Resenhas 02ago • 2018

Um Banquete Para Hitlerpor V.S. Alexander

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: The Taster
Gênero do Livro: Ficção Histórica, Guerra,
Editora: Gutenberg
Ano de Publicação: 2018
Número de Páginas: 304
Código ISBN: 9788582355206

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

Comprar: Amazon

Sinopse: Eu era uma das quinze mulheres que provavam sua comida, pois o Fürher era obcecado com a possibilidade de ser envenenado pelos Aliados ou por traidores dentro de seu círculo pessoal. Ninguém, exceto meu marido, sabe o que eu fiz. Nunca falei sobre isso. Eu não podia falar… Mas os segredos que guardei por tantos anos precisam ser revelados. Às vezes, a verdade me oprime e me apavora. É como uma queda sem fim em um poço fundo e escuro. Mas, ao escrever minha história, descobri muito sobre mim mesma e sobre a humanidade. E também sobre a crueldade dos homens que fazem leis para se adequarem aos seus próprios interesses. Eu conheci Hitler… E minha história precisa ser contada.” Unindo a história e a ficção, Um Banquete Para Hitler mostra os extremos de privilégio e opressão sob a ditadura do Fürher, expondo os dilemas morais da guerra em uma história emocionante, cheia de atos de extraordinária coragem em busca de segurança, liberdade e, finalmente, vingança.

Depois de bastante tempo sem fazer leituras que não fossem minimamente relacionadas ao meio acadêmico, finalmente pude retornar para um dos meus maiores amores: ler sem pressão. Eu já tinha tentado antes, mas sempre acabava me sentindo cansada, demorando bastante a ler e desanimando, por conta disso. Digo isso porque, quando a Débora me ofereceu esse livro para leitura, bateu o medo de não conseguir aproveitar tanto, de não conseguir mergulhar no livro. Ainda bem que eu tive receio à toa, pois Um Banquete para Hitler não é bem o que eu chamo de leitura decepcionante.

Um ponto que me chamou atenção no livro foi o fato de que V.S. Alexander, pseudônimo do autor, é estudante de história. Isso me deixou um pouco empolgada, pois já tive experiências legais com livros de ficção histórica escritos por pessoas da área de história. A sinopse, claro, também acrescentou curiosidade à mistura. Magda Ritter é uma garota alemã normal, até que,em 1943, uma guerra começa a despontar, bombardeios e destruição começam a se inserir na rotina da cidade e seu pai decide enviá-la para viver com seus tios, em Berchtesgaden.

“Por que ninguém matou Hitler antes de ele morrer no bunker? Uma trapaça do destino? Sua estranha habilidade de evitar a morte? Planos de assassinato foram traçados e, entre eles, muitos foram abortados. Apenas um conseguir ferir o Fuhrer. Aquela tentativa só reforçou sua crença na divina providência – seu direito sagrado de governar como achava oportuno.”

Saindo de Berlim, a vida de Magda se modifica drasticamente. O que dá, também, um outro ponto de vista à respeito da protagonista da história e de sua trajetória, seu crescimento e suas mudanças ao longo da história. Na casa de seus tios, Magda recebe tratamento diferenciado: se seus pais não permitiam que ela fizesse nada dentro de casa, ali ela teria que trabalhar. E não seria problema, não fosse o fato de que a jovem não possuía habilidades com basicamente nada. Diante de uma tia ameaçadora, Magda acaba por conseguir emprego como provadora de Hitler – logo ela, totalmente desligada de discussões políticas.

A narrativa é feita em primeira pessoa, com o prólogo do livro se passando em 2013, onde Magda relata ser viúva, sem filhos, ter feito parte da equipe de Hitler ao ser uma das quinze mulheres que provavam sua comida, para evitar envenenamento. Ela, ainda, introduz a questão “Quem matou Adolf Hitler?”, indicando que essa seria uma das tramas importantes no livro. Magda é uma personagem completamente inocente, podendo até soar irritante ocasionalmente, por conta disso. Mas, ainda, o livro possui bastante diálogo e ação, o que às vezes equilibra o fato de que a protagonista pode ser cansativa.

Eu me senti presa ao livro, pelo contexto histórico, pela riqueza de detalhes e informações contidas ali, e não queria soltá-lo durante grande parte da leitura, mas uma hora ficou cansativo e eu senti meu interesse brigar com a vontade de “parar pra descansar”. A protagonista, por exemplo, em meio ao monte de inocência presente no ser nela, pensa demais. Ela dramatiza demais. Me compadeci com o choque de estar numa guerra, achar o grande amor, de estarem em constante perigo, de estarem próximos demais do Hitler e, ainda, tramando uma traição, mas ela dramatiza demais as coisas e essas coisas acabaram me impedindo de fazer uma conexão com a personagem.

“Não podia falar nem comigo mesma. Como poderia manter tudo o que estava sentindo dentro de mim?”

