Literaría 06fev • 2019

Encontrando o momento certo para ler clássicos

Confesso à vocês que eu mesma não sou uma grande leitora de clássicos, ou livros que estão com um hype muito grande. Parte por simplesmente ainda não ter tido o interesse despertado por essas leituras, e parte por não querer fazer parte de um diálogo cansativo ou de um momento onde eu não saberia ter uma experiencia genuína com aquela leitura.

Eu também sei que eu não sou a única. Muitos de vocês também passam pela dificuldade de conseguir se conectar com alguns clássicos da literatura, afinal, nem todos tem o estômago para encarar a leitura de Senhora ou disposição para mais uma discussão de Capitu traiu ou não traiu o Bentinho.

E como eu adoro trazer um conteúdo novo para vocês, a Blaga Atanassova compartilhou no Book Riot um pouco das primeira experiencias dela com clássicos, e como ela acredita que existe o momento certo para cada livro e que talvez agora só não seja o nosso ainda.

Confira a tradução completa do texto:

Todo livro tem o tempo e o lugar certos na vida de alguém; essa é uma crença que sempre defendi com firmeza. Eu cresci em uma casa de leitores, onde os livros estavam sempre presentes, e eu passava horas entre antologias de contos de fadas – desde os irmãos Grimm até Pushkin e clássicos infantis. Adormecia com meu pai lendo contos de fadas e livros infantis búlgaros cheios de humor e desventura.

À medida que envelhecia, mamãe e eu passávamos os fins de semana na Barnes and Noble, lendo e tomando bebidas quentes. Não importa quantos livros eu tenha lido (e ainda vá ler), no entanto, há uma categoria que eu de alguma forma consegui evitar: os Clássicos, ou o Cânon Ocidental.

Quando adolescente, leituras como Orgulho e Preconceito eram mais conhecidas através das adaptações e do boca a boca. Se alguém perguntasse se eu havia lido Oliver Twist, sorri e respondi afirmativamente, apesar de ter apenas assistido ao musical.

Então, no verão depois da minha formatura do ensino médio, decidi me envolver um pouco. Foi em 2012. Midnight in Paris de Woody Allen tinha acabado de ser lançado e eu estava obcecada com a “geração perdida”. Eu tinha lido os contos de Hemingway no último ano e os amava; minha leitura seguinte foi The Great Gatsby. Eu não tenho certeza porque eu escolhi isso, exatamente (o filme de 2013 Baz Luhrmann ainda não tinha sido anunciado naquele momento). Eu suponho que parecia uma leitura curta e não suficientemente ameaçadora. Em retrospecto, eu não poderia ter escolhido um livro melhor.

No dia em que me formei, uma tempestade assustadora atingiu minha cidade natal. Como resultado, não tivemos energia por vários dias. Em junho, na Virgínia, isso significa beber muita água, tomar vários banhos frios e abanar-se incessantemente com um leque de papel. Mas, coincidentemente, eu estava tendo a mesma experiência que Nick Caraway. Suas constantes reclamações sobre o calor e a umidade de Nova York no verão de 1922 ressoaram. Aqui estava a conexão que eu precisava com este livro! Eu li na velocidade da luz. O Grande Gatsby tinha me encontrado no momento certo da minha vida, e por isso era fácil e realmente prazeroso lê-lo.

Este é apenas um exemplo de como ler um livro no que parecia ser a hora certa – um fenômeno que provavelmente é familiar a qualquer leitor e que eu continuo a experimentar. Mas se o incidente de Gatsby me ensinou alguma coisa, é que não há um momento específico na vida em que se deve ler o cânone literário. Muitos encontrarão esses títulos famosos em suas aulas de inglês e faculdade, mas só porque fazem parte do currículo, isso não significa que esse seja o ponto na vida de um indivíduo para o qual esses trabalhos são especificamente destinados.

Mais recentemente, durante as festas de fim de ano, li Little Women, que me foi descrita como o feriado perfeito lido. Quando chega a hora certa, mergulho nesses livros com entusiasmo. No final, não importa quantos anos ou em que estágio da sua vida se está (nem quantos clássicos se lê). O que deve importar é a alegria da experiência – uma experiência que ocorre no momento exato da vida do leitor – e a alegria de compartilhar e discutir essas obras de literatura com outras pessoas (sem julgamento!).

Vocês gostaram? Meu sonho de princesa é conseguir ler Guerra e Paz. É um livro muito grande, muito cansativo e não é apenas um romance, mas tem várias vertentes de críticas políticas e maçonaria. Ou seja, eu tenho que estar psicologicamente preparada para encarar essa leitura. E vocês? Algum clássico que queiram ler? Deixa aqui nos comentários!

