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O papel de parede amarelo, por Charlotte Perkins Gilman

de Charlotte Perkins Gilman
Editora: José Olympio
Ano de Publicação: 2016
Número de Páginas: 110
Código ISBN: 978-85-03-01272-0
Sinopse: Um clássico da literatura feminista pela primeira vez no Brasil Uma mulher fragilizada emocionalmente é internada, pelo próprio marido, em uma espécie de retiro terapêutico em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Por anos, desde a sua publicação, o livro foi considerado um assustador conto de terror, com diversas adaptações para o cinema, a última em 2012. No entanto, devido a trajetória da autora e a novas releitura, é hoje considerado um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade.

O papel de parede amarelo é um conto escrito por Charlotte Perkins Gilman no ano de 1892, e que foi publicado aqui no Brasil pela editora José Olympio agora, em 2016. Como o próprio livro em sua capa mostra, é um clássico da literatura feminista. A edição da José Olympio conta com apresentação de Marcia Tiburi e tem seu texto disposto em 106 páginas, contando com apresentação, o conto e um posfácio – este último escrito por Elaine R. Hedges.

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O conto narrado no livro é sobre uma mulher que sofre de depressão, problema mental. Poderia ser simples e uma história diferente, SE o enredo não se passasse no século XVIII, onde o diagnóstico – feito por seu marido e médico, inclusive – é, obviamente, histeria. Em busca de melhorias na saúde da esposa, John aluga uma casa de campo provisoriamente, onde ela poderá entrar em contato com o ar fresco e repousar, longe até da vida pública. O amor e a vontade de cuidar dela, além de sua sabedoria científica, são tão grandes que ele faz com que ela siga à risca todo o tratamento e observa atentamente todas as mudanças que este vem lhe causando. Se ela ganha ou perde peso, se parece pálida ou não.

Apesar dos cuidados do marido para que tudo esteja certo, nada parece estar controlado. Deixada em meio ao seu caos interior, com a falta de interação e do que fazer – afinal, o marido vive fora, a dar consultas-, ela acaba se entregando ao caos mental e buscando refúgio secreto na escrita de um diário, onde registra seus pensamentos e inquietações, que não param nunca: mais do que toda a casa, o papel de parede de seu quarto é horrível e intrigante, e não somente sua estética, que nem a arte poderia explicar. Os pedaços esfolados do papel começam a tirá-la do sério e a deixam desesperada por uma saída daquela situação e, não satisfeita em apenas se sentir incomodada, ela decide entender o papel de parede e buscar libertação daquela mulher ali descoberta.

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Curiosamente, o conto é baseado em fatos reais: Charlotte Perkins, mulher muito ativa, que produzia muitos textos e era bastante militante na época, entrou em depressão ao se casar e descobrir que aquela vida só lhe permitiria cuidar dos muitos filhos que teria, pois esse era seu papel enquanto mulher dentro do casamento. Foi enviada por seu marido a um especialista em nervos e submetida a um tratamento completamente paternalista, bem como a personagem principal de O papel de parede amarelo. Cinco anos depois do ocorrido, surgiu o conto.

Sinceramente? Eu amo esse conto. Tive a oportunidade de lê-lo pela primeira vez no ano passado ou retrasado, se não me engano e, quando a Débora me ofereceu para resenha e eu pude ler novamente, fiquei empolgada. A história é bem escrita e você quase consegue sentir e ver o que passa pela cabeça da personagem principal. O viés histórico por trás, e tão explícito, é um convite para buscar mais leituras que ilustrem não apenas o papel da mulher em épocas diversas ou passadas, mas também nos convida a fazermos mais leituras que venham do ponto de vista feminino, escrito pelas próprias mulheres. Recomendo bastante a leitura e espero que gostem, e se não gostarem, a vida tem disso. E você, já leu? O que achou?

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Rafaela Rodrigues

Formada em Letras Port/Inglês/Literaturas, viciada em livros, textos e séries, clichê de sempre. É prima (bem) distante da Beyoncé e um dia vai ser dona de uma editora e lançar todas as continuações dos livros que gosta, mas que nem os próprios autores quiseram escrever.

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