Resenhas 03jan • 2019

Uma Coisa Absolutamente Fantásticapor Hank Green

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: An Absolutely Remarkable Thing
Gênero do Livro: Ficção Científica, Young Adult, Contemporâneo
Editora: Seguinte
Ano de Publicação: 2018
Número de Páginas: 344
Código ISBN: 9788555340758

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

Comprar: Amazon

Sinopse: Enquanto volta para casa depois de trabalhar até de madrugada, a jovem April May esbarra numa escultura gigante. Impressionada com sua aparência — uma espécie de robô de três metros de altura —, April chama seu amigo Andy para gravar um vídeo sobre a aparição e postar no YouTube. No dia seguinte, a garota acorda e descobre que há esculturas idênticas em dezenas de cidades pelo mundo, sem que ninguém saiba como foram parar lá. Por ter sido o primeiro registro, o vídeo de April viraliza e ela se vê sob os holofotes da mídia mundial. Agora, April terá de lidar com os impactos da fama em seus relacionamentos, em sua segurança, e em sua própria identidade. Tudo isso enquanto tenta descobrir o que são essas esculturas — e o que querem de nós. Divertida e envolvente, essa história trata de temas muito relevantes nos dias atuais: como lidamos com o medo e o desconhecido e, principalmente, como as redes sociais estão mudando conceitos como fama, retórica e radicalização.

A gente não pode ver o sobrenome “Green” na capa de um livro que já que ir lá e comprar. Quando fiquei sabendo que Hank Green, irmão do John Green, ia lançar o seu primeiro livro, já fiquei curioso. E todas as sinopses e comentários que eu lia sobre Uma Coisa Absolutamente Fantástica, o título de seu livro de estréia, me deixavam ainda mais curioso. Então, quando finalmente tive a oportunidade de fazer essa leitura, não sabia exatamente o que esperar. E o que eu encontrei foi uma história que me surpreendeu, tanto pela sua qualidade, tanto pela forma que aborda os temas mais variados.

Em Uma Coisa Absolutamente Fantástica, a protagonista April May está saindo de seu trabalho em uma madrugada em Nova York quando esbarra em uma estátua, que ela com certeza nunca tinha visto antes. Como designer e amante das artes, ela fica fascinada pela estátua e ela liga para seu melhor amigo Andy, e os dois gravaram um vídeo mostrando a estátua, e colocam no YouTube. O que April nem imagina é que várias outras estátuas aparecem em vários outros pontos no planeta Terra. As estátuas, que graças a April, ganham o apelido de Carl, podem ser vindas de outro planeta, e April, sem saber, pode ter se tornado uma das pessoas mais importantes da história da humanidade.

“Você nunca pode parar de criar conteúdo, não só porque a sensação de que as pessoas te ouvem é boa, mas também porque você precisa manter a atenção delas presa. E eu tinha me acostumado a medir minha vida em curtidas.”

Pra começo de conversa, vamos falar do mais importante: A escrita do Hank Green. Acho que assim como eu, muitas pessoas podem entrar na leitura de Uma Coisa Absolutamente Fantástica com uma certa apreensão sobre a escrita do Hank. Em parte por ser o primeiro livro dele, e em parte por ele ser o irmão do John Green. Mas vamos deixar bem claro de uma vez, a escrita do Hank Green é boa sim. Pra quem estava preocupado de a publicação do livro ser motivada apenas pela associação do Hank com o John, pode ficar tranquilo. A escrita do Hank é forte o bastante para carregar esse livro sem a ajuda do irmão.

A estrutura do livro também é muito legal. Contado do ponto de vista da April, o livro passa pelos pontos importantes da história dela e não se agarra nos pontos menos interessantes, como ela própria diz. Essa narrativa impede que o livro caia naqueles pontos mais chatos e deixa a história bem mais divertida de ler. O tom da narrativa da April também é bem legal, o tipo de voz que eu consigo ver muita gente se identificando. Eu mesmo reconheci algumas pessoas que conheço na April. E esse foi o motivo de eu ter ficado feliz de ver uma protagonista um pouco mais velha do que geralmente vemos em livros YA. Eu achei que isso contribuiu muito para a história.

