28 set, 2020

Jane Austen: atrás de portas fechadas

jane austen atrás de portas

a pandemia me fez desenvolver ainda mais a minha paixão por documentários. principalmente os documentários que falam sobre a inglaterra entre os séculos 15 e 18. pra mim, não tem nada mais fascinante do que encontrar outras maneiras de mergulhar nesse período histórico que amo tanto.

os romances de época estão aí para provar.

um dos meus favoritos até agora foi o documentário da lucy worsley, jane austen: behind closed doors, onde a historiadora visita todas as casas em que jane morou ao longo dos seus 41 anos de vida. um documentário quase que obrigatório se você é apaixonado pelos livros da autora tanto quanto eu.

o documentário começa em hampshire, no século 18.

a primeira casa que jane austen viveu não existe mais, mas worsley consegue recriar parte da rotina da autora em uma casa cheia de irmãos e pupilos do pai onde ela começou a desenvolver a sua paixão pela escrita.

a família de austen não tinha muito dinheiro, mas o pai era um homem bastante inteligente e tinha 3 ocupações diferentes para conseguir manter o sustento de todos os filhos. quando percebeu que jane estava levando a escrita muito a sério, comprou para ela uma caixa de escrita.

não importa em qual casa jane morasse ao longo da vida, aquela caixa sempre a acompanhava.

são nos pequenos hábitos da autora relatados no documentário que começamos a perceber pequenos traços de suas protagonistas mais amadas. jane austen gostava muito de caminhar já que a família não podia arcar com os custos de uma carruagem. e sabe quem mais gostava de caminhar? elizabeth bennet.

a escrita não era a única paixão de jane. na verdade, ela tinha um interesse particular em música que podemos identificar facilmente em seus romances: seus livros sempre tem alguma cena de importância que acontece em um momento onde existe música envolvida.

por exemplo: jane fairfax deixando emma frustrada com sua habilidade inegável ao piano.

a mudança constante de endereço deixava cada vez mais claro que austen vivia em um mundo onde o dinheiro vinha antes do amor. o documentário mostra o breve romance da autora com tom lefroy e também o pedido de casamento revogado quando ela pensou que se tornaria uma autora publicada.

quanto mais lucy worsley aprofunda na história de jane austen, mais óbvio fica o quanto a autora incorporava os acontecimentos da sua vida pessoal em seus romances. bath e lyma foram cidades que inspiraram muito romances como persuasão. inclusive, na cena em que luisa cai em persuasão tem conexão direta com o período em que a autora viveu próxima ao mar.

quando obrigada a se mudar para um chalé próximo chawton house, propriedade de um dos seus irmãos, jane deu vida ao o seu primeiro romance: razão e sensibilidade. o romance que contava a história de duas irmãs obrigadas a deixar a vida confortável que tinham para viver em um chalé.

coincidência? acho que não.

quando orgulho e preconceito se tornou um sucesso, jane foi para londes – onde escreveu um dos meus livros favoritos dela: emma. foi nesse período de sua vida que ela conheceu john murray, com quem publicou persuasão e northanger abbey.

rico em detalhes sobre a vida de jane austen, jane austen: behind closed doors, me ganhou na narrativa envolvente e leve de lucy worsley que mergulha de cabeça no universo dessa autora que, mesmo sendo publicada de forma anônima sua vida inteira, ganhou o mundo.

é impossível não perceber que worsley se divertiu fazendo esse documentário tanto quanto eu me diverti assistindo. para quem gosta de romance de época e dos romances de jane, seguir os passos de jane através do olhar de lucy worsley será uma aventura deliciosa.

uma dica: o documentário não tem legenda em português, mas você pode usar a tradução automática do youtube que atende perfeitamente.

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1 Comentário

  • Angela Cunha
    setembro 30, 2020

    Tão bom quando a gente algo nada bom(no caso, a pandemia) para se aventurar em coisas que se fosse em outra época, a gente nem desse atenção!
    Conheço muito pouco de Jane, aliás, tenho três livros da autora na estante que ainda preciso ler.
    Por isso, amei saber sobre esse documentário e com certeza assim que puder,vou lá espiar e aprender um pouco da vida dessa mulher que não só marcou toda uma geração,mas que nos deixou seu legado!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/O Vazio na flor