Literaría 17abr • 2019

Alexandre Dumas e o que você não sabia sobre o autor

Nos últimos meses eu tenho estado muito mais interessada em clássicos do que o normal. Acho que eu finalmente cheguei naquela tão desejada fase em que eu me sinto mais do que preparada para encarar grandes leituras como Júlio Verne e – de Deus quiser – Anna Karenina. E recentemente, com a Nova Fronteira lançando um box incrível com as principais obras de Alexandre Dumas eu finalmente vou realizar a única leitura clássica que realmente está pendente na minha lista de leitura: O Conde de Monte Cristo.

Mas não estamos aqui para falar sobre a adaptação do livro em 2002, embora seja um dos meus filmes favoritos. Na verdade, depois que a Nova Fronteira anunciou o lançamento desse box eu percebi que eu não sabia tanto quanto eu gostaria sobre a vida de Dumas e fazendo uma breve pesquisa na internet eu descobri alguns fatos e curiosidades muito interessantes sobre o autor que eu achei que seria bem legal compartilhar com vocês.

Edmond Danté foi inspirado no pai de Dumas

Alexandre Dumas é o autor de grandes clássicos na literatura francesa. Seus livros tem um senso de aventura que conquistou leitores ao redor do mundo, mas existem alguns fatos sobre a vida do autor que são poucos discutidos quando se diz respeito a sua vida e ao seu trabalho. Por exemplo, Edmond Dantés, foi profundamente inspirado no próprio pai de Dumas, um ex-escravo que se uniu às hostes de Napoleão Bonaparte e ascendeu à posição de general: Thomas-Alexandre Dumas, o Diabo Negro.

É pai do autor de A Dama das Camélias

Embora fosse casado com Ida Ferrie, Dumas manteve relações com outras mulheres fora do casamento, o que fez com que ele gerasse três filhos fora do casamento. Um desses filhos é ninguém menos que Alexandre Dumas, o autor de A Damas das Camélias. Dumas reconheceu a paternidade do filho em 1831, fruto de seu relacionamento com a costureira Marie-Catherine Labay. O autor também assegurou uma boa educação para seu filho na Instituição Goubaux e no Colégio Bourbon. As leis daquela época permitiram Dumas (pai) tirar seu filho de sua mãe.

Alexandre Dumas era romancista, crítico teatral, editor e dono de jornal

Foi contratado para fazer crítica teatral pelo La Presse, o primeiro jornal da imprensa de massa. Entrou neste sistema que é viver da sua própria pena, diferentemente do que era comum até então, quando os escritores viviam de mecenato, patrocinados por reis. Vivia do que escrevia. Vitor Hugo ganhou um concurso e foi patrocinado pelo rei durante praticamente toda a vida.

Como precisava daquilo para sobreviver, Dumas explorou sua personalidade muito sedutora e se envolveu em múltiplas atividades relacionadas à imprensa. Era uma figura que se dispunha a todas as maneiras de vulgarização. Dumas dizia sobre os seus contemporâneos: “Vitor Hugo é um pensador, Lamartine é um sonhador e eu sou um vulgarizador”. Ele pegava as ideias mais sublimes do romantismo e disseminava em uma escala massiva para a época. A crítica diz: se ele vende, então não é bom.

Sua narrativa era considerada uma máquina de sedução

Dumas era, em verdade, um grande sedutor. Os próprios irmãos Goncourt que, na época, tinha uma revista que hoje se compararia com a Caras, diziam que quando Dumas chegava à festa acabava, pois todos queriam ficar em volta dele. Dumas era um homem bonito, mulato claro de olhos azuis, bem vestido e elegante. E ele falava muito bem, gostava de contar histórias. No folhetim, juntar essa habilidade pessoal com algumas técnicas que funcionavam para prender a atenção do leitor e torná-lo dependente dos jornais.

Em A rainha Margot, ele trabalha com seis intrigas. Alterna o aparecimento dessas intrigas em capítulos. Em alguns momentos, o leitor sai frustrado: não vi o personagem com o qual me identifico. E precisa comprar o jornal para saciar a curiosidade. E Dumas tinha uma habilidade incrível de, em algum instante, entrelaçar essas intrigas em uma só narrativa. Os diálogos são muito bem estruturados. Você acompanha o sofrimento do personagem. Você fica louco para saber o que o Conde Monte Cristo foi fazer em determinado baile.

Era completamente fascinado por história

Dumas costumava dizer que poderia ensinar mais história da França do que qualquer outro historiador havia feito. Ele acreditava que a compreensão da história era mais uma questão de sensibilidade do que de prova documental. Sua obra, A rainha Margot, é uma das obras em termos de concepção e relação com a história. O enredo se passa em um período turbulento, com grande dramaticidade e recria para o leitor o espírito de época. Michelet dizia que caberia à história recriar mundos e fazer os fantasmas falarem. E Dumas fez isso muito bem.