Falando na April, adoro ela como protagonista. Ela é uma garota inteligente, determinada, e bastante forte, mas que passa por momentos que deixam claras suas fraquezas. O único problema que eu tive com ela, e possivelmente isso nem é um problema propriamente dito, é a mania que ela tem de querer resolver as coisas sozinha. No começo, isso me irritou, pois a mensagem principal do livro é basicamente que a raça humana precisa trabalhar junta para prosperar, mas depois de conversar sobre o livro com a Débora, chegamos a conclusão que isso é proposital, e que a personagem está exemplificando uma falha do próprio ser humano. E o livro também ganha pontos por ter uma protagonista bissexual.

“Somos seres irracionais, fáceis de manipular quando se está disposto a qualquer coisa. É extremamente assim que os terroristas se convencem de que a morte das pessoas vale a pena. A ferida que deixou foi maior que o número de vidas perdidas; teríamos que conviver com ela para sempre.”

Os personagens de apoio da April são muito bem construídos, e eu gostei de todos eles. Andy e Miranda, os amigos de April, e Maya, a colega de quarto e meio-que-namorada, são ótimos coadjuvantes para a história dela. Eu gostaria de ter visto um pouco mais do Andy, principalmente depois de ler o capítulo que é narrado por ele, mas entendo que o livro é focado principalmente na April. E tenho que dar destaque para o grande vilão do livro, Peter Petrawicki, um comentarista político, que é uma representação perfeita de várias figuras que vemos por aí na mídia. É realmente assustador ver a forma que ele e os seguidores dele operam, até a hora que você lembra que tem gente no mundo real exatamente como ele, aí tudo fica bem mais assustador.

O mistério sobre o que exatamente são os Carls é uma frame legal para o plot do livro, mas com certeza não é a parte mais importante. A mensagem principal da história é, como eu já tinha falado, a união entre os seres humanos, e o livro explora muito bem os empecilhos que aparecem para que essa união aconteça. E mesmo com esses empecilhos, é muito legal ver como é criada toda uma comunidade dedicada a resolver o mistério dos Carls. E é interessante ver também a forma que a mídia retrata o aparecimento deles e o medo que ser cria em torno deles. É uma representação bem realista do que aconteceria se eles aparecessem na vida real, na minha opinião.

Uma Coisa Absolutamente Fantástica é uma exploração muito interessante sobre como os seres humanos reagem a uma coisa extraordinária. April May é uma excelente narradora para essa história e Hank Green faz um ótimo trabalho como autor desse livro. Superou de longe todas as minhas expectativas e eu tenho certeza que vai ser apenas o começo da carreira do Hank como escritor. Apesar de ter tido algumas reservas durante a leitura, quanto mais eu reflito sobre esse livro, mais eu acho coisas que me agradaram. No geral, recomendo essa leitura para todos e com certeza vou estar acompanhando os próximos livros do Hank Green.

Vinicius Fagundes ver todos os artigos
24 anos. Formado em Publicidade e Propaganda. Viciado em histórias. Desconhecido mundialmente.

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13 Comentários

  • Ycaro Santana
    13 jan 2019

    Li uma resenha sobre esse livro ontem e não gostei. Entretanto, a sua me fez repensar sobre. Gostei bastante da representatividade lésbica, inicialmente, e apesar de não ser muito envolvido com esse gênero, a sinopse me interessou, deixando-me entusiasmado com a resenha. Gostei do resultado, outros pontos que me conquistaram na trama foram a fama como tema na história e a crítica.

  • Aline Bechi
    12 jan 2019

    Olá, tudo bem?
    Já iniciei essa resenha louca para ler o livro por descobrir que o autor é irmão do John Green, e depois de você apresentar sobre o que a obra diz, fiquei ainda mais curiosa.
    Mais um livro para a minha lista de leitura, ainda mais depois de uma resenha tão positiva.

    Beijos

  • Jora
    11 jan 2019

    Ainda não tinha me interessado pelo livro porque a sinopse parece um tanto mais do mesmo e não sou muito fã dos livros do irmão dele, mesmo que provavelmente e escrita de um não tenha muito a ver com a do outro, minha tendência é rotular como igual. Mas com a resenha deu pra perceber que o foco é mais o impacto de um acontecimento extraordinário na humanidade do que o acontecimento em si, além de falar sobre a força da mídia, vou considerar colocar em minha lista esse ano.

