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Era uma vez no outono, de Lisa Kleypas

de Lisa Kleypas
Título Original: It Happened One Autumn
Gênero do Livro: Romance Histórico, Regencia,
Editora: Arqueiro
Ano de Publicação: 2016
Número de Páginas: 391
Série: As Quatro Estações do Amor
Código ISBN: 9786555650686
Sinopse: A jovem e obstinada Lillian Bowman sai dos Estados Unidos em busca de um marido da aristocracia londrina. Contudo nenhum homem parece capaz de fazê-la perder a cabeça. Exceto, talvez, Marcus Marsden, o arrogante lorde Westcliff, que ela despreza mais do que a qualquer outra pessoa. Marcus é o típico britânico reservado e controlado. Porém, algo na audaciosa Lillian faz com que ele saia de si. Os dois simplesmente não conseguem parar de brigar. Então, numa tarde de outono, um encontro inesperado faz Lillian perceber que, sob a fachada de austeridade, há o homem apaixonado com que sempre sonhou. Mas será que um conde vai desafiar as convenções sociais a ponto de propor casamento a uma moça tão inapropriada?

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Eu sempre soube que a protagonista de Era uma vez no outono seria a melhor de toda essa série. 

Não é que eu não tenha gostado de Anabelle ou não tenha curiosidade na história de Evie (a safada) e Daisy. É só que Lillian Bowman tem um uma rebeldia nos olhos que é tudo o que eu mais amo em uma heroína de época.

Mas antes de eu divagar sobre o quanto a protagonista de Era uma vez no outono é a mais perfeita de todas, deixe-me contar um pouco sobre a escrita de Lisa Kleypas e como eu me apaixonei por esse livro no primeiro capítulo.

O melhor enredo enemies to lovers 

Eu sou muito suspeita para falar, afinal, não consigo resistir a um enredo enemies to lovers. Quando vi Lillian e Marcus trocando as primeiras farpas, ainda em Segredos de uma noite de verão, eu soube que eles seriam o meu casal.

A escrita provocativa de Lisa Kleypas combina muito com esse tipo de enredo. Ninguém escreve diálogos sarcásticos e debochados melhor do que ela e, talvez por isso, Era uma vez no outono tenha sido uma das leitura mais deliciosas de As quatro estações do amor.

Kleypas traça uma linha tênue entre Lillian e Marcus. Ambos são extremamente parecidos nas suas diferenças e é isso que os torna tão maravilhosos aos olhos do leitor.

Enquanto Lillian questiona o comportamento social aristocrático que ela não entende, Marcus se apega aquilo que ele conhece e valoriza. Os dois se desafiam e provocam ao longo das 369 páginas, mas no final são farinha do mesmo saco defendendo o que acreditam com a mesma paixão.

Paixão essa que aflora ao primeiro toque, ao primeiro beijo.

A forma como Kleypas explora o temperamento dos nossos protagonistas para construir a tensão entre ele é simplesmente genial. 

A impaciência de Lillian ao esperar uma atitude concreta de Marcus. O conflito interno de Marcus ao desejar algo que ele considera extremamente inadequado. Tudo isso é a receita para o sucesso de Era uma vez no outono.

Eu jamais vou superar a cena da Lillian dizendo “é que você ainda não decidiu o que fazer comigo”, deixando claro o quanto ela estava disposta a passar por cima de tudo para se entregar ao seu inimigo jurado.

Era uma vez no outono tem a melhor protagonista

Uma das coisas que torna Lillian Bowman a melhor protagonista de As quatro estações do amor é, justamente, o seu temperamento descontrolado e a sua necessidade de se meter em confusões por onde passa.

Como leitora ávida de romances de época, acho que os questionamentos de Lillian sobre a aristocracia muito válidos. A quantidade de regras a serem seguidas tornam o processo de encontrar o marido ideal um verdadeiro tédio.

Ainda assim, sua personalidade ácida nos rende cenas maravilhosas desde o primeiro livro. Eu nunca vou superar ela questionando o Westcliff por atrapalhar o jogo de rounders — mesmo sabendo que ela estava na casa dele. Na propriedade dele.

A verdade é que Lillian Bowman é aquele tipo de protagonista capaz de colocar fogo na rainha da Inglaterra para conseguir o que quer. 

