20ago • 2018

A Duquesapor Danielle Steel

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: The Duchess
Gênero do Livro: Romance Histórico
Editora: Record
Ano de Publicação: 2018
Número de Páginas: 336
Código ISBN: 9788501113566

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

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Sinopse: Angélique Latham cresceu no esplendoroso Castelo Belgrave, na Inglaterra, e foi criada sob a tutela e o carinho do pai, o duque de Westerfield. Aos 18 anos, ela é a menina dos olhos do duque, mas, assim que ele morre, seus meios-irmãos mais velhos lhe viram as costas, abandonando-a completamente. Porém, com sua inteligência aguçada, uma beleza arrebatadora e um baú de dinheiro que seu pai lhe deu em segredo no leito de morte, ela fará de tudo para sobreviver.Sem conseguir arrumar emprego por não ter uma carta de referência, mesmo depois de um tempo trabalhando como babá, Angélique tenta a sorte em Paris. E é lá que o destino coloca em seu caminho uma prostituta, vítima dos maus-tratos de Madame Albin. Ao ajudar a jovem, Angélique vê uma oportunidade: abrir um bordel de luxo para atender aos homens mais abastados da cidade e onde pudesse proteger essas mulheres. Logo, o elegante Le Boudoir, um lugar onde os homens poderosos podem satisfazer seus desejos mais secretos com as companhias mais sofisticadas, se torna a sensação de Paris. Mas, vivendo na iminência de um escândalo, Angélique conseguirá algum dia recuperar seu lugar no mundo?Da Inglaterra do século XIX, passando por Paris e Nova York, Danielle Steel retrata uma época de luta das mulheres em uma sociedade predominantemente masculina ao contar a história inspiradora de uma cativante dama de espírito revolucionário.

Meu primeiro encontro com Danielle Steel foi há alguns anos, tanto que eu nem me recordava disso quando peguei A Duquesa para leitura. Com romance de época, no entanto, eu já venho mantendo uma relação saudável e constante há um tempo, então minha empolgação foi nas alturas quando olhei a capa avermelhada e bonita do livro, ainda que comum para o gênero gênero. Eu não lembrava realmente de ter lido nada de Steel antes, então posso dizer que mergulhei no enredo de A Duquesa sem reservas, e não me arrependi disso.

Considerando a promessa da contracapa, que nos traz uma jovem rica e bem protegida, mas que fica sozinha no mundo e que precisa apelar para a sensualidade em troca de sobrevivência, visualizei logo um romance com um cavalheiro de título, um nobre, um escândalo e tudo o que podemos adicionar à mistura de um romance de época, principalmente por serem itens comuns ao gênero – e que eu adoro, diga-se de passagem. Mas fui tendo minhas suposições canceladas ao longo da trama, pois Danielle apresenta uma protagonista – Angélique – forte, inteligente, sóbria e determinada.

“Angelique era requintada, elegante, tinha bons modos, estava bem-vestida e era delicada e calorosa ao mesmo tempo. Ele nunca conhecera alguém que o intrigasse tanto.”

A impressão que tive, definitivamente, não foi a de ter lido história como a desse livro antes, o que é bom. O único problema, é que senti um pouco de incômodo com a quantidade de acontecimentos negativos nas costas da pobre menina, literalmente, que tinha 18 anos ao ser abandonada e vendida como criada pelo irmão, herdeiro da fortuna de seu pai, duque. Pode ser que esse tenha sido o caminho para mostrar que ela conseguia passar por tudo, mesmo sendo jovem, se manter firme e forte e encontrar a superação (com uma redenção ao final, de cereja do bolo).

O ritmo da leitura foi bem fluido, com reviravoltas pontuais e tensas, que me deram tempo de absorver tudo sem confusão. Os personagens não eram em excesso e todos os apresentados foram bem inseridos no enredo – dos criados de Belgrave, o castelo de Angélique, às ladies do Le Bodoir. Creio que a forma como a história foi “dividida”, também, fez com que eu me envolvesse menos; apesar do ritmo fluido de leitura, de ter lido o livro em pouquíssimo tempo, senti que quase metade da história se deu ali na rotina dela na casa dos Fergusons, onde trabalho como babá.

A premissa da história, da menina protegida pelo pai que vira mulher empreendedora na marra, passando pela vida de babá, servindo ao invés de ser servida, que dá a volta por cima num período pré Vitoriano, monta um bordel e vira cortesã é maravilhosa. É diferente, foge da mocinha que precisa casar com um homem carrasco rico só pelo título. Especialmente para um romance inserido no contexto do século XIX inglês: entrando na era Vitoriana, princípios morais bem rígidos, gente puritana e repressão sexual a todo vapor, que não abriam espaço para mulheres serem independentes ou sensuais assim.

“O irmão era uma cobra. Prometeu ao pai que proveria seu sustento e, em vez disso, expulsava-a de sua casa e a mandava trabalhar como babá para estranhos, pessoas que ela nem mesmo conhecia. Era quase inacreditável sabe quanto Tristan, Edward e Elizabeth sempre a odiaram e se ressentiam do relacionamento que ela tinha com o pai. Eles foram para cima dela como lobos.”

