Literaría 07maio • 2018

A Guerra Que Salvou Minha Vida: O Resto da História

Li uma resenha sobre meu romance, A Guerra Que Salvou Minha Vida, outro dia no Goodreads que me deixou com lágrimas nos olhos. Tentei encontrá-la hoje, mas não consegui achar… Tenho certeza de que conseguiria se procurasse de verdade, mas achei melhor não. Apenas acredite em mim, a resenha dizia algo do tipo… “Ada está com 86 hoje. Ela anda. Ela tem andado por muito tempo, desde que Susan conseguiu consertar seu pé no início da guerra…” e ela prossegue a resenha prevendo o que vai acontecer com Ada, Jamie e Susan.

Eu amei, porque, ao fazer a matemática eu mesma, percebi que a Ada está mesmo com 86 hoje. Ela tem a mesma idade que o senhorzinho gregário com quem falei no museu em Rye, cujo rosto ficou pálido e sério quando minha filha lhe disse que eu estava escrevendo um livro sobre os refugiados da Segunda Guerra Mundial. “Eu fui um dos refugiados”, ele disse.

“Por quanto tempo?”, perguntei.

“Seis anos”, ele respondeu, depois se virou e foi embora.

Ada está com 86. Ela anda. Ela tem andado por muito tempo, desde que Susan conseguiu consertar sua perna no início da guerra.

O que ela se torna mesmo é professora. Você já pode ver as sementes disso na continuação que estou escrevendo. Sempre lembrando de como era não saber de nada, Ada é incrivelmente paciente e competente como professora. Ela fica encantada – absolutamente encantada – com o amor de seus alunos por ela e, mais tarde, de seu marido e filhos.

Jamie, que vira quase um filho para os Ellstons, assim como Susan (você vai conhecer os Ellstons na continuação), se torna um fazendeiro depois de adulto. Você também pode ver as sementes dessa profissão no próximo livro. Depois da guerra, Susan torna-se professora em um internato para meninas. Sei que Ada e Jamie lhe dão netos, dos quais cuida com muito prazer. Quando ela morre, é enterrada não ao lado de Becky, mas ao lado do túmulo de outra mulher que veio a ser sua companheira em seus últimos anos. Sei que Butter morre de velhice, e é enterrado na fazendo dos Thorton. Sei que Ada continua a cavalgar, que depois de virar esposa e mãe, ela compra um pequeno cavalinho e o mantém no campo atrás de sua casa, cavalga na caçada regional e ensina suas filhas a cavalgarem. Sei que depois da guerra os Thortons não continuaram vivendo em seu casarão, tão vazio, exceto pelas memórias. Mas não sei exatamente o que eles fazem com ele. Lord e Lady Thorton mudam-se para Londres, para um pequeno e elegante apartamento, mais fácil para Lady Thorton administrar. Maggie não termina a escola e nem vai para a universidade. Ela arruma um emprego como secretária por um tempo, só para ter o que fazer, e dá umas escapadas com Ada pelo Continente, mas casa-se muito jovem e gosta de ser uma dona de casa tradicional.

Stephen White morre bem nos últimos dias da guerra. O luto de Ada é tremendo.

Ruth – uma nova personagem na continuação – se corresponde frequentemente com Ada ao longo e depois da guerra, o que é estranho no início, mas eventualmente, conforme a faixa etária das duas muda, torna-se uma fonte real de prazer para ambas.

Na década de 90, depois da queda do Muro de Berlim, Ruth e Ada viajam para Dresden. Elas visitam as ruínas da Catedral bombardeada, congeladas no tempo desde a guerra (suas ruínas permanecem intocadas até que ela seja reconstruída com as mesmas pedras), e o local da velha sinagoga de Dresden. Elas buscam em vão pela antiga casa de Ruth. Ruth morre antes que a catedral e a sinagoga sejam reconstruídas, mas Ada volta lá para vê-las, junto de sua filha e neto.

Tem mais um novo personagem que eu poderia incluir aqui, mas não vou, porque não quero tirar o impacto do final do novo livro. E tem um personagem que não estou mencionando. Quando falei com um adorável grupo de alunos do quinto ano no meu book tour – que inclusive comemoraram quando descobriram que eu estava escrevendo uma continuação -, um menino me perguntou depois da palestra: “O que acontece com Mam na continuação?”

Eu disse, “Não vou te contar isso.”

“Assim, sabe”, respondeu ele, muito sincero, “um montão de bombas caíram em Londres durante a guerra.”

Ada está com 86. Viúva agora, ela vai levantar sozinha esta manhã na sua pequena casa. Ela vai fazer uma xícara de chá, soltar os cachorros, pôr um cardigan para afastar o frio. Ela vai olhar pela janela da cozinha, para além do cercado, para os cavalos parados lá, para o velho pangaré, que é o último cavalo do seu coração, e para o pônei, um tesouro, que ela encontrou para que seus netos e os netos de Jamie possam cavalgar. Eu deveria ligar para Jamie, ela pensa. É aniversário dele esse sábado. Nós deveríamos almoçar juntos, só nós dois.

