Literaría 24jan • 2019

Vampiros e as suas representações ao redor do mundo

Leitores, eu preciso confessar que não esperava uma resposta tão positiva ao mais novo lançamento de Renée Ahdieh. Apesar de muitos de vocês ainda não conhecerem A Fúria e a Aurora, eu realmente me surpreendi com o retorno positivo que o lançamento de The Beautiful está tendo.  Quem diria que muitos de vocês estariam abertos a encarar o mundo sobrenatural novamente, não é mesmo?

Mas já que começamos a conversa sobre vampiros, que tal a gente aprofundar um pouco mais no assunto? Eu vi nos comentários que muitos de vocês adoram o universo e que até sentem falta de um livro com vampiros no centro do enredo. Mas até onde vocês conhecem os mitos e lendas que giram em torno dessa figura aterrorizante?

Este post é um convite para uma viagem ao redor do mundo para conhecer e explorar as diferentes formas que os vampiros são retratados e como cada uma das suas representações é um reflexo dos tabus e pensamentos das sociedades de cada país/época.

Drácula – Escócia e Romênia

Se você conhece o mínimo sobre vampiros, provavelmente já ouviu falar de Drácula, do autor Bram Stoker. Inclusive, a Darkside lançou duas edições maravilhosas desse livro que vale muito a pena ter na estante. Mas vamos focar nos detalhes interessantes desse personagem?

Basicamente, ele é nojento. Porém, seus dentes são tão brancos e afiados e ele tem essa aparência pálida tão irresistível que o torna perigoso. O medo criado em torno de Drácula é também, uma metáfora para a xenofobia, mais precisamente para a xenofobia orientalista, uma trope literária que transita para grande parte da cultura popular do mundo ocidental.

Fanáticos por vampiros provavelmente sabem que tudo o que sabemos em relação a vampiros na Transilvânia está relacionado ao infame Vlad, o Empalador. Ele era tão implacável em suas táticas de guerra que as pessoas acreditavam que ele deveria ser possuído pelo demônio e beber o sangue de suas vítimas. Por que é claro que as pessoas daquela época tinham uma explicação plausível para tudo, não é mesmo?

Carmilla – Irlanda

Também conhecida como uma das minhas versões favoritas quando se trata de do universo vampiresco. A maior parte das pessoas consegue reconhecer a originalidade de Drácula, mas ainda existem muitos que acreditam que Carmilla, de Joseph Le Fanu é o seu protótipo.

A base dos dois enredos é muito similar, mas a principal diferença entre eles é o gênero de Carmilla. As noivas de Dácula são descritas da mesma forma, fisicamente, mas o principal objeto de desejo de Carmilla é uma jovem mulher.

Carmilla foi publicado durante a era vitoriana, e como praticamente tudo para esse período de tempo, o vampirismo simbolizava o sexo. O lesbianismo presente em Carmilla é uma camada que aumenta seu tabu na época, reforçando alguns estereótipos de que a mulher é uma figura tendenciosa ao pecado, sempre retratadas de forma promíscua e impura e, eventualmente, destruídas por esse motivo.

Lilith – Israel

Antes mesmo de Carmilla existir, os judeus já haviam identificado Lilith como a primeira mulher de Adão – sim, aquele Adão da biblía que todo mundo conhece. Diferente de Eva, Lilith foi criada do mesmo material que Adão e a lenda diz que ela o deixou depois de se recusar a ser obediente à ele – uma fada sensata, né?

A figura de Lilith é considerada um demônio, na maior parte das vezes, uma súcubos que estupra gomens à noite, mas muitas interpretações de seu mito também dizem que ela suga o sangue de crianças. Em algumas histórias, ela chega a ser antropomórfica, com garras no lugar dos seus pés ou, às vezes, é retratada como uma mulher estéril que come crianças por ciúmes.

Independente de qual seja a versão contada, a inversão dos instintos maternais comuns é um aspecto do que torna seu horror específico – você pode até perceber uma certa semelhança entre a história de Lilith e a de Lucy, do Drácula de Bram Stoker.

A Girl Walks Home Alone At Night – Irã

A diretora iraniana Ana Lily Amirpour incorporou a ideia vampiresca em seu filme A Girl Walks Home Alone At Night, de 2014. Ao invés de se utilizar estereótipo vampiro mal, sanguinário e sozinho, Amirpour acrescentou a sua personagem a característica de vigilante para determinar a maneira como ela escolhe as suas vítimas.

Ao contrário de Drácula, porém, não temos nenhuma mitologia cristã que mantenha nossa vampira contemporânea longe. De fato, em uma sociedade aparentemente sem Deus, temos muito poucas regras para sua existência, exceto que ela só sai à noite.

Let The Right One In – Suíça

O romance Let Me In de John Ajvide Lindqvist foi adaptado para o cinema em 2006, e apresenta uma história de amor adolescente, exceto pelo fato de que um dos protagonistas é um vampiro que foi castrado quando eles foram transformados, e o outro é um valentão que exibe tendências psicopatas.

