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Zac e Mia, por A.J. Betts

Escrito pela escritora australiana A.J.Betts, Zac e Mia é um romance bem realista, com pitadas bem administradas de drama, publicado aqui no Brasil pela Novo Conceito. O livro possui 288 páginas, é dividido em quatro partes e sua narração é revezada por ambos os personagens principais que, inclusive, nomeiam a obra. São eles Zac, um garoto de 17 anos que já passou e ainda passa por um longo e esgotante tratamento contra a leucemia, e Mia, uma portadora de osteorssarcoma da mesma idade, porém com um nível de aceitação bem diferente em relação à doença que possui.

Tudo começa quando Zac ganha uma nova vizinha de quarto no hospital e, até aí, nada novo sob o sol. O único problema é a Lady Gaga em volume exorbitante, que acaba servindo como pretexto para que ambos comecem a se comunicar, inicialmente por meio de batidas. Toc, toc, toc: não era Morse, não tinha significado; mas significou o começo da amizade entre um ótimo esportista, viciado em buscar estatísticas e depoimentos de portadores de câncer no Google e uma garota revoltada, que vive das aparências típicas da vida de uma adolescente popular, bonita e com um namorado digno de tais aparências.

Zac e Mia

Nas quatro partes em que o livro é dividido, vemos o desenrolar dessa história. Passamos pela relação de Zac (Helga, para os mais íntimos) com o hospital, local que já está tão acostumado a habitar, por conta das diversas sessões de quimioterapia e quarentenas; com as enfermeiras, sendo Nina, a enfermeira dos prendedores infantis, a mais presente em sua rotina, e com outros pacientes mais jovens, como Cam, o surfista – já que não é um hospital infantil e Zac é o paciente mais jovem em tratamento. Temos contato com a rotina da mãe de Zac, sua acompanhante diária e que “não larga o osso” nem quando o próprio filho a “expulsa”, que vive na base do chá, bolinhos e palavras cruzadas.

Conhecemos Mia um pouco mais a fundo, assim como seu relacionamento conturbado com sua mãe e sua vida de fachada cheia de amigos incontáveis e likes no Facebook, eventos em que ela nunca está presente e mentiras sobre sua perna que sempre está dolorida, nunca com um câncer localizado.

Zac e Mia

Zac e Mia é o tipo de livro que pode ser facilmente comparado com A Culpa é das Estrelas – e eu juro que comparei quando li a sinopse. Não só comparei, mas também pensei que seria um daqueles sick-lits dramáticos e enjoativos que me fariam chorar ou achar o drama exagerado. Se eu estava erradinha? Mas é claro que estava, pois Zac & Mia pode até se encaixar na mesma categoria de A Culpa é das Estrelas, mas é completamente diferente. A começar pelo desenvolvimento da relação entre os personagens, que acontece em seu próprio tempo, sem empurrõezinhos da parte da autora com o intuito de correr com o enredo e entregar cenas de romance para o leitor.

A narrativa é espontânea, o que não significa que a autora deixa de lado tudo o que precisa ser dito, ou mesmo as palavras que podem facilmente conferir uma carga extra de drama, e a melhor parte é que ela as aplica com sabedoria. Pois é, meus amigos.

Zac e Mia

Os personagens são bem construídos, assim como seus relacionamentos. A relação de Zac com sua família é incrível, e é fácil perceber que nenhum laço, nenhum personagem nesse núcleo é forçado. É legal ver a dinâmica entre os pais dele, seu irmão mais velho Evan e sua irmã mais velha Bec, casada e grávida, e seu dia-a-dia em uma fazenda com mini-zoo e oliveiras. Da mesma forma, é maravilhosa a construção do vínculo entre Mia Phillips e sua mãe, que passa, do nada para, de pouco a pouco, algo bem melhor que isso e, se eu der qualquer informação a mais sobre essa parte, será spoiler.

