Resenhas 08maio • 2018

A Garota da Bandapor Kim Gordon

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: Girl in a Band
Gênero do Livro: Biografia, Autobiografia, Memórias
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2018
Número de Páginas: 288
Código ISBN: 9788568432358

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

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Sinopse: Lançamento do selo Fábrica231, a badalada autobiografia A garota da banda, de Kim Gordon, chega ao Brasil depois de conquistar público e crítica nos Estados Unidos e na Europa. Fundadora da banda Sonic Youth, ao lado do ex-marido Thurston Moore, Kim Gordon foi baixista e vocalista do grupo por mais de três décadas, além de produtora musical, artista visual, ícone fashion e atriz que continua a influenciar gerações de mulheres. No livro, ela narra sua trajetória com o mesmo estilo visceral e livre de amarras com que se apresenta nos palcos. E começa de trás para frente, partindo de dois términos entrelaçados: o divórcio do casal e o fim do Sonic Youth, ambos um baque para os fãs. A partir daí, a autora fala de casamento, maternidade, feminismo, de seu background familiar, da paixão pelas artes visuais e, claro, de música, com uma narrativa não linear, mas sempre fascinante.

Eu vou ser sincero com vocês, eu não sei muito bem como fazer a resenha desse livro. É complicado resenhar uma biografia porque não dá pra julgar o livro pelos mesmos parâmetros que eu julgaria um romance, por exemplo. Não temo como analisar se os personagens são bem construídos, se o plot é bem estruturado, nada isso, porque não é assim que uma biografia funciona. A única coisa que eu posso realmente julgar e a escrita em si, e se o livro conta uma história interessante, e nesse quesito, A Garota da Banda atingiu quase todos os pontos que eu poderia querer.

Em A Garota da Banda, Kim Gordon, membro fundadora da Sonic Youth, faz uma viagem por suas memórias. Através dos olhos de Kim, vemos como foi sua infância na Califórnia nos anos 60 e 70, sua mudança para Nova York, sua amizade com diversas figuras da história da música, do cinema e da arte, sua paixão pelas artes visuais, seu casamento, o relacionamento dela com sua filha, sua música.

“Quando entramos no palco para o nosso último show, a noite era toda dos rapazes. Por fora, todos pareciam mais ou menos os mesmos, como nos últimos trinta anos. Por dentro era outra história.”

A escrita da Kim Gordon é bastante boa. Do jeito que ela conta as histórias da vida dela, você realmente tem a sensação de que está conhecendo ela. Nos primeiros capítulos, ela conta bastante sobre sua família, e sobre os relacionamentos que ela teve com sua mãe, seu pai e principalmente seu irmão mais velho, Keller. Os momentos em que ela relata como os problemas da saúde mental do seu irmão complicaram muito o relacionamento dos dois foram alguns dos meus pontos favoritos do livro, fica muito aparente o quanto ela ama o irmão, e também o quanto ela ressente a forma como ele a tratou ao longo dos anos.

Outra coisa que o livro faz de uma forma muito legal é explorar a cena do rock nas décadas de 60, 70, 80 e por aí vai. Eu não conhecia praticamente nada da discografia do Sonic Youth, mas essa leitura me deixou com muita vontade de conhecer o trabalho deles (logicamente eu li esse livro escutando várias playlists deles no Spotify). Pra quem é interessado nesse tipo de música, A Garota da Banda é repleta de histórias sobre alguns dos músicos mais famosos da história, como Neil Young, Kathleen Hanna e Kurt Cobain, e de artistas que eu pessoalmente não conhecia como as bandas Black Flag.

Infelizmente o livro tem seus pontos negativos, e alguns deles realmente me incomodaram. Pra começar, Kim Gordon parece ser uma mulher extremamente interessante, mas eu realmente não gostei da forma que ela fala de algumas outras mulheres, principalmente Courtney Love e Lana Del Rey. Ela não é a única pessoa a ter coisas ruins a falar sobre Courtney Love, mas eu achei desnecessário a forma como ela precisou comentar sobre o fato de Courtney ter feito cirurgias plásticas como se isso fosse uma coisa negativa. E o momento em que Kim fala que se Lana Del Rey realmente acredita que a depressão e as drogas são bonitas, ela deveria se matar foi simplesmente ridículo.

O outro ponto que me incomodou no livro é o quanto ele foca no divórcio de Kim e seu ex-marido Thurston Moore que também era membro da Sonic Youth. O livro começa e termina falando sobre o término do casamento dele e da traição de Thurston, e eu entendo que esse tipo de acontecimento marca a vida de uma pessoa mas a impressão que passa é que Kim escreveu esse livro unicamente para ter a oportunidade de falar mal de seu ex-marido. A história dos dois é muito interessante, mas eu acho que existe uma forma melhor de falar sobre ela.

“O casal que todos acreditavam que era de ouro e normal e eternamente intacto, que deu a jovens músicos a esperança de que eles poderiam sobreviver no mundo louco do rock-and-roll, agora era apenas mais um clichê de um relacionamento maduro fracassado – uma crise de meia-idade masculina, outra mulher, uma vida dupla.”