O vampiro (Eli) também manipulou um pedófilo para cometer os assassinatos em série para eles, e drenar o sangue dos corpos de suas vítimas para que Eli pudesse sobreviver. Com o atual interesse cultural por crimes reais, todos esses elementos de horror se fundem a uma narrativa verdadeiramente aterrorizante. O romance também lembra o leitor do Atlas Vampire Murderer e do Vampire of Sacramento, ambos assassinos da vida real que bebiam o sangue de suas vítimas.

Uau, foi como dar a volta ao mundo em alguns minutos, vocês não acham? A verdade é que existem milhões de folclores e culturas que retratam a figura dos vampiros de uma maneira diferente e, por mais que eu queira, a minha pesquisa não ia me permitir listar todas elas aqui.

Se você, por um acaso, conhece alguma cultura que retrata a figura dos vampiros de uma forma diferente das citadas neste post, não deixe de me contar nos comentários tá? Ah, e me conta também se vocês gostam desse tipo de post, ok?

Fonte de Pesquisa: BookRiot

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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11 Comentários

  • […] para conquistar o mundo. Em suas conquistas, Alexandre trouxe consigo historiadores e geógrafos para documentar e difundir a palavra sobre as diferentes sociedades e culturas que encontraram ao atravessar a Macedônia e a Grécia, no oeste, até a […]

  • Lara Caroline
    31 jan 2019

    Oi, tudo bem?
    Confesso que só conhecia o Dracula, mas a Lilith me interessou bastante por já ter ouvido falar dela por causa da Bíblia. Vou procurar conhecer os outros citados no post.
    Beijos

  • Luana Martins
    29 jan 2019

    Oi, Débora
    Adorei o post, pode trazer mais posts informativos com curiosidades, amo.
    Gosto muito de vampiros e fiquei viciada na série The Vampires Diaries, mas ainda não li os livros.
    Obrigada por esse post, beijos!

  • Jenn Northington
    28 jan 2019

    This post was copied in its entirety from Book Riot’s original work here: https://bookriot.com/2019/01/22/vampire-myths-from-around-the-world/. Please take this down immediately; thank you for your cooperation.

  • Alison de Jesus
    27 jan 2019

    Olá Débora!
    Esse post deve ter sido feito com muita dedicação, obrigado por todo esse conteúdo extremamente rico. Apesar de ter me deparado com esses vários “tipos” de vampiro em livros e filmes, nunca parei para refletir que cada versão possui singularidades que estão relacionadas com período histórico e aspecto cultural. Amirpour, na minha opinião, é a que mais entrega uma perspectiva do famoso ser de uma maneira única e que foge dos padrões.
    Beijos.

  • Nil Macedo
    27 jan 2019

    Sinceramente, desde a saga Crepúsculo que eu fiquei tão saturada com esse mundo vampiresco que eu não leio e nem assisto nada que tenha eles como tema. Cansei mesmo. Então essas indicações eu vou deixar passar.

  • Aline Bechi
    26 jan 2019

    Olá, tudo bom?
    Eu não sou muito ligada no mundo dos vampiros, tanto que o único que ouvi falar da lista foi Drácula (que não conheço a história, só nome mesmo).
    Porém, gostei muito da ideia do post, nos apresentar a novos vampiros/as. Adorei saber um pouco mais sobre esse mundo.

    Beijos

  • Elidiane Lima
    25 jan 2019

    Li Drácula na minha adolescência emptestado da biblioteca da escola, lembro que algumas colegas ficaram até falando “nossa, você vai ler esse livro?!” em tom de crítica, sabe?! Eu nem liguei, li e gostei bastante!
    Já tinha ouvido/lido sobre Lilith mas nunca tive interesse em conhecer mais da história… Os outros que você citou eu não conhecia.
    Ah, gostei do post sim, ficou muito legal!
    Abraços.

  • Maira Schein
    25 jan 2019

    Achei que as histórias contemporâneas tinham estragado os vampiros pra mim mas me interessei muito por essas versões mais clássicas. Já tinha ouvido falar de Drácula, é claro, mas gostei mesmo das histórias de Camilla e Lilith. Fiquei com bastante vontade de ler!

  • Angela Cunha
    24 jan 2019

    Eu fui uma das leitoras que se empolgaram com este novo trabalho voltado para vampiros. Fazia muito tempo que não via ou lia nada a respeito destes seres que sempre povoaram nossa imaginação.
    Por isso, imagina minha alegria ao ver e ler um post assim?
    Show demais! Ainda mais trazendo essa versão Escócia e Romênia!
    Lilith também sempre foi um “serzinho” que fez bonito na história fantástica destes seres!
    Vou adorar mais posts como este!
    Beijo

  • Ycaro Santana
    24 jan 2019

    Eu adorei conhecer um pouco mais sobre os vampiros ao redor do mundo, visto que não sou muito íntimo dos gêneros com esses seres. Uma informação que achei bem legal e não fazia ideia é a retratação do Drácula ser atrelada a xenofobia. Carmilla não conhecia e Lilith fada sensatíssima!

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