Teve o racismo sofrido reconhecido pela França

Apesar de ter sido um sucesso comercial, de crítica e de público por seu inegável talento, a vida de Alexandre Dumas foi marcada por ser um homem negro numa França imperialista que amargava a independência da colônia de Saint-Domingue, atual Haiti.

Em 2002, a França reconheceu o racismo que Dumas sofreu em vida, e seus restos mortais foram transferidos para o Panteão de Paris, onde grandes figuras da história francesa estão enterrados ou têm monumentos. Na ocasião, Jacques Chirac, então presidente francês, disse: “Contigo, nós fomos D’Artagnan, Monte Cristo ou Balsamo, cavalgando pelas estradas da França, percorrendo campos de batalha, visitando palácios e castelos – contigo, nós sonhamos.”

Eu não vou mentir para vocês, encontrar informações relevantes sobre o autor não foi nada fácil. Eu nunca pensei que precisaria passar da segunda página do Google para encontrar algo que fosse realmente relevante e que tivesse tido impacto na história de vida de Dumas. Embora seu país de origem tenha tentado corrigir o racismo que o autor sofreu em vida, fica ainda mais claro, pelas poucas informações e estudos que temos de suas obras, que a cor da pele de Dumas ainda se prova um empecilho para que seu trabalho tenha o reconhecimento que merece.

Todas as fontes de informações que eu usei para esta publicação estão abaixo. Caso você tenha se interessado pela vida – e obra – de Dumas, eu recomendo muito que você leia cada uma delas para entender melhor quem era o homem por trás de figuras inspiradoras como Os Três Mosqueteiros e Robin Hood.

Fonte de Pesquisa: Wikipedia, GeledesCorreio Braziliense

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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8 Comentários

  • […] que eu estava muito ansiosa para mostrar para vocês o box do Alexandre Dumas, que é o lançamento da Nova Fronteira esse mês. Porque? Bem, eu sempre quis ter O Conde de Monte […]

  • Patrini Viero
    01 maio 2019

    Eu sou da opinião de que é impossível dissociar a obra de um autor de sua vida empírica, e por isso é tão importante pra mim, como leitora, conhecer também a pessoa do escritor antes mesmo de ler seus livros. Várias informações que tu trouxe ainda me eram desconhecidas. Já li alguns dos livros do escritor mas acredito que agora, depois de todo o conhecimento novo sobre ele, as leituras com certeza serão diferentes.

  • Luana Martins
    30 abr 2019

    Oi, Débora
    Ainda não li nada do autor, nem sei se estou com maturidade para encarar esse tipo de leitura.
    Mas gostei muito do post, pude conhecer a fundo sobre a vida de Dumas.
    Beijos

  • Fabiana Scola
    29 abr 2019

    Ao contrário de ti, estou um pouco longe do meu amadurecimento intelectual a ponto de entender a grandiosidade que é ler Verner ou Karenina, mas um dia chego lá, pois esse é também meu objetivo.
    como eu não conhecia o autor, foi tudo muito novo para mim, um post rapidinho mas que tu conseguiu resumir bem a vida de Dumas e suas partes interessantes.

  • sarah castro
    26 abr 2019

    É interessante conhecer autores mais a fundo, ainda mais de clássicos, pois acaba indagando mais a vontade de ler suas obras. No meu caro, estou para ler a muito tempo dois livros deles (disponíveis no unlimited) e saber um pouco da sua história me deu o up que faltava para colocar como leitura para os próximos meses.

  • Elizete Silva
    24 abr 2019

    Olá! É sempre muito bom ir mais a fundo na história de nossos autores favoritos, perceber que o caminho que os levaram ao reconhecimento, muitas vezes (acredito que na maioria das vezes), não foi assim tão fácil, imagino que Dumas teve que enfrentar ainda mais obstáculos em seu caminho devido a cor de sua pele, o que é ultrajante, já que isso em nada influência no seu talento.

  • Tereza Cristina Machado
    17 abr 2019

    Eu não sei se é o meu momento ainda rs! Mas também to me arriscando nos clássicos, descobrir gostar do negócio recentemente hahaha até então não tinha Dumas na minha lista, mas vou guardar a indicação … foi muito bom saber um pouquinho sobre a vida do autor.

  • Angela Cunha
    17 abr 2019

    Tomara que esta fase de ir atrás de grandes clássicos tome conta de mim, amém! Aliás, preciso de toda a oração para pegar num livro o quanto antes. Não, não é falta de vontade não. É o tempo. Essa semana tem sido uma loucura(sou envolvida em projetos na igreja e por ser uma semana especial, tenho me dedicado somente a ela) E abandonei os livros.rs com uma dorzinha no coração. Mas semana que vem, volto firme e forte!
    Quanto a Dumas, acho que ninguém sabia de fato quem foi e é este homem. Eu mesma só tinha referência dele pela Dama das Camélias(meu preferido) e O Conde(tanto livro, quanto filme)
    Por isso, fiquei fascinada em poder conhecer um pouquinho sobre a vida deste homem, que trouxe um jeito único em desenhar seus enredos.
    Beijo

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