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Seraf e os Artefatos Místicos, por Gabriel Edgar

Seraf e os Artefatos Místicos – Controlador de Mentes é um livro é o primeiro livro de uma série de fantasia infanto juvenil, do autor brasileiro Gabriel Edgar.  Lançando inicialmente em 2013, de forma independente, o livro foi relançado em 2015 pela Editora Giostri.

O livro conta a história de Seraf, um jovem de 15 anos, órfão de mãe que vive com seu pai John, em um reino que anos atrás, foi marcado pela guerra, entre o rei Mark e um de seus maiores inimigos, o temido Spardian. Na noite do seu aniversário, Seraf e outros habitantes do reino encontram um corpo nos arredores do castelo, e junto desse corpo, uma mensagem: Spardian está voltando.

Motivado pelo eminente perigo, Seraf decide se tornar um Monge Guerreiro, um dos defensores do reino, e inicia o seu treinamento, tendo como mentor o Monge Hako. Após alguns meses de treinamento, Seraf e Hako partem em uma missão atrás dos rastros do perigoso Spardian, afim de botar um fim definitivo à guerra antes que ela comece.

Seraf e os Artefatos Místicos

Quem já leu os meus posts aqui no blog sabe que eu sou muito fã de literatura fantástica e que eu tento sempre apoiar autores nacionais que escrevem nesse gênero. Então, eu não exitei em pegar esse livro pra resenhar. Infelizmente, ele acabou me decepcionando bastante.

Em primeiro lugar, eu não tenho paciência pra histórias estilo “O Escolhido”, sabe? Quando o livro passa o tempo todo lembrando o quanto o personagem é especial, talentoso, incrível, etc, sem mérito nenhum do personagem. E foi isso que aconteceu com Seraf. Desde o início, antes de ele começar o treinamento, ele já é bastante habilidoso no que se trata de luta e magia. Em um ponto do livro ele até fala que os feitiços aparecem na mente dele sozinhos. Pra mim esse tipo de personagem não tem graça. O legal é ver ele evoluindo e ficando mais forte ao longo da história, e se ele já começa o enredo sendo ótimo, ele não tem como amadurecer.

Em segundo lugar, a narração do livro é muito confusa. O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista de Seraf. Mas em diversos momentos ao logo do livro, ele narra coisas que acontecem quando ele não está presente. Em um ponto, ele literalmente desmaia e continua contando a história como se nada tivesse acontecido. Assim não dá, gente!

Seraf e os Artefatos Místicos

Mas o maior problema que eu tive com o livro é o fato de que a narrativa é muito superficial. Com a exceção de apenas um momento em que Hako conta um pouco sobre seu passado, nos é relevado muito praticamente nada sobre os personagens, e chegando no final do livro, eu tive a sensação de não conhecer nenhum deles. Isso dificulta muito o meu aproveitamento da história, pois eu não consigo me conectar com personagens que eu não conheço.

Além disso, o pouco que é revelado sobre os personagens não é consistente. No início do livro, é afirmado que Seraf e seu pai tem um bom relacionamento. Mas depois que ele inicia a jornada com Hako, ele nunca mais menciona o pai dele. Se eles são próximos, ele deveria pelo menos sentir falta do pai dele em algum momento, né???

Além disso, a mitologia do livro é muito pouco explorada. Nunca é explicado qual é a motivação de Spartian para querer acabar com o rei Mark, ou de onde vem os poderes mágicos que os Monges possuem, ou diversas outras coisas. Fantasia é um gênero difícil de escrever porque tudo tem que ser pensado nos mínimos detalhes, e todos esses detalhes tem que ser transmitidos para o leitor. Infelizmente, nesse quesito, esse livro falhou feio.

Seraf e os Artefatos Místicos

É realmente uma pena, pois o que eu mais quero do mercado editorial nacional são mais livros de fantasia. Mas, esses livros precisam sem escritos e revisados com mais atenção e cuidado. De acordo com o site do autor, ele escreveu esse livro quando tinha dezesseis anos, e isso fica bem obvio na leitura, e a melhor palavra pra descrever o livro é amador.

Mas, como a gente sempre diz aqui no blog, a minha percepção do livro pode ser totalmente diferente da sua. Então, se a sinopse levantou o seu interesse, não deixe de conferir o livro, e de deixar a sua opinião aqui nos comentários.

 

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  1. credo, essa do desmaio foi lasca :s
    detesto esses erros na narrativa que não dão pra engolir… com tantos defeitos, me deixa passar longe mesmo do livro… xD

  2. Poxa Vinicius, quando você começou a falar do livro eu jurei que ele deveria ser bom, mas que pensa não ser bem assim. Uma história de fantasia para ser boa, ela deve ter uma explicação para tudo e se tiver buracos no meio da narrativa, blergh…

    umreinomuitodistante.blogspot.com.br

  3. Uma pena. Eu adoro infanto-juvenil. Se é nacional ainda, mais um motivo para eu querer ler! Mas algo que um livro precisa ser é coerente. Concordo com a Nilda quando ela disse que alguns autores estão querendo correr para publicar suas obras. O mercado editorial não vai fechar, então não precisa dessa correria toda. Como eu disse no início… uma pena. 🙁

  4. Francine Porfirio comentou:

    Olá! Infelizmente, a sua experiência negativa – em minha opinião – revela apenas a falta de um bom revisor. Nenhum revisor que realmente se preze deixaria passar esses elementos. Digo isso porque sou revisora e faço uma análise crítica aos autores que me contratam. Reviso cada obra duas vezes. Acho que é extremamente importante ao revisor acompanhar os ajustes feitos no texto. Nesse caso, a obra ganharia muito se o autor mudasse a narrativa para terceira pessoa – o que ainda não seria suficiente para atender a todas essas fragilidades. :/ Parabéns pela sinceridade.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

  5. Olá,
    Na sua resenha sobre o livro, acho que o que mais me decepcionou foi o ponto de vista confuso, isso me desanima completamente em uma leitura. Sobre ele ser o escolhido, nem vejo tanto problema, contanto que seja justificado, mas no momento passaria.