Resenhas 28dez • 2018

Filhos de Sangue e Ossopor Tomi Adeyemi

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: Children of Blood and Bone
Gênero do Livro: Fantasia, Young Adult, Ficção
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2018
1º livro da série O Legado de Orïsha
Número de Páginas: 560
Código ISBN: 9788568263716

Obs: Este livro foi cedido pela editora em parceria para resenha.

Comprar: Amazon

Sinopse: Zélie Adebola se lembra de quando o solo de Orïsha vibrava com a magia. Queimadores geravam chamas. Mareadores formavam ondas, e a mãe de Zélie, ceifadora, invocava almas. Mas tudo mudou quando a magia desapareceu. Por ordens de um rei cruel, os maji viraram alvo e foram mortos, deixando Zélie sem a mãe e as pessoas sem esperança. Agora Zélie tem uma chance de trazer a magia de volta e atacar a monarquia. Com a ajuda de uma princesa fugitiva, Zélie deve despistar e se livrar do príncipe, que está determinado a erradicar a magia de uma vez por todas. O perigo espreita em Orïsha, onde leopanários-das-neves rondam e espíritos vingativos aguardam nas águas. Apesar disso, a maior ameaça para Zélie pode ser ela mesma, enquanto se esforça para controlar seus poderes — e seu coração. Filhos de Sangue e Osso é o primeiro livro da trilogia de fantasia baseada na cultura iorubá O Legado de Orïsha e está sendo adaptado para o cinema.

Fazia muito tempo que eu não via um livro com tanto hype como Filhos de Sangue e Osso. Ainda mais se tratando de um livro de estréia. Com todo esse hype em volta do livro, eu comecei essa leitura com medo de que toda essa expectativa acabasse atrapalhando o meu aproveitamento da história, mas felizmente não foi isso que aconteceu. Filhos de Sangue e Osso foi uma leitura muito boa, e eu vou contar para vocês o porquê.

No país de Orïsha, um cruel rei erradica a existência da mágica, e dos maji, pessoas com capacidade de manipular a magia. Zélie é uma jovem divinal, uma pessoa que poderia ser maji, se a magia ainda existisse. Vivendo uma vida difícil com seu irmão Tzain e o pai Baba, Zéie sonha em vingança desde que viu sua mãe ser assassinada pelas forças do rei quando era criança. O que ela não imagina é que essa vingança pode ser tornar realidade, e que existe um ritual que pode trazer a magia de volta.

“Você nos esmagou para construir sua monarquia sobre o nosso sangue e ossos. Seu erro foi nos deixar vivos. Foi pensar que nunca revidaríamos!”

A maior força de Filhos de Sangue e Osso está nos personagens. O ponto de vista da narrativa pula entre Zélie, Amari e Inan, e todos eles contribuem muito para o enredo da história. As vozes dos três são bastante distintas, e todos são muito bem caracterizados, e o resultado disso é que você realmente conhece cada um deles ao longo do plot. Eu gostaria de ter pelo menos um capítulo do ponto de vista do Tzain, porque eu senti que ele foi o personagem que merecia um pouco mais de caracterização, mas o que eu vi dele, eu curti bastante.

A outra grande força do livro é o universo dele. Se você já leu alguma resenha de Filhos de Sangue e Osso, com certeza viu alguém falando que o world building é incrível, e que o mundo inspirando em culturas africanas é deslumbrante, e tudo isso é verdade. Filhos de Sangue e Osso tem um dos universos mais originais que eu já vi em um livro de YA, e isso só destaca o quanto nós temos a ganhar com explorando culturas diferentes nos livros, principalmente quando esses livros são escritos por autores que conhecem bem essas culturas.

O plot do livro é bem legal, consegue equilibrar os momentos mais energéticos e cheios de adrenalina, com os pontos mais quietos e emocionais. A única coisa que eu vou apontar como negativa é o fato de que em alguns momentos, eu achei que as soluções dos problemas aconteceram fácil demais. Os personagens estão a procura de um artefato mágico, e no próximo capítulo, eles descobrem que ele está super próximo deles. Me pareceu um pouco fácil demais, e a desculpa de que “estava nos planos dos deuses” é conveniente demais pra mim.

“Corações bons não deixam cicatrizes como essas. Eles não queimam vilarejos até as ruínas.”

Por outro lado, o conflito central da história é muito bem construído. O rei Saran é um vilão muito bem construído, principalmente porque ele acredita de verdade que está fazendo a coisa certa, e que os maji são uma ameaça real. Uma das coisas mais decepcionantes em livros YA é um vilão que não tem uma motivação forte o suficiente, que faz o que faz apenas pelo poder, ou algo assim. Então, vocês podem imaginar como é bom ter uma figura antagonista que realmente tem um impacto real na história, não apenas nas ações dele, mas também na forma em que ele afeta os personagens mentalmente.

