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Susan não quer saber do amor, de Sarah Haywood

de Sarah Haywood
Título Original: The Cactus
Gênero do Livro: Ficção, Romance, Contemporâneo
Editora: Intrínseca
Ano de Publicação: 2021
Número de Páginas: 336
Código ISBN: 9786555601664
Sinopse: Nesta estreia charmosa e comovente, a jornada não convencional de uma mulher para encontrar o amor significa aprender a abraçar o inesperado. Para Susan Green, emoções confusas não se encaixam na equação de sua vida perfeitamente ordenada. Ela tem um apartamento que é ideal para um, um trabalho que combina com sua paixão pela lógica e um "arranjo interpessoal" que oferece benefícios culturais e outros mais íntimos. Mas, de repente, confrontada com a perda de sua mãe e a notícia de que ela está prestes a se tornar mãe, o maior medo de Susan se concretiza. Ela está perdendo o controle. Então conhecemos Rob, o duvidoso, mas bem-intencionado amigo de seu irmão indolente. Conforme a data de parto de Susan se aproxima e seu mundo vira ainda mais de pernas para o ar, Susan encontra um aliado improvável em Rob. Ela pode ter a chance de encontrar o amor verdadeiro e aprender a amar a si mesma, se ao menos ela puder descobrir como deixar ir.

resenha-susan-nao-quer-saber-do-amor-de-sarah-haywoodAté onde é aceitável sentirmos odeio de um personagem?

Eu vejo as opiniões de Susan não quer saber do amor serem muito divididas. Enquanto uns colocam a personagem em um pedestal, outros abominam o seu comportamento do começo ao fim do livro. 

Sendo bem sincera: eu faço parte do segundo grupo.

A escrita de Sarah Haywood é brilhante, mas peca na construção da conexão da nossa protagonista com os leitores. Com uma personalidade amarga, somos apresentados a uma mulher quarenta e poucos anos que consegue azedar absolutamente tudo o que toca.

A pior protagonista que eu já vi

Susan não é apenas uma protagonista mal educada e que se julga dona da verdade, ela também consegue ser esnobe e egoísta. O pacote completo de tudo o que eu odeio em uma pessoa da vida real e, mais ainda, em uma protagonista.

Ao longo enredo acompanhamos Susan fazer da vida do irmão mais novo um verdadeiro inferno, simplesmente porque ela acredita que a mãe seria incapaz de deixar a casa onde ela morou para que o filho usasse por tempo indeterminado.

É assim que acompanhamos uma série de tentativas de questionar o testamento e agredir verbalmente o irmão, simplesmente porque a nossa protagonista não acha o estilo de vida que o irmão leva a adequado o suficiente para “uma pessoa de respeito”.

Em nenhum momento vemos Susan ter empatia com o irmão que, assim como ela, também acabou de perder a mãe. Outro pronto é que ela também não reconhece que foi o irmão que cuidou de sua mãe nos últimos anos de vida dela sendo, também, a pessoa que a encontrou morta dentro do quarto.

Queria ter palavras o suficiente no meu vocabulário para descrever o quanto o comportamento da Susan ao longo do livro me embrulhou o estômago e me fez querer queimar esse livro, mas não há. Simplesmente Não há.

A escrita não é ruim, mas a protagonista é

Eu realmente não entendo como a escrita maravilhosa da Sarah Haywood foi gasta escrevendo uma protagonista tão detestável. 

Os diálogos de Susan não quer saber do amor são bem desenvolvidos e a autora consegue desenvolver bem os conflitos da nossa protagonista com os personagens secundários da trata,

O único problema é que a Susan é tão absurdamente detestável que, mesmo quando ela está tentando fazer algo de bom para aliviar um pouco do caos que ela mesmo causou, o leitor já está exausto de tanto ódio e, simplesmente, não consegue se importar.

Eu realmente não sei se o objetivo da Sarah Haywood era dividir opinões sobre a protagonista, mas mesmo depois que o desfecho do livro acontece e as coisas seguem o seu rumo, eu não consegui acreditar, nem por um momento, que Susan cresceu e aprendeu com os seus erros. 

No fim, para mim, ela segue sendo uma pessoa absurdamente detestável.

Você consegue amar os personagens secundários

Particularmente, o irmão da Susan é o melhor personagem desse livro. Enquanto a nossa protagonista é uma mulher insuportável de se conviver, o irmão dela — apesar de imperfeito — consegue enxergar a vida com um olhar mais leve, se permitindo levar o próprio tempo para se encontrar.

Enquanto Susan o descrevia, basicamente, como um vagabundo, eu enxergava um personagem que estava buscando a sua paixão e, assim como qualquer pessoa meio perdida na vida, ainda precisava de algum suporte.

A vizinha de Susan foi outra personagem que eu gostei bastante. Os debates sobre o que realmente é o feminismo me conquistaram, principalmente quando ela conseguia mostrar para Susan que a sua visão de mulher independente estava completamente equivocada — o que, convenhamos, acontece muito dentro da própria luta.

Eu dei graças à deus que esse livro acabou

Palavras não são o suficiente para eu descrever o alívio que eu senti quando cheguei na última página desse livro. Sendo honesta, se eu não estivesse tão comprometida com o meu vídeo sobre os favoritos do canal Palavras Radioativas, eu tinha deixado esse livro pela metade ou, provavelmente, queimado na primeira oportunidade.

Meu único e maior problema com Susan não quer saber do amor é a própria Susan. Eu nunca pensei que pudesse conhecer uma personagem tão detestável que, se recusasse a ficar com uma pessoa simplesmente porque acreditava que eles não estavam “no mesmo nível”, se colocando em um pedestal.

Eu realmente espero que o objetivo da Sarah Haywood seja fazer com que odiemos a Susan com todas as forças, caso ao contrário, esse livro é a penas uma péssima escolha.

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Débora Costa

Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

Deixe seu comentário

  1. Michelle Lins de Lemos comentou:

    Susan divide opiniões mesmo.
    Saberei de qual grupo sereri no mês que vem

  2. Angela Cunha Gabriel comentou:

    Que situação chata rs
    Eu já estava sabendo que o livro estava dividindo opiniões desde que Susan deu as caras e sim, se abominamos pessoas assim na vida real, imagina em um livro? Onde a gente pode simplesmente fechar e não a ler.
    Eu não sei se sinto vontade ler, ao mesmo tempo, que quero ler.
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na flor

  3. Ariela comentou:

    Esse livro é bem 8 ou 80 mesmo, muito destestam e outros ja aceitam a susan.
    hahah eu acho isso engraçado e de qualquer forma é como a literatura é feita, bem subjetiva tb pra quem ler.
    ainda nao li o livro, mas tenho vontade de conhecer a historia.
    Eu espero que gostei do livro qdo tiver a oportunidade de ler.

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