Zac e Mia

Também gostaria de citar a forma com que a autora lida com o tema morte, num livro que fala sobre câncer e tudo mais. Não, ela não usa esses itens de forma melosa e abusiva, falando disso o tempo todo e utilizando como argumento para que os personagens sejam chatos e mimizentos, o que eles não são, definitivamente.

Enfim, Zac eMia é um livro que eu recomendo bastante, tanto por ser bem escrito, planejado e executado, quanto por ter mexido bastante comigo, que sou bem envolvida no universo oncológico, de forma positiva e nada piegas. Recomendo para quem procura um drama ou romance – ou mix entre os dois – com certo realismo, mas na medida certa. Aquele pézinho na realidade e cabeça nas nuvens, sabe?! Enfim, leiam, mas preparem seus lencinhos e não se esqueçam de voltar aqui para que me contem o que acharam da leitura (talvez a gente se abrace por causa do final, hoho). Não é uma história isenta da possibilidade de algumas lágrimas caírem, fica a dica.

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Rafaela Rodrigues

Formada em Letras Port/Inglês/Literaturas, viciada em livros, textos e séries, clichê de sempre. É prima (bem) distante da Beyoncé e um dia vai ser dona de uma editora e lançar todas as continuações dos livros que gosta, mas que nem os próprios autores quiseram escrever.

Deixe seu comentário

  1. Olá!
    Essa será uma das próximas leituras e pelo que li na sua resenha, é uma leitura que tem tudo para me agradar. Fiquei curiosa para conhecer a história de Zac & Mia e ver como a autora desenvolveu o enredo.
    Beijos.

    Li
    Literalizando Sonhos

  2. Francine Porfirio comentou:

    Oi, flor!
    Confesso que não dava nada para esse livro, mas não sabia do teor do seu enredo. Gostei muito de saber que é um sick-lit de qualidade, que traz um casal protagonista que mantém o humor da história, mas ao mesmo tempo sem perder o drama da situação. Enfim, seus elogios à obra me ganharam.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

  3. então pela sua resenha eu daria chance ao livro, só por não ser mega dramático e com excesso de cenas de romance chato.

  4. Oi Rafaela, eu estou com esse livro na minha estante para ler mas não tive tempo ainda, confesso que estou super curiosa e ansiosa por ele, parece ter uma história emocionante e que mexe com o leitor, não vejo a hora de lê-lo!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

  5. eu meio que já tô saturada de livros do gênero, então quando vi os lançamentos não quis escolher Zac&Mia… ok que ele pode ter um diferencial de ACEDE [que já não me emocionou], mas não me senti animada pra ler mais um sick-lit…

  6. Olá; ótima resenha.
    Eu já li “A culpa é das estrelas” e “Uma canção para Jack”, dois livros que também tinham um casal de jovens com câncer, por isso, não tenho vontade de ler “Zac e Mia”, é como se eu pegasse o livro já sabendo o final (e sabendo que eu não ia ficar feliz no final), e por mais que a narrativa e os personagens fossem interessantes, não seria algo que busco no momento.

  7. Rafaela, eu bem tenho os dois pés atrás com livros assim desde A culpa é das estrelas.
    Afinal não me encantei muito pelo mesmo, mas você já é a segunda pessoa que fala muito bem do livro e sobre as lágrimas.
    Acho que posso vir a dar uma chance.

    Lisossomos

  8. Oi! Tudo bem?

    Eu confesso que não tinha muito interesse em ler esse livro. Não sou muito fã de sick-lits e, como você mesma disse, a comparação com ACEDE é inevitável. Porém, essa foi a resenha mais bem detalhada que li sobre a obra e é claro que não posso deixar de dizer alguns pontos que talvez aguçaram minha curiosidade: a maneira como a autora lidou com a morte, a narrativa espontânea e os personagens bem construídos.

    Beijos.

  9. Oii!

    Já li muitas resenhas desse livro e todas são maravilhosas que falam tão bem da história ^^ Com certeza irei ler em breve 🙂 Sou uma manteiga derretida para ler esse livros e claro que vou chorar kkk

    Beijos, Amanda *–*
    http://www.vicio-de-leitura.com