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Uma História de Amor e TOC, por Corey Ann Haydu

Uma História de Amor e TOC é um sick-lit escrito pela autora Corey Ann Haydu e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. Este é o primeiro livro da autora publicado no Brasil, também sendo o seu livro de estreia.

Depois de um término de namoro conturbado, Bea começou a fazer visitas frequentes a Dra. Pat para tratar de seus problemas de compulsão. Quando tem crises de ansiedade, Bea sente a necessidade de se preencher de informações sobre outras pessoas, observando-as e também anotando-as em um caderno particular. É exatamente isso que acontece em relação a Austin, um paciente de sua psicóloga que Bea tem uma profunda obsessão. Ela procura saber o máximo sobre ele e a esposa através de suas sessões com a Dra. Pat e anota tudo em um pequeno caderno.

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Quando começa a frequentar um grupo de apoio, Bea acaba se aproximando de Beck, um jovem da mesma idade que ela que também sofre de TOC. Ao contrário de Bea, Beck tem compulsão por malhar e limpeza, lavando as mãos sempre 8 vezes, durante 8 minutos e por aí vai. Ao se envolver cada vez mais com o garoto, Bea começa a se apaixonar, mas seria essa paixão o suficiente para fazê-la parar com suas compulsões e deixar Austin para trás?! Será que Beck seria capaz de entender o seu TOC?!

O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Bea. Passamos todos os capítulos do livro imergindo nas suas compulsões e conhecendo melhor o que causa toda a sua ansiedade. Por um lado, achei essa escolha de narrativa perfeita para a história. Acompanhar Bea desde o começo do livro me fez entender o que a deixava nervosa, de onde vinha sua ansiedade e porque ela tinha aquela necessidade absurda de ver Austin ou de reler suas anotações sobre ele.

“Acho que para algumas meninas se apaixonar é uma espécie de fraqueza, uma vontade de desistir de todo o resto. Mas pra mim, na minha forma e corpo e coração, se apaixonar é o oposto. É a coisa mais forte que já fiz.”

Porém, apesar da narrativa ter valorizado a história, o desenvolvimento do enredo me incomodou um pouco. Tudo acontece em um ritmo lento e os personagens se desenvolvem muito pouco ao longo da história. Apesar do curto espaço de tempo em que se passa a história, a autora vai deixando algumas informações sobre a personagem para o final, o que faz com que a gente demore um pouco para entender os fins de muita coisa que acontece no livro.

Particularmente, eu gostei muito dos personagens. Tenho pra mim que Bea é desafiadora, tanto para quem está lendo, quanto para os outros personagens do livro. Apesar de ter consciência de suas compulsões, ela parece ter medo de admitir para si mesma que precisa de ajuda, que precisa melhorar e que o tipo de compulsão que ela tem não é seguro para ela, nem para as outras pessoas.

Amor e TOC_01

Em alguns pontos do livro, isso me deixou um pouco incomodada. Durante vários capítulos, quando eu pensei que ela ia ter ao menos uma pequena evolução, ela sempre voltava para a estaca zero sem nem ao menos tentar ou se esforçar, e isso me fazia questionar se em algum ponto da história ela se daria conta do que estava fazendo.

Um personagem que gostei muito foi Beck, e queria demais me aprofundar nele dentro da história. Sua compulsão era complicada. Ele tinha necessidade malhar, então seu corpo acabava sendo igual a de um fisiculturista. Ele chamava a atenção na rua por causa do seu tamanho e a sua necessidade de sempre se manter na regra do oito. Achei que a compulsão dele, de todas apresentadas durante a história, era a mais interessante, e foi uma pena que a autora não tivesse explorado isso ao máximo.

“É uma pergunta que tenho me feito também, mas ninguém jamais a fez em voz alta. Nem mesmo a Dra. Pat. Acho que quando você tem esse rótulo de TOC as pessoas param de perguntar sobre os seus motivos, uma vez que tudo o que você faz é por causa do transtorno.”

