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24 mar, 2015

Conhecendo o mundo criativo de Bárbara Morais

BM_01A primeira coisas que vocês precisam saber, antes de continuar lendo esta publicação, é que eu conheci a autora Bárbara Morais na Bienal do Rio de Janeiro de 2013, quando o La Oliphant ainda nem era La Oliphant e quando ler era absolutamente a única coisa que eu pensava em fazer da minha vida. Eu não conhecia a sua obra, eu não conhecia muita coisa sobre ela, mas eu tinha o meu amigo, Vinícius Fagundes, cuja animação me contagiou e me fez correr para o stand da Gutenberg para conhecer a autora.

Eu me lembro perfeitamente de encontrar com a Bárbara horas antes da sua sessão de autógrafos e ela ficar conversando com a gente por um pouco mais de vinte minutos. Ela compartilhou com a gente muito sobre a história do seu livro, sobre como era ser uma autora publicada e ainda nos deu várias dicas que eu repito por ai até hoje.

BM_06Logo quando o La Oliphant surgiu, a primeira coisa que eu queria fazer era trazer uma entrevista com ela para que os leitores do blog também pudessem conhecer o seu trabalho. Para aqueles que ainda não a conhecem, a Bárbara é autora de uma trilogia chamada Anômalos, publicada pela Gutenberg. Foi a primeira trilogia distópica feita por um autor brasileiro que eu conheci, o que me inspirou ainda mais a querer falar do trabalho dela como escritora aqui no blog.

E eis que chegamos aos fatos importantes dessa publicação – finalmente. A Bárbara, gentilmente, cedeu uma entrevista maravilhosa para o La Oliphant onde ela respondeu as minhas perguntas de pessoa que admira o trabalho dela como escritora, mas que também a admira como pessoa.

BM_03Confiram a entrevista:

LO.: Conheci o seu livro na Bienal do Rio de 2013 e foi meu primeiro contato com uma autora brasileira que estava publicando um livro distópico. O que te inspirou a escolher esse tema para a sua primeira série de livros?

BM.: Então, eu não tive a ideia pensando “oh, vou escrever uma distopia”. Inclusive, a minha “ideia distópica” na época era outra (e acabei incorporando no mundo de anômalos, como o Império). Para mim, eu estava só escrevendo essa aventura cheia de tramas políticas e segredos que tinha como plano de fundo uma sociedade segregatória. Daí eu terminei, li o livro e vi “oh, esse livro é uma distopia”.

LO.: No seu site oficial você conta que é estudante de Economia. Como você fez pra conciliar os seus estudos com a publicação dos seus livros?

BM.: Escrevi o primeiro livro de Anômalos antes de entrar na Economia, quando ainda estava na Engenharia e insatisfeita com o curso. Eu era uma péssima aluna — reprovei várias matérias várias vezes — então usava meu tempo livre para escrever e não para estudar. Eu não recomendo! Já os outros dois, eu uso os três meses de férias que tenho no fim do ano para escrevê-los, fazendo a revisão no início do semestre antes que as provas comecem. Como a história já foi construída previamente, fica bem mais fácil sentar e colocá-la no papel.
Mas durante o semestre mesmo, raramente consigo escrever muito. Além de estudar, também faço estágio de seis horas e acaba sendo muito pesado, principalmente no meio do semestre.

LO.: Acredito que a maioria das pessoas que possuem blogs tem o sonho de se tornar escritores um dia. Pra você, como foi esse processo de começar o seu primeiro livro, vê-lo sendo publicado e ganhando tantos fãs?

BM.: Bem, começar o livro foi tranquilo até, porque não foi o primeiro que escrevi na vida. Mas vê-lo sendo publicado foi bem louco e surreal e só caiu a ficha quando ele chegou aqui em casa, prontinho! No início dá um frio na barriga, por que e se todo mundo odiar? Que vergonha de ter gente lendo o que eu escrevi!
Depois as coisas ficam mais naturais. Você aprende a lidar com as pessoas e a trabalhar as suas inseguranças dentro de si para elas só aparecerem um pouquinho.

BM_05LO.: Pelo o que eu li no seu site, Anômalos surgiu de uma teoria criada em algumas das suas aulas. Você pode contar pra gente um pouco dessas suas teorias e se você já tem pretensão de transformar outras delas em livros?

BM.: SIM! Não são bem teorias, mas ideias que surgem em aulas com base no que estudo. Um dos livros que pretendo escrever no futuro surgiu numa aula de Formação Econômica do Brasil, na parte em que estávamos estudando a invasão holandesa no Brasil. Outra veio de quando eu estava estudando História Geral e Política do Brasil e é meio steampunk, também pretendo fazer um livro sobre isso. Inclusive, tem um conto meu que saiu na coletânea O Outro Lado da Cidade, da editora Aquário, que se passa no mesmo mundo dessa história.
Mas com o tempo no curso, minhas ideias foram evoluindo de ideias de livro de ficção para temas de monografia. Eu coleciono vários, para poder escolher bem semestre que vem quando for começar a pesquisa. A atual relaciona uma teoria de desenvolvimento pautado em exportações e o mercado do entretenimento da Coreia. Não sei quão viável isso será, porém pretendo tentar.

