livros
Categoria(s): livros

A Farsa de Guinevere, de Kiersten White

de Kiersten White
Título Original: The Guinevere Deception
Gênero do Livro: Fantasia, Young Adult, Romance
Editora: Plataforma 21
Ano de Publicação: 2020
Número de Páginas: 400
Série: As Novas Lendas de Camelot
Código ISBN: 9786550080334
Sinopse: Guinevere chegou a Camelot para casar-se com um desconhecido: o carismático Rei Arthur. Foi Merlin, o velho feiticeiro, que enviou a princesa para desposar e proteger o monarca dos perigos que assombram as fronteiras da cidade e daqueles que esperam pela queda da idílica Camelot. No entanto, há um detalhe essencial nesta trama. O nome e a identidade verdadeira de Guinevere são um segredo. Houve uma troca, e ela é apenas uma jovem que desistiu de tudo para proteger o reino. Para manter o rei a salvo, Guinevere precisará transitar entre uma ultrapassada e uma nova corte. Entre aqueles avessos às mudanças e aqueles que anseiam por uma maneira melhor de se viver. Ela também sabe que, no coração das florestas e na profundeza dos lagos, a magia aguarda pelo momento de reclamar aquelas terras lendárias. Combates mortais, cavaleiros misteriosos e romances proibidos não são nada comparados ao maior perigo de todos: a garota de longos cabelos negros que cavalga pela escuridão da floresta em direção a Arthur. Afinal, quando toda a sua existência é uma mentira, como sequer confiar em si mesma?

resenha-a-farsa-de-guinevere-de-kiersten-white

Seria A Farsa de Guinevere o meu pior livro de 2021? 

Mais um dia, mais uma chance de me apaixonar por Kiersten White indo pelo ralo. E não é que eu não tenha me esforçado para gostar dos livros dela, sabe? É só que eu vou com uma expectativa que é completamente diferente da realidade.

A Farsa de Guinevere se passa dentro do universo de Camelot, certo? Na minha cabeça — e pela sinopse — eu ia viver uma grande aventura, cheia de mistérios, magia negra e reviravoltas com uma protagonista badass. 

Eu nem consigo colocar em palavras o quanto isso está longe da realidade.

Ao invés de grandes aventuras, nós temos um enredo que não caminha, uma heroína adolescente passiva e personagens tão apagados que, confesso não lembrar dos nomes de alguns deles.

Mas, como toda boa resenha, vamos destrinchar tudo o que deu errado pra mim em A Farsa de Guinevere.

Um enredo que não acontece absolutamente nada

Quero deixar claro que eu não acho que a escrita da Kiersten seja ruim, mas a forma como ela constrói os acontecimentos ao longo do enredo realmente é algo que me incomodou do começo ao fim do livro.

A Farsa de Guinevere dá muito foco para o emocional da personagem principal e pouco desenvolve os acontecimentos que são realmente relevantes para a história. 

Por exemplo, a Guinevere foi enviada para proteger o Arthur, certo? Só que o Arthur passa grande pare do livro ocupado com outras coisas, viajando sem a Guinevere e se envolvendo com problemas políticos que ela claramente deveria ser envolvida para protegê-lo.

Outro ponto é que a ameaça de magia das trevas me pareceu pouco relevante para a história. Primeiro porque a própria personagem me fez entender que talvez ela não tenha o poder necessário para combater o mal, caso ele aconteça. Segundo, ela passa a maior parte do livro preocupada em ser uma boa rainha de mentira do que realmente investigando as coisas.

O resultado disso? A história simplesmente não caminha.

Você acaba não tendo nenhum elemento instigante para manter seus olhos presos nas páginas do livro. Até pelo menos 280 páginas, tudo o que você consegue são diálogos cansativos sobre como a Guinevere (de mentira) não sente que consegue ser uma boa esposa para o Arthur ou uma boa rainha para Camelot.

Esse não deveria ser o foco dela, mas não seria um problema se não fosse justamente o que torna o enredo cansativo pra quem lê.

Uma heroína passiva demais para deixar a história interessante

Eu tenho muitos problemas com a Guinevere como protagonista desse livro. 

O primeiro deles é que ela é extremamente passiva nas suas atitudes. Ela observa mais do que age e deixa suas emoções tomarem conta da situação com muita facilidade. É mais do que óbvio que ela não está com a cabeça focada na missão.

O segundo é que Guinevere é uma adolescente de 16 anos que, até então, morava num buraco qualquer com o Merlin. Ou seja, é a primeira vez que ela tem um contato real com outras pessoas e isso reflete de uma forma muito dura na maneira como ela se comporta.

Isso também não seria um problema se não fosse a única coisa do enredo inteiro. 

São páginas e mais páginas da personagem descrevendo a sensação de tocar o peito másculo do Arthur sem querer, ou a forma como as costas dela roçam no peito másculo do Mordred quando ele a segura durante uma cavalgada. 

