Literaría 22fev • 2019

10 fatos sobre a biblioteca de Alexandria

Em 334 aC, Alexandre, o Grande, partiu para conquistar o mundo. Em suas conquistas, Alexandre trouxe consigo historiadores e geógrafos para documentar e difundir a palavra sobre as diferentes sociedades e culturas que encontraram ao atravessar a Macedônia e a Grécia, no oeste, até a Índia, no leste.

Após sua morte prematura em 323 aC, as conquistas de Alexandre ajudaram a inaugurar uma nova era na história antiga chamada helenismo. O helenismo é o resultado da cultura greco-macedônica mesclada com as sociedades do Norte da África, Oriente Médio, Ásia Central e Índia. É definido por expressões artísticas vibrantes, horizontes filosóficos ampliados e uma busca constante por novos conhecimentos. Nenhuma outra instituição ilustra melhor o espírito do helenismo do que a antiga biblioteca de Alexandria, no Egito.

Aqui estão 10 coisas que você precisa saber sobre a antiga biblioteca de ALEXANDRIA.

A antiga biblioteca de Alexandria foi fundada por Demétrio de Phaleon, um político ateniense que caiu do poder e fugiu para o Egito. Lá, ele encontrou refúgio na corte real do rei Ptolomeu I Soter, que governou o Egito entre 323 e 285 aC. Impressionado com o extenso conhecimento e profunda aprendizagem de Demétrio, Ptolomeu atribuiu-lhe a tarefa de criar uma biblioteca.

A antiga biblioteca de Alexandria fazia parte de uma instituição de ensino superior conhecida como Museu Alexandrino. A biblioteca foi planejada como um recurso para os acadêmicos que pesquisaram no Museu.

Os livros da biblioteca foram divididos nos seguintes temas: retórica, lei, épico, tragédia, comédia, poesia lírica, história, medicina, matemática, ciências naturais e miscelânea. Acredita-se que a biblioteca tenha abrigado entre 200.000 e 700.000 livros, divididos entre dois ramos da biblioteca.

Os livros foram adquiridos para a biblioteca através de compras em Atenas e Rhodes, os dois principais mercados de livros no Mediterrâneo Antigo; através de cópia; e através do confisco.

Uma categoria de livros adquiridos era chamada “dos navios”. Sempre que um navio chegava ao porto em Alexandria, funcionários do governo subiam a bordo, procurando livros. Eles traziam os livros que encontravam para a biblioteca para inspeção. Esses livros foram devolvidos imediatamente ou confiscados e substituídos por uma cópia feita pelos escribas da biblioteca.

Os livros da antiga biblioteca de Alexandria eram escritos principalmente em duas línguas – grega e egípcia, uma língua afro-asiática agora extinta. Acredita-se que todo o corpus literário da Grécia Antiga foi mantido na biblioteca, juntamente com obras de Aristóteles, Sófocles e Eurípides, entre outros. Os livros egípcios eram livros sobre as tradições e a história do Egito Antigo.

Estudiosos que trabalharam no Museu de Alexandria usaram a biblioteca para criar a categorização da história do Egito Antigo em 30 dinastias, que ainda é usada hoje quando estudamos a história antiga, bem como a primeira tradução da Bíblia Hebraica, conhecida como Septuaginta. Até hoje, a Septuaginta continua sendo um texto crucial nos estudos bíblicos críticos.

A antiga biblioteca de Alexandria foi destruída em duas ocasiões diferentes. O ramo da biblioteca original estava localizado no palácio real em Alexandria, perto do porto. Quando Júlio César interveio na guerra civil entre Cleópatra e Ptolomeu XIII, César ateou fogo aos navios no porto. Acredita-se que este fogo se espalhou para a biblioteca e destruiu completamente.

O segundo ramo da biblioteca estava localizado dentro de um templo dedicado ao deus Serapis. Em 391 EC, o imperador romano Teodósio declarou o cristianismo como a única religião legal de Roma e ordenou que todos os templos pagãos fossem destruídos. O templo de Serapis em Alexandria foi completamente destruído, e com ele o segundo ramo da biblioteca.

Em 2002, a Bibliotheca Alexandrina abriu em Alexandria. A Bibliotheca Alexandrina é uma biblioteca de pesquisa e um centro cultural criado em comemoração à antiga biblioteca com a intenção de tornar Alexandria em uma cidade de aprendizado mundialmente renomada novamente. A Bibliotheca Alexandrina abriga a maior coleção digital de manuscritos históricos do mundo, bem como o maior repositório de livros franceses no continente africano.

Este conteúdo foi escrito por Erika Harlitz-Kern e originalmente publicado no site bookriot.com. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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7 Comentários

  • […] isso não é algo novo, se vocês querem saber. Se formos analisar historicamente, as próprias bibliotecas foram construídas em cima da ideia de “melhorar” os cidadãos, um lugar onde você encontrava educação […]

  • Jade Sibalde
    28 fev 2019

    Era a biblioteca mais fantástica do mundo, uma perda inigualável. Imagine quantos textos foram perdidos para sempre! Dá uma tristeza só de pensar!

  • Alison de Jesus
    24 fev 2019

    Olá Débora!
    Gosto de acompanhar fatos históricos e perceber o quão infinitamente criativa foi e continua sendo a mentalidade do seres humanos, capazes de criar um monumento de saber cultural cuja grande influência se mostra ainda hoje na sociedade. É trágico que a original biblioteca, palco de tanto conhecimento, tenha sido perdida, porém acredito que o acontecimento a torna ainda mais memorável, deixando mensagem da importância de se conservar o conhecimento.
    Beijos.

  • Angela Cunha
    23 fev 2019

    Puxa, que post incrível!
    Lendo acima só consegui pensar uma coisa: Como cenários assim podem estar tão distantes de nós? Deve ter um acervo magnífico e que traz toda a história incluída em cada pedacinho.
    Outro ponto que me chamou a atenção foi o local ter sido meio que destruído duas vezes. Coisas boas sempre passam por apertos né?
    Mas fiquei fascinada com o que li e vi acima!!!
    Beijo

  • Jora
    22 fev 2019

    Não imagina o quanto fiquei feliz de ver conteúdo relacionado à Biblioteconomia aqui. História do livro e da Biblioteca é muito interessante, se a gente vai pesquisar acha histórias maravilhosas, como da Biblioteca de Alexandria. Vocês são realmente um blog completo.

  • Lorenna Caoly
    22 fev 2019

    O que eu mais gosto no seu site é a diversidade de conteúdo. Nãos e resume apenas as tradicionais resenhas de livros mas investe curiosidades, notícias, entrevistas. Um verdadeiro portal Literário.

  • Maira Schein
    22 fev 2019

    Sempre que eu vejo alguma coisa sobre a destruição dessa biblioteca fico extremamente triste de pensar em todas as obras que foram completamente perdidas e que eram parte da nossa história. Devia ser um local fantástico antes dessas destruições.

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