LO.: Você também diz que só consegue escrever ouvindo música. Quais são as músicas que mais te inspiraram no processo de escrita de Anômalos e quais músicas você indicaria para que outros escritores possam se inspirar a escrever seus próprios livros?

BM.: Além de tudo o que vocês já sabem sobre Anômalos, a trilogia também foi inspirada por músicas do Muse, que é minha banda favorita. Eu comecei a escrever AIDD quando o Resistence saiu e basicamente foi parte da minha trilha sonora, assim como algumas outras músicas mais indies. O negócio do Muse é que as letras sempre me fazem imaginar histórias e me inspiram bastante, principalmente por causa da paranoia que o vocalista tem com o fim do mundo, aliens e conspirações.
Sobre músicas para inspirar, depende muito do autor e do que ele escreve. Gosto muito de pegar a letra das músicas e tentar aplicar em uma situação fictícia e tem vezes que surgem cenas assim. Música instrumental é terrível para escrever, para mim, mas ótima para ter ideias e inspirações. Tem gente que é o contrário, então não consigo indicar nada assim de forma tão geral.

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LO.: Como blogueira eu tenho visto ótimos trabalhos de escritores nacionais. Você, como um desses escritores, acha que o mercado editorial está mais aberto a literatura nacional e que os nossos autores hoje tem ganhado mais espaço para fazer suas publicações?

BM.: Sim, eu realmente acredito que o mercado está mais aberto para o autor nacional. As grandes editoras estão anunciando mais autores brasileiros em seus catálogos do que antes e as pequenas editoras voltadas aos autores nacionais estão se fortalecendo. Também houve também um grande crescimento na auto-publicação, facilitado pela chegada da Amazon no Brasil, e alguns autores conseguem editoras após serem sucessos auto-publicados (como foi o caso da FML Pepper, para citar alguns). Também há uma maior aceitação dos autores nacionais por parte do público do que antes, e vejo cada vez mais a resistência à publicações nacionais diminuir. Acho que temos um futuro promissor pela frente.

LO.: Assim como você, eu sou muito fã de Doctor Who e por isso não poderia deixar de perguntar qual o seu Doctor e Companion favoritos e por quê?

BM.: Eu ainda não vi a série clássica, tirando alguns episódios soltos, então só vou considerar newwho, tá? É o Décimo e a Donna♥ Não tinha como ser diferente porque ugh, amo o Doctor do Tennant e a história da Donna é fenomenal.

LO.: Eu acompanho muito as suas publicações no Facebook e no Twitter e queria saber como é a sua relação com os fãs de Anômalos. Foi muito estranho quando os leitores da série começaram a entrar em contato? Como que você reagiu?

BM.: Eu sou muito aberta e fala com todo mundo que fala comigo no twitter, né? Aliás, o twitter é minha segunda casa, ahaha. Acho que nas redes sociais foi bem tranquilo, porque eu já estou acostumada a conversar com estranhos nelas. O mais esquisito é em eventos, quando encontro os leitores e eles ficam nervosos e eu acho engraçada e bonitinha a reação deles, ahaha. É engraçado ver como as pessoas consideram autores de forma especial, sendo que a gente é pessoa que nem todo mundo. Daí depois que lancei o livro, comecei a reavaliar o meu relacionamento com os autores que gosto e meus surtos diminuíram consideravelmente (e eu até converso com eles no twitter, olha só).

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LO.: Além de escritora, eu sei que você gosta muito de alguns autores conhecidos aqui no Brasil. Se você pudesse encontrar com um dos seus autores favoritos, quem seria e o que tipo de programa você gostaria de fazer com ele?

BM.: Achei que ia ser difícil, mas não é: a Maggie Stievfater, de Garotos Corvos, e nós provavelmente iríamos pegar um carro e dirigir para lugares esquisitos do Brasil. Sim, na minha fantasia ela veio para eventos no Brasil e a gente ficou bff!!
Também serve cozinhar rosquinhas.
De autor nacional é bem mais tranquilo porque conheço pessoalmente quase todos os que admiro, mas seria maravilhoso passar uma tarde com o Pedro Bandeira conversando sobre escrever para adolescentes.

LO.: Muita gente deve te pedir dicas sobre como começar o seu primeiro livro. O que você diria para aqueles que estão esperando o momento certo para começar a escrever?

BM.: Eu diria o seguinte: não tem momento certo para começar a escrever. Se você tem a ideia e espera a inspiração vir, nunca vai sair do lugar. Você precisa sentar e colocar uma palavra atrás da outra no papel, tentar criar uma rotina e mantê-la. Essa é uma das maiores dificuldades do escritor iniciante, construir essa noção de que escrever é um trabalho e você precisa fazê-lo todos os dias se quiser se aprimorar ou terminar. Claro que existem exceções — você não deve se forçar a escrever se sente dificuldade, se o texto não parece certo, se escrever vira uma tarefa. Normalmente isso são sintomas de que há algum problema na história que você quer contar e talvez ela não seja a apropriada para o momento.
Diria também que escrever é confiar no seu instinto. Você precisa escrever algo que gostaria de ler e se se diverte escrevendo, é bem certo que o leitor se divertirá lendo. Se você sente que alguma parte está ruim ou errada, provavelmente ela está. É mais ou menos por aí. Todo o resto é tentativa e erro e varia de pessoa para pessoa.