Ou o cheiro masculino de qualquer pessoa do sexo oposto dando um pouco mais de atenção do que ela estava acostumada a receber.

Eu não posso julgar a Kiersten White por ter desenvolvido esse lado da personagem, mas eu posso julgá-la por ter ignorado completamente o enredo do livro para dar foco nesse detalhe específico.

No fim, Guinevere decai de uma heroína com todas as características e elementos para torná-la a melhor personagem desse livro e se resume apenas em uma adolescente com problemas com o pai e hormônios descontrolados.

O Arthur é completamente irrelevante no livro

Eu quero lembrar, mais uma vez, que esse livro se passa em Camelot e que o personagem mais icônico dessas lendas é o rei Arthur. O problema é que pra Kiersten White isso não faz a menor diferença já que, ele basicamente desaparece logo no começo do livro e faz poucas aparições só pra causar desconforto e frustração na nossa protagonista.

Sinceramente? Não consegui entender muito bem qual é do personagem. 

A personalidade dele é apresentada de uma maneira muito superficial e não consigo dizer até onde ele realmente está envolvido nos acontecimentos do livro. Emocionalmente envolvido.

Ele é apresentado como um bom rei, mas as atitudes que ele toma ao longo do livro me fazem questionar se o Arthur das lendas populares de Camelot realmente teria uma atitude parecida com aquela.

Ele segue sendo um mistério e me deixando com a pulga atrás da orelha. Fora que, sendo sincera, ele e a Guinevere não demonstram química nenhuma para eu pelo menos conseguir torcer para que eles fiquem juntos no final.

Um romance blah, com personagens blah e com acontecimentos completamente irrelevantes para o desenvolvimento da história. 

E sabe qual o pior disso tudo? Eu realmente não posso afirmar que o romance dela é realmente com o Arthur porque os hormônios dela (a Guinevere) não deixam isso muito claro pra mim.

O plot twist mais óbvio que eu já vi na minha vida

Eu sei que conhecemos a história e que, talvez existam um número limitado de abordagens diferentes para a mesma coisa. Mas o vilão desse livro era completamente esperado desde a primeira página e a forma como ele nos foi apresentado é muito… aleatória.

São 300 páginas de absolutamente nada de relevante acontecendo no livro para que o personagem com mais tendencias e oportunidades de ser o vilão fosse revelando, obviamente, como vilão. 

E não foi por falta de opção, ok? 

Houveram momentos no livro em que eu realmente pensei que a Kiersten White não seria tão óbvia assim e que a proposta do livro, no final, me surpreenderia tanto que a minha opinião mudaria completamente.

Tínhamos uma cartela de personagens interessantes e linhas de abordagem que a autora poderia utilizar para uma boa reviravolta. Os acontecimentos estavam ali, apenas não foram utilizados em todo o seu potencial.

E assim, infelizmente, seguimos até a última página com um enredo arrastado e óbvio e sem nenhum acontecimento realmente chocante para fazer a minha leitura valer a pena. 

A Farsa de Guinevere foi uma grande decepção literária, principalmente porque eu estava muito disposta a gostar de um livro da Kiersten White e achei, de verdade, que esse seria o meu livro. E não foi. E eu comprei o segundo livro (antes de ler o primeiro) e agora eu não quero mais continuar a série. O que fazer?

Infelizmente, acho que Kiersten White não é pra mim. Espero que, algum dia, eu encontre um livro da autora que me fascine tanto quanto fascinou outros leitores. Por enquanto, não é esse.

Gostou? Compartilhe!pinterest twitter facebook
Débora Costa

Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

Deixe seu comentário

  1. Angela Cunha Gabriel comentou:

    Eu ainda não conheço as letras da autora, mas já li muita coisa referente a isso, sobre o fato dela fazer uma bagunça tão grande no enredo que ao invés de solucionar as coisas, escreve apenas para “encher linguiça”.
    Uma pena, pois esse universo de Arthur é tão vasto e daria para tecer muitas histórias sobre esse universo fantástico.
    Mas pelo jeito só salvou-se a capa que é lindíssima! rs
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na flor

  2. Ariela comentou:

    Esse livro eu nao tenho tanta curiosidade em ler, as historia do rei arthur nao me pega de jeito nenhum, poucas historias baseadas nisso que tenho vontade e ainda assim fico com um certo receio de n gostar por conta disso. Nao sei….
    Da autora ainda nao li nada, mas tenho vontade de ler um outra serie dela, acho que é mais romance historico. Bem curiosa.’

  3. Michelle Lins de Lemos comentou:

    Aaaaa! A tal expectativa…. as vezes nos prega uma peça.
    Não conheço a escrita da Kirsten. Sei é que ou amam as histórias ou não curtem absolutamente nada