Em contrapartida, compensando a personagem principal evoluir razoavelmente durante a história, personagens como a Eva, acompanhante de Hitler, Karl, o Coronel e Cook me soaram bastante interessantes. Meu sonho seria um livro só da Eva, no qual ela pudesse encontrar a felicidade, coitada. Mas esses personagens, apesar de não mostrarem muita evolução especialmente por serem secundários, apareciam sempre deixando a história mais interessante, dispersando um pouco essa coisa de ler Magda o tempo inteiro – ainda que ela estivesse narrando, fazendo com que essa visão fosse a partir do ponto de vista dela, né.

 

O enredo da história, como eu já comentei anteriormente, é cheio de reviravoltas. Magda sendo mandada para casa dos tios, caçando emprego, sendo empregada pelo Hitler, bombas, explosão, traição, morte, mais morte, mais traição, romance, casamento, morte, bomba, envenenamentos, frio na barriga para saber quem vai ser descoberto ou o que vai acontecer… essas coisas foram bem inseridas, bem escritas. Ainda que eu tenha a impressão de que um pouco menos de situações não seja, talvez, de todo mal no enredo.

A contextualização foi bastante bem feita. Sendo um livro em primeira pessoa, com a proposta contida no prólogo de ser uma contação de memórias (inclusive, para uma senhora de 95 anos, que memória, hein!), os detalhes e as descrições conseguiram me levar para uma Alemanha em que eu, ainda bem, nunca nem pisei. Eu conseguia sentir a falta de ar quando Magda estava enclausurada em seu trailer, dentre outras sensações nas trocas de cenários.

“Algumas pessoas não conseguem sentir cheiro de cianeto. É uma característica genética. Você tem sorte de conseguir; caso contrário, teria que encontrar outro trabalho.” Fiquei chocada com o meu infortúnio. Se eu tivesse mentido sobre o cheiro, poderia ter sido designada como cuidadora da cozinha ou outra tarefa menos perigosa. Em vez disso, através da minha ignorância sobre venenos, tinha garantido meu emprego como provadora.”

Talvez tenha faltado um pouco de dosagem da quantidade de reviravoltas, situações repetidas e de algumas características da Magda, protagonista. Mas, completamente balanceada, eu cheguei ao fim do livro agitada e tensa, pois foram nas últimas páginas que o enredo pegou velocidade e ficou muito mais intenso. Além de a carga emocional, presente no livro inteiro, ter sido aumentada. Vale observar, também, que o autor conseguiu fazer um livro sobre um tema polêmico, sobre um personagem polêmico da vida real sem fazer apologia ou levantar bandeiras, sabe? Isso foi legal.

Essa leitura me deu uma mistura de sensações, sabe? Ao mesmo tempo em que algumas coisas me incomodavam, como as citadas acima, eu me senti presa e fui até o fim do livro de bom grado. Mesmo nos momentos de cansaço da leitura, bastava respirar fundo e lembrar que haveria um plot twist logo mais em algum próximo parágrafo. E a quantidade de informações, fictícias ou não, foi muito instigante. A história foi baseada em uma provadora real de Hitler, então a minha cabeça ficou cheia de coisas sobre aquele contexto – e eu adoro quando livros de ficção histórica me causam isso, me levando ao limbo da realidade, da curiosidade e da fantasia.

Para meu retorno às minhas queridas leiturinhas, esse foi um bom livro, mesmo tendo sido um pouco menos empolgante quanto eu estava esperando. Talvez seja um caso de expectativas altas, ou não, vai saber. Mas, se você procura um romance, ficção histórica, ou goste de  muita reviravolta ou de coisas sobre a Segunda Guerra, Um Banquete Para Hitler é uma boa pedida caso você seja paciente ou se prenda facilmente aos acontecimentos.

Aproveite as promoções da Amazon e coloque Um Banquete para Hitler na estante!

Rafaela Rodrigues ver todos os artigos
Estudante de Letras Port/Inglês/Literaturas, viciada em livros, textos e séries. Português ou inglês? Ah, tá muito ocupada com um desses hobbies pra poder decidir. É prima (bem) distante da Beyoncé e um dia vai ser dona de uma editora e lançar todas as continuações dos livros que gosta, mas que nem os próprios autores quiseram escrever.

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2 Comentários

  • Daiane Araújo
    03 ago 2018

    Oi, Rafaela,

    Se tornar responsável pelo bem estar de alguém tão cruel, é algo difícil de digerir (sem trocadilhos).

    A trama, juntamente com esse cenário, no qual tudo se passa, aparentemente parece ser bem construída, por trazer algo real e cruel. Traz uma carga mais pesada. O enredo é perfeito.

    O livro possui algo um pouco diferente, por isso, quero tanto lê-lo.

  • Kleyse Oliveira
    02 ago 2018

    Oi Rafa!
    Eu adoro histórias que tenham o assunto o nazismo e tudo que envolve a segunda guerra mundial. Isso me faz querer saber mais sobre o assunto, eu já tinha visto uma resenha desse livro em um ig e fiquei curiosa para comprar. Adorei a tua resenha, com toda certeza assim que dê eu irei comprar para ler. Bjs

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