Eu vi algumas resenhas fazendo uma colocação sobre Filhos de Sangue e Osso, e eu vou ser forçado a concordar: Esse livro funcionaria melhor se não fosse YA. Apesar de ser uma história muito bem construída, Filhos de Sangue e Osso não consegue evitar cair nos clichês das histórias YA, e isso acaba tirando um pouco da força da história. Claro que não são todos os livros YA que tem esses clichês, mas você com certeza já leu uma série YA em que ao longo do livro praticamente todos os personagens formam casais. E é esse tipo de coisas que tira alguns pontos de Filhos de Sangue e Osso pra mim.

Mas isso realmente é compensado pela escrita maravilhosa da Tomi Adeyemi. O world building, o plot, a construção dos personagens, as narrações, tudo isso é executado muito bem com as palavras dela. E logicamente, nós não poderíamos concluir essa resenha sem mencionar a questão da representatividade. Obviamente temos personagens negros em Filhos de Sangue e Osso, mas o mais legal é que a narração da Tomi Adeyemi faz questão de retratar que esses personagens têm tons de pele diferentes, mostrando a diversidade de tons que a pele negra tem.

Eu desafio qualquer um de vocês a pegar esse livro e não ser transportado diretamente para Orïsha, e isso acontece graças a escrita da Tomi Adeyemi. Filhos de Sangue e Osso foi uma das leituras que eu peguei com muitas expectativas e, apesar de um ou dois problemas, conseguiu atingir a maioria delas. Obviamente eu vou estar aguardando ansiosamente a continuação.

Vinicius Fagundes ver todos os artigos
24 anos. Formado em Publicidade e Propaganda. Viciado em histórias. Desconhecido mundialmente.

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7 Comentários

  • Luana Martins
    31 dez 2018

    Oi, Vinicius
    Eu namoro esse livro pela capa desde seu lançamento, ela é maravilhosa.
    A cada resenha que leio só reforça que preciso muito ler esse livro.
    Apesar dese problemas que você citou tenho certeza que é uma leitura fascinante que envolve o leitor forte começo ao fim e ainda tem continuação.
    Beijos

  • Nil Macedo
    31 dez 2018

    Não sei se estou enganada mas esse é o primeiro livro que vejo que foi inspirado em culturas africanas. Amei cada detalhe que voce passou. Apesar de ser um YA e ter seus cliches me parece uma excelente leitura. Quero muito ler e já estou aguardando a adaptação para as telonas.

  • Aline Bechi
    31 dez 2018

    Olá, tudo bom?
    Esse livro estava com bastante hype mesmo.
    Magia proibida me parece um clichê do gênero, mas se não funcionasse ninguém fazia, né? Eu mesmo adoro livros que envolvem isso!
    Eu gosto de livros que variam o ponto de vista, e isso fica melhor quando os personagens não parecem sempre o mesmo, né?
    Excelente resenha, vou adicionar o livro à lista.

    Beijos

  • Pamela Liu
    28 dez 2018

    Oi Vinicius.
    Eu só vejo resenhas maravilhosas sobre esse livro.
    que bom que, apesar do hype, o livro atingiu as suas expectativas. Os personagens parecem ser incríveis (adorei saber que a narrativa é alternada entre 3 personagens), o world building é bem construído e o vilão tem uma motivação para fazer o que faz, e não só a busca pelo poder.
    Já está na lista de desejados e espero ler esse livro ano que vem.
    Beijos

  • sarah castro
    28 dez 2018

    Eu estou louca para ler esse livro, quando descobri que autora teve inspiração quando veio passar um tempo no Brasil se não me engano, me animou MUITO mais e uma ótima resenha a sua.
    Ele esta na minha lista de desejados e espero que eu consiga ler ele em 2019 e goste como espero gostar.

  • Kleyse Oliveira
    28 dez 2018

    A capa desse livro é muito maravilhosa, quero muito comprar ano que vem.

  • Angela Cunha
    28 dez 2018

    Quando li a resenha deste livro pela primeira vez, não dei muita atenção ao enredo não. Mas agora olhando o livro por este outro ângulo, entendi que o roteiro foi muito bem construído e os personagens muito bem construídos!
    Só fiquei um pouco apreensiva com isso de casais. Sei lá, parece que um livro que tinha tudo para ter um roteiro bem original, acabou pecando por partir pra este lado de namoros e tals.
    Mesmo assim, se tiver oportunidade, quero sim, conferir!
    Beijo

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