resenhas que li sobre este livro. E realmente independe da época que se passa a historia, isso se torna desnecessário. Pois odeio livros onde as protagonistas se sintam inferiores, senti isso ao ler Belo Desastre. Tinha raiva do personagem e por olharem aquilo como “ homem másculo e “ bad boy”. Mas novamente parabéns pela postagem!!

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