E eles almoçam.

Este texto foi originalmente publicado no site oficial da autora.

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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14 Comentários

  • […] e aceitação. Catherine não exagera no drama, muito menos dá resoluções inverossímeis. A vida não é um conto de fadas e August precisa aceitar isso. A relação que ele constrói com os meninos é delicada, ele não é o pai das crianças, muito […]

  • Jade Sibalde
    31 maio 2018

    A autora escreveu um texto tão real. Não li o primeiro livro mas ao ler seu texto conseguir ver as pessoas, consegui ver como real e não algo imaginado. O mais bonito nos livros é isso, quando você consegue ler o que o autor criou e acreditar que realmente podia ser verdade.

  • Elizete Silva
    24 maio 2018

    Olá! Gosto muito de livros que nos levam conhecer mais sobre o que muitas pessoas tiveram que passar durante os horrores da guerra. Esse parece ser bem tocante e sem dúvida vai me emocionar bastante. Bacana saber que teremos mais vindo por ai.

  • Bianca Melo
    21 maio 2018

    Que texto amorzinho ♥ É lindo ver um escritor valorizando o trabalho de um fã/leitor e fazendo algo ainda mais maravilhoso sobre isso.
    Preciso muito ler essas histórias maravilhosas.

  • Vitória Pantielly
    10 maio 2018

    Oi Débora,
    Ah, como não se emocionar, não imagina como tenho vontade de ler os livros. A autora deve estar orgulhosa, não vi se quer uma opinião negativa sobre sua história, e nem poderia nao é?
    Eu tenho até um pouco de medo da leitura, só de ler o texto e o que aconteceu com a protagonista já me emociono, imagine com a leitura completa..
    Beijos

  • Bruna Lago
    09 maio 2018

    Sempre fico com um pé atrás pra ler os livros que trazem esse assunto tão emotivo. Justamente por causar tantas emoções nos leitores que sempre se veem numa determinada situação.
    Eu não conheço muito dessa narrativa, estou um pouco desatualizada das novidades, mas vendo os comentários vejo que é um livro bem poderoso! Além de ter adorado o texto 😉
    Abraços

  • Micheli Pegoraro
    09 maio 2018

    Que lindo esse texto da autora Débora! Obrigada por ter trazido aqui no blog para nós leitores. Amei! Desejo por demais esses dois livros da Kimberly Brubaker Bradley, só vejo lindos comentários a respeito da história que ela criou. Quero muito conhecer a Ada e ser cativada por essa garota inspiradora.
    Amo livros com histórias que se passam na Segunda Guerra Mundial, e já estou prevendo que esses dois irão se tornar meus favoritos da vida.
    Beijos

  • Isabelle Menezes do Nascimento
    08 maio 2018

    Olá!
    Desconsidera a outra “postagem” kkkkkk, como ia falando não li ainda e acredito q tomei spolier ainda bem q não me importo, os livros estão na minha lista de desejados, esse texto é muito emocionante imagino o q o livro pode causar.

  • Isabelle Menezes do Nascimento
    08 maio 2018

    Olá!
    Ainda não li essa história, acho q rcebi spoiler ainda vem

  • Lili Aragão
    08 maio 2018

    Histórias que se passam nessa época são sempre tristes e que levam o leitor as lágrimas, eu já tinha visto algumas resenhas e comentários positivos desse livro e achei o texto bem emocionante, imagino que a história também o seja.

  • Theresa Cavalcanti
    07 maio 2018

    Oi Débora, eu não sabia desses livros, mas mesmo assim fiquei emocionada com esse texto. Vou adicionar na minha lista, porque fiquei com muita vontade de ler.

  • Kleyse Oliveira
    07 maio 2018

    Oi Débora!
    Meu Deus. Que lindoooo. Fiquei mais encantada e interessada ainda para ter esses livros e ler. Amo demais livros que as histórias sejam falando da segunda guerra mundial. São histórias que levaremos para toda vida.

  • Ludyanne Carvalho
    07 maio 2018

    Que lindo!
    Fico feliz, emocionada e encantada ao saber que todos terão um final feliz.
    Tenho um amor imenso pelos 2 livros.
    Ada é aquela que queremos proteger do mundo, e saber que ela vence e se torna uma mulher forte é gratificante.
    Professora combina muito com ela.
    Amei esse post.

    Beijos

  • Laura
    07 maio 2018

    Tem um pouco de lágrimas nos meus olhos, tenho muita vontade de ler esse(s) livro(s) e com esse post fiquei mais curiosa ainda.

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