Outros elementos complementam bem a história, dando um pouco mais de realidade ao enredo. Quando Bea compartilha alguns de seus sentimentos com a sua melhor amiga, Lisha, eu realmente fico me perguntando se a amiga tem consciência do que esta realmente acontecendo, ou se por ser amiga, ela se encontra em total estado de negação durante a história. É algo que acontece muito com pacientes reais de TOC. Às vezes você incentiva o paciente a agir de uma maneira para que ele se sinta bem, sem nem ao menos perceber que está só piorando a situação.

Ler Uma História de Amor e TOC me deixou completamente paranoica em relação ao assunto. Imergi tanto nas compulsões da Bea que não consigo evitar de policiar a minha própria ansiedade. E acho que esse era o objetivo da autora, certo? Ela criou um enredo que, sem você perceber, vai te dando toda a experiência de uma pessoa que sofre de TOC e faz com que a gente seja capaz de sentir toda a angústia e o desespero que eles sentem na vida real.

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Por essa experiência posso dizer que o livro teve a sua “missão cumprida”, principalmente por acabar com o mito de que TOC está relacionado apenas a síndrome de limpeza, quando na verdade existe todo o tipo de compulsão que precisa ser tratada e que passam despercebidas aos nossos olhos por falta de conhecimento.

É uma leitura intensa, que vai te deixar com uma tremenda falta de ar em alguns trechos, mas que realmente vale a pena como experiência. Mudei completamente a minha visão sobre o que é TOC depois dessa leitura, e recomendo demais para qualquer leitor que esteja preparado para mergulhar na cabeça de personagens que características envolventes e intensas.

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Débora Costa

Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

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  1. Leticia comentou:

    Oi Debora…
    Deve ser angustiante mesmo ler e acompanhar esse transtorno da personagem. Acho que é a primeira resenha que vejo do livro, e gostei, apesar dos pontos negativos que você citou. Eu ainda quero muito ler este livro, pois me interessei muito pela história.
    Ótima resenha.

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

  2. Oi Débora.
    Já vi muitas resenhas sobre esse livro, mas essa é a primeira que eu realmente leio.
    Acho que eu pensava que a história fosse algo completamente diferente, então não me interessava. Mas depois da sua resenha fiquei curiosa, até por que é um assunto que é pouco falado e acaba que pessoas próximas a nós tem essas compulsões e nem imaginamos, Seria muito interessante ler esse livro, pelo menos para mim.
    Parabéns pela ótima resenha flor.

    Beijos
    http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br/

  3. Silvana comentou:

    Achei bastante interessante a sua resenha sobre esse livro, porque eu não sabia muito o que esperar dele sabe? Eu fiquei meia assim quando eu vi ele no meio dos lançamentos da galera record, mas vi que é um livro muito bacana para quem sofre desse problema de TOC e também uma maneira de refletir sobre certas coisas. Gostei bastante da história porque me lembrei da minha prima que tinha esse problema. Acho que ela ia gostar de ler esse livro, não sei, mas é uma opçào pelo menos. Parabéns pela sua resenha =]

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/04/tag-10-livros-marcantes.html

  4. Oláá
    Que bom que gostou da leitura, eu recebi o livro da editora e adorei o presente, não vejo a hora de ler e espero amar a leitura, de verdade, essa capa é linda linda, sua resenha ficou ótima e amei as fotinhos.

    http://realityofbooks.blogspot.com.br/
    Beijos

  5. Elder comentou:

    Eu acabei de ler uma resenha sobre o mesmo livro e fiquei empolgado pois gosto de sick-lit, mas também depois da sua resenha cheguei a conclusão que não gosto de personagens que não evoluem e continuam na estaca zero – nem de gente assim do meu lado eu gosto.