  • Lara Caroline
    11 jan 2019

    Olá Vinicius, tudo bem?
    Eu achei muito legal a premissa do livro, e fiquei em curiosa para conhecer a escrita do Hank Green. A princípio eu tinha achado o enredo meio bobinho, mas ao ler sua resenha fico feliz por estar enganada e por ver que o autor coloca também representatividade no livro.

  • Polyana Pinheiro
    09 jan 2019

    Com toda certeza esse livro ganhou notoriedade, primeiramente, por carregar o nome Green e ser associado ao John Green. Mas é legal saber que o livro se sustenta sozinho, apesar da relação de parentesco dos dois autores. Eu já cansei de ver esse livro por aí, mas nunca tinha, realmente, parado para ler a sinopse e entender um pouco mais sobre o que se trata. Confesso que, lendo sua resenha, fiquei até interessada na obra.

    Au revoir ♡

  • Maria de Lourdes Teixeira
    07 jan 2019

    Olha só. Não sabia que o “JOÃO VERDE” Tinja irmão autor.
    Quando vi o Green, pensei q era do John. Não vi nada ainda sobre. Só essa resenha agora. É claro, já fiquei curiosa par a conhecer a história.

    Bjs
    Maria de Lourdes Teixeira
    Ou/Maria melo

  • Alison de Jesus
    06 jan 2019

    Olá Vinicius!
    Tenho visto muitos elogios à obra de estreia de Hank Green, e com uma sinopse tão curiosa como esta é impossível não fica ao menor curioso para conferir a escrita do autor (ainda mais se os leitores já são íntimos de seu irmão). A trama como um todo parece ser muito bem construída, sendo que o autor parece acertar ao contar com um linguajar atual totalmente condizente com o contexto da narrativa. A protagonista e os personagens secundários se deixam facilmente serem cativados pelos leitores, algo também recorrente na obras de Green.
    Beijos.

  • Nil Macedo
    04 jan 2019

    É ótimo quando um autor já começa bem assim. Ainda mais sendo irmão do John Green, com certeza ele deve ter tido uma pressão maior com a publicação do livro.
    Tempos modernos em que a mocinha YA é mais velha. Isso é ótimo, pra mostrar várias facetas desse gênero. Com certeza quero ler esse livro, principalmente por não parecer um YA tão clichê como temos tido por aí.

  • Vitória Pantielly
    04 jan 2019

    Oi Vinicíus,
    Eu vi esse livro nos lançamentos, e nem me toquei no sobrenome, o John não é um autor que me conquistou muito, talvez por isso a falta de interesse.
    Eu li que o livro faz algumas críticas a manipulação que a internet nos traz, isso eu acho bacana, mas, em um geral, achei o enredo bem simples. Fico tentada a ler, por curiosidade, mas, sinceramente, não é uma história que parece prender tanto.
    Beijos

  • Kleyse Oliveira
    04 jan 2019

    Noosa. Eu fiquei na dúvida se comprava esse livro, pq li uma resenha negativa da história, mas lendo a sua resenha Vinicius eu fiquei agora encantada pela história e ansiosa para comprar para ler.

  • Maira Schein
    04 jan 2019

    Não sou super fã do John Green, então acho que por isso o livro do irmão dele não me chamou muita atenção, até agora. Achei a sinopse muito interessante e as tuas impressões também. Acho que meio que já gostei dessa protagonista antes mesmo de ler o livro hahha ele vai pra listinha de “para ler” com certeza.

  • Angela Cunha
    04 jan 2019

    Tão prazeroso ver que um irmão não dependeu do nome já do outro irmão famoso para mostrar que talento vem de berço sim!
    Este livro foi um dos grandes comentados no ano passado, por apresentar um enredo diferente e ao mesmo tempo, tão atual!
    A tecnologia, o novo, o que vem depois da curva!
    Li estes dias que é um livro de ficção que não tem ficção.rs
    Lista de desejados com certeza!!!
    Beijo

  • Ludyanne Carvalho
    03 jan 2019

    Não tive/não tenho muita curiosa sobre o livro do Hank, o motivo maior é o gênero que não me chama atenção, mas é inegável que estou muito curiosa para saber sobre os Carls… Não consigo imaginar como eles vão parar em diversos lugares.
    Essa é a resenha mais profunda que li sobre, e fico feliz em saber da mensagem que o autor transmite.

    Beijos

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