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14 Comentários

  • Aline Gonçalves
    abril 05, 2015

    Oie, tudo bom?
    A Bárbara é da minha cidade e realmente é muito talentosa. Ela é muito criativa e merece todo o sucesso que está fazendo. Eu já li A Ilha dos Dissidentes e adorei a narrativa dela.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

  • Bruna Souza
    março 29, 2015

    Oi, tudo bem?
    Adorei conhecer a autora melhor, e tenho uma história acadêmica parecida com a dela. Também comecei um curso que me deixou insatisfeita, e demorei a largar (também não recomendo, rs)
    Adoro autores acessíveis e abertos, e sempre vejo todos elogiando a Barbara, dizendo o quanto ela é simpática e agradável.
    beijos
    http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br/

  • Mayara Milesi
    março 28, 2015

    Oii
    Ainda nao conhecia a autora, mas minha nossa ela parece ser muito simpatica!! Parabens pela entrevista que está muito boa tambem…
    Como não a conhecia adorei saber um pouco sobre ela e as suas obras, agora irei pesquisar mais sobre e quem sabe não compro os livros para ler?

    beijosss
    Mayara

  • Paula de Franco
    março 27, 2015

    Olá, Débora.

    Conheci a Bárbara na Bienal de Minas em 2014 e comprei seus dois livros. Já li o primeiro e amei e espero em breve começar o segundo. Adorei conhecer um pouco mais da autora por meio da entrevista e saber de onde saiu suas inspirações. Que ela lance logo o terceiro livro. E que venha muito outros por aí.

    Beijos.
    http://paradisebooksbr.blogspot.com.br/

  • Angélica
    março 27, 2015

    Oi Debora, tudo bem?
    Gostei bastante de saber um pouco mais sobre a autora!
    Quero muito conhecer a escrita dela!
    Bjs

    http://a-libri.blogspot.com.br

  • Joyce
    março 27, 2015

    Adorei a entrevista eu já ao contrário da autora gosto de ler somente sem músicas . adorei saber que em vez de estudar ela escrevia kkkk, precisa gostar de economia . Parabéns pela ótima entrevista . Sucesso. beijos

    Joyce
    http://www.livrosencantos.com

  • Mari Sacramento
    março 27, 2015

    Olá, tudo bem?

    Eu adorei a entrevista! Confesso que distopia Não é o meu gênero literário preferido mas fico muito feliz de ver uma escritora brasileira fazendo tanto sucesso! Deu para perceber que você gostou da obra e se identificou com a autora! Sucesso às duas!!
    Beijos,

    Mari
    cantinhodeleituradamari.blogspot.com.br

  • Catharina
    março 27, 2015

    Oláá
    Ouço falar extremamente bem sobre a série e tal, mas não me atrai, talvez por ser um gênero bem diferente do que costumo e tal, mas mesmo assim, o enredo é muito interessante e tenho certeza que o pessoal que curte leituras mais assim devem ter gostado muito.
    Boa sorte a autora 😉

    http://realityofbooks.blogspot.com.br/
    Catharina
    Beijos

  • Ana Lícia
    março 27, 2015

    Que tudooo! Eu adoro a Barbara e acho seu livro sensacional. Perfeito A Ilha dos Dissidentes. E preciso da continuação, Ameaça Invisivel. Que legal você ter a oportunidade de conhece-la de pertinho. E melhor ainda, compartilhar conosco. Todo mundo deve ler a Trilogia Anômalos. Distopia gente, Nacional e de qualidade.

  • Olá!
    Adoro entrevistas, você conhece mais o autor e assim deixa a leitura mais gostosa! É ótimo conhecer seus autores!
    Beijos

  • Ana Karolini
    março 26, 2015

    Olá, tudo bem?

    Se tem uma coisa que eu amo é ler entrevista com autores. É sempre bom conhecer melhor essas pessoas que trazem excelentes conteúdos pra gente! <3

    Beijos, Ana K | http://universoaoquadrado.blogspot.com.br/

  • Monalisa Marques
    março 26, 2015

    Adoro quando os autores são simpáticos e acessíveis! Isso faz muita diferença, é sempre tão bom conversar com eles e tirar dúvidas… Hahahah Me imagino conversando por longas horas com alguns dos meus preferidos.
    Um beijinho,
    Mona
    http://www.literasutra.com

  • Dani
    março 26, 2015

    Amei a entrevista, ainda não li nenhum livro da Bárbara, mas já está na minha lista! Bjs

    http://www.resenhamania.com.br

  • Danielle Casquet
    março 26, 2015

    Olá Debora tudo bem, gosto muito da Barbara li seu primeiro livro e gostei muito, a Gutenberg mandou o segundo que pretendo ler em breve, adorei a entrevista! Sucesso!