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Categoria(s): livros

Nerve, por Jeanne Ryan

de Jeanne Ryan
Editora: Outro Planeta
Ano de Publicação: 2016
Número de Páginas: 304
Código ISBN: 9788542207873
Sinopse: Você já se sentiu desafiado a fazer algo que, mesmo sabendo que pode se arrepender depois, acaba levando em frente? A heroína deste livro também. Vee cansou de ser só mais uma garota no colégio, e quer deixar os bastidores da vida para assumir seu merecido posto sob os holofotes. E o jogo online Nerve, febre nacional transmitida ao vivo, pode ser o início dessa trajetória de sucesso. Basta que ela clique no botão “Jogador” em vez de “Espectador” para entrar na disputa, que propõe, a cada etapa, um desafio novo. A adolescente acaba formando uma dupla imbatível com Ian, um garoto desconhecido com quem trava contato ao se inscrever em Nerve. Juntos, vão galgando posições no jogo. Mas, conforme os dois avançam na disputa, os desafios ficam cada vez mais complexos... e perigosos.

Não tenho vergonha de admitir que o meu maior incentivo para ler Nerve foi o trailer do filme com a Emma Roberts e o Dave Franco. Acho que isso aconteceu com muitas pessoas que resolveram ler esse livro nos últimos meses. Mas, sendo bem honesta, se a sua vontade de ler esse livro se baseia apenas no trailer do filme, fique sabendo que um não tem nada a ver com o outro. Sim, é verdade. Esse é mais um caso de filme “baseado” no livro, mas sendo bem honesta, se o livro tivesse se baseado no filme, talvez fosse um pouco melhor.

Nerve é um jogo de verdade e desafio, mas sem a parte da verdade. Ao entrar no jogo você pode escolher ser um espectador ou um jogador. Como espectador você desafia as pessoas a fazerem coisas em troca de dinheiro ou outros prêmios. Como jogador, você precisa cumprir esses desafios. Toda a plataforma do jogo é baseada em vídeos, ou seja, para considerar um desafio completo, você precisa filmá-lo. É dentro desse universo que conhecemos Vee, uma garota do ensino médio tímida e que não tem medo de se arriscar. Para provar para os amigos e a si mesma que consegue sair da sua zona de conforto, Vee começa a jogar Nerve, mas o que ela não esperava era que logo o seu primeiro desafio fosse viralizar entre os espectadores do jogo.

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O enredo do livro, pelo menos na sinopse, é bem atrativo. O problema é que a história não cumpre o que promete na contracapa. Narrado em primeira pessoa, no ponto de vista da Vee, Nerve acaba sendo um livro com menos atrativos do que eu estava esperando. Nossa personagem principal é completamente obcecada pela melhor amiga, Sidney, sempre preocupada com o que os outros vão pensar dela, mas principalmente o que a melhor amiga vai pensar dela. E tudo isso se torna a motivação real para que ela tome a decisão de entrar no jogo, o que chega a ser bem idiota, se você for parar para pensar.

Os desafios não são lá essas coisas, o que fica muito mais chato combinados com o drama que Vee faz o tempo todo para completa-los. Sim, nossa personagem principal é um grande bebê chorão. Acho que o mais idiota foi o desafio em que ela tinha que pedir camisinha para dez pessoas e depois cantar uma música. Eu fiquei tipo: “Sério isso”? Achei a maioria dos desafios bem infantis e nenhum deles justificava toda a atenção que Vee estava recebendo, nem mesmo sua dupla dinâmica, Ian, um cara que ela conhece durante um dos seus desafios e que acaba virando seu “par” dentro no jogo.

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A escrita da autora não é ruim, principalmente porque a leitura consegue fluir de uma maneira bastante aceitável. O problema está no enredo e na forma como ele foi construído, assim como os seus personagens. Para mim não foi nem um pouco interessante ver Vee atacar sua melhor amiga por causa de um desafio, muito menos vê-la se envolver com seu parceiro de jogo, mesmo quando o enredo não pedia isso da personagem. A ideia por trás do jogo Nerve era proporcionar verdadeiros desafios, mas ainda assim, eu só via coisas idiotas acontecendo, por prêmios que nem valiam tanto a pena assim.

O livro tem vários pontos completamente desnecessários. Acredito que a autora escolheu ir por um caminho clichê que a história não precisava, como o romance entre Vee e Ian. Tudo bem, eu realmente entendo que ele era um cara bonito do lado de uma garota bonita, mas eles também eram parceiros de jogo e a relação deles não tinha a menor necessidade de ir além disso. Mas foi, e eu não gostei nem um pouco porque não me pareceu algo real, não me pareceu algo com o qual eu conseguiria me relacionar na história.

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Ainda assim, mesmo com todos os outros pontos negativos do livro, acho que o maior pecado da autora foi deixar a história em si girar em torno da amizade de Vee e Syd. Sinceramente? Eu achei ridículo quanto Vee era completamente dependente da melhor amiga, mesmo quando ela estava querendo se “rebelar”. A sensação que eu tinha era que a tudo o que a personagem fazia era para provar para a melhor amiga que ela era tão boa quanto e que merecia o mesmo tipo de atenção. O problema é que desde o começo do livro ficou claro que elas eram completamente diferentes e que Vee simplesmente não conseguia aceitar que ela não era a “descolada” da dupla.

Nerve acabou sendo mais sobre qualquer outra coisa do que sobre o jogo em si. Acho que por isso, mesmo com a leitura fluindo, eu não conseguir ver o livro com bons olhos. Me senti bastante entediada boa parte da leitura, e queria que a autora tivesse se dedicado mais na construção do jogo em si, do que em trazer à tona uma personagem com uma personalidade tão fraca e tão desinteressante. Por isso, vale a pena lembrar mais uma vez, que se você quer ler esse livro por causa do filme, aviso de antemão que ambos são completamente diferentes e provavelmente você vai gostar mais do filme do que do livro.

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Débora Costa

Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

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  1. Nilda de Souza comentou:

    Ainda não conhecia o livro. Bom, e nem o filme. Mas achei tudo muito bobo, pelo o que você colocou na resenha. Quando a personagem principal não conquista o leitor fica difícil a gente se envolver com o enredo, pois simplesmente a gente não se importa com os problemas dela. Acho que é caso de Vee.

    Beijos

  2. oi ^^
    poxa é uma pena q a leitura não tenha sido lá essas coisas, odeio quando isso acontece.
    eu estava super afim de ler, mas ainda n tinha visto o filme e pensando agora não sei se seria algo q eu gostaria (pq sou em chata).
    então no momento eu pulo a leitura.

  3. Olá!
    Sempre acaba acontecendo isso com alguns livros, de ter capas/sinopses bem atrativas e o enredo nem ser tão grandioso assim, mas a gente segue a vida haha
    Abraços,

  4. Nossa eu tava super a fim de ler justamente pelo trailer, e por essa capa bem legal. Achei que os desafios seriam coisas bem pesadas, para até precisar de um cara para ajudar, mas sério? hahaha. Perdi a vontade de ler.