Resenhas 24jul • 2018

99 Diaspor Katie Cotugno

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: 99 Days
Gênero do Livro: Young Adult, Romance, Contemporâneo,
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2018
1º livro da série 99 Dias
Número de Páginas: 384
Código ISBN: 9788579803604

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

Comprar: Amazon

Sinopse: Será que um erro pode definir quem você é? Molly Barlow traiu seu namorado. Com o irmão dele. E a mãe dela fez o favor de escrever um livro contando a sua história, que deveria ser um segredo entre elas. Um livro que se tornou um bestseller, e que virou a vida de Molly de cabeça para baixo. Para fugir da espiral de ódio e fofoca que suscitou em Star Lake, a garota decide viver um ano fora, num internato. Mas quando volta à cidade no verão, para passar os 99 dias que faltam até entrar para a faculdade, ela tem que acertar as contas com aqueles que lhe fizeram mal e tentar resgatar os laços com quem era especial para ela. Autora do bestseller Duas Vezes Amor, também publicado pela Rocco Jovens Leitores, Katie Cotugno conta a história de Molly Barlow em 99 capítulos – ou dias – de leitura vertiginosa, em que aborda temas como amor, traição, culpa e perdão.

Esse livro vai ser um pouco mais difícil de resenhar do que eu estava esperando. Confesso que quando eu peguei 99 dias para ler, eu achei que estaria lidando apenas com mais um clichê de triângulo amoroso apenas para passar o tempo. Mas não é que 99 Dias me pegou de um jeito que eu devorei a leitura em algumas horas? Katie Cotugno tem uma escrita viciante e, combinada com a sua narrativa deliciosa, eu mergulhei nesse drama adolescente de um jeito que eu não estava esperando. É montanha russa emocional que vocês queriam? Então é isso que vocês vão ganhar nesse livro.

99 Dias é um livro que me fez lembrar como nós somos cruéis. A nossa protagonista, Molly, trai o namorado com o irmão dele e, a partir do momento que a sua mãe resolve transformar isso em um livro e contar para todo mundo a vida pessoal da filha, Molly se torna automaticamente a “vadia suja” da história e não importa o que ela faça, todo mundo está com o dedo apontado para ela. Mas adivinha só, o mesmo não acontece com o Gabe, o irmão que participou ativamente de toda essa confusão. Sentiram a crítica do livro? Pois é.

“[…] Eu havia me esquecido, ou tentado me esquecer, de como as coisas eram antes de eu fugir daqui um ano atrás: o sagrado reino tenebroso da Julia, projetado com precisão implacável para me punir por todos os crimes capitais que cometi. […]”

Eu gosto muito da forma como Cotugno contou essa história. A narrativa em primeira pessoa me pegou desde o primeiro capítulo e eu consegui me identificar bastante com a Molly. Durante todos os capítulos nós acompanhamos a personagem principal lutando com a sua culpa, a sua vergonha e tentando encontrar uma forma de sobreviver ao inferno que era ter todas as pessoas a sua volta chamando-a de nomes, agredindo-a de alguma forma e, pior, depredando sua casa, carro etc. Apesar de parecer cansativo, a imersão nos sentimentos de Molly foi uma das melhores partes da leitura porque, apesar de ela não ser uma “heroína”, você descobre que ela também não é a vilã.

Sabe aquele ditado de que toda a história tem dois lados? Em 99 Dias você descobre que isso é bem verdade. O triângulo amoroso é uma teia embolada de coisas não ditas, de verdades ocultas e de uma competição insana entre adolescentes que estão no processo de amadurecimento e ainda não tem a menor ideia do que querem da vida. E quem não consegue se identificar com isso? Eu comecei o livro acreditando que a protagonista havia errado, mas terminei a história torcendo muito para que ela conseguisse encontrar o seu caminho porque, mesmo errada, o erro não foi somente dela.