Créditos de Imagem: Imagem

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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10 Comentários

  • […] do que o normal. Acho que eu finalmente cheguei naquela tão desejada fase em que eu me sinto mais do que preparada para encarar grandes leituras como Júlio Verne e – de Deus quiser – Anna Karenina. E recentemente, com a Nova Fronteira […]

  • […] e não-leitores. Quem nunca se sentiu constrangido por não ler tanto quanto alguém? Ou por não ser tão inclinado aos clássicos como Anna Karenina e Machado de Assis? Ou por gostar de ler quadrinhos, romances eróticos e até mesmo os romances YA […]

  • Jade Sibalde
    28 fev 2019

    Eu gosto muito de ler clássicos porque acredito que são quase um produto da seleção natural da nossa cultura. Contudo, não são leituras para todos os momentos, ainda lembro como sofri na primeira vez que tentei ler Morro dos Ventos Uivante, foi terrível, abandonei antes mesmo da metade. Tempos depois retomei a leitura e se tornou um dos meus livros favoritos da vida, ou seja, eu li estando preparada para ele. São leituras como qualquer outra, você precisa estar no momento certo para elas.
    Ps: Guerra e Paz é muito bom, exige muito como leitura mas é um inigualável.

  • Lorenna Caoly
    15 fev 2019

    Taí uma coisa q eu definitivamente vou fazer em 2019: Ler clássicos tanto da literatura nacional quanto estrangeiros. Não dá pra viver só de livros bobinhos.

  • Maira Schein
    12 fev 2019

    Eu particularmente não tenho nada contra clássicos e até gosto muito, hoje. Mas quando estava na escola e alguns deles chegavam como leituras obrigatórias para alguma prova ou para o vestibular, confesso que não era algo que me animava sempre.
    Orgulho e Preconceito é um exemplo disso pra mim. Quando tentei ler aos 16 anos não consegui passar da metade. Anos mais tarde peguei pra ler outra vez e se tornou um dos meus livros preferidos.
    Acredito muito que cada livro tem seu momento na nossa vida, não por se encaixar em uma categoria ou gênero, mas pela história e pelo que ela traz pra gente, por si só.

  • Vitória Pantielly
    10 fev 2019

    Débora,
    Nossa, esse texto é interessante demais …
    Bem, eu já li alguns clássicos, poucos na verdade, e os poucos que li amei, de coração, se tornaram favoritos, como “O morro dos ventos uivantes”, mas, a primeira experiência com ele, por exemplo, foi uma tragédia, lá pelas terceira vez realmente me envolvi, e hoje acredito ter uma experiência completa do que ele retrata.
    Acredito em fases… eu sou assim… há momentos em que quero leituras leves, clichês, há outros que um clássico, mais envolvente, é bem vindo!
    Beijos

  • Alison de Jesus
    09 fev 2019

    Olá Débora!
    Confesso que o único período da minha vida até agora em que li clássicos foi durante o terceiro ano do ensino médio, mas somente por conta do vestibular, pois eu raramente tirava algum proveito daquelas leituras. Mas gostei do texto de Atanassova, que nos tranquiliza e nos faz entender que o consumo de obras mais complexas não depende de nós, mas sim do ambiente à nossa volta, que dita quando é o melhor momento para realizar a leitura.
    Beijos.

  • Angela Cunha
    09 fev 2019

    Por este e outros motivos, adoro este cantinho!
    Clássicos precisariam sim, fazer parte das leituras de muitos de nós, mas normalmente não são leituras fáceis e por isso, precisam sim, de momentos certos!
    Me recordo que quando fui ler Dom Quixote(a versão original),meu ex cunhado me deu folhas e folhas com um pequeno dicionário, onde havia as traduções das palavras difíceis.
    E era um saco ficar lendo e olhando na folha…rs
    Acabei a leitura sim,mas não foi fácil. Tal como A Divina Comédia, que apanhei também.
    É preciso uma preparação, fato. Mas que sempre vale a pena, isso vale.
    Guerra e Paz também é um clássico que tenho vontade ler, mas acho que ficará somente na vontade..rs
    Beijo

  • Luana Martins
    09 fev 2019

    Oi, Débora
    Adorei o post e concordo tem certos livros que temos que estar prontos para ler.
    Não sou de ler clássicos para a escola (confesso que tentei ler vários como Iracema, Memórias Póstumas de Brás Cubas entre outros e sempre abandonei as leituras) e vestibular li apenas os resumos dos livros que precisava.
    Ainda quero começar a ler tantos os clássicos nacionais quanto os internacionais, estou lendo uma livro que a personagem lê também e ela cita o livro O Morro dos Ventos Uivantes e Jane Eyre que estou interessada em conhecer.
    Beijos

  • Ludyanne Carvalho
    09 fev 2019

    Amei o título do post!
    Não vou nem mencionar meu contato com clássicos nacionais na época de escola, porque apesar de já amar a literatura, eu tinha preguiça de ler por obrigação algo que não fazia meu gênero.
    Então meu primeiro contato mesmo foi há uns 3 ou 4 anos, quando li 3 livros da Jane Austen.
    Li tão seguido (uma edição 3 em 1) que acabei não gostando.
    Alguns anos depois… Li Mulherzinhas (uma versão mais curta) e Pollyanna e gostei muito.
    Pretendo reler Orgulho e preconceito, acho que agora tenho uma nova visão. E Jane Eyre também será uma das próximas leituras.
    Mas meu sonho de princesa é ler Os miseráveis (aquela edição de luxo).

    Beijos

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