Resenhas 06dez • 2018

Duas Vezes Amorpor Katie Cotugno

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: How to Love
Gênero do Livro: Young Adult, Romance, Contemporâneo, New Adult
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2014
Número de Páginas: 384
Código ISBN: 9788579801983

Obs: Este livro foi cedido pela editora em parceria para resenha.

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Sinopse: É possível se apaixonar duas vezes pela mesma pessoa? Em Duas vezes amor, elogiado romance de estreia da norte-americana Katie Cotugno, a jovem Reena descobre que sim. Aos 16 anos, ela vê seus sonhos interrompidos por uma inesperada gravidez, ao mesmo tempo em que enfrenta a ausência da mãe, que morreu quando Reena era criança, a indiferença do pai e o sumiço do namorado, Sawyer. Mas quando ele retorna à cidade, dois anos depois, e fica sabendo que é pai de uma menina, Reena tem a chance de tentar entender o que levou o garoto a desaparecer. E desse reencontro, os dois descobrem o amor pela segunda vez.

Vocês conhecem a teoria de que um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar? Eu pensei que isso pudesse acontecer com Katie Cotugno, sabe? Eu li 99 Dias e eu achei a escrita da autoria sensacional, mas será que eu iria gostar de algum outro livro dela? Bem, eu peguei Duas Vezes Amor para ler e confesso que eu estou um pouco extasiada depois dessa leitura. Não só a escrita de Cotugno continua tão maravilhosa quanto em 99 Dias, mas os seus personagens me ganharam completamente na primeira linha do livro.

Duas Vezes Amor divide a sua narrativa entre “antes” e “depois”. No “antes”, nós conhecemos um pouco da história da Reena antes de ela engravidar. Como ela conheceu Sawyer, como era a sua vida na escola e, principalmente, como era a relação dela com a família. Já no “depois”, nós conhecemos a versão da Reena que está criando sua filha sozinha, sem o pai e sofrendo o julgamento de todo mundo a sua volta – incluindo seu pai, por ter engravidado aos 16 anos. Ou seja, o enredo tem fortes emoções de todos os lados.

“Eu soube que jamais esqueceria isso enquanto eu vivesse, as luzes de neon da sorveteria próxima, a expressão de curiosidade no rosto lindo de Sawyer LeGrande, e os minúsculos cacos de vidro incrustados no asfalto, como se algo frágil e brilhante tivesse acabado de explodir ali.”

Eu realmente gostei de conhecer os personagens em seu “antes” e “depois”, eu acho que ajudou muito a construir esse senso de que a Reena vem de uma família muito católica e que, depois da morte da sua mãe, todas as suas decisões eram cautelosamente tomadas. E quando a gravidez veio e toda aquela realidade que ela conhecida mudou, você consegue ver na voz da personagem que ela não é mais a mesma pessoa, embora esteja claramente muito apaixonada pelo mesmo garoto.

Cotugno tem uma sutileza impressionante para falar de um assunto tão complicado como gravidez na adolescência. Você consegue se colocar no lugar da Reena, você entende que ela era uma garota apaixonada, que sempre calculava seus movimentos, que tinha tantas incertezas quanto qualquer garota na idade dela e ainda assim, ela precisou crescer e aprender a lidar com as mudanças que a vida a estava impondo, sozinha. Neste ponto, Duas Vezes Amor me deixou com um misto de raiva e emoção. Eu queria abraçar Reena o tempo todo ao mesmo tempo que eu queria agredir todas as pessoas a volta dela, incluindo Sawyer.

Tá, vocês precisam saber que eu não gostei muito do Sawyer. Eu super entendo que a gente tem essa tendência a gostar mais dos caras que tem essa vibe de bad boy arrependido com um toque de mistério mas, com tudo o que ele fez com a Reena – desde a maneira como ele fez ela se sentir e tudo o que aconteceu depois, eu não conseguir ver o personagem além de um grande babaca. E tudo bem, ele tem lá os motivos sombrios para ser do jeito que ele é, mas eu só realmente não consegui engolir esse cara.

“- Você não se cansa?
– De quê?
– De ser quem todos pensam que é.”

Por outro lado, Reena é uma protagonista excelente. Fica muito fácil se identificar com ela quando você tem esse problema com lugares lotados e adolescentes fazendo coisas aleatórias. Ela é uma garota muito centrada nas coisas que ela faz e, mesmo depois da gravidez, ela tentou continuar sendo essa mesma garota até perceber que não dava mais. Eu acho que um dos maiores crescimentos da personagem ao longo do livro é quando ela finalmente percebe que ela não fez nada de errado e para de se punir.

