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Categoria(s): livros

A Biblioteca da Meia-Noite, de Matt Haig

de Matt Haig
Título Original: The Midnight Library
Gênero do Livro: Contemporâneo, Fantasia, Ficção
Editora: Bertrand Brasil
Ano de Publicação: 2021
Número de Páginas: 320
Código ISBN: 9786558380283
Sinopse: Após colecionar tristezas e arrependimentos, a protagonista desta história ganha uma oportunidade para fazer tudo de novo — e trocar sua vida por uma nova. Ela faz um mergulho interior viajando por uma biblioteca fantástica, onde tem a chance de desfazer seus arrependimentos e experimentar cada uma das outras vidas que poderia ter vivido. O que levanta a questão final: com escolhas infinitas, qual é a melhor maneira de viver?

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Se tem uma coisa que me preocupa dentro do universo literário é ler livros com hype.

Eu sempre  tive a sensação que os livros com hype podem atrapalhar o nosso julgamento da história ou, prometer uma experiência de leitura devastadoramente boa e no final, não entregar.

Graças a Deus, esse não é o caso de A Biblioteca da Meia-Noite.

Eu sou uma viciada em livros sobre o próprio protagonista, sabe? Livros que exploram as nuances emocionais do personagem, que nos jogam dentro de um turbilhão emocional, que nos apresentam um processo de crescimento. V.E. Schawb fez isso muito bem em A Vida Invisível de Addie LaRue e Matt Heig conseguiu fazer ainda melhor em A Biblioteca da Meia-Noite.

Saúde mental como o ponta pé inicial da trama

Nora é uma protagonista que, claramente, está batalhando com a sua saúde mental. Depois de abrir mão de escolhas que considera importantes na sua vida, seus dias são resumidos a uma única aula de piano e um trabalho para ocupar o tempo.

Quando seu gato morre, Nora sente que entrou em uma espiral de acontecimentos ruins, o que a leva a acreditar que o mundo não é mais o lugar dela. Acredito que qualquer pessoa que tenha sofrido ansiedade ou mesmo depressão (que é o meu caso) consegue se identificar com a protagonista.

Os pequenos acontecimentos do dia de Nora se tornam, na cabeça dela, muito maiores do que realmente são. Ela começa a questionar todas as escolhas que já fez na sua vida, todas as decisões que talvez precisassem ser diferentes e a solidão da sua vida começa a pesar.

Entender quem é a Nora e porque ela se sente tão mal por não ter realizado todas as coisas que esperavam dela é importante para entendermos o motivo pelo qual a biblioteca da meia-noite existe e porque a nossa aventura precisa começar ali.

Todas as vidas em uma única biblioteca

A biblioteca da meia-noite nada mais é do que uma manifestação mágica do inconsciente da nossa protagonista, por isso encontramos tantos elementos que se referem a vida dela — como a bibliotecária que a ajuda nessa jornada de auto conhecimento.

Conforme Nora recebe a possibilidade de explorar as possibilidades da sua, caso tivesse feito uma escolha diferente, entendemos que, no final, as coisas sempre acontecem exatamente como tem que acontecer.

O ponto da biblioteca da meia-noite é que: não importa quantas vidas a Nora experimente, se apaixone, vivencie… nenhuma dessas vidas é a vida dela, com as coisas que ela conhece e com as experiências que ela valoriza.

Ainda assim, conseguir tirar uma vida de uma prateleira e viver uma realidade completamente diferente, faz com que a nossa protagonista comece a perceber que as motivações as quais vinha se agarrando eram sonhos de outras pessoas e não dela própria.

A culpa de desapontar o outro sendo muito maior do que a culpa de desapontar a si mesma. 

Um grande tapa na nossa cara

Eu devorei esse livro em poucas horas. Simplesmente não conseguia abrir mão dessa jornada enquanto não entendesse quais seriam as escolhas da Nora e o que ela tiraria de lição de toda essa experiência.

A Biblioteca da Meia-Noite me fez pensar que, muitas vezes, passamos boa parte da nossa vida nos julgando e nos cobrando de coisas que precisam ser exatamente como são. A vida não precisa ter esse peso todo que colocamos nela.

Matt Heig tem uma escrita de tirar o fôlego. É introspecta e viciante, exatamente como eu gosto e faz com que eu me sinta presa e completamente imersa na história que está sendo contada.

Ler A Biblioteca da Meia-Noite foi uma experiência inesquecível. Esse é um daqueles livros que a gente dá a vida para ler pela primeira vez, de novo.

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Débora Costa

Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

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  1. Michelle Lins de Lemos comentou:

    A primeira vez que vi o livro passou batido mas fui ler com calma e me apaixonei pela história e hoje é um super desejados da minha wishlist

  2. Ariela comentou:

    Eu também gosto muito desses livros que nos deixam imersos na cabeça, nos pensamentos dos personagem, pra mim sao os mulheres.
    Eu to bem animada pra ler esse livro, acho que posso ate favoritar ele, mas ainda assim mesmo com essa animação, to indo sem expectativa muuuito alta rsrsrs….
    Espero muito gostar!!!!
    E essa capa é tao linda de perto. Amei, amei!

  3. Angela Cunha Gabriel comentou:

    Um dos livros que com toda certeza do mundo está já entre os favoritos do ano!!!Eu amei fazer essa viagem com Nora.
    Amei suas escolhas, suas decisões, suas incerteza.
    E é realmente um tapa na nossa cara, ainda mais quando se enfrenta a depressão diariamente, como eu a enfrento!!!
    Fora o tanto que a edição é linda né? rs
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na flor