Das quatro amigas, ela é a mais comprometida em ajudar as outras a encontrar um marido. E não mede esforços para defendê-las de todo o mal. Apesar dos seus métodos soarem um pouco desesperados, o fato de ela ser uma amiga extremamente dedicada me conquistou.

O verdadeiro romance com safadeza

Apesar de ser uma grande apaixonada por Lisa Kleypas, eu seria muito hipócrita se não mencionasse o fato de Lillian estar bêbada em sua primeira vez com Marcus. Apesar de Lisa ter colocado elementos para contornar a cena, ainda assim, achei bastante problemático.

Tendo dito isso, vamos falar da safadeza.

A química do casal protagonista é, claramente, inegável. Do primeiro momento em que eles ficam mais próximos, a todas as brigas e trocas de farpas, me surpreende muito que eles não tenham arrancado as próprias roupas em pelo jantar e transado na frente de todo mundo.

É como diz o ditado: quem explode de raiva também explode de amor. 

No caso de Lillian e Marcus, eles só precisavam do tal do perfume para acender as chamas da paixão e colocar a casa abaixo com a fornicação desenfreada.

Um ponto que eu achei muito positivo foi o fato de Lillian levar a questão do sexo com uma certa “frieza”. Não que o ato não tenha sido importante para ela, mas com todos os altos e baixos da sua relação com Westcliff, fez muito sentido que ela quisesse tratar tudo com uma certa casualidade.

Ainda assim, caras leitoras, o Conde de Westcliff sabe como esquentar as coisas nesse enredo, viu?

A condessa rouba a cena na vilania

Às vezes eu acho que a Lisa Kleypas faz um esforço muito grande para me fazer odiar um personagem que eu sei que vou amar. Neste caso, Sebastian St. Vincent.

O cara é um verdadeiro libertino, safado e pervertido. Tudo o que a gente mais gosta num herói de romance. O fato de Lisa ter começado a construção dele tão cedo nos deu espaço para amá-lo antes mesmo do seu livro, Pecados do Inverno, ser lido.

Mas quem rouba mesmo a cena é a condessa viúva de Westcliff, que indignada com o casamento do filho com Lillian, toda as atitudes mais impensadas para que o sangue nobre da família não pise em solo americano.

Desnecessária, porém, não podemos negar que foi o que deu um “tcham” para a conclusão do enredo de Era uma vez no outono. Eu nunca tinha visto uma mãe tão amarga na minha vida, só não supera a mãe de lady Lavínia em A filha do Conde, de Lorraine Heath.

Era uma vez no outono é, atualmente, o meu livro favorito de As quatro estações do amor. Ainda temos mais dois livros pela frente e heroínas tão interessantes quanto Lillian Bowman. 

Eu consigo entender porque essa série é a favorita de muitas leitoras de época. Estou no segundo livro e completamente obcecada por esses personagens. 

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Débora Costa

Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

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  1. Sâmia C. Ferreira comentou:

    Antes de deixar minha opinião tenho que dizer que, essa resenha está incrível e se não tivesse lido o livro com o clube de leitura com certeza ele estaria na minha lista de próximas leituras.
    Em relação a história concordo que a Lisa soube fazer um cão e gato daqueles onde você sente a tensão sexual dos personagens no ar, eles são incrivelmente parecidos em muitos pontos e muito fiéis ao que acreditam. A Lilian com certeza é a melhor personagem do grupo, ela é a mais empenhada, a mais encrenqueira e desbocada, tudo nela é mais (kkkkkkk). O Marcus eu já não gostei tanto, pra mim ele passou uma imagem extremamente arrogante, em 75‰ da história, se julgando melhor que a Lilian, tratando ela com desprezo e a atitude dele na primeira vez deles com ela BÊBADA, só fez piorar tudo, mesmo existindo uma atração entre eles e como você disse a autora colocando elementos alí pra contornar a situação eu achei extremamente cafajeste da parte dele se aproveitar dela dessa maneira (pq no meu ponto de vista, estando sóbria ela nunca se comprometeria dessa maneira com ele, mesmo com toda a atração que existe entrr eles). Enfim a Lilian salva toda a história e conhecer um pouco do St. Vicent me deixou muito empolgada para o livro dele.