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Fragmentados por Neal Shusterman

Fragmentados é um livro distópico com bastante suspense, escrito por Neal Shusterman e publicado pela editora Novo Conceito. O livro traz a história de três jovens com vidas completamente diferentes, mas com o mesmo destino: a fragmentação. Na esperança de não terem seus corpos reduzidos a pedaços que serão distribuídos por aí, os jovens acabam fugindo por motivos e de formas diferentes, assim como acabam se encontrando em meio a todo esse trajeto em busca da sobrevivência.

Fragmentados

Temos a oportunidade de acompanhar a emocionante fuga de Connor, um fragmentário destinado ao campo de colheita por conta de seu comportamento estouradinho e trabalhoso para os pais; Risa, uma tutelada do Estado que, de repente, não é mais problema deles e, por conta da superlotação das Casas Estaduais, é mandada para a fragmentação e Lev, um dízimo: ao contrário dos dois futuros companheiros de “viagem”, não vê seu destino como algo ruim, já que foi preparado a vida inteira para esse grandioso ato de altruísmo em prol da religião que segue.

A narrativa utilizada por Neal é bem interessante: contínua, entretanto, a narração é feita por diversos personagens, a cada troca de capítulo e isso não prejudica em nada a leitura. Pelo contrário, além de nos permitir um contato maior e mais íntimo com cada personagem, nos deixa ver os acontecimentos pelos olhos deles e, consequentemente, tentar E conseguir com sucesso entender suas ações a partir disso. Você acaba conseguindo capturar as sensações certas durante as cenas certas e entrando facilmente no clima do livro.

  Você não pode mudar as leis sem antes mudar a natureza humana.

-ENFERMEIRA GRETA

Você não pode mudar a natureza humana sem antes mudar a lei.

– ENFERMEIRA YVONNE

Nem sempre os personagens a narrar ou o ponto de vista em questão é de um dos três personagens principais, assim como nem sempre é tudo sobre eles: novos personagens “chave” vão sendo incorporados à história ao longo desta, mas não há com o que se preocupar: o autor faz essas transições com louvor, como dito anteriormente, e não deixa a desejar quanto às apresentações desses personagens “novatos”.

A respeito dos personagens, começo falando sobre os três principais, que são quem dão início a todo o enredo. Connor é um jovem estouradinho de dezesseis anos, com notas baixas na escola, acostumado em agir antes de pensar e, por conta disso, se envolver em brigas; descobre que será fragmentado antes de os pais contarem, o que o deixa raivoso, mas também dá a chance de planejar uma fuga com Ariana, sua namorada. O que ele não inclui no plano é o fato de que ela não vai com ele, ao contrário do que prometeu.

Risa é uma tutelada do Estado, desde sempre. Tem comportamento exemplar, tira notas boas, tem um grande talento para música, mas nada disso é suficiente para mantê-la longe da fragmentação. Aos treze anos, o Estado não a considera mais um problema de sua alçada e não se vê mais obrigado a gastar dinheiro com ela, portanto, é óbvio o destino que a aguarda. Sensata e responsável, ela segue seu destino sem acreditar que o mesmo preparou uma chance de fuga disfarçada de acidente de trânsito.

Fragmentados

Lev, ao contrário dos dois, é um dízimo. Tudo o que ele quer é se divertir em sua festa do dízimo, que é toda sua, toda para si. Uma festa grande, planejada nos mínimos detalhes. Ele sente orgulho em ser o que é, em ser oferecido: é o décimo filho da família, um verdadeiro dízimo! Ao menos é o que ele pensava até encontrar Risa e Connor, durante um terrível tumulto causado no momento em que está indo para a colheita, ser fragmentado.

É incrível como, no decorrer do livro, vemos o amadurecimento dos personagens. Connor, por exemplo, aprende a pensar, contar até dez antes de agir e até a ser calculista. Risa aprende a se a proximar das pessoas, baixar um pouco a guarda. O mais difícil é Lev, mas até ele tem sua chance de crescer por dentro, por conta de sua aventura com Cy-Fi.

Fragmentados

Cy-Fi é um menino que ele encontra no período em que não está mais com Risa e Connor, que busca algo que nem ele mesmo sabe, num lugar aonde ele nunca pisou e não sabe porque quer ir. Ou talvez saiba. É um garoto com tudo para ser perfeito, o filho perfeito, com resquícios de sua “ancestralidade”. Assim como ele, temos outros personagens que marcam, como o Almirante, que cuida do Cemitério (cenário muito importante mais pro final do livro) e Roland, aquele personagem brutamontes que nós vamos amar odiar.

Fragmentados é um livro envolvente que, uma vez no embalo, é difícil parar de ler. Daqueles livros que fazem com que o coração dispare na boca, e com que os olhos corram pelas páginas em desespero por mais. É uma trama boa, que me conquistou, de início, aos poucos: uma hora eu tinha lá minhas dúvidas, mas quando percebi o que tinha em mãos…não conseguia largar.

A Lei da Vida declara que a vida humana não pode ser tocada desde o momento da concepção até que a criança chegue à idade de 13 anos. No entanto, entre os 13 e os 18 anos, a mãe ou o pai pode escolher “abortar” retroativamente uma criança…”

É a primeira distopia que leio há um tempinho, então me fez perceber como eu senti falta do gênero. Eu também não conhecia o trabalho do Neal e fiquei totalmente encantada pelo enredo, de verdade: como assim, gente!!! Odeio dizer isso, porque eu gosto de livros filhos-únicos, mas eu queria que Fragmentados fosse uma série, ou que o Neal saísse por aí lançando livros parecidos com tramas arrasadoras do tipo. Vocês conhecem algum outro do tipo pra indicar?

 

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Rafaela Rodrigues

Formada em Letras Port/Inglês/Literaturas, viciada em livros, textos e séries, clichê de sempre. É prima (bem) distante da Beyoncé e um dia vai ser dona de uma editora e lançar todas as continuações dos livros que gosta, mas que nem os próprios autores quiseram escrever.

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  1. poxa, deve ser um livro foda… peguei ele pra resenhar e espero me surpreender, mas a premissa dele me deixou intrigada e com a tua resenha percebo que ele tem elementos importantes, que vão me satisfazer com a leitura…
    bjs

  2. Oi!
    Adoro distopias e essa, apesar da capa horrível, me atrai bastante.
    Gostei da sua resenha, conseguiu esclarecer um pouco mais as coisas para mim.

    Beijos

  3. Eu estou louca para ler esse livro, por todas as resenhas que tenho visto (gostei da sua!), a história parece óoootima! Ah, se não me engano, parece que tem mais livros da autora com esse tema, acho que vi em algum blog.

  4. Já vi muitas resenhas desse livro e apesar de ser um gênero que eu não curto, sua resenha ficou muito boa
    Bjs
    Myself here

  5. O Neil tem outros livros que se passam nesse mesmo cenário Rafa! Agora é torcer pra que a Novo Conceito traga pro brasil! 😀
    Eu ameeei esse livro, foi a melhor distopia que li até agora.
    Beijos

  6. Oii!

    Já vi várias resenhas desse livro e a cada resenha só fico com mais e mais vontade de ler! A capa é linda e a promissa é muito boa ^^ Já anotei a dica 🙂
    Parabéns pela resenha!

    Beijos, Kamila
    http://www.vicio-de-leitura.com