    Eu gostei do fato de o livro derrubar o esteriótipo de que TOC é ser maníaco da limpeza, isso é bom pra curar ignorância. O livro é lançamento, certo? Eu acho que vou ler a obra e resenhar lá no blog =)

  6. Driely Meira comentou:

    Oiee ^^
    Já tinha visto alguns blogueiros falando sobre esse livro, mas sabe que eu não tinha nem visto a capa dele? Fiquei muuito curiosa depois da sua resenha, acho que, em 2 anos em que sou blogueira, é o primeiro livro que vejo onde o protagonista tem TOC. Parece ser muito interessante. Uma pena que o desenvolvimento seja um pouco lento, mas ainda assim, quero muito ler. Adorei a capa ♥
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

  7. Joyce comentou:

    Oi Débora!
    Esse livro foi tão bem divulgado que fiquei muito interessada.
    Não sabia que existia sick-lit, estou totalmente desinformada kkk
    Gostei bastante do tema, pois já fiz uma leitura com uma narradora com TOC, e é bem agoniante ler. O que me deixou com receio é a leitura lenta e o não desenvolvimento dos personagens que você citou :/
    Quem sabe um dia eu dou uma chance né?

    Adorei a resenha,
    Beijos!

  8. Oii!
    Gente, adorei o nome do seu blog. Li ontem Anna e o beijo francês, e me lembrou o sobrenome dela. rsrs
    Quanto ao livro: li, e amanhã já sai resenha, e que livro emocionante. Me senti angustiada em vários momentos, exatamente por isso de Bea não “evoluir”. Adorei a leitura, e essa capa é muito linda!
    beijos

  9. Costumo dizer que aprender com a literatura é a melhor parte e a leitura de obras que relatam sobre doenças ou transtornos são as que mais nos ensinam e enriquecem. Achei a proposta da autora bem interessante. Pode ser que em um futuro próximo eu o leia, mas não pelo possível romance, mas pela história do Transtorno Compulsivo, será uma experiência super válida.

    Beijos
    http://bibliotecacolorida.blogspot.com/

  10. Beatriz comentou:

    Oi Débora,
    Eu já conhecia esse livro mas nunca tive a vontade de ler, mas só hoje já é a segunda resenha que leio sobre ele e a conclusão que tiro disso é que preciso ler!!! o tema abordado é atual e apesar de ser de conhecimento de quase todos, o TOC, é mal interpretado e não é visto com a devida atenção que merece, acho que esse livro vai abrir mentes e voltar a atenção para o transtorno com mais cuidado, não sei bem se a palavra pode ser essa, que ele merece!

  11. Oi Débora, tudo bem?
    Bem interessante a premissa do livro.
    Eu prefiro narrativas em terceira pessoa, mas nesse caso acho que em primeira foi melhor mesmo.
    Conheço algumas pessoas com TOC e é bem complicado. Na verdade acho que tenho TOC, tenho uns riuais antes de dormir que não são de pessoas normais.
    Bjs

    http://a-libri.blogspot.com.br

  12. Oi Debby,
    Eu acabei de ler outra resenha desse livro e disse que não acho que o livro me cativaria. Apesar de parecer ser uma história fofa e eu adorar esse tipo de clichê (personagem problemático se apaixona por personagem problemático) não fiquei muito curiosa quanto à narrativa. O ritmo lento e as constantes regressões da personagem são bem típicos de pacientes que tem TOC, é praticamente impossível se curar, e muitas vezes, eles voltam à estaca zero. :/

    Beijos,
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

  13. Olá!
    Terceira resenha que leio sobre o livro hoje, sendo que uma delas foi negativa.
    Confesso que o livro me chama atenção pela capa e pelo nome. Fiquei bastante curiosa para conhecer a hsitória de Bea e Beck e, apesar de te ficado com um pouco de receio quando li que a história se desenvolve em um ritmo lento, quero muito ler para poder tirar minhas próprias conclusões.
    Ótima resenha!
    Beijos.