E então entramos na parte que eu mais gostei dessa leitura. Em nenhum momento do livro, a narrativa te leva a culpar Molly pela traição, simplesmente porque a própria protagonista já está num ciclo de punição tão grande, que você não tem outra opção a não ser torcer para que ela consiga superar a. Além disso, conforme o livro vai avançando, a autora começa a te mostrar a versão dos fatos pelo ponto de vista de Molly quando, todo mundo – incluindo quem está lendo – só tem a versão do livro que a mãe dela escreveu e, é nesse ponto que o enredo toma uma forma bastante inesperada.

“É caligrafia da Julia em tinta cor-de-rosa no verso de um cardápio de comida chinesa para viagem: Vadia suja. O pânico é frio e úmido e escorregadio por um segundo, imediatamente substituído pela onda quente de vergonha; meu estômago se contrai. Tiro o cardápio do para-brisa e amasso o papel mole e pegajoso no punho fechado. “

Eu gostei muito da Molly como protagonista. Ela não é exatamente uma heroína, sabe? Ela é só mais uma adolescente que não sabe o que quer da vida e está com o coração machucado e os sentimentos confusos e isso fez com que fosse muito fácil se conectar com ela. Fazia muito tempo que eu não encontrar uma personagem que transmitisse todas as reais inseguranças que nós temos durante a adolescência e poder ver isso num personagem, de uma forma um pouco mais realista, foi muito bom.

Eu achei mesmo que o triangulo amoroso fosse me incomodar e, até um certo ponto eu fiquei bastante enjoada com o enredo por causa desse detalhe, mas Katie Cotugno conseguiu ganhar meu coração pela forma como ela trabalhou essa questão ao longo da narrativa. Eu confesso que estava esperando um jogo de ping pong emocional e, mesmo no começo sendo assim, a autora conseguiu evoluir os personagens para um final que eu não estava realmente esperando. Foi muito mais maduro e realista do que eu estava esperando, sabe?

Meu único real desgosto no livro foi o fato de a autora não ter trabalhado a relação mãe e filha, afinal, a mãe dela contou uma coisa pessoal em um livro que se tornou um best-seller e acabou a expondo para todos os seus amigos e pessoas próximas e, em nenhum momento, elas tem uma conversa real sobre isso e claramente a relação delas ficou bastante abalada. Na verdade, eu achei a frieza da mãe dela ao lidar com o assunto uma coisa bastante incomum, sabe? Parecia que ela não dava a menor importância ao estrago que fez.

“[…] – Cansei de você e todo mundo agindo como se seus irmãos fossem anjos perfeitos que eu deflorei, ou alguma coisa do tipo. Não foi assim que aconteceu. E, mesmo que tivesse acontecido desse jeito, não é da sua conta. – Eu me viro para Michaela Malvada:- E, definitivamente, não é da sua conta também. Então, não quero ouvir mais nada. […]”

Eu amei a leitura de 99 Dias. Os personagens foram maravilhosos do começo ao fim e eu gostei muito do rumo que o enredo foi tomando ao longo dos capítulos. Faz um tempo que eu não me envolvo tanto com uma protagonista, como eu me envolvi com a Molly e eu gostei muito da forma como a autora conseguiu abordar muitos assuntos importantes e de uma forma tão sutil ao longo do livro. Se você está procurando um novo YA para amar, eu acho que 99 Dias pode ser uma escolha ótima, além disso, já viu como essa capa é linda?!