No geral, A Garota da Banda é uma leitura muito legal para alguém que se interessa pela história do rock, mas acaba se perdendo numa confusão de sentimentos extremamente pessoais. A coleção de histórias sobre a Nova York dos anos 80, sobre crescer na Califórnia nos anos 60 (eu tenho um fraco enorme por histórias que mencionam a família Manson) e sobre como foi fazer parte de uma das bandas mais influentes dos anos 90 com certeza ganha muitos pontos comigo, mas o livro perde vários pontos nos momentos em que Kim Gordon se deixa levar por seus sentimentos mais amargos.

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Vinicius Fagundes ver todos os artigos
24 anos. Formado em Publicidade e Propaganda. Viciado em histórias. Desconhecido mundialmente.

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9 Comentários

  • Elizete Silva
    24 maio 2018

    Olá! Apesar de não ser muito fã de biografias, como fã de rock, acho que daria uma chance ao livro, já que nele posso mergulhar um pouco na história da música lá atrás.

  • Bianca Melo
    11 maio 2018

    Escrever uma autobiografia é sempre muito complicado, porque é preciso que o autor se isente de alguns julgamos sobre sua própria vida (e isso nem sempre é fácil). Deve-se ter consciência que aquele não é apenas o relato de sua história, também será algo divulgado, lido por terceiros, etc. Kim tem uma trajetória bem interessante, mas costuma ser meio polêmica com suas opiniões e realmente estoura. Eu não sabia que ela tinha lançado uma biografia, e no momento em que vi o título da resenha até fiquei animada, pois curto Sonic Youth. No entanto, pensar que a própria Kim escreveu me desanima um pouco… Por isso tenho preferência por biografias que não sejam escritas pelas figuras principais da história.

  • Vitória Pantielly
    10 maio 2018

    Oi Vinícius,
    Sabe porque não gosto de autobiografia? Exatamente por não podermos julgar completamente, nesse caso mesmo, por mais que o que foi citado sobre o casamento se tornou cansativo, para a vida dela foi algo que marcou, como definir isso? É difícil para o leitor, a não ser que já goste e acompanhe o trabalho da pessoa, o que não é o caso para mim que também não conhecia banda, e na realidade nem gosto!
    Enfim, não é um livro que sinto vontade de ler, infelizmente.
    Beijos

  • Isabelle Menezes do Nascimento
    10 maio 2018

    Olá!
    Eu nunca li biografias e nem sei se lerei um dia, rock tbm não é um estilo q escuto muito, mas acho q talvez eu leria esse livro, apesar dela ter escrito mal sobre outras pessoas o q não o torna interessante pra mim, parabéns pela resenha pq imagino q não tenha sido fácil,
    Bjs.

  • Bruna Lago
    09 maio 2018

    É bem difícil eu ler biografias, então não saberia como fazer uma resenha também, já que é um estilo bem diferente daqueles que a gente está acostumado né?
    Eu não conheço muitas bandas internacionais, então nesse caso confio na sua resenha pra saber um pouco mais sobre esse livro. Achei interessante essa parte sobre o divórcio e as críticas colocadas. Pela forma que você falou, achei que o livro pudesse ser melhor aproveitado, sabe? Essa foi minha impressão.
    Enfim, obrigada pela resenha! Abraços

  • Micheli Pegoraro
    09 maio 2018

    Oi Vinicius,
    Adoro ouvir rock enquanto leio, sempre gostei dessa combinação. Mas não lembro de já ter ouvido alguma música da banda Sonic Youth, agora fiquei curiosa para conferir o estilo.
    Biografia é um gênero que não leio, não consigo me conectar com a forma da narrativa. Então, essa leitura não funcionaria para mim, até porque nunca tinha ouvido falar da Kim Gordon. Que chato que boa parte do livro foca no divorcio dela com o seu ex-marido, sem falar na forma negativa que ela fala de outras mulheres, bem desnecessária essas partes.
    Beijos

  • Theresa Cavalcanti
    08 maio 2018

    Oi Vinicius,
    Não sou muito de ler livros biográficos, não é uma coisa que chame muito minha atenção, nem me deixa interessada.
    Não conhecia a banda, muito menos a Kim. Provavelmente nunca vou ler, ainda mais pq ela falou coisas da Lana

  • Kleyse Oliveira
    08 maio 2018

    Adoreeeei Vinicius!
    Eu nunca li biografia, mas esse parece ser bastante interessante. Vou adicionar a minha infinita lista de desejados para poder comprar e ler.

  • Lili Aragão
    08 maio 2018

    Oi Vinicius, então eu tenho que confessar que não conhecia Kim Gordon ou a banda mas achei bacana o livro trazer um pouco da história do Rock e uma pena ele se perder nas questões pessoais da Kim, falar mal de outras pessoas ainda mais em um livro pra mim é desnecessário :/

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