Angélique, após se ver de mãos abanando, expulsa de casa, desempregada e sem visão de um futuro, precisa arregaçar as mangas para resolver a própria situação e resolve isso da forma mais improvável: filha de duque, bem criada e bilíngue, parente de reis, trabalha como babá, abre um bordel. Adorei ver como a amizade dela com alguns homens (Thomas, por exemplo) se deu.

O problema foi apenas que metade da história foi para relatar a vida dela como babá. A sequência em que Angélique se vê na aventura de gerenciar um bordel de luxo, ao lado de Fabienne e outras nove mulheres me pareceu passar rápido, com menos detalhes. Ainda, o romance, envolvimento amoroso, entre Angélique e outro homem – que não mencionarei, risco de spoiler – se dá muito no final e o desenrolar da vida dela acaba por parecer um pouco corrido. Eu não sei se a intenção da Danielle Steel foi de deixar isso para o final, realmente, com foco na independência e passar a mensagem de que foi apenas um acaso do destino, e não uma opção de resolver os problemas dela com a solução mais comum para a época: casamento, família e filhos, coisa que a protagonista nem sabia se poderia algum dia ter, desde quando sua saga começou.

As descrições, os detalhes dados no livro, inclusive, aparecem sem exagero, bem no meio termo em relação ao excesso de profundidade e detalhamento, mas não sendo supérfluos e secos, de modo a impedir uma conexão com a história. É realmente muito focado na protagonista, e não falo de forma tão negativa por esse não ter sido um grande incômodo durante a leitura, e as soluções encontradas pela autora foram boas para o que foi proposto.

Por fim, essa foi uma experiência razoavelmente boa para mim, considerando que foi minha segunda experiência com Danielle Steel e que a primeira tinha sido bem desagradável. Eu não me oporia a ler outros títulos da mesma, e tranquilamente recomendo A Duquesa para quem busca uma leitura rápida, fluida, com final agradável e que, apesar de ser de época, não traga personagens femininas sendo degradadas gratuitamente ao longo do enredo – ponto positivo, inclusive! Se você já leu esse livro, me conta o que achou, e se não leu…bem, espero sua opinião quando terminar.

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7 Comentários

  • […] em uma leitura, é que a gente bate com a cabeça por não encontrar profundidade o suficiente, ou apenas não consegue um mergulho satisfatório. Ambas as coisas aconteceram comigo, e vou explicar os motivos. A premissa da história é […]

  • Lily Viana
    agosto 31, 2018

    Olá!
    Já li resenha sobre o livro e li comentários positivos. Um romance de época muito bem escrito e estou bem curiosa por essa trama, apesar de não conhecer muito a autora mas quero muito ler.

    Meu blog:
    Tempos Literários

  • Iêda Cavalcante
    agosto 30, 2018

    Oiee!
    Já um ou outro livro da Steel, mas como foi há muito tempo, não lembro muito bem da escrita dela.
    Estava super empolgada com o livro, mas a medida que fui lendo sua resenha minha empolgação foi murchando, até ficar em quase nada. Terminei a resenha sem saber mais se quero ou não ler o livro, porque umas partes me ganhou, como o fato dela conseguir dar a volta por cima, e outras não, como o fato do romance ter ficado tão pra o final.
    No momento é não, quem sabe mais pra frente eu tente, ou prefira ler outra obra da autora. No momento não sei.
    Bjokas!

  • Bianca Melo
    agosto 30, 2018

    Normalmente não curto romances históricos, me parece meio genérico, sei lá…
    mas gostei muito da resenha e estou pensando em dar uma chance ao livro. Ter uma mocinha forte e independente, que não fica caída de amores por um cara, é raro de ser ver nesse gênero e fiquei curiosa.

  • Elizete Silva
    agosto 29, 2018

    Olá! Apesar de não ser o que eu esperava, a história parece ser interessante, Angélique parece ser uma personagem bem determinada, uma pena que o final tenha ficado um pouco corrido, mesmo assim, fiquei curiosa para conferir o livro.

  • Kleyse Oliveira
    agosto 21, 2018

    Meudeus. Que capa maravilhosa desse livro, já quero demais comcomprar, vou já adicionar a minha wishlist para futuras aquisições. Adoreeeeei a resenha e as fotos. Eu não conhecia esse livro nem o autora, logo eu que sou apaixonada por romances esse com certeza vai para minha estante assim que eu comprar ele.

  • Daiane Araújo
    agosto 21, 2018

    Oi, Rafaela,

    A Angelique me parece ser uma personagem centrada. Além disso, obstinada – fruto de todos os seus sofrimentos.

    Gosto quando o livro nos dá o deslumbre de ver toda a luta da personagem (ainda mais sendo mulher) em um cenário desprovido de direitos iguais.

    Embora ele deixe a desejar e tenha opiniões divididas, é um livro que eu quero ler.