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Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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9 Comentários

  • […] nunca cai duas vezes no mesmo lugar? Eu pensei que isso pudesse acontecer com Katie Cotugno, sabe? Eu li 99 Dias e eu achei a escrita da autoria sensacional, mas será que eu iria gostar de algum outro livro dela? Bem, eu peguei Duas Vezes Amor para ler e […]

  • […] coração. Com uma narrativa única e personagens que vão te conquistar desde a primeira página, 99 Dias é um lançamento da Rocco que vocês precisam ter na estante para […]

  • Jade Sibalde
    31 jul 2018

    Oi Débora!
    O que mais me incomodou foi como a história começa, com a mãe traindo um segredo da filha. Desde que li a sinopse desse livro nem parei para julgar a traição da Molly com o namorado, a pior foi a familiar pela quebra de confiança. Sou muito próxima a minha mãe então para mim parece um milhão de vezes pior o que a mãe fez do que ela (eu apontaria o dedo para essa desnaturada provavelmente kkk). Gostei por parecer ser um livro que foge da formula comum de YA, além de ter uma capa linda. Beijos

  • Lily Viana
    29 jul 2018

    Olá!
    Já tinha visto esse livro, mas nunca li nada sobre ele.. A historia me chamou atenção, tem uma ótima premissa e essa trama que o autor escreve sobre adolescente, as insegurança com certeza fara nós identifica com isso..Agora o que a mãe dela fez, acho isso errado porque ela deveria cuida da filha e não expor ela..mas mesmo assim gostei!

    Meu blog:
    Tempos Literários

  • Iêda Cavalcante
    28 jul 2018

    Oi Débora!
    Tá ai mais um livro que me surpreendeu, esperava que fosse totalmente diferente do que é.
    No geral eu gostei, apesar de não ser muito fã de YA, e muito menos de triângulos amorosos, esse livro me chamou. fiquei bem inconformada com o que a mãe de Molly fez, como assim produção??? E ao mesmo tempo fiquei tentando encontrar um motivo (se é que tem)pra ela ter jogado a traição da filha no ventilador, mas só lendo mesmo pra saber.
    Bjos!

  • Vitória Pantielly
    25 jul 2018

    Oi Débora,
    Confesso que triângulos amorosos também não me agradam tanto, nesse caso, como a proposta da autora é outra, até achei interessante como isso foi moldado. Eu imaginei que teria um foco no que a mãe da protagonista fez, afinal, foi algo que definiu muito a vida da filha, também acho que poderia – e deveria – ser trabalhado, uma pena esse ponto ter se perdido.
    No geral eu gostei bastante, achei que seria uma história simples e acabou surpreendendo!
    Beijos

  • Pamela Liu
    25 jul 2018

    Oi Débora.
    Não sabia da existência desse livro, mas depois de ler essa resenha maravilhosa, claro que já vai para a lista de desejados.
    É incrível como as pessoas não param para pensar que uma história têm dois lados, que não se deve pré-julgar antes de saber toda a história e que muitas coisas é privado.
    Achei estranho a autora não ter abordado a relação entre Molly e a sua mãe e o que a revelação da traição no livro causou na relação entre as duas.
    Beijos

  • Micheli Pegoraro
    25 jul 2018

    Oi Débora,
    É a primeira resenha que leio desse livro, e confesso que se dependesse da sinopse não sei se daria uma chance, pois não curto esse clichê de triângulo amoroso. Então, foi uma grata surpresa em saber que a história vai muito além disso, com um enredo sendo construído de uma forma totalmente inesperada.
    Adorei essa critica que a autora trouxe de que o irmão do namorado da protagonista não recebeu criticas e saiu inocente no final de tudo. A Molly é o tipo de personagem que vai nos conquistando aos poucos, ao passo em que acompanharmos o amadurecimento dela.
    Nem li, mas fiquei decepcionada que a autora pecou na questão da relação mãe e filha, afinal, tudo começou por causa do que a mãe da garota fez.
    Beijos

  • Daiane Araújo
    25 jul 2018

    Oi, Débora,

    A significância das diferentes definições igualitárias e de como tudo é visto pela sociedade, chamam a atenção. É um ponto bastante discutível e real.

    Por bater nessa tecla, acredito que é um romance que tem muito a oferecer. Se antes, eu tava na dúvida se deveria lê-lo, agora, não tô mais.

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