    Li
    Literalizando Sonhos

  14. Olá!
    Adorei sua resenha e ainda mais o livro.
    Ontem mesmo li uma resenha do mesmo livro, e fiquei completamente louco pelo livro, ainda mais por se tratar de uma coisa com a qual quase não convivemos diariamente e que não tem a importância que merecia, pois isso não é uma simples “doideira por limpeza”, e sim um problema tão sério quanto vários outros.
    Preciso desse livro o mais rápido possível.

    Beijos

  15. Oie! Tudo bem?!

    Uma amiga minha enviou foto desse livro por whatsapp e eu achei MUITO amor essa edição. Que capa e diagramação mais lindas! 🙂 Apesar dessa onda de sick-lits (lembro-me que vi o termo pela primeira vez aqui no blog) achei a temática bem diferente e interessante. Sei que não tem nada a ver, mas a história do casal me lembra um pouco “o lado bom da vida”. Pela resenha acho que um filme seria incrível! <3 Fiquei com vontade de ler agora!!

    Beijos!

  16. Oi Débora, tudo bem?
    Nós conversamos sobre esse livro antes de postarmos nossas resenhas e só nós sabemos o quão difícil foi escrevê-las né?
    Esse livro, assim como fez em você, me fez enxergar TOC em tudo! rs.
    Fiquei extremamente paranoica com as loucuras da Bea, sofri e passei por tudo que ela passou, mesmo assim gostei da experiência de ter lido! A autora me convenceu com sua história simples, mas com uma grande carga emocional.

    Beijos :*
    http://www.livrosesonhos.com/

  17. Eu amo livros que nos abrem os olhos e nos fazem rever nossas próprias vidas,ansiedade e TOc são assuntos banais hoje em dia,mas nem sempre valorizados e sempre tratados com certa superficialidade,gostei muito da sua resenha e da forma como você descreveu a história e os personagens,mesmo com algumas oartes arrastadas acho que é leitura obrigatória.

    adorei conhecer o blog e e já estou seguindo.

    bjsss

    Apaixonadas por Livros

  18. Daniele comentou:

    Oiiii

    Já havia lido outras resenhas desse livro e gostei muito.
    Gosto muito de livros reais e assuntos assim como a mania do menino fazer tudo em 8 vezes, o que para uns é loucura, para outros um transtorno é muito tabu ainda.

    Gostei muito do seu blog.

    Bjocas

  19. Oi, Débora!
    Adorei muito á historia deste livro. Ele vem me dando vontade de ler, por que acho que todos nós temos um pouco de TOC, sabe? Eu mesmo, não posso ver uma coisa fora do lugar, HAHA. Adorei sua resenha, o livro parece lindo, tanto por fora e por dentro. ❤ Abraços! http://www.ancoradepapel.blogspot.com

  20. Pude ver muita gente postando fotos desse livro e ele já me encantou só pela aparência, com a sua resenha mais ainda. Têm horas em que acredito que tenho TOC, parece ser um tipo de perfeccionismo mais prejudicial, e gostaria de ler um pouquinho sobre isso. Parece completamente desafiador uma história de amor entre duas pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo… Vou acrescentar a lista de possíveis leituras, gostei muito da indicação.

    Beijos!

  21. Oi!
    Adorei a resenha e confesso que me interessei bastante pelo livro. Espero comprá-lo em breve,
    Abraços

  22. Oiee

    Já li esse livro e tive uma opinião totalmente diferente rsrs não consegui gostar da história e achei chato a protagonista ficar seguindo o casal, não achei tão voltado para o Sick Lit porque não é uma doença tão grave enfim para mim o livro não foi bom !

    Beijos

    http://www.livrosechocolatequente.com.br

  23. Oi Deb, tudo bem?

    Vou dizer que esse livro me irritou um pouco. Claro que, com certeza, essa foi uma proposta da autora, em gerar esse desconforto no leitor por causa de todo esse TOC, mas eu já estava me sentindo sufocada. E a Bea? Entendo que ela tinha uma doença, mas pra mim ela era totalmente descontrolada!

    beijos
    Kel
    http://www.porumaboaleitura.com.br