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O que mudou na minha relação com os livros ao longo dos anos

Minha relação com os livros: como o meu hábito de leitura mudou ao longo dos anos

Algumas pessoas encontram abrigo em outros vícios, eu encontrei o meu em outros mundos, em outras realidades. Quando eu olho para 15 anos atrás, não consigo me lembrar um dia em que eu não estivesse imersa em alguma história, simplesmente para não ter que lidar com o peso que a minha realidade me trazia.

Séries de TV. Filmes. Novelas. Fanfics. Livros.

Eu sempre consumi a ficção porque na “não-ficção” da minha vida sempre me disseram que eu jamais teria um grande plot twist. E ninguém gosta de ver o protagonismo da própria vida desaparecer sem, nem ao mesmo, saber o que fazer, certo?

Por anos ler se tornou a única coisa boa do meu dia.

Foi a única coisa boa durante o ensino escolar. Depois na faculdade. Quando eu me mudei para o Rio e percebi que era péssima fazendo novos amigos. Quando me sentia isolada no trabalho.

Eu me sentia menos sozinha e em uma zona de conforto que, por muito tempo, acabou sendo uma grande e inconsciente proteção contra os meus próprios medos, anseios e decepções. Sempre que eu penso na minha relação com os livros, eu penso que: eu poderia ter me viciado em qualquer coisa, para minha sorte essa coisa foram meus livros.

Mas como diz a monja: nada é fixo ou permanente e conforme eu fui entendendo um pouco mais sobre mim, a segurança e apoio que eu encontrava nas páginas dos meus livros foram deixando de ser tão necessárias.

Sempre presente, mas não mais um escudo do mundo.

Quando meu ritmo de leitura foi diminuindo, eu comecei a me perguntar se talvez eu estivesse deixando de gostar de ler. Mas a verdade é que eu ainda gosto muito de ler, é o meu passatempo favorito.

A diferença é que o motivo pelo qual eu leio hoje… mudou.

Se antes eu lia para fugir da minha realidade, hoje eu leio porque me faz enxergar a realidade com mais leveza. Já não como um escape, mas como uma forma de não esquecer tudo o que eu já aprendi e o que eu ainda tenho que aprender.

A verdade é que ler sempre me abriu muitas portas.

Portas para outros mundos.

Portas para outras vidas.

Portas para me encontrar e me perder ao mesmo tempo.

Me fez descobrir o amor pelas palavras, me deu colo quando eu precisava chorar e me engoliu da realidade quando ela se tornou pesada demais para viver.

Se hoje eu consigo olhar para a minha vida com um pouco mais de leveza que ontem, é porque eu sempre tive um bom livro do meu lado para me mostrar o caminho. Ritmos de leitura sempre mudam, a forma como nos relacionamos com os livros também. A única certeza é que é uma porta que sempre vai estar aberta, não importa o que aconteça. Não importa o tempo.

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Débora Costa

Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

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  1. Jessica M. comentou:

    Olá, Debora.

    Que interessante!
    “Eu me sentia menos sozinha e em uma zona de conforto que, por muito tempo, acabou sendo uma grande e inconsciente proteção contra os meus próprios medos, anseios e decepções.”
    Você colocou em palavras exatamente o que sinto!
    Desde criança (filha única) sempre gostei de ler por essa razão. Como meus pais não me davam muitos livros, eu sempre relia os mesmos.
    É um vício prazeroso.
    Abraços!