Duas Vezes Amor não foi um livro fácil de ler como eu imaginei que seria. Eu gosto de como a autora expõe a hipocrisia da sociedade de uma forma muito sutil no livro, principalmente quando se trata dos pais do Sawyer que, deveriam ter sido o ponto de apoio da Reena nessa situação, considerando que o filho deles foi embora e eles conhecem a Reena desde sempre. Ainda assim, por mais que o romance estivesse no ar, eu não conseguia deixar de lado essa sensação de dor quando a Reena narrava a sua história. Ela não merecia passar por tudo aquilo, sabe?

Eu não acho que Duas Vezes Amor seja tanto sobre o relacionamento dos dois, mas sim sobre o sentimento da Reena e, realmente, a forma como ela se apaixona pelo Sawyer e a maneira como ele consegue entender e respeitar a forma como ela lida com o mundo a sua volta é muito bonita. Mas infelizmente eu não consigo vê-los como um casal, principalmente depois de tudo o que aconteceu. Tem muita história e muito drama envolvido para construir algo saudável em cima sabe?

Por fim, Duas Vezes Amor foi uma leitura maravilhosa e que conseguiu me surpreender muito a sua maneira. Eu gostei do que foi abordado no livro, o relacionamento da Reena com a própria família e essa crítica a sociedade que teima em nos dizer como devemos fazer as coisas e quando devemos fazer. Assim como em 99 Dias, Katie Cotugno conseguiu entregar isso muito bem ao longo do enredo. Mal posso esperar para ler outras coisas dessa autora!

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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6 Comentários

  • Luana Martins
    31 dez 2018

    Olá, Débora
    Não li nada da autora, mas gostei muito da premissa do livro.
    Apesar de Reena amar Sawyer ela seguiu em frente, mesmo com todo sofrimento evoluiu como pessoa.
    Quero muito ler esse livro, você mostrou nessa resenha que Reena merece muita atenção, carinho.
    Beijos

  • Aline Bechi
    31 dez 2018

    Olá, tudo bom?
    Fico feliz que você não tenha se decepcionado com a escrita da autora e tenha gostado do livro.
    Eu mesma adoro livros que vem e voltam no tempo, para mim ajuda e muito a dar uma melhor construída e aprofundada na trama e nos personagens. Funciona na maioria dos casos, o que não é diferente aqui pelo jeito.
    Gostei muito das suas impressões.

    Beijos

  • Nil Macedo
    29 dez 2018

    Eu não conheço a escrita da autora mas já tinha visto o livro 99 dias nas livrarias.
    O tema abordado, gravidez na adolescencia, é um tema bem forte. Normalmente se condena muito as meninas quando isso acontece e, é exatamente essa a hora que elas mais precisam de apoio. Eu digo apoiar não passar a mão na cabeça.
    Com certeza indicaria esse tipo de livro para todos os adolescentes se conscientizarem.
    Gostei demais da resenha.

  • Pamela Liu
    10 dez 2018

    Oi Débora.
    Esse livro já estava na minha lista de desejados, mas depois de ler a sua resenha fiquei super empolgada para lê-lo.
    Achei ótimo a narrativa ser divida entre ‘antes’ e ‘depois’. Dá para ver que a vida de Reena mudou bastante.
    A sociedade é bastante hipócrita quando se trata de “mãe solteira”, sempre julgando a mãe, mas não o pai.
    Espero ler o livro em breve.
    Beijos

  • Kleyse Oliveira
    07 dez 2018

    Ahhhh eu já quero esse livro para ler. Adoro quando o autor cria histórias assim que não foque tanto no romance dos principais.
    Que bom que você gostou da história. Já vou colocar na minha wishlist para comprar ano que vem ele.

  • Angela Cunha
    07 dez 2018

    Eu ainda não conheço as letras da autora, mas pelo que li acima, estou é no prejuízo! Amo estes dramas que envolvem problemas reais, ainda mais se tratando de gravidez na adolescência. Que sim, ainda é infelizmente, condenado e sim, julgado por uma sociedade que não investe em ensinamentos!
    Mas voltando ao livro, os personagens parecem ter sido muito bem construídos e Reena parece ser a doce menina, não a que se engana com uma paixão, mas a menina que descobre o amor e isso parece ter sido colocado em cada letra de uma forma doce e única!!!
    Com certeza, o livro vai para a lista de mais